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sexta-feira, 28 de novembro de 2008

Metafísica do Amor

“Não conto com o elogio dos amorosos. A esses o meu ponto de vista parecerá demasiado físico e material, por muito metafísico e transcendente que ele seja. Que eles possam notar, antes de me julgarem, que o objecto do seu amor, que hoje exaltam em madrigais e sonetos, mal obteria deles um olhar, se tivesse nascido dezoito anos mais cedo.”


“.. Para atingir o seu fim, é necessário, portanto, que a natureza engane o indivíduo com alguma ilusão, em virtude da qual ele veja a própria felicidade no que não é, realmente, senão o bem da espécie; o indivíduo torna-se assim o escravo inconsciente da natureza, no momento em que julga obedecer apenas aos seus desejos. Uma pura quimera, que logo se desvanece, paira-lhe diante dos olhos e fá-lo agir.
Esta ilusão não é mais do que o instinto.
..

Não há, pois, homem nenhum que primeiro não deseje ardentemente e não prefira as criaturas mais belas, porque realizam o tipo mais puro da espécie; depois procurará principalmente as qualidades que lhe faltam, ou, por vezes, as imperfeições opostas àquelas que ele próprio tem e achá-las-á belas: daí resulta, por exemplo, que as mulheres altas agradam aos homens baixos, e que os loiros gostam das morenas, etc. O entusiasmo vertiginoso que se apodera do homem à vista de uma mulher cuja beleza corresponde ao seu ideal, e faz brilhar a seus olhos a miragem da felicidade suprema se conseguir unir-se-lhe, não é outra coisa senão o sentido da espécie que reconhece o seu cunho mais atraente e que por ele gostaria de se perpetuar.
..

Por isso neste instinto, como em todos os outros, a verdade reveste-se de ilusão para actuar sobre a vontade.
..

É uma ilusão de voluptuosidade que faz brilhar aos olhos do homem a imagem falaz de uma felicidade soberana nos braços da formosura que a seu ver nenhuma outra criatura humana iguala; a ilusão ainda, quando supõe que a posse de um único ser no mundo lhe assegura uma felicidade sem medida e sem limites.
..

Tanto é esse o carácter do instinto – proceder em vista de um fim de que aliás não tem ideia – que o homem, levado pela ilusão que empolga, sente algumas vezes horror pelo fim a que é conduzido, que é a procriação dos seres; desejaria mesmo opor-se-lhe; é o caso de quase todos os amores fora do casamento.
..

Satisfeita a paixão, todo o amante experimenta uma estranha decepção; admira-se de que o objecto de tantos desejos apaixonados só lhe proporcione um prazer efémero, seguido de um rápido desencanto. Esse é, de facto, em comparação com os outros desejos que agitam o coração do homem, como a espécie é para o indivíduo, como o infinito é para o finito..”

Schopenhauer (1788-1860)


(.. 28Nov’08)

Nota: Metafísica do Amor de Schopenhauer, é um livro que guardo faz muitos anos. De vez em vez leio, raciocino sobre ele e dou comigo a olhar as coisas que me envolvem. Não sabendo "nada" destas coisas do amor, vejo-me demasiadas vezes a pensar sobre as suas ideias “caturras” – dizem, mas para mim e sobre as suas palavras, não é raro, não concordar.
As ideias do filósofo nesta matéria são hoje inaceitáveis, caturras, mas o que me interessa saber é como se pensava na primeira metade do século XIX. Quase concordo com ele e não vejo mal nenhum – porque fui ensinado de outro modo. O amor é tudo o que agora se diz “prá'i” aos céus; tudo é amor; poucos ousam estudar as causas em modos de razão e frieza. Todos cremos e queremos que o amor seja tudo o que é bom e de mais sublime dos nossos sentimentos. Será?
Jesus, disse: amor é caridade.

terça-feira, 25 de novembro de 2008

É justo.

A partir dos cinquenta, li em tantos lugares comuns e menos comuns, já nada é espontâneo, nem a dor nem o prazer. Ultimamente é isso que sinto e é disso que me lembro quando os apetites me nascem na pele.
Ultimamente almoço muito pouco, para não dizer que quase nada me convém. Não sei se é da idade, se é da nova vida, se é das coisas que pensava que iriam me dar prazer e é verdade, o prazer esfuma-se a olhos vistos, apesar de, quando vejo umbigos em pele lisa me apetecer lamber como quem lambe uma cria. Tenho prazeres guardados em qualquer lado e por mais que os procure não os encontro quando quero servir-me. Não sei se é da vida, dos problemas novos, da insatisfação do dia-a-dia, sei que não os encontro quando os devia encontrar logo pela manhã.
Já não acho as paisagens tão bonitas, nem o Sol que pelo tempo se acanha. É previsível o seu curso. Passos dias a dar comigo em pensamentos familiares e quando são muito familiares, deixo de os ver. Deve ser isso que me faz entristecer nos momentos que mais preciso de ânimo. Fecho-me com a certeza de que isto, como o resto, há-de passar. É a dor da vida. Nova. Das coisas que quero. Queria. O cansaço enevoa os olhos. A falta que em tudo habita, auguro irreversível – talvez. Às vezes nem vejo a sombra que deveria fazer-me companhia. Nos dias bons e nos dias menos bons. Não venceria a própria sombra. A deformação que arrogo não é condição de vida nem me pertence porque nasci com defeito pensando que podia ser outro.
Quando penso nos prazeres que me pertencem, penso no tempo que preciso para que o prazer seja total É difícil. O prazer dilui-se e eu não consigo perceber que mal habita em mim, apesar de respirar bem e gostar das coisas ténues que advém em mim.
É muito tempo que passa para que as coisas mudem de rumo. É muito tempo para mim. E quando é muito tempo, é preciso muita coragem para que o tempo seja esquecido. Pareço a criança que quer já tudo montado e tomar controle da sua própria vida.
O que sei é que a vida me levou para caminhos que nunca tinha pensado antes e agora não sei o que fazer mesmo que procure fazer o impossível para que a vida e os dias sejam o melhor possível. Quase sempre nunca sei o que fazer, é como agora, não sei o que escrever sobre o tempo que cada vez mais tropeça sem fazer qualquer lágrima. Dizem, todos, quase todos, a vida está má e eu digo; está um caos.
Sim é esta a vida que levo, mesmo que não queira, é a vida que soçobra em mim agora, apesar de ser feliz ou quase feliz por outras razões muito melhores.
Há mal-entendidos que nunca convém alimentar. Foi assim que fiquei sozinho noutros tempos apesar de tentar melhorar. Talvez da maneira errada. Agora, mesmo que quisesse recomeçar não tenho tempo e este não mostra qualquer compaixão quando houve alegrias que bastassem. É justo. Quase gosto da vida que tenho.
Ai se não fosse a que gosta muito de mim. Ai, ai!..

(.. 25Nov’08)

terça-feira, 18 de novembro de 2008

Soltas

1001
Só sei é que uma vez..

32
As pessoas não querem mudar nada. Bem! Vejo as coisas assim. Estou aqui sentado a comer uma sandes de “manteiga” feita inteiramente por mim e a fome, depois da bucha ter ido para o estômago, desapareceu. Fico a pensar, como é que tão pouco alimento me rouba a fome tamanha que tinha?

733
A espécie mais ameaçada no nosso país, não é as cegonhas ou os peixes de água doce. É a nossa língua! A linguagem hoje é estropiada. O vocabulário médio é um terço do que era há 100 anos. As palavras caem da nossa boca e morrem nos nossos pés! A paisagem do vocabulário está a ser destruída e contaminada pelas estupidez da cultura popular, envenenada pela obscenidade, pelos mídias obcecados com a juventude. Preciso de aprender a ser moderno.

954
O coração humano tem tesouros ocultos, e isso já todos sabemos. Nos segredos mantidos no silêncio. No silêncio selado muitas vezes prometido. Nos pensamentos. Esperança. Sonhos. Até nos prazeres cujo charme se romperia se revelado.

85
Quero tanto fazer as pazes com todos os que de alguma maneira magoei.

56
Gosto do facto de não saber nada sobre a mente das mulheres. É que não me entendo nem percebo o pensamento das mães, das mulheres mais maduras, talvez seja por terem a idade da sabedoria, quiçá - dizem, quando nos deixam o seu pensamento: “Se quiseres saber como conquistar o coração de um homem é simples, apanha-o pelo estômago.” Não concordo. Ironizo: Não seria melhor com uma faca afiada, através da nossa camisa?”

327
A: Devíamos parar de caminhar. Fazer uma paragem às vezes é importante para a nossa vida, mesmo que seja só para respirar, reflectir, olhar. Porque não agora? Achas que é uma dificuldade para ti?
B: Os impulsos são muito importantes para mim.
A: É que gostava muito de chegar a ti. Parar agora iria ajudar-me.
B: Acho que estás certo, mas se pararmos agora podemos precisar de um empurrão.
A: Estou aqui para me ajudares, e eu ajudar-te. Queres a minha ajuda? Confias em mim?

38
No namoro quando a confiança nasce, geralmente esquecemo-nos do código respeito, o abuso chega. Reparamos nisso quando as desculpas caem na vulgaridade e voltamos a repetir por tolice que temos tudo na mão. Ou casamos, e começamos a ferir-nos uns aos outros. Devíamos ficar fulos era muito mais cedo. Alguns conseguem não se enfurecer quando não tem sexo faz algum ou muito tempo. Cá para mim que não percebo nada de pensamentos, penso vulgarmente - é uma pena que o sexo não seja tudo. É mesmo uma pena.

589
B: A tua facção é apenas isto, censurar ou refilares entre dentes, não é?
A: Pára! Só estamos a falar. Tens medo de falar? Que eu fale? Que pensas acerca de tudo isto? Tens uma opinião? Gosto muito de falar, mesmo que me aches um tolo.
B: Bem, somos apenas.. somos apenas diferentes, é o que sei.
A: O mundo pode desabar, mas tu és o meu coração, minha querida mulher sempre presente, e eu quero ficar pelo menos até irmos. Como te impeço de perderes o rumo? O meu amor não é suficiente - sinto. Ainda não consigo encontrar todas as palavras, ainda não está na hora, e a minha cabeça não consegue pensar em nada. Só te vê a ti e sabes que estou a tentar. Deus sabe que estou a tentar. E por que é que o vento continua a gritar?
B: Ainda não acabaste?
A: Não paro de tentar. Acho que estou a aprender a viver outra vês. Existirá um lugar certo onde consiga tirar algum sentido da vida e enfrentar o amanhã? É que tento muito, por ti, talvez por mim. Penso que estou a aprender. Não estou a morrer, entendes? O mundo dá algumas voltas. Nós damos algumas voltas, mas isto não é morrer.

10
Às vezes dormes tu tão bem que pareces o meu anjo que me acolhe e ajuda nos dias mais difíceis; os que passámos, os que passamos e os que faltam. No meu sonho é assim. Às vezes durmo bem e não sonho nessas noites. A dormir não sonho coisas que desejo porque só o real quero. Gosto-te tanto minha querida mulher sempre presente. Se fosses mais feliz do que comigo vives, o sono vinha tomar-te e as coisas materiais esbatiam, as que te debilitam. É que eu aprendo a fazer isso tudo porque o meu gostar é efectivo, pelo menos é o que penso, sinto, e vai ser assim até ao último dia que ordenes diferente.

(..18Nov’08)


(A) eu.

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Enganos.

A cada segundo, em todo o mundo, alguém tem de estar a fazer alguma coisa. Estamos sempre ocupados, mesmo que não queiramos, mesmo que estejamos a dormir ou a ir para o céu. Logo eu que não faço nada, gosto cada vez mais de não fazer nada a não ser olhar as coisas que tenho de olhar e mentir também não o faço, porque não fazer nada já me ocupa muito a mente e o corpo também.

Dizer a verdade agora, mesmo que a soubesse dizer, seria cruel e inútil. Ninguém pode travar o absurdo caminho que conduz ao desaparecimento da pessoa por quem um dia outro se apaixonou. São acontecimentos já tão vagos que absurdamente continuar é melhor serem isso mesmo, vazios absurdos. Sempre nos apaixonámos. Quer dizer, que me lembre em consciência apaixonei-me fingindo que era já um homem. Ela queria que assim fosse e eu queria experimentar. Era um menino. Nem os pelos da cara parecia que ia ter. O que era preciso era continuar a mentir, mentir o mais perfeitamente possível sem qualquer deslize, usando todos os recursos da imaginação, da inteligência, mas sem o verdadeiro prazer, porque isso, ainda era vedado aos meninos como era eu no tempo que falo.
Lembro-me, era preciso mentir sobre a mentira e continuar. Era assim que queriam que eu fosse. Era assim que tinha de ser. Não fosse eu um menino usado pelo prazer de sonhos desventrados de fêmeas ressequidas pelo tempo, completamente fora do meu tempo, mas era assim que queriam que eu fosse e que me lembre. Fui sempre um menino bem comportado, pelo menos é o que penso agora, pela muitas procuras que tive, só naquele tempo. São os pesadelos que me fazem estremecer e abrir os olhos que julgo sempre abertos.

Agora é tarde para tudo, mesmo que a lembrança persista num olhar, mesmo que ténue, mesmo que defunta, até mesmo para quem persista em lembrar-me dos meus defeitos, é que nunca depois de os abrir me obriguei a fazer o que não quero. Geralmente, lembro-me de coisas bem piores. Omissões persistentes, mentiras floridas em qualquer horário e continuavam a persistir mesmo que moribundo de carências. Nunca me dei com trabalhos facilitados e melhor do que isso, não sou carenciado de afectos, sexo, amizades, apesar de fazer nascer palavras que me saem da língua dos dedos das mãos que podem fazer parecer o que não é. Só sou um mais tolo, nada que não me deixe prosseguir o caminho natural da vida, o dia-a-dia que me afecta.

Espanta-me a resistência com que os humanos inutilmente persistem prosseguir com uma heroicidade indistinguível da inconsciência. A aflição é um estado de graça, porque é na aflição que estamos mais perto do que não somos e isso, até nos parece que nos salva, das maldições, dos pecados, dos outros, ficamos ilibados, enfim, parece um momento menos sóbrio. A situação torna-se insuportável quando pensar muito na mesma coisa, não faz senão piorar as coisas - as que parecem e as que menos parecem, é intolerável, até as maledicências que se oferecem em dias de aflição. Mas percebo e quero continuar a perceber a vida dos humanos, porque já não sou eu, sou o outro.

Ter menos por onde escolher entre coisas tão banais como são as indispensáveis é para mim uma vantagem que vale sempre alguns cêntimos que sejam. Sou cada vez mais pobre de materiais que antes não usava perder. Hoje perco menos porque o que tenho é exactamente o que quero e mais não penso.

Antes de qualquer partida por força das diferenças a que assistimos, seja num dia qualquer, num futuro longínquo, que ainda não tenha nascido, que já respire ou que tenha acontecido, lembra-te de mim não como um herói, mas como um homem, falível, com defeitos e que erra acima de todos. É assim que quero ser lembrado.

(..13Nov’08) (2)

terça-feira, 11 de novembro de 2008

Normal II.

À minha querida companheira e mulher sempre presente..

Ainda agora tenho muitos vazios dentro de mim, não é fácil apagá-los – já sabia, e não procuro em ninguém o preenchimento. A minha nova vida é que me fez deixar de interessar, até de olhar para o que antes eu olhava ainda como um menino. É na minha querida companheira e mulher sempre presente que faço refúgio dos meus sentires, que assertivamente sinto, que é para toda a vida, pelo menos até a morte me chegar e falta tão pouco que, cada vez mais me apetece enroscar dentro da minha querida companheira e mulher sempre presente. Só ela tem a paciência que julga que mereço e por isso e por ela, adormeço todos os dias na respiração e na cama dela, porque ela quer que seja assim e até ela querer, adormeço dentro dela.

Sei que me vais tratar até ao fim – sinto-o, mesmo que te nasça a piedade que se tem por um qualquer desconhecido, e agora muito pobre, cujo destino acabou por fazer acontecer estarmos juntos. Aceitei. Já não há remédio algum para quem encontra alguém que se gosta muito. Há muito que não havia nada que eu pudesse sentir - antes era o disfarce pelas omissões. Um dia, muito perto, um de nós lacrimejará pelo outro, e isso não é mal nenhum, porque a vida não tem importância. O que vale é o que dá valor à vida.

O mais natural é saber e depois esquecer, isso sim é que é natural. Como a minha imperfeição, nunca me distraio e por isso me acham um chato. Lembro-me de tudo, mais agora - que ruim me é a alma, às vezes até me lembro da primeira luz quando nasci.

O facto é que comecei uma nova vida e não posso morrer porque agora sou outro. O outro que era, não sou eu, esse era um menino que acreditava até nas omissões. Deformo-me ainda com dores, são ocas, não é fácil, estou a crescer, sei que sou capaz. Mas quando desaparecer, prometo-te, levo-te comigo. Tu és a mulher bonita que eu mais gosto, minha querida mulher sempre presente.

Esquece aqueles minutos que me porto tão mal quando te sussurro obscenidades no ouvido, no outro também. É que não estou triste, pode é parecer, era assim que tudo tinha de acontecer e não penso mais nos dias anteriores e no dia de hoje também. A vida vale o que lhe prometemos, o que aceitamos, e há coisas que não aceito apesar de acontecerem, por isso esqueço, só não me esqueço de ti, isso é que não. Gosto-te, e tu sabes o quanto minha querida companheira e mulher sempre presente.

(..11Nov’08) (2)

Normal.

À minha querida companheira e mulher sempre presente que com a sua singular tolerância, está comigo no bom e no menos bom da minha deformação.

Seduzir é fácil para quem sabe ser o que os outros desejam e não tem de prestar contas à pesada ilusão a que chamam personalidade. Sou vários e sempre me dei bem comigo sem omitir o que quer que seja. As coisas quiseram, eu quis, ou aconteceu – o que é o mesmo. Deformo-me ao momento que vivo porque tu minha querida mulher sempre presente, me fazes sentir melhor do que outrora. As dores que vou tendo, são vazios que tento exaurir no tempo e isso minha querida, não tem mal algum.

Há coisas a mais e qualquer espécie de curiosidade irrita-me. Já vi coisas a mais, paisagens a mais, pessoas a mais, os céus, esses, ainda não consegui ver todos, porque às vezes quero ser surdo de vontade e mouco de horizontes. É que para mim as coisas quando se tornam familiares deixam lentamente de se ver e deixam de incomodar. É talvez a única maneira de as fazer desaparecer. Acredito que deve ser assim. É como encontrar agora alguma coisa que me satisfaça, não mudo, e isso já sabia – impossível, sou um ocupado porque tu apareceste e ficaste para mim. É que para mim as novidades trazem desilusões às quais qualquer ser sensível deve ser poupado. Sabia quando estava desocupado.

Gosto de saber que me quiseram e deixaram de me querer. Permito todos os abusos até os banais. A vida não acontece por acaso, apesar de muitas gentes acreditarem no que querem muito acreditar. Fui obrigado a aceitar que a vida é assim. Bamboleamos e rebolamos as vezes necessárias para voltarmos um dia ao mesmo lugar que antes desprezamos. Dizermos coisas ocas, só porque a raiva se instalou. Apetece-nos gritar disparates e esquecemos de semear bom senso que outrora espalhámos a céu aberto.
Cada vez mais a violência da vida parece-me insuportável, por isso, deixo tudo pelo abrigo dos abraços verdadeiros da minha querida mulher sempre presente. Promete-me todos os dias ajudar-me a concretizar os meus sonhos e eu prometo-lhe as coisas que ela me promete. Assim acordamos depois de uma noite cheia de carícias, sonhos e vontades.

(..11Nov’08) (2)

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

Labirinto.

Irracional de palavras. Raciocínios confusos e outras merdas desordenadas.

A vida é um caos. Aqueles que não são capazes de controlar os caprichos, estão destinados a serem controlados por eles.
Capricho.. Diz não!
Acaso.. Não planeis.
Caos.. Liberdade.


Trabalho. Eficiência. Modelos organizacionais. Modernismo, e tantas tretas que ouço e leio, que já faz dó. Tudo, dizem, para sermos mais felizes. E o tempo esgota-se, basta olharmos para trás e vermos o que já passámos.

Algum de nós quer saber destas modernices? Já pensaram um pouco nos quantos cursos modernos aparecem todos os dias (é só olharmos para qualquer jornal)? Desses que se tiram muito depressa e no final, entregam-nos um papel com muita delicadeza atestando que agora sim, somos melhores que anteriormente, e isso, nunca antes de pagarmos com o dinheiro que pertence há família, aos filhos ou ao nosso bem estar.

Pode até acontecer que depois da frequência de um desses cursos modernos as coisas melhorem para quem trabalhamos, ou para nós, mas isso vai tornar-nos mais felizes? Vai evitar que acordemos numa manhã com uma doença incurável? Evitará que a nossa mulher/marido ande por aí em caminhos impróprios? E os filhos vão ser melhores?

A nossa arrogância somada à da sociedade coloca-nos na fila dos inválidos. Vamos mantendo os sapatos a brilhar porque aprendemos que é um sinal de gente de bem e vamos sonhando que com o esforço e a nossa devoção, um dia seremos recompensados.
Bom, deixem-me perguntar uma coisa; Há aqui alguém verdadeiramente feliz? Conhecem alguém? Se há, erga a mão bem alto e muito alto, grite; EU SOU FELIZ!

Tenho as minhas dúvidas, mas são as próprias do meu labirinto - deformação. As decisões que tomamos na vida são uma porcaria. Somos previsíveis. Iguais a todos os demais. Nada é novo. Fomos ensinados a ser escravos de coisas sem qualquer valor. E quem nos rodeia, educado de igual forma, não nos pode ajudar. Temo que a maioria tenha uma vida de merda, estamos “todos” em estado de coma. A letargia também é assim. O que nos falta é paixão às coisas que fazemos ou que queremos muito fazer.

Temos "todos" falta de paixão!

Chiça! Ca'coisa! Que merda! Ôdase! Ajamos de acordo com essas paixões! Sucumbam aos caprichos! Forjem um ser novo, caramba! Façam alguma coisa antes que seja tarde demais! Digam todos os dias na frente do espalho!

NÃO ao capricho!
SIM ao acaso!
SIM ao caos!

Às vezes tenho confusões na minha cabeça e acordo com perguntas que não são minhas. Acordo e revejo-me em coisas vulgares. Aprendo que não sendo minhas, são minhas, porque fui eu que as sonhei e se as sonhei, pertencem-me - ôdase. Então, os sonhos perguntam-me; Como voltas para trás, se não sabes como perdoar?

Dizia-me um dia destes alguém, numa conversa sobre amor, que a paixão, dura no máximo três anos! Grrrrrrr.. e que para vencer, seria necessário enganar e fazer votos de abafo. Pensei e fiquei aborrecido. Não concordei, mas no tempo, verifico cada vez mais em quase todos o facto, pelo menos a vontade, o que para mim já é a morte. O mundo vive de caprichos e ilude-se - é. Abomino a condição de viver com alguém e na lufa-lufa da vida, criar paixões escondidas dentro de mim para multiplicar a existência com a pessoa com quem partilho o respirar. Viver a dois é uma luta constante de coisas boas e menos boas. Queremos ou não queremos – essa é que é essa.

No dia seguinte e nos outros, continuei a pensar sobre o assunto. Ocorre-me o facto que nos relacionamentos existem várias crises temporais! Sabemos. Leio essas coisas por aí, até revi paixões que vivi, as coincidências (se é que alguma vez tive essa coisa mais do que uma vez). É sempre difícil perceber porque raio me apaixono por uma mulher. Depois, quando sinto desvanecer, o encanto a desaparecer, pergunto! Onde está o verdadeiro amor? E os sonhos voltam. Os meus e os que acho que não são meus.

A idade tem destas merdas, a consciência incomoda-me porque fraqueja. Há uma frase que costumo dizer a mim próprio quando alguém me desperta a atenção; me faz sorrir; me faz sentir que eu sou eu (em minha opinião, o click é a carência ou a cegueira completa):
“A paixão não existe. É apenas a perfeição daquilo que eu quero para mim próprio.”

Sim, começo a acreditar que a paixão é algo muito egoísta e que acontece quando nos iludimos muito, pondo as nossas expectativas ou as coisas que mais nos agrada numa determinada pessoa, porque o sorriso bonito fez acontecer e facilitou. Ou o olhar profundo entrou dentro, e fraquejamos. Aí criamos a ilusão, a nossa – só pode. Depois quando o encanto se esgota, ficamos decepcionados, e ou perdidos - claro. Afinal essa pessoa não era o que pensávamos. Não falhou. Não podia, porque estivemos a por os nossos ideais na outra até à exaustão, e ela não nos adivinha! Resumo, somos muito egoístas.

Com o passar do tempo fazemos perguntas. A maioria no mínimo são estranhas porque o tempo agora é diferente. Umas desligamos. Outras conseguimos as respostas que queremos aceitar, mas outras..

..ainda não sei, é uma das coisas que ando preocupadamente a descobrir.

(.. 10Nov’08) (2)

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

Amizades

Fico sempre muito apreensivo quando alguém me sussurra que é amigo de alguém. Os alarmes do bom senso tocam-me alto quando se esticam mais um pouco nas palavras; “é muito meu amigo e eu sou muito amigo dele.”
Às vezes sinto-me dilacerado. São os casos onde os que estimo me desabafam. Cá para mim que tenho tantos alarmes no corpo e o bom senso não me falta, pensei no que escrevi faz alguns anos. Não preciso de editar nada. As palavras são as mesmas. É só isto que me apetece lembrar e hoje por aqui me fico.

http://tuaminhaboca.blogspot.com/2004/09/amizade-e-traies.html

(..07Nov’08)