.. e não um nome qualquer. Também tem um "S" e um "M", em qualquer posição.
Definir música é o mesmo que tentarmos definir o amor. Os que tentam (penso eu) não percebem nada destas coisas.
Gosta-se ou não se gosta e nada mais simples do que simplesmente simples.
Uma história para registar, do dia 22/23 (devido à hora) de Junho.
Vinha eu do Porto, onde me sinto bem queira, ou não queira, tenho que pensar em melhor tempo no que fazer, quiçá, onde morrer!
Cheguei no minuto zero da partida do comboio no Porto Campanha. Depois de uma boa corrida, entrei, e assim as carruagens iniciaram a sua marcha com destino a Lisboa.
Ofegante, estava eu, nem o respirar me deixava olhar quem na minha carruagem se acomodava ou já se encontrava.
Assisti ainda, como noutras alturas iguais, àquelas despedidas que tanto me enche de ternura. Ver os jovens, os mais jovens e os outros jovens a executar com a perfeição das almas as suas despedidas: Até outro dia, dizem uns, inté… e ainda outros com melhor perfeição, deixam correr a lágrima e dão conta, que o abraço é mais importante no futuro do que o olhar presente.
Apetecia-me ensiná-los a dizer: Cala-me, com a tua boca.
Não ouvi os jovens mais novos a reclamarem a dita; “Adeus” até outro dia. Fiquei contente, senti-me bem, achei que o mundo estava já, em transformações positivas.
O comboio seguia a sua tarefa, o caminho rotineiro, e assim sentei-me, assim, me instalei fantasticamente silenciado pelo que tinha sentido.
Aos segundos, seguiram-se os minutos e ainda as horas. Faltando um terço do tempo para o meu destino, a carruagem pára! Todos os que existiam no espaço do mesmo sentiram a paragem. Os que dormiam, os que liam, os que fingiam que nada viam, os que viam mas nada viam e os que olhavam de solai-o como eu.
Era gratificante olhar para o que via. Tanta gente nova, claro, mais nova do que eu e já sozinhos andavam de comboio. Lembrava-me de outros tempos ainda não muito distantes. Umas mais lindas do que outras. Outras, mais bonitas do que as mulheres bonitas de Portugal.
Nunca me atrevi a disparar qualquer palavra para quem tinha invadido a minha visão.
Era linda! Porra! Acho que naquele dia era a segunda mulher mais linda que eu tinha visto.
Ali estava ela, desde o início da viagem, sentada na fila de bancos do meu lado esquerdo.
O comboio estava parado. Ouviu-se a voz do revisor nos alto-falantes da carruagem: Pedimos desculpa, mas temos uma avaria na máquina. O tempo aproximado de paragem, será de 80 minutos.
Todos, mas todos nesse momento, olharam uns para os outros. Penso eu, que foi o único momento que achei que podia olhar seja quem for, sem que me acusassem de algo menos próprio.
Acho que olhei mil e uma vez, para essa menina mulher! Senti que já tinha olhado mais vezes do que isso, mas continuei sempre a faze-lo. Achei que era um momento único para exagerar o meu envergonhado olhar.
E exagerei tudo o que tinha para não me sentir envergonhado. Era linda… A idade, era o somenos. Senti no que via que, era uma menina mulher! O importante era que fiquei cego de felicidade por ter conseguido olhá-la o tempo suficiente para me sentir cheio de vida. Tive um sentimento naquele momento que à muito não tinha tido. “Queria de novo, viver”.
Quando acordei, descansei o olhar e tentei arrefecer o sentimento. Lembrei-me da minha vida. O pensamento voou a não sei quantos à hora. Lembro-me que, fiz a viagem mais rápida da minha vida a todo o meu passado inglório. Causas justas, mas perdidas. Outras injustas, mas vencidas. Descansei e de novo regressei à minha realidade.
O comboio não ia sair dali tão cedo. Uma hora e meia a duas horas ninguém me ia tirar de estar ali sentado a olhar o ar ou o tempo que não estava a ser justo comigo.
Foi neste tempo que os diálogos se iniciaram uns com os outros. Ninguém se conhecia, mas todos vieram a conhecer-se. É engraçado o que a vida nos reserva. De repente todos olhavam os outros de maneira inocente e tolerável. Todos se pareciam conhecer à muito, fantástico!
Uns iam mais para Sul de Lisboa, outros, mais para o outro lado, e tantos outros com destinos diversos, como chegariam ao seu destino em tempo razoável?
E como iriam, se as horas que nos destinavam para a chegada, não eram nada justas nem tão pouco razoáveis?
Dizia eu no meio de algumas inseguranças: Não é assim tão mau o comboio parar, podíamos estar num avião! Alguns sorrisos eram notados. Pois… diziam alguns. Outros, ainda não queriam acreditar, mas o facto é que estávamos parados.
Risos entre piadas amáveis e frases soltas toleradas, faziam uns sorrir, outros tentavam conseguir soluções e ainda outros que não paravam de dizer que a vida mesmo assim é positiva, eu claro!
Ouvia nos mil e um sons de telemóveis pedidos de ajuda. Ouvi alguém telefonar para um amigo (juro que percebi, que era mais do que isso), mas esse amigo não se disponibilizou para sair de casa (cama, penso eu) e solucionar o pedido. A solução encontrada, era telefonar para os seus melhores amigos, claro, os seus pais. Esses, sim, disponibilizaram-se de imediato (existe gente, que ainda não sabe o que é um amigo).
De repente dei conta que a maioria não tinha assim tantos amigos. Ouvi do meu vizinho do banco (viagem) da frente, a pedir ajuda à sua companheira… Fiquei fantasticamente feliz, ela nem oscilou, vinha dos confins do mundo para o ir ajudar. Gostei, fiquei comovido.
De repente… Lembrei-me de mim! Fiz um pequeno balanço da minha vida. Sou um homem completamente independente das coisas materiais e de outras, poucas substâncias visíveis. Mas, e se não fosse? A quem eu podia socorrer-me? Um sorriso senti… Pensei em alguém que na distância estaria lá. Era bom, simplesmente simples, este pensamento.
Mais risos e mais boa disposição e mais outras frases de positividade que eu ia arremessando e lá fui esperando o tempo oportuno para fazer a minha atitude de bom samaritano que (era consciente que podia), infelizmente ainda tenho que não me folga, este pobre corpo.
O tempo passava, os minutos já tinham ido, noventa minutos foram o tempo mínimo para todos nós, sentirmos de novo a marcha das carruagens seguirem de novo o seu destino inicial.
Faltando pouco para a chegada, ofereci-me para deixar, “A” mais ”B” nos seus melhores lugares para que a chegada a suas casas fosse menos penosa. Em “A” eu sonhei desde o início. Em “B” eu penei, e enganei-me. Assim pensei, assim fiz, e todos foram felizes.
Eu acho que fui mais feliz. Aquele dia tinha sido perfeito, fantástico. Cheio de coisas boas. Estivera com a perfeição da alma e olhei a perfeição do sonho. Tudo tinha sido planeado por Ele, sei, sentia, aceitei.
Entreguei em mão, “A” a seus pais. Ainda lhes ensinei a saírem daquele lugar que pouco conheciam, mas pior é que aquele lugar estava em obras, e até eu tinha dificuldade em reconhecer a nova rota do meu ambiente, mas fomos todos felizes, cada um para suas casas.
Cristina é o nome de “A”. Com curso tirado mas que a sociedade não lhe perdoa a teimosia do seu sonho. Podia ter estudado um curso superior de “pedreira”, tinha tido melhor sucesso e estaria a trabalhar para enriquecer o país, ainda ajudava seus pais e também poderia ir ao cinema com maior folga do que hoje.
Registar o dia de hoje é importante sim, apesar da vida nos últimos dias não ter sido boa para mim. Sei e isso sei, que nem o pior já passou, nem o melhor já por ai espreita. Mas venha o que vier, tentarei lidar com o meu grave problema, com as ferramentas que tenho. A alma, o sentimento e o meu melhor abraço.
Mãe, não estás esquecida! NUNCA! Sei que os dias vão ser melhores para mim e para ti. Também sabes que o tempo não ajuda a esquecer nada, tu nunca me ensinaste isso, mas, sabes que sempre te ensinei estas e outras coisas que só agora, quiçá noutro tempo entenderás. Mas que seja. Se for noutro tempo, logo me encontrarás e então te darei outro melhor abraço.
CRISTINA, sei que não tens PC, mas pede a alguém, uma amiga, espreita este lugar:
Não te esqueças: Para que coisas boas nos aconteçam, é preciso ter a coragem de ficar de mãos vazias, e ir ao encontro do desconhecido.
Estou agradavelmente satisfeito. Como agora gosto muito de dizer, estou cheio de coisas fantásticas, que me chegam todos os minutos.
Nota:
Uma amiga, ensinou-me as palavras; fantástico e cheio. Eu também recolho coisas super fantásticas no tempo do meu dia. Ficou triste de não ter referido o seu nome. Pois então, LISA A. de seu nome. A ela que merece muito, o meu melhor abraço.
(.. 25Jun'05)
