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NOTA: Por estarmos em tempo de crise e não querer contribuir para o enriquecimento das operadoras, não envio SMS a ninguém.
(.. 22Dez'08)
segunda-feira, 22 de dezembro de 2008
Boas Festas'08
quinta-feira, 18 de dezembro de 2008
O menino e a menina.
"e a minha menina muito querida,"
".. crescem."
Nada me perturba em consciência. Fui um pai fantástico. Não sei é se agora como outro e mais velho, vou ser melhor, essa é que é essa. O fácil é que não tenho qq obrigação. As obrigações são para as gentes que nunca fizeram nada e em últimos dias querem repor as faltas.
(.. 18Dez’08)
Filhos.
Aos pequeninos; o menino e a menina.
Depois do início. Os pais estão separados. Ninguém tem e ninguém quer ter culpas. Cada um tem a sua vida. Diferente. O que é igual é coincidência. Acontece o mesmo com tanta gente. É o fruto da intolerância, da pressa. Do querer coisas que o outro não quer. É assim que o mundo saltita, acomoda e tanta gente vive. Mais vale do que andarem com desacatos constantes e pior, os miúdos assistirem, quando há miúdos. Preferem partir. Viverem em casa diferentes e depois de algum tempo, aceitam viver com pessoas também diferentes. É a vida, dizem. Os meninos andam cá e lá. Passaram a ser mais ricos de coisas materiais. Têm quase sempre duas casas. Dois carros e mais brinquedos. Todos têm de trabalhar. A vida é difícil.
O avô tem tempo, parece. Está sem trabalho e de momento não quer mais nada. Anda triste. É uma nova vida. Será assim até ao seu final. É que agora o tempo passa em atropelos de pensamentos e ao que parece, não se quer encontrar.
Ser avô, dizem, é ser pai duas vezes. Devíamos entender primeiro se ser pai, é ser-se escravo da intolerância juvenil etc e tal, de sementes que foram semeadas!
No pensamento, o velho, repete com orgulho nostálgico; “sou avô de duas crianças lindas”. Quando era mais novo tinha pensamentos semelhantes: “sou pai de filhos lindos”.
Os tempos são outros. Os pais preocupam-se. Todos, cada qual com as suas coisas. Só os meninos podem fazer tudo, o avô agora não diz nada. Não é como noutros tempos, quando era pai. Chamava-lhes a atenção, “ainda são meninos para entenderem a estupidez dos adultos”. E ouvia; “Pai posso andar descalço?”. Como pai, tirava-lhe os sapatos.
Os pais gritam muito aos filhos. Os avós são silenciosos. Os avós têm muito mais dores do que quando eram pais. Os médicos dizem aos avós para tomarem algo, dormem melhor e espantam os gritos. O avô pensa que o médico é maluco e aguenta o frio. Os pais sabem quase sempre o que fazer com os meninos - pesam eles. Os avós calam-se.
O filhos fazem muitas perguntas! “Porque não dormimos todos no mesmo quarto?”. Os pais diferem com ares de amor! “No próximo Domingo, vamos comer frango assado com batatas fritas, “tá’bem”?”
Os avós orgulhosos andam de mãos dadas com os meninos na esperança que as gentes olhem e saibam que são da mesma semente. Há pais que sofreram muito mais dos que os avós quando os meninos eram pequeninos. Agora o avô chegou à idade de não querer fazer nada, sossegou. Abraça quem lhe chega o beijo na face. Os que lhe procuram. Os que lhe querem afeição. Deixou de procurar. Olha para trás, e sabe, sente, foram dias difíceis, os que passou com os seus meninos. Agora quer que sejam felizes. Os pequeninos. E os outros que já cresceram.
O avô lembra-se daquele tempo (ainda não está gagá), das palavras mortíferas que lhe foram proferidas. Era um pai. Ainda lhe dói. Tenta esquecer, mas a lembrança não se vai.
O avô queria o melhor para os seus meninos. Eles não quiseram. E a vida hoje não se compadece com o que queriam e não queriam, os seus meninos. Seria bem melhor, a vida deles, terem feito o que o pai lhes pedia. Na altura, era tão pouco. “O vosso único trabalho é estudar!”, “mereçam este tempo de facilidades!”
E o menino pergunta; “e para que serve?”, o avô sabe: “É para jogares”. O menino pede: Conta a história” e o avô protesta: “Outra vez o capuchinho vermelho!”
Os filhos queixam-se. Os meninos e os avós nunca se queixam. Têm sempre um ar sério, olham de frente e seguem. Sabem o que estão a fazer. Na rua vão sempre de mão dada. Confortáveis, alegremente sorridentes. Sentem orgulho de estarem juntos. Não se cansam de todos os dias verem as mesmas coisas. Gostam de se olhar, procurar os sorrisos um no outro. Gostam de ir ao jardim. Brincar nos baloiços. Nos escorregas. Ir há piscina.
O avô volta a ser pequenino e todos os dias o menino e a menina crescem.
(.. 18Dez’08) (2)
terça-feira, 16 de dezembro de 2008
segunda-feira, 15 de dezembro de 2008
Downshifters
Sempre fui um “Downshifters” sem o saber, agora sei e sinto vontade de sorrir. Devo ser, desde que deixei de aceitar horas extraordinárias na empresa onde trabalhava. Aconteceu mais ou menos no início do ano do senhor, 1990.
Tinha concluído por essa altura o Curso de Design do IADE - Lisboa. Queria saber mais. Queria ganhar mais. Queria um novo desafio, um melhor novo emprego. Nessa época, “anos 90”, tive dois convites para integrar, em agências de publicidade na zona de Lisboa, como Designer Gráfico.
Ainda aceitei fazer psicotécnicos e aceder a uma entrevista depois de aprovado na anterior. Marcou-me profundamente, a entrevista. Pediam-me disponibilidade total. Essa a condição essencial, primordial e não a sociabilidade entre o grupo. Também não deveria ter família (filhos menores), tão pouco pensar em cria-la nesta altura, se acaso fosse seleccionado - lembro-me. Os horários podiam ir pela noite fora, como também pelos fins-de-semana e ou feriados. Ganharia no início, três vezes mais do que ganhava actualmente e o futuro era muito promissor, pelo menos monetariamente. Acho que foi desde ai que iniciei uma nova atitude de estar na vida e no meu emprego, o dinheiro não seria tudo e isto sim:
- Fazer o que mais gostava;
- Gostar de estar onde trabalhasse;
- Ter tempo justo disponível para a família e para mim;
- O ordenado seria uma bênção adicional.
Com esta atitude, ganharia menos, muito menos, mas não abdicava do tempo familiar. Tive muitos dissabores. Outros, adquiriam; boas casas, carros e muitas coisas que qualquer pessoa gosta de ter. Deixei de ter isso tudo pelo prazer de não me vender e fazer da minha vida o que mais queria – vivê-la.
Hoje, passados tantos anos, aprendo que afinal há muitas pessoas pelo mundo que optaram e a optam pelo mesmo ideal; Ganhar menos e viver melhor. São os chamados: Downshifters. O termo foi apropriado da palavra "downshift", que significa, passar para uma mudança abaixo no carro ou na mota, ou seja, abrandar, desacelerar. O objectivo é mesmo esse: abrandar o ritmo de vida.
Pronto, afinal também sou um “coiso e tal”. Apesar deste ideal, não quer dizer que tenha tido uma vida fácil ou melhor do que outros que se martirizaram, mas quer dizer que faz anos que decidi que o dinheiro não era tudo para mim, ou melhor, os objectivos da minha existência não passavam por qualquer valor material, e isso sim, passavam pela liberdade que pudesse ter para mim e para os meus.
Na maior parte da minha vida anterior, não fui compreendido, mas compreendi-me sempre melhor. Senti-me sempre bem e consegui estar bem comigo e com a vida - pelo menos até hoje. Outros deixaram morrer a vida, e compraram, melhores casas, melhores carros, melhores artefactos, etc e tal, coisas que ainda hoje não dou valor que talvez mereça.
Vi o Sol. Vi o mar. Outros países. Outras gentes. Não posso dizer o mesmo das gentes que passaram por mim, mas sei que a maioria têm essas coisas todas, mas nunca viram um pôr-do-sol a namorar-me. Não têm tempo, dizem.
Nada tenho contra, mas tenho contra o facto de às vezes ainda não me compreenderem, pelos menos os que passaram por mim - falo das mulheres. É que ainda prezo muito o meu mui vagar de fazer tudo sem pressas e sem dores. Se tivesse muito dinheiro, deixaria de ver as coisas que hoje vejo, e isso é que é verdade. É que eu preciso de muito pouco para viver, só preciso de comer.
A inveja, a frustração, o egoísmo, etc e tal, tornam-se cada vez mais, valores fundamentais da sociedade. Os mídias vendem, “ad nauseam”, a imagem de gente bem-sucedida, vidas paradisíacas, tudo apenas pela obtenção dos produtos “x”, da viatura “y”, da casa Alfa. A publicidade é agressiva a olhos vistos. Vêem-se raparigas/rapazes de 13/14 anos a passarem-se por mulheres/homens, fazendo-nos crer que se utilizarmos os produtos “xpto”, ficamos iguais; bonitos, jovens e felizes para sempre. A maioria das gentes, “lá no fundo”, acredita e constroem a esperança em espuma de vento.
Não sei se as minhas opções foram as melhores, mas pelo tempo que já passou, concluo que a maioria foi boa, outras, talvez menos boas, e nem por isso deixei de ser quem sou. A única coisa que consigo ver daqui é o facto de, para termos algumas coisas mais na vida, não chega sermos honestos – é um facto. Os que mais adquirem resultados materiais, são os que mais baixam a cabeça em vénias absolutamente ridículas, e para estarem bem, só precisam de encontrar uma companheira que pense no mesmo jogo. Porque nunca joguei, estou só.
(..15Dez’08) (2)
sexta-feira, 12 de dezembro de 2008
Solidão (II)
Marque encontros com você mesmo. Experimente. Dê um tempo. Surpreenda-se. Solidão é exercício, visite-se. É pausa, contemplação, observação. É inspiração, conhecimento. É pouso e também voo. É quando a gente inventa um tempo e um lugar para cuidar da alma, da memória, dos sonhos; quando a gente se retira da multidão e se faz companhia. Quando a gente se livra da engrenagem e troca o medo de ser só pela coragem de estar só. Não falo de isolamento, nem de ruptura. Adoro gentes mas, mesmo assim, e talvez até por isso, preciso de solidão. Preciso estar em mim para estar com outros.
Ninguém quer ser solitário, solto, desgarrado. Desde que o homem é homem, ou ainda macaco, preferimos não ficar sozinhos. Agrupamo-nos, protegemo-nos, evoluímos porque éramos um bando, uma comunidade. Somos sociáveis, gregários. Queremos família, amigos, amores. Queremos laços, trocas, contacto. Queremos encontros, comunhão, companhia. Queremos abraços, toques, afecto. É a nossa vocação. Mas, ainda assim, revendo o poeta, ouso dizer: é preciso aprender a estar só para se gostar e ser feliz.
O desafio é poder recolher-se para sair desatado. É fazer luz na alma para conhecer os seus contornos, clarear o caminho e esquecer o medo da própria sombra. Existem pensamentos, orações, sorrisos, encontros e realizações que só acontecem quando estamos a sós. Existem curas, revelações, ideias, lembranças que só podem vir à tona quando estamos sós. Mesmo os momentos compartilhados só serão inesquecíveis se uma parte nossa estiver inteiramente só para apreender tudo que apenas a nós se revelará e tocará.
Existe uma pessoa que só conhecemos se conseguimos ficar sós: nós mesmos!
Seja amigo da solidão. Aceite seus convites, passeie com ela, desmistifique-a. Não corra dela, não tenha medo. Desassombre-se. Ouse a solidão e fique em óptima companhia.
(.. 12Dez’08)
Nota: Parte 2. Textos do meu baú, ano 2003.
Solidão (I)
Solidão é requisito para nascer e para morrer.
Que me desculpem os desesperados, mas solidão é fundamental para viver. Sem ela não me ouço, não empreendo, não me fortaleço. Sem ela me diluo, me disperso, me espelho nos outros, me esqueço. Sem ela os silêncios são estéreis e as noites sôfregas, povoadas de assombramentos e desejos insaciáveis. Sem ela não percebo as saídas, os milagres, os espinhos. Não penso desprendido, não mato dragões, não acalento a criança apavorada em mim, não aquieto meus pavores, meu medo de ser só. Sem ela sairei por aí, com os olhos inquietos, caçando afecto, aceitando migalhas, confundindo estar cercado por pessoas com ter amigos.
Sem ela me manterei aturdido, ocupado, agendado só para fintar o tempo e não ter que me fazer companhia. Sem ela trairei meus desejos, rirei sem achar graça, endossarei ideias tolas só para não ter que me recolher e ouvir meus lamentos, meus sonhos adiados, meus dentes rangendo. Sem ela, e não por causa dela, trocarei beijos tristes e acordarei vazio em leitos áridos. Sem ela sairei de casa todos os dias e me afastarei de mim, desconheço-me, perco-me.
Solidão é o lugar onde me encontro a mim mesmo, de onde observo um jardim secreto e por onde acesso o templo em mim. Medo? Sim. Até entender que o monstro mora lá fora e o herói mora aqui dentro. Encarar a solidão é coisa do herói em nós, transformá-la em quietude é coisa do sábio que podemos ser.
Num mundo superlotado, onde tudo é efémero, voraz e veloz, a solidão pode ser oásis e não deserto. Num mundo tão volúvel, desencantado e ansioso, a solidão pode ser alimento e não fome. Num mundo tão barulhento, egoísta, atribulado, a solidão pode ser a trégua e não luta. Num mundo tão “stressado”, imediatista, insatisfeito, a solidão pode ser resgate e não desacerto. Num mundo tão leviano, vulgar, que julga pelas aparências e endeusa espertalhões, turbinados, boçais, a solidão pode ser protecção e não contágio. Num mundo obcecado por juventude, sucesso, consumo, a solidão pode ser liberdade e não fracasso.
(.. 12Dez’08)
Nota: Textos do meu baú, ano 2003. Não sei onde copiei, mas creio que foi numa revista qq.
Escrevinhada por:
SepolOm
às
13:31
quinta-feira, 11 de dezembro de 2008
Sou um bicho estranho.
A ilusão é muito importante. Quase todos vivem assim. Parados no tempo, parados dentro do nada. A ilusão permite que vivamos pensando que estamos bem ou pelo menos quase bem. Acredito que a ilusão é madrasta do “deixa andar”.
Tenho dias que a fúria me invade. Tenho dias que não me apetece dizer nada, tão pouco repetir seja o que for. Ninguém sabe o que está a acontecer. Dizem que o mundo está em constante mudança. As pessoas mudam todos os dias e isso não tem mal nenhum. O amor – já o disse aqui – é cada vez mais rápido. Sente-se só passar. Não tem tempo para ficar. E deve ser por isso que cada vez mais vivemos de ilusões. A ilusão fica até nós querermos, ou pelo menos, até um dia dizermos, basta. Mas ninguém consegue ou quer dizer basta, e disso tenho a certeza. É quase como o frio que hoje sinto, é que nunca esteve tanto frio assim de repente e agasalho-me tanto hoje e os dias seguem outros mais dias.
Antes tinha medo de me perder, hoje perdi-o. É um alívio. Não sabemos o que é a vida e o que está para lá dela. Ninguém nos ensina e quase sempre pensamos que viver sozinhos é melhor do que viver acompanhado, o que é uma grande parvoíce. Normalmente quando me sinto triste, sem testemunhas, a tristeza parece-me doce. Não implico e não implicam comigo. É que quando estou triste, quase nunca me apetece dizer nada, mas estar assim sem dizer nada, não quer dizer que não goste de quem me obriga a abrir a boca. É que apesar de fingir, tenho momentos que não me apetece fingir nada, nem falar, e se não falo, não finjo. Não precisamos de fingir tanto. Nem tantas vezes. Triste, posso gritar à vontade que ninguém me ouve - uma cama não deixa de ser uma cama, por a encontrar-mos vazia.
Sou um homem estranho com manias adversas e às vezes até complicadas que preciso de preencher sobretudo com imaginação, quiçá ilusão, e assim, a ilusão invade-me.
Viver com alguém, obriga-nos a partilhar o que nem sempre se pode ou é bom partilhar. Facilmente desistimos de nos explicar porque as palavras ao repetirem-se, se vão esvaziando. Cansa muito imaginar o que se faria se estivéssemos sozinhos sabendo o engano grande que há sempre nisso. Se quisermos ser justos é ainda mais difícil, porque não o somos. Falta o tempo quanto mais falta temos de companhia, e ficamos mais sozinhos. Sim, podemos ser suficientes para várias pessoas mas somos sempre insuficientes para uma só.
Assim penso, mas ninguém acredita porque sou um ser ainda estranho.
Claro que a vida não é assim, dizem. Dói perder as vozes que habitam numa casa, mas aí a ilusão volta, e continuamos a fazer passar os dias iludidos.
(..11Dez’04)
segunda-feira, 8 de dezembro de 2008
Defeitos contra-natura.
Temo que as minhas razões sejam mais razoáveis e naturais que as razões de outros. Só por si e por serem naturais, deviam ser avaliadas positivamente. Devo ter a mania, só pode, ou continuo a pensar que as minhas razões para os outros são tão evasivas e ou abstracta que ninguém as aceita, pelo menos é o que penso até hoje. Deve ser por isso que na gíria social, sou apelidado de teimoso.
Cá para mim, nunca compreendi porque, por mais coisas anormais que façamos ou que nos desviemos dos comportamentos sociais – vulgo normal, há sempre alguém que gosta de nós com todos os defeitos que nos acusam, essa é que é essa.
Penso, mal ou bem que, as razões dos outros têm muito mais a ver com vénias e ou cedências que se aprende na vida – obrigação, bonito, educação etc e tal, do que cada um é capaz de perspectivar com as suas atitudes, mostrando a sua vontade, a sua verdade, o seu valor na real. Às vezes, porque sou teimoso, vou mais longe; dão para que eu dê, fazem para que eu faça etc e tal.
Viver a vida como a maioria vive, é para mim, não sermos nós a viver o que somos, o que pensamos, o que queremos. É sermos escravos da “normalidade social”. Claro que existem mínimos, regras sociais, mas mesmo essas, condicionam as nossas vontades e com isso, revelamos aqui e ali, mal-estar ou desconforto. Diria que um mau dia é aceite por todos como uma breve depressão, cansaço, o que é normal, dizem, mas para mim é sinónimo de não estarmos a viver a vida que achamos que somos merecedores, que aceitamos dentro de nós, aquela vida que nos apetece tanto gritar, essa, é a nossa vida. E geralmente porque passamos a viver a vida de outro – o outro gosta e quer assim, temos muitos dias, “maus acordares”.
Qualquer desencaminhar num sentido menos social, é apontado como doido (e tantos outros nomes). Se repetir muitas vezes os desvios que lhe são naturais, é chamado de irreverente. E irresponsável se fizer vida contra-social.
Tenho cá para mim que a irreverência é sinónimo de vontade de viver uma vida muito própria que lhe está no sangue, aceitem ou não, existe vontade para fazer o que lhe é natura, independentemente se os outros acham bem ou mal. Na verdade todos nós vivemos uma vida amordaçada por vários motivos. Às vezes só precisamos de acertar no companheiro que nos incentive a sermos nós próprios, e não, que nos obriguem a viver uma vida acomodada em estimas de educação. As escolhas de amizade são feitas nas coragens dos valores de cada um.
Há limites para tudo – sabemos, mas os limites estão nos outros e nunca no que se sente amordaçado.
Será que queremos o mal de alguém quando não damos o bom-dia?
O que se aprende, “obriga-nos” a cumprimentar, mas por “n” razões às vezes não o fazemos. Porque carga de água conotamos com falta de educação ou que deve estar zangado connosco?
Agarrei este exemplo, como tantos outros existem. Qualquer pessoa num dia qualquer da sua vida, apetece-lhe gritar, e isso é o sentir-se encurralado nos excessos de elos sociais. Se adicionarmos irreverência com impulsividade nas acções, é-se conotado com “ainda menino(a)”, imaturo(a), etc e tal - ÔDASE.
Vem este pensamento a propósito de me ter lembrado de há uns anos quando saía de um restaurante, acompanhado, apeteceu-me dançar ali na rua ao som de uma música que enchia o ar quente onde me encontrava. Já aqui tinha escrito, faz algum tempo também, fui imediatamente observado que tinha idade para me comportar como um homem.
Só queria dançar.
Indignado, amuei como uma criança.
(.. 8Dez’08)
segunda-feira, 1 de dezembro de 2008
Prendas escondidas - Crédito.
A maioria das lojas com linhas de crédito omite a TAEG ou indica uma taxa inferior é real. A denúncia é da DINHEIRO & DIREITOS, após visitar 7 lojas de electrónica para conhecer as condições de financiamento.
A associação denunciou estas práticas ilegais à Secretaria de Estado de Defesa do Consumidor e a quem compete fiscalizar, o Banco de Portugal. A falta de clareza e precisão das condições dos empréstimos revela que é também necessário investir em mais e melhor formação de quem atende nas lojas.
Caso pretenda, por exemplo, um televisor, compare modelos e preços em várias lojas. A poupança pode saldar-se em mais de € 800, segundo os estudos da PRO TESTE. Escolhido o modelo e a loja, pondere pagar a pronto ou pergunte se a loja tem linha de crédito sem juros. Estas são as soluções mais baratas.
Se não houver crédito sem juros ou não puder pagar no prazo proposto, aquela revista aconselha a comparar o crédito em várias lojas e ver as condições do crédito pessoal nos bancos, regra geral, mais vantajoso acima de 2000 euros.
Para um crédito de € 1000, a loja Box/Jumbo apresenta as melhores condições (TAEG de 14,24 por cento). Mas, para compras inferiores a € 2000, a utilização de um cartão de crédito pode compensar se a TAEG for inferior à da Box.
Para compras de € 2000 ou mais em prestações, compensa um crédito pessoal, alerta a DECO PROTESTE, após analisar as condições de 18 bancos. Para associados, a melhor opção é a Caixa Galicia (TAEG de 10,10 por cento). A Caja Duero (10,95%) é Escolha Acertada para não associados. Ambos apresentam uma TAEG inferior à das lojas.
Quando pedir simulações, peça a TAEG: é a única taxa que reflecte o custo total do empréstimo e permite comparar produtos. Quanto mais baixa, mais barato o crédito. Pergunte os custos do processo e se o banco exige seguro de vida, tal como a maioria faz. Alguns pedem ainda um seguro de protecção de crédito. Informe-se sobre eventuais penalizações por reembolso antecipado.
Já o consumidor pode analisar a sua situação financeira e verificar se consegue pagar mais um crédito. A acumulação leva ao sobreendividamento, sobretudo em caso de doença ou desemprego, alerta a DECO, que vê chegar cada vez mais famílias aos seus Gabinetes de Apoio ao Sobreendividamento.
DINHEIRO E DIREITOS n.º 90, Novembro de 2008 - págs. 30 e 31
sexta-feira, 28 de novembro de 2008
Metafísica do Amor
“.. Para atingir o seu fim, é necessário, portanto, que a natureza engane o indivíduo com alguma ilusão, em virtude da qual ele veja a própria felicidade no que não é, realmente, senão o bem da espécie; o indivíduo torna-se assim o escravo inconsciente da natureza, no momento em que julga obedecer apenas aos seus desejos. Uma pura quimera, que logo se desvanece, paira-lhe diante dos olhos e fá-lo agir.
Esta ilusão não é mais do que o instinto.
..
Não há, pois, homem nenhum que primeiro não deseje ardentemente e não prefira as criaturas mais belas, porque realizam o tipo mais puro da espécie; depois procurará principalmente as qualidades que lhe faltam, ou, por vezes, as imperfeições opostas àquelas que ele próprio tem e achá-las-á belas: daí resulta, por exemplo, que as mulheres altas agradam aos homens baixos, e que os loiros gostam das morenas, etc. O entusiasmo vertiginoso que se apodera do homem à vista de uma mulher cuja beleza corresponde ao seu ideal, e faz brilhar a seus olhos a miragem da felicidade suprema se conseguir unir-se-lhe, não é outra coisa senão o sentido da espécie que reconhece o seu cunho mais atraente e que por ele gostaria de se perpetuar.
..
Por isso neste instinto, como em todos os outros, a verdade reveste-se de ilusão para actuar sobre a vontade.
..
É uma ilusão de voluptuosidade que faz brilhar aos olhos do homem a imagem falaz de uma felicidade soberana nos braços da formosura que a seu ver nenhuma outra criatura humana iguala; a ilusão ainda, quando supõe que a posse de um único ser no mundo lhe assegura uma felicidade sem medida e sem limites.
..
Tanto é esse o carácter do instinto – proceder em vista de um fim de que aliás não tem ideia – que o homem, levado pela ilusão que empolga, sente algumas vezes horror pelo fim a que é conduzido, que é a procriação dos seres; desejaria mesmo opor-se-lhe; é o caso de quase todos os amores fora do casamento.
..
Satisfeita a paixão, todo o amante experimenta uma estranha decepção; admira-se de que o objecto de tantos desejos apaixonados só lhe proporcione um prazer efémero, seguido de um rápido desencanto. Esse é, de facto, em comparação com os outros desejos que agitam o coração do homem, como a espécie é para o indivíduo, como o infinito é para o finito..”
Schopenhauer (1788-1860)
(.. 28Nov’08)
Nota: Metafísica do Amor de Schopenhauer, é um livro que guardo faz muitos anos. De vez em vez leio, raciocino sobre ele e dou comigo a olhar as coisas que me envolvem. Não sabendo "nada" destas coisas do amor, vejo-me demasiadas vezes a pensar sobre as suas ideias “caturras” – dizem, mas para mim e sobre as suas palavras, não é raro, não concordar.
As ideias do filósofo nesta matéria são hoje inaceitáveis, caturras, mas o que me interessa saber é como se pensava na primeira metade do século XIX. Quase concordo com ele e não vejo mal nenhum – porque fui ensinado de outro modo. O amor é tudo o que agora se diz “prá'i” aos céus; tudo é amor; poucos ousam estudar as causas em modos de razão e frieza. Todos cremos e queremos que o amor seja tudo o que é bom e de mais sublime dos nossos sentimentos. Será?
Jesus, disse: amor é caridade.
terça-feira, 25 de novembro de 2008
É justo.
A partir dos cinquenta, li em tantos lugares comuns e menos comuns, já nada é espontâneo, nem a dor nem o prazer. Ultimamente é isso que sinto e é disso que me lembro quando os apetites me nascem na pele.
Ultimamente almoço muito pouco, para não dizer que quase nada me convém. Não sei se é da idade, se é da nova vida, se é das coisas que pensava que iriam me dar prazer e é verdade, o prazer esfuma-se a olhos vistos, apesar de, quando vejo umbigos em pele lisa me apetecer lamber como quem lambe uma cria. Tenho prazeres guardados em qualquer lado e por mais que os procure não os encontro quando quero servir-me. Não sei se é da vida, dos problemas novos, da insatisfação do dia-a-dia, sei que não os encontro quando os devia encontrar logo pela manhã.
Já não acho as paisagens tão bonitas, nem o Sol que pelo tempo se acanha. É previsível o seu curso. Passos dias a dar comigo em pensamentos familiares e quando são muito familiares, deixo de os ver. Deve ser isso que me faz entristecer nos momentos que mais preciso de ânimo. Fecho-me com a certeza de que isto, como o resto, há-de passar. É a dor da vida. Nova. Das coisas que quero. Queria. O cansaço enevoa os olhos. A falta que em tudo habita, auguro irreversível – talvez. Às vezes nem vejo a sombra que deveria fazer-me companhia. Nos dias bons e nos dias menos bons. Não venceria a própria sombra. A deformação que arrogo não é condição de vida nem me pertence porque nasci com defeito pensando que podia ser outro.
Quando penso nos prazeres que me pertencem, penso no tempo que preciso para que o prazer seja total É difícil. O prazer dilui-se e eu não consigo perceber que mal habita em mim, apesar de respirar bem e gostar das coisas ténues que advém em mim.
É muito tempo que passa para que as coisas mudem de rumo. É muito tempo para mim. E quando é muito tempo, é preciso muita coragem para que o tempo seja esquecido. Pareço a criança que quer já tudo montado e tomar controle da sua própria vida.
O que sei é que a vida me levou para caminhos que nunca tinha pensado antes e agora não sei o que fazer mesmo que procure fazer o impossível para que a vida e os dias sejam o melhor possível. Quase sempre nunca sei o que fazer, é como agora, não sei o que escrever sobre o tempo que cada vez mais tropeça sem fazer qualquer lágrima. Dizem, todos, quase todos, a vida está má e eu digo; está um caos.
Sim é esta a vida que levo, mesmo que não queira, é a vida que soçobra em mim agora, apesar de ser feliz ou quase feliz por outras razões muito melhores.
Há mal-entendidos que nunca convém alimentar. Foi assim que fiquei sozinho noutros tempos apesar de tentar melhorar. Talvez da maneira errada. Agora, mesmo que quisesse recomeçar não tenho tempo e este não mostra qualquer compaixão quando houve alegrias que bastassem. É justo. Quase gosto da vida que tenho.
Ai se não fosse a que gosta muito de mim. Ai, ai!..
(.. 25Nov’08)
terça-feira, 18 de novembro de 2008
Soltas
Só sei é que uma vez..
32
As pessoas não querem mudar nada. Bem! Vejo as coisas assim. Estou aqui sentado a comer uma sandes de “manteiga” feita inteiramente por mim e a fome, depois da bucha ter ido para o estômago, desapareceu. Fico a pensar, como é que tão pouco alimento me rouba a fome tamanha que tinha?
733
A espécie mais ameaçada no nosso país, não é as cegonhas ou os peixes de água doce. É a nossa língua! A linguagem hoje é estropiada. O vocabulário médio é um terço do que era há 100 anos. As palavras caem da nossa boca e morrem nos nossos pés! A paisagem do vocabulário está a ser destruída e contaminada pelas estupidez da cultura popular, envenenada pela obscenidade, pelos mídias obcecados com a juventude. Preciso de aprender a ser moderno.
954
O coração humano tem tesouros ocultos, e isso já todos sabemos. Nos segredos mantidos no silêncio. No silêncio selado muitas vezes prometido. Nos pensamentos. Esperança. Sonhos. Até nos prazeres cujo charme se romperia se revelado.
85
Quero tanto fazer as pazes com todos os que de alguma maneira magoei.
56
Gosto do facto de não saber nada sobre a mente das mulheres. É que não me entendo nem percebo o pensamento das mães, das mulheres mais maduras, talvez seja por terem a idade da sabedoria, quiçá - dizem, quando nos deixam o seu pensamento: “Se quiseres saber como conquistar o coração de um homem é simples, apanha-o pelo estômago.” Não concordo. Ironizo: Não seria melhor com uma faca afiada, através da nossa camisa?”
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A: Devíamos parar de caminhar. Fazer uma paragem às vezes é importante para a nossa vida, mesmo que seja só para respirar, reflectir, olhar. Porque não agora? Achas que é uma dificuldade para ti?
B: Os impulsos são muito importantes para mim.
A: É que gostava muito de chegar a ti. Parar agora iria ajudar-me.
B: Acho que estás certo, mas se pararmos agora podemos precisar de um empurrão.
A: Estou aqui para me ajudares, e eu ajudar-te. Queres a minha ajuda? Confias em mim?
38
No namoro quando a confiança nasce, geralmente esquecemo-nos do código respeito, o abuso chega. Reparamos nisso quando as desculpas caem na vulgaridade e voltamos a repetir por tolice que temos tudo na mão. Ou casamos, e começamos a ferir-nos uns aos outros. Devíamos ficar fulos era muito mais cedo. Alguns conseguem não se enfurecer quando não tem sexo faz algum ou muito tempo. Cá para mim que não percebo nada de pensamentos, penso vulgarmente - é uma pena que o sexo não seja tudo. É mesmo uma pena.
589
B: A tua facção é apenas isto, censurar ou refilares entre dentes, não é?
A: Pára! Só estamos a falar. Tens medo de falar? Que eu fale? Que pensas acerca de tudo isto? Tens uma opinião? Gosto muito de falar, mesmo que me aches um tolo.
B: Bem, somos apenas.. somos apenas diferentes, é o que sei.
A: O mundo pode desabar, mas tu és o meu coração, minha querida mulher sempre presente, e eu quero ficar pelo menos até irmos. Como te impeço de perderes o rumo? O meu amor não é suficiente - sinto. Ainda não consigo encontrar todas as palavras, ainda não está na hora, e a minha cabeça não consegue pensar em nada. Só te vê a ti e sabes que estou a tentar. Deus sabe que estou a tentar. E por que é que o vento continua a gritar?
B: Ainda não acabaste?
A: Não paro de tentar. Acho que estou a aprender a viver outra vês. Existirá um lugar certo onde consiga tirar algum sentido da vida e enfrentar o amanhã? É que tento muito, por ti, talvez por mim. Penso que estou a aprender. Não estou a morrer, entendes? O mundo dá algumas voltas. Nós damos algumas voltas, mas isto não é morrer.
10
Às vezes dormes tu tão bem que pareces o meu anjo que me acolhe e ajuda nos dias mais difíceis; os que passámos, os que passamos e os que faltam. No meu sonho é assim. Às vezes durmo bem e não sonho nessas noites. A dormir não sonho coisas que desejo porque só o real quero. Gosto-te tanto minha querida mulher sempre presente. Se fosses mais feliz do que comigo vives, o sono vinha tomar-te e as coisas materiais esbatiam, as que te debilitam. É que eu aprendo a fazer isso tudo porque o meu gostar é efectivo, pelo menos é o que penso, sinto, e vai ser assim até ao último dia que ordenes diferente.
(..18Nov’08)
(A) eu.
quinta-feira, 13 de novembro de 2008
Enganos.
A cada segundo, em todo o mundo, alguém tem de estar a fazer alguma coisa. Estamos sempre ocupados, mesmo que não queiramos, mesmo que estejamos a dormir ou a ir para o céu. Logo eu que não faço nada, gosto cada vez mais de não fazer nada a não ser olhar as coisas que tenho de olhar e mentir também não o faço, porque não fazer nada já me ocupa muito a mente e o corpo também.
Dizer a verdade agora, mesmo que a soubesse dizer, seria cruel e inútil. Ninguém pode travar o absurdo caminho que conduz ao desaparecimento da pessoa por quem um dia outro se apaixonou. São acontecimentos já tão vagos que absurdamente continuar é melhor serem isso mesmo, vazios absurdos. Sempre nos apaixonámos. Quer dizer, que me lembre em consciência apaixonei-me fingindo que era já um homem. Ela queria que assim fosse e eu queria experimentar. Era um menino. Nem os pelos da cara parecia que ia ter. O que era preciso era continuar a mentir, mentir o mais perfeitamente possível sem qualquer deslize, usando todos os recursos da imaginação, da inteligência, mas sem o verdadeiro prazer, porque isso, ainda era vedado aos meninos como era eu no tempo que falo.
Lembro-me, era preciso mentir sobre a mentira e continuar. Era assim que queriam que eu fosse. Era assim que tinha de ser. Não fosse eu um menino usado pelo prazer de sonhos desventrados de fêmeas ressequidas pelo tempo, completamente fora do meu tempo, mas era assim que queriam que eu fosse e que me lembre. Fui sempre um menino bem comportado, pelo menos é o que penso agora, pela muitas procuras que tive, só naquele tempo. São os pesadelos que me fazem estremecer e abrir os olhos que julgo sempre abertos.
Agora é tarde para tudo, mesmo que a lembrança persista num olhar, mesmo que ténue, mesmo que defunta, até mesmo para quem persista em lembrar-me dos meus defeitos, é que nunca depois de os abrir me obriguei a fazer o que não quero. Geralmente, lembro-me de coisas bem piores. Omissões persistentes, mentiras floridas em qualquer horário e continuavam a persistir mesmo que moribundo de carências. Nunca me dei com trabalhos facilitados e melhor do que isso, não sou carenciado de afectos, sexo, amizades, apesar de fazer nascer palavras que me saem da língua dos dedos das mãos que podem fazer parecer o que não é. Só sou um mais tolo, nada que não me deixe prosseguir o caminho natural da vida, o dia-a-dia que me afecta.
Espanta-me a resistência com que os humanos inutilmente persistem prosseguir com uma heroicidade indistinguível da inconsciência. A aflição é um estado de graça, porque é na aflição que estamos mais perto do que não somos e isso, até nos parece que nos salva, das maldições, dos pecados, dos outros, ficamos ilibados, enfim, parece um momento menos sóbrio. A situação torna-se insuportável quando pensar muito na mesma coisa, não faz senão piorar as coisas - as que parecem e as que menos parecem, é intolerável, até as maledicências que se oferecem em dias de aflição. Mas percebo e quero continuar a perceber a vida dos humanos, porque já não sou eu, sou o outro.
Ter menos por onde escolher entre coisas tão banais como são as indispensáveis é para mim uma vantagem que vale sempre alguns cêntimos que sejam. Sou cada vez mais pobre de materiais que antes não usava perder. Hoje perco menos porque o que tenho é exactamente o que quero e mais não penso.
Antes de qualquer partida por força das diferenças a que assistimos, seja num dia qualquer, num futuro longínquo, que ainda não tenha nascido, que já respire ou que tenha acontecido, lembra-te de mim não como um herói, mas como um homem, falível, com defeitos e que erra acima de todos. É assim que quero ser lembrado.
(..13Nov’08) (2)
terça-feira, 11 de novembro de 2008
Normal II.
À minha querida companheira e mulher sempre presente..
Ainda agora tenho muitos vazios dentro de mim, não é fácil apagá-los – já sabia, e não procuro em ninguém o preenchimento. A minha nova vida é que me fez deixar de interessar, até de olhar para o que antes eu olhava ainda como um menino. É na minha querida companheira e mulher sempre presente que faço refúgio dos meus sentires, que assertivamente sinto, que é para toda a vida, pelo menos até a morte me chegar e falta tão pouco que, cada vez mais me apetece enroscar dentro da minha querida companheira e mulher sempre presente. Só ela tem a paciência que julga que mereço e por isso e por ela, adormeço todos os dias na respiração e na cama dela, porque ela quer que seja assim e até ela querer, adormeço dentro dela.
Sei que me vais tratar até ao fim – sinto-o, mesmo que te nasça a piedade que se tem por um qualquer desconhecido, e agora muito pobre, cujo destino acabou por fazer acontecer estarmos juntos. Aceitei. Já não há remédio algum para quem encontra alguém que se gosta muito. Há muito que não havia nada que eu pudesse sentir - antes era o disfarce pelas omissões. Um dia, muito perto, um de nós lacrimejará pelo outro, e isso não é mal nenhum, porque a vida não tem importância. O que vale é o que dá valor à vida.
O mais natural é saber e depois esquecer, isso sim é que é natural. Como a minha imperfeição, nunca me distraio e por isso me acham um chato. Lembro-me de tudo, mais agora - que ruim me é a alma, às vezes até me lembro da primeira luz quando nasci.
O facto é que comecei uma nova vida e não posso morrer porque agora sou outro. O outro que era, não sou eu, esse era um menino que acreditava até nas omissões. Deformo-me ainda com dores, são ocas, não é fácil, estou a crescer, sei que sou capaz. Mas quando desaparecer, prometo-te, levo-te comigo. Tu és a mulher bonita que eu mais gosto, minha querida mulher sempre presente.
Esquece aqueles minutos que me porto tão mal quando te sussurro obscenidades no ouvido, no outro também. É que não estou triste, pode é parecer, era assim que tudo tinha de acontecer e não penso mais nos dias anteriores e no dia de hoje também. A vida vale o que lhe prometemos, o que aceitamos, e há coisas que não aceito apesar de acontecerem, por isso esqueço, só não me esqueço de ti, isso é que não. Gosto-te, e tu sabes o quanto minha querida companheira e mulher sempre presente.
(..11Nov’08) (2)
Normal.
Seduzir é fácil para quem sabe ser o que os outros desejam e não tem de prestar contas à pesada ilusão a que chamam personalidade. Sou vários e sempre me dei bem comigo sem omitir o que quer que seja. As coisas quiseram, eu quis, ou aconteceu – o que é o mesmo. Deformo-me ao momento que vivo porque tu minha querida mulher sempre presente, me fazes sentir melhor do que outrora. As dores que vou tendo, são vazios que tento exaurir no tempo e isso minha querida, não tem mal algum.
Há coisas a mais e qualquer espécie de curiosidade irrita-me. Já vi coisas a mais, paisagens a mais, pessoas a mais, os céus, esses, ainda não consegui ver todos, porque às vezes quero ser surdo de vontade e mouco de horizontes. É que para mim as coisas quando se tornam familiares deixam lentamente de se ver e deixam de incomodar. É talvez a única maneira de as fazer desaparecer. Acredito que deve ser assim. É como encontrar agora alguma coisa que me satisfaça, não mudo, e isso já sabia – impossível, sou um ocupado porque tu apareceste e ficaste para mim. É que para mim as novidades trazem desilusões às quais qualquer ser sensível deve ser poupado. Sabia quando estava desocupado.
Gosto de saber que me quiseram e deixaram de me querer. Permito todos os abusos até os banais. A vida não acontece por acaso, apesar de muitas gentes acreditarem no que querem muito acreditar. Fui obrigado a aceitar que a vida é assim. Bamboleamos e rebolamos as vezes necessárias para voltarmos um dia ao mesmo lugar que antes desprezamos. Dizermos coisas ocas, só porque a raiva se instalou. Apetece-nos gritar disparates e esquecemos de semear bom senso que outrora espalhámos a céu aberto.
(..11Nov’08) (2)
segunda-feira, 10 de novembro de 2008
Labirinto.
Irracional de palavras. Raciocínios confusos e outras merdas desordenadas.
A vida é um caos. Aqueles que não são capazes de controlar os caprichos, estão destinados a serem controlados por eles.
Capricho.. Diz não!
Acaso.. Não planeis.
Caos.. Liberdade.
Trabalho. Eficiência. Modelos organizacionais. Modernismo, e tantas tretas que ouço e leio, que já faz dó. Tudo, dizem, para sermos mais felizes. E o tempo esgota-se, basta olharmos para trás e vermos o que já passámos.
Algum de nós quer saber destas modernices? Já pensaram um pouco nos quantos cursos modernos aparecem todos os dias (é só olharmos para qualquer jornal)? Desses que se tiram muito depressa e no final, entregam-nos um papel com muita delicadeza atestando que agora sim, somos melhores que anteriormente, e isso, nunca antes de pagarmos com o dinheiro que pertence há família, aos filhos ou ao nosso bem estar.
Pode até acontecer que depois da frequência de um desses cursos modernos as coisas melhorem para quem trabalhamos, ou para nós, mas isso vai tornar-nos mais felizes? Vai evitar que acordemos numa manhã com uma doença incurável? Evitará que a nossa mulher/marido ande por aí em caminhos impróprios? E os filhos vão ser melhores?
A nossa arrogância somada à da sociedade coloca-nos na fila dos inválidos. Vamos mantendo os sapatos a brilhar porque aprendemos que é um sinal de gente de bem e vamos sonhando que com o esforço e a nossa devoção, um dia seremos recompensados.
Bom, deixem-me perguntar uma coisa; Há aqui alguém verdadeiramente feliz? Conhecem alguém? Se há, erga a mão bem alto e muito alto, grite; EU SOU FELIZ!
Tenho as minhas dúvidas, mas são as próprias do meu labirinto - deformação. As decisões que tomamos na vida são uma porcaria. Somos previsíveis. Iguais a todos os demais. Nada é novo. Fomos ensinados a ser escravos de coisas sem qualquer valor. E quem nos rodeia, educado de igual forma, não nos pode ajudar. Temo que a maioria tenha uma vida de merda, estamos “todos” em estado de coma. A letargia também é assim. O que nos falta é paixão às coisas que fazemos ou que queremos muito fazer.
Temos "todos" falta de paixão!
Chiça! Ca'coisa! Que merda! Ôdase! Ajamos de acordo com essas paixões! Sucumbam aos caprichos! Forjem um ser novo, caramba! Façam alguma coisa antes que seja tarde demais! Digam todos os dias na frente do espalho!
NÃO ao capricho!
SIM ao acaso!
SIM ao caos!
Às vezes tenho confusões na minha cabeça e acordo com perguntas que não são minhas. Acordo e revejo-me em coisas vulgares. Aprendo que não sendo minhas, são minhas, porque fui eu que as sonhei e se as sonhei, pertencem-me - ôdase. Então, os sonhos perguntam-me; Como voltas para trás, se não sabes como perdoar?
Dizia-me um dia destes alguém, numa conversa sobre amor, que a paixão, dura no máximo três anos! Grrrrrrr.. e que para vencer, seria necessário enganar e fazer votos de abafo. Pensei e fiquei aborrecido. Não concordei, mas no tempo, verifico cada vez mais em quase todos o facto, pelo menos a vontade, o que para mim já é a morte. O mundo vive de caprichos e ilude-se - é. Abomino a condição de viver com alguém e na lufa-lufa da vida, criar paixões escondidas dentro de mim para multiplicar a existência com a pessoa com quem partilho o respirar. Viver a dois é uma luta constante de coisas boas e menos boas. Queremos ou não queremos – essa é que é essa.
No dia seguinte e nos outros, continuei a pensar sobre o assunto. Ocorre-me o facto que nos relacionamentos existem várias crises temporais! Sabemos. Leio essas coisas por aí, até revi paixões que vivi, as coincidências (se é que alguma vez tive essa coisa mais do que uma vez). É sempre difícil perceber porque raio me apaixono por uma mulher. Depois, quando sinto desvanecer, o encanto a desaparecer, pergunto! Onde está o verdadeiro amor? E os sonhos voltam. Os meus e os que acho que não são meus.
A idade tem destas merdas, a consciência incomoda-me porque fraqueja. Há uma frase que costumo dizer a mim próprio quando alguém me desperta a atenção; me faz sorrir; me faz sentir que eu sou eu (em minha opinião, o click é a carência ou a cegueira completa):
“A paixão não existe. É apenas a perfeição daquilo que eu quero para mim próprio.”
Sim, começo a acreditar que a paixão é algo muito egoísta e que acontece quando nos iludimos muito, pondo as nossas expectativas ou as coisas que mais nos agrada numa determinada pessoa, porque o sorriso bonito fez acontecer e facilitou. Ou o olhar profundo entrou dentro, e fraquejamos. Aí criamos a ilusão, a nossa – só pode. Depois quando o encanto se esgota, ficamos decepcionados, e ou perdidos - claro. Afinal essa pessoa não era o que pensávamos. Não falhou. Não podia, porque estivemos a por os nossos ideais na outra até à exaustão, e ela não nos adivinha! Resumo, somos muito egoístas.
Com o passar do tempo fazemos perguntas. A maioria no mínimo são estranhas porque o tempo agora é diferente. Umas desligamos. Outras conseguimos as respostas que queremos aceitar, mas outras..
..ainda não sei, é uma das coisas que ando preocupadamente a descobrir.
(.. 10Nov’08) (2)
sexta-feira, 7 de novembro de 2008
Amizades
http://tuaminhaboca.blogspot.com/2004/09/amizade-e-traies.html
(..07Nov’08)
sexta-feira, 31 de outubro de 2008
Luz
As coisas não corriam bem. Há algum tempo que não corriam bem e naquele dia, parecia que estava tudo parado, até a vida, não queria saber de nada sobre essas coisas que via, nada corria bem. As coisas já não eram novas é um facto. Aconteciam algumas vezes e não sabia o que fazer, nem tão pouco encontrar um sentido que ligasse ao tempo que gostei. Reconhecer talvez bastasse, mas não mais do que isso. Senti um enorme vazio. O abismo.
Nem depressa, nem muito devagar outros dias passaram. O silêncio também. Quando vi que do outro lado alguém fazia as coisas acontecerem sem grande coragem. Mais uma vez a coragem tinha de nascer em mim, e sei, já estou cansado faz muito tempo.
Parece que consigo fazer nascer as forças que perdia faz tempo, parece, é verdade, sou capaz, pelo menos a mim apetece-me fazer essa força. Ninguém a faz, por mim e é o que parece. É que também preciso de sentir os bons efeitos de se gostar.
Será mentira? Talvez. Talvez fosse a mentira que tivesse conduzido a minha vida, desde outros tempos. Ninguém nasce mentiroso, aprende-se a mentir. Mente-se muito e eu nunca percebi porquê. Mentir talvez seja um exercício da inteligência e muitos, até se gabam de sentir esse orgulho de saber mentir, seja um prazer, talvez de momento seja uma vitória, mas dessas, nunca encorajei ninguém, nem sinto qualquer ganho.
Às vezes não dizemos a verdade. Nem meias verdades. Nem dizemos nada com medo de não saber como o outro reage. Mas não dizer nada é mentir muito mais. Mentir sem deslizes não é para todos, só para os que são livres de sentires. Há pessoas que preferem a angústia cada vez maior a crescer-lhes dentro do peito e a obrigar a procurar alívio em químicos porque nada pode transparecer dos seus corpos, nos olhos, abraços, beijos, não vá alguma carícia denunciar.
Quando a noite aparece, convenhamos, não é bom procurar químicos, a não ser o corpo do outro, é que aí tudo passa, até as angústias se alguma vez as ouve com choros baixos de alma. Chorar alto, não é bom para ninguém. E gritar, não é chorar. Não se devia viver com químicos. Tão pouco se consegue viver uma vida razoável se os dias não são sentidos ou previstos de sobriedade.
A água corre. Alguns copos levam água pelo alvorecer há boca, com químicos, para mais um dia de vida. Em mim “ainda” não, porque quando não sinto morro, e é sempre melhor doer do que não sentir nada.
Leva a tua vida e a minha vida e aperta-me ao ponto de respirarmos a um só sopro. Queria falar de ti por mim, mas nunca queres as minhas palavras junto dos teus ouvidos. Então leva-me assim como sou, que não sei ser outro, mesmo por ti.
Espera! Estou a chegar.
Ouve-me desta vez.. É que não precisa de ser para sempre, mas precisa de ser até o fim!
A luz agora é boa, toma-me, sinto-me bem.
(..31Out'08)
quinta-feira, 30 de outubro de 2008
Revelação.
As nossas decisões em princípio têm como objectivo fazer-nos sentir bem. Olharmos para trás e dizermos que tomámos as decisões certas e sermos felizes com as mesmas. O tempo urge, e olho em redor, e olho no fundo das coisas. Capricho. Acaso.
Afinal não temos de escolher nada. Por melhor que sejamos, ou que corramos até ao nosso limite, vem sempre alguém num momento, e zumba, corta-nos algo que tínhamos como garantido, ou quase garantido. Por muitas decisões que tomemos e achemos que estão certas, caímos sempre no nosso verdadeiro caminho. Não escolhemos nada, só vamos adiando o que verdadeiramente nos pertence. Destino.
Já escrevi várias vezes que consigo fazer as pessoas estarem bem, mas ninguém quer saber das coisas que sinto, ou como me sinto. Não decido mais nada! Erro em consciência muito mais do que pensava. Facto. Cansado.
Admito erros em algumas coisas. No passado. No presente.
Dói-me, esperarem as minhas decisões e, depois encontrarem o culpado em mim de erros incomuns. Tenho por hábito decidir a favor dos que me são próximos, esquecendo na maior parte das vezes as minhas coisas, é o que sinto. Tenho estado em coma. Paixão. Decidir.
Deixaram adormecer a minha paixão. Esqueceram-se? Sinto-me roubado da paixão? Onde estão as coisas que gosto? Deve ser por isso que tenho vivido acorrentado em vidas que só precisam de mim num momento qualquer. Sinto-me usado - o que é pena. Esquecem como sou, sempre presente, evitando sempre a minha condição que também carece de coisas. Talvez!
Talvez seja melhor dizer SIM ao acaso! SIM ao caos.
O que é afinal o certo?
O que é o amor?
A coisa mais importante, que me ocorre sobre o amor, é que escolhemos dá-lo e escolhemos recebê-lo - essa é que é essa, fazendo dele o acto menos aleatório de todo o universo. Superioriza-se ao sangue! Excede a traição!.. E todas as imundícies que fazem de nós os humanos que somos. Quando TODOS conseguirmos perceber isso, os abutres no mundo não se safam.
Decidi não decidir. Em mim é moralmente detestável.
É a tua vez!
(Revelação)
D (*): “Ama-la?
Eu: Sim, claro que sim. Tu sabes!
D: Então estás a questionar-te; porque não é puro e constante?! O porquê de todos estes altos e baixos?! Convicção, a seguir as dúvidas?! E, como é que uma coisa que parece tão certa num momento pode causar tanta indisposição no dia seguinte?!..
Eu: Sim, às..
D: A vida devia ser simples e boa, mas todos vocês fazem uma grande confusão. São injustos uns com os outros. Afinal, tudo o que tem de fazer é simplesmente simples; escolher amar da melhor maneira que saibam.
Eu: Às vezes..
D: Vou dizer-te o seguinte.
Eu: Às vezes tenho a sensação que não gosta de mim! Não me ouve os gritos!..
D: Gosto! Mas não achas um exagero, amar e sofrer? Se a amas assim tanto, significa que ela tem uma grande capacidade para te magoar e tu nunca fizeste absolutamente nada para me provar que um dia não partirás com medo de seres magoado.
Eu: ..
(..30Out’08) (2)
(*) Deus.
segunda-feira, 27 de outubro de 2008
Os pinguins casam-se para toda a vida.
"Apenas aquilo que o outro é, nos permite perceber totalmente quem somos."
(Yogananda)
Prevejo e temo por muito tempo, o continuar de dias maus desde que partiste. Quiçá, até se esfumar "o muito que gosto de ti", num outro qualquer porto de abrigo e NOS faça “esquecer” as coisas que gostamos muito, nem que seja por um breve instante de vida – não desejava, mas é um facto. Os erros pagam-se sempre caro, para mais os erros de vida – os enganos.
È irritante ter razão, sei, mas também penso que quase sempre a tenho, é um defeito abstracto que me pertence mesmo quando fazia por dizer um disparate para não te aborreceres com a minha “quase total” razão.
Eras muito exigente, e mais ainda por sentires que o mundo só gira à tua volta e do teu umbigo também, mas quando prestava atenção ao teu dentro, és absolutamente linda – única, afável, caprichosa, carinhosa, meiga, afectuosa e que fez quase tudo para me entregar a alma.
Apesar de ter dito coisas cruéis calado e de fazer com que te afastasses de mim, e tu aceitaste ir, tornaste-te a voz dentro da minha cabeça e não a consigo tirar. Não a quero tirar, porque dei a minha palavra desde o início, se é que a minha palavra valeu ou vale alguma coisa, quando te disse que, te queria muito, e tu desde o início estavas sempre noutro lugar, menos em mim, até hoje.
Sei que por vezes sou severo e exigente, principalmente agora que estou a educar uma nova vida, a minha, mas tentei e tento mudar porque acredito que as pessoas podem mudar. Podia mudar e não ser tão exigente e tentar encontrar um meio-termo, só que ainda não o consegui. Na verdade, iniciei uma nova vida, coisa que é mais difícil – e está a ser, a tua, sempre foi a continuação do que eras e do que queres para ti, e eu, só fui um intruso. Desculpa.
Nós os dois sabemos que não sabemos nada, excepto uma coisa; que não estamos a seguir o melhor caminho. Não interessa para nada quais e que razões, já passou tempo suficiente e às vezes até conseguíamos falar das coisas que nos preocupavam. Vês! Somos mentirosos, inconstantes e sexualmente frustrados, que pensam que um ajuste pode resolver tudo. Mostrei-te como em algumas coisas eu consegui ser diferente – desisti do toque, só não sei se para ti foi suficiente e isso nunca vou saber.
"Se ficares muito tempo a jogar, um dia as cartas vão-se virar.”
Os livros dizem que nunca se deve encarar uma fantasia, talvez. Há coisas que são completamente impossíveis de entender e as melhores coisas da vida são totalmente indecifráveis. Cá para mim que penso muito – é o meu mal, repara, quando nos comprometemos com algo, não importa o quão estranho isso possa parecer aos outros, é como se devêssemos a experiência a nós mesmo. Compromisso é coisa matura e nós não nos preparámos, ou não quisemos saber disso.
Gostei muito de ti porque gostavas da minha maneira de ser. Simplesmente permitias que eu fosse quem era e já no final do tempo, nada era igualável, apesar de reconhecer que no início mudei coisas que cortei de vez em mim - por ti.
Em minha opinião, e tenho muitas, é muito mais fácil amar alguém, do que simplesmente gostar da pessoa. É que quando olho para um lugar, as pessoas parecem estar, apaixonadas, ou a falar sobre isso, ou a clamar por isso. Mas para mim, acho que estão sempre a acabar, e não existe razão para desperdiçar a vida, vivendo com a cabeça noutro lugar ou nas nuvens.
Temos opiniões diferentes, e isso também não quer dizer que não gostemos um do outro. O importante é que as pessoas tenham os seus próprios pontos de vista, baseados em compreensão dos factos. Mas também é importante não confiar nos factos, porque a maior parte deles são mentiras. Basicamente, tudo se resume a ter coragem. Tens de ter a mente aberta para te permitires aceitar uma verdade diferente das tuas opiniões, senão, nunca vais conseguir ver realmente a verdade. Sabes, é tão típico. Tenho sido vítima deste tipo de coisas todos os dias e sabes porquê? Porque sou um tipo honesto e pago com a vida por isso.
Tu sempre foste o meu tipo de mulher perfeita, disse-te muitas vezes. Sabes porque me apaixonei por ti? Quero dizer, por ti de verdade?
Parecias tão forte,
.. Uma lutadora, das coisas que queres muito.
Ultimamente não tenho gostado de mim e isso foi uma das razões que cessei, por isso é só por isso, posso precisar de um empurrão.
Sabias que os pinguins se casam para toda a vida?
Às vezes o marido e a esposa pinguim separam-se por causa dos seus padrões de migração. Às vezes ficam separados por anos, mas quase sempre se encontram. Quando se encontram depois de tanto tempo, atiram a cabeça para trás, batem as nadadeiras e cantam o mais alto possível.
É o amor.
(..27Out’08)
sábado, 25 de outubro de 2008
Repetir nem sempre é bom.
Hoje foi um dia mau. Do principio do amanhecer até ao escurecer.
Os meus olhos são iguais aos teus, pelo menos pensava eu no princípio. Até as mãos. E o sexo? O sexo é muito importante mas não suficientemente diferente. Soube depois. Valia a pena repetir tudo desde o princípio para me segurares e eu não ter tantas dores. Estou a ter cuidado com as palavras, às vezes colam-se umas atrás das outras só porque lhes apetece e não quer dizer absolutamente nada. Às vezes põem-se na frente mas não me sinto em nada responsável.
Tu foste embora, eu fiquei porque necessito muito de ti. Mas o que penso não importa mais, como as palavras que te oferecia e tu dizias para não parar o filme. Só queria um minuto para te olhar dentro, a razão da conversa merecia isso. Só queria olhar-te. Ter a tua atenção.
Agora já sei porque não consigo escrever. Agora sei. É que num tempo atrás até percebi, mas não aceitei. Agora tenho a certeza. Não me serve de nada mas tenho a certeza. Volto sempre ao princípio. Só que não é o mesmo. Escrever é uma dor tamanha que só eu acredito. Resisto ferozmente à ansiedade que tenho dentro de mim. Tudo vale a pena, até tudo o que não valeu a pena, que foi só um longo e inútil desperdício. Foi sempre assim desde o princípio, como já disse mas repito, qualquer que tenha sido o princípio, e houve muitos, se bem que já há muito que não haja nenhum, pelo contrário, mais fins, mais fracassos, pequenas mortes.
Detesto morrer. Isso foi o que senti há muito tempo e foi há bocadinho e volta a ser agora e pode vir a ser outra vez, muitas vezes, todas as vezes, porque eu morro se voltar ao princípio, é sina, é a vida miserável que me faz ser assim. São os meus medos. Arrisco a vida toda com tudo o que isso implica, ou que seja impreciso ou de estúpido e depois, volto ao princípio. Podia escrever outra coisa. O que pensei não escrevi como devia, mas isso é o meu costume e tu já tiveste tempo para me saberes adivinhar.
Quando me deixaste não fiquei sentado em nenhum jardim a olhar os pássaros. Nem viste quando me deitei na noite e chorei pelo que mais desejava. Quando me levantei, foi para te procurar e pedir para não ires, mas os pés tocaram um chão diferente, de pedra, e gelou-me o coração.
Os teus cabelos a roçarem-me a face, esfumam-se. Venceste. Perdi.
(..25Out’08)
O DECLÍNIO DO QUASE TUDO.
Cresci e respirei gostando muito.
Na vida a dois a verdade permanece sempre não esclarecida. Por mais que tentemos aceitar, mesmo querendo muito, nem sempre é esclarecedora, talvez por ser inexprimível. Normalmente aceitamos melhor a mentira e com ela vamos vivendo. Dizemos que é a nossa “intuição” que nos move, separando-a vulgarmente da nossa consciência. Algumas coisas que dizemos são verdade, acredites ou não. Hoje tenho fome desde ontem.
Decidimos fazer, fazemos.
O erro não mata porque amanhã é um novo dia.
A verdade corrói.
(..25Out’08)
sexta-feira, 24 de outubro de 2008
Com muito amor e esperança.
Com muito amor.
Às vezes, não importa como planejo as minhas músicas. Não há uma música certa para o que vai acontecer comigo, tão pouco para as minhas decisões. Assim, a história verdadeira: "Conhecemo-nos, apaixonamo-nos e decidimos usar todo o amor para, adquirir uma casa, formar uma família, sermos uno, é a minha verdade."
Apaixonei-me por ti porque eras forte, esperta, bonita e divertida e abri mão da minha liberdade - se alguma vez a tive.
Disse-te tantas vezes: És a minha alegria de viver. Quero casar contigo, porque és a primeira pessoa que quero ver ao acordar pela manhã e a única que quero dar um beijo de boa noite.
Na primeira vez que te vi, não imaginava a minha vida sem te abraçar. Casar, disse-te de boca muito aberta, principalmente porque, quando se ama alguém como eu te amo, casar é a única coisa a fazer.
"Nunca é tarde demais para fazermos o que podíamos ter feito."
Sou um indivíduo carente de quase tudo. Sou emotivo. Apenas peco por ultimamente quero viver a vida de forma mais racional, mas será que o mundo perdoará a minha pieguice porque tenho o coração perdido por ti?
Onde anda a fogosidade que existia em mim, desapareceu? Porque?
Achei que seria diferente desta vez, mas tu nem consegues definir a palavra "estar". Se significa "não há nada" é uma afirmação verdadeira – entendo-me. Mas que aconteceria se te desse uma palavra mais difícil como "verdade"?
A questão é, gosto de ti. Sempre gostei. "Gostar." É patético. É tão insignificante. "Amar" por outro lado... que fazias com uma palavra assim – entendo-te. Gosto de ti. Mereço um curso ou grupo de "reabilitação de vida".
Perguntas-me.
- Não posso sentir saudades?
Respondo:- Sabes que não vai dar certo. Até podia dar, mas sabes tão bem, não tenho tempo para o sofrimento.
Sabes? Tive uma visão de toda a nossa vida, aquela que nunca aconteceu e pergunto-me sem resposta: O que nos aconteceu?
Tenho medo dos meus sonhos que escurecem. Tenho medo de ti. Depois de ir ao fundo fico perdido. Ainda me sinto perdido a respeito de relacionamentos. É que levo a vida demasiado a sério e sei, nunca sabemos como as coisas vão sair, mas sou assim e não sei ser de outro modo. Quando fui menino brinquei muito com carinhos etc e tal, hoje, permite-me, não brinco com a vida de ninguém.
Às vezes temos de tomar a decisão de sermos felizes. Apenas decidir. Outras vezes, os audazes, reconhecerem que pelo menos um dos dois pode ser feliz para sempre num outro lugar. As coisas nunca são como esperamos, é pena - nunca são para ninguém, não há certezas, e no inicio nunca sabemos qual a medida para medir a nossa força de carácter. A única coisa que separa uma pessoa de outra é que no final, alguns ficam zangados, outros aceitam o que acontece.
É estranho, sabes? Tudo parecia que ia dar certo.
O tempo esgota-se e eu estou cheio de dores como se estivesse ferido sem ter o prazer de uma cicatriz.
Gostaria muito que fosses feliz por mim.
(..24Out’08)
Escrevinhada por:
SepolOm
às
23:55
segunda-feira, 20 de outubro de 2008
MOBBING
O mesmo do mesmo (emprego).
Não tenho qualquer dúvida hoje que, fui assediado moralmente no meu local de trabalho. Ainda hoje quando acordo, vejo os olhos de ex-companheiros de trabalho que me olhavam parecendo que tinha qualquer doença. Sentia em cada um deles, o medo que o mobbing lhes tocasse. Nunca mais andariam perto de mim, publicamente, pelo menos se a pessoa que me criava o assédio estivesse por perto.
Nunca vivi o terror que muitos contam. Fui sempre de um carácter irrepreensível e bastante forte. Não esqueço que no último ano ainda em actividade, criei uma defesa importante: O SILÊNCIO.
Muitos ofereceram-me como conselho supremo (deles): “baixa as calças”, “engole sapos”, entre outras. Lembro-me também de aceitar trabalhos tão baixos que não tinha nada a ver com as minhas qualificações técnicas, etc e tal..
Tinha chefia directa. Os trabalhos começaram a ser-me entregues por pessoas menos qualificadas. Deixei de ter qualquer comunicação, tão pouco "feeback" sobre os trabalhos realizados. Para piorar a chefia foi reajustada na minha área, sem ter qualquer qualificação para o cargo e para melhorar mais, achava que sabia da poda. O desgaste foi inverso, sei, o meu foi a extinção do lugar.
Em Novembro de 2007, o médico do trabalho António Sousa Uva relatou, na conferência “Assédio Moral no Local de Trabalho: Emergência de uma Nova Realidade”, na Universidade Técnica de Lisboa, que “os trabalhadores sujeitos a assédio moral têm cerca de quatro vezes mais queixas de alterações de sono, de irritabilidade e de ansiedade, em relação aos não expostos a essa violência.” Para este médico, “a dimensão do problema é cerca de cinco vezes superior à discriminação em relação à religião, origem étnica ou opção sexual, ainda que a sua visibilidade pública seja bem menor” – aludindo ao II Estudo Europeu Sobre as Condições de Trabalho (2007).
O assédio no trabalho é encarado, segundo muitos entendidos, como um sintoma de disfuncionalidade organizacional. Há características que associam esta prática ao local de trabalho: “ conflito de papeis, quem faz o quê, escasso controle sobre o trabalho desempenhado, cargas de trabalho excessivas, elevados níveis de stress e competitividade, reestruturações, estilos de liderança autocrática, comportamentos políticos, conflitos não resolvidos, insatisfação com o clima psicossocial de trabalho e ausência de processos que facilitem a comunicação entre os indivíduos e a resolução positiva dos problemas correntes de trabalho”.
Apesar de não ser crime, o “mobbing encontra-se concretizado nos artigos 18º, 23º e 24º do Código de Trabalho, e nos artigos 31º a 34º da Lei nº 35/2004, de 29 de Julho”.
Fui claramente alvo de assédio moral no trabalho. Outros foram. No entanto, depois de cinco meses a olhar para as paredes, completamente parado, em que o corpo estava no chão, o espirito aliviado pelos melhores sentires, a psicossomatica não mostrava sinais de estrebuchar, consegui uma vitória importante na minha vida: não engoli sapos e nunca baixei as calças a nenhum superior. Saí é verdade, mas saí com o meu carácter e personalidade que sempre nasceu em mim. Só o tempo mostrará quem perdeu. De momento fui eu, mas já sou um bom perdedor faz muito tempo.
Hoje quando acordei, lembrei-me destas merdas e apeteceu-me escrever sobre as mesmas merdas.
Experimenta escrever a palavra "mobbing" no google. Fiquei muito surpreendido, mas grato. Infelizmente tarde, mas para ti e teus, acorda.
Voltarei ao assunto porque faz parte de mim.
(..20Out’08) (2)
O QUE É O MOBBING?
Normalmente, o 'mobbing' é motivado por sentimentos de inveja ou por uma qualquer forma de frustração básica e insegurança por parte de quem o pratica.
Em inglês, “to mob” significa “agredir”. Na prática, podemos traduzir isso com duas palavras: vergonhosa intimidação. Uma verdadeira praga social, comparável – pela gravidade e vastidão – ao fenômeno da usura. É um verdadeiro fenômeno de delinqüência massiva, com três componentes: a vítima (o “mobizado”), o carnífice(s) (Mobbers) e os cúmplices (os colegas, a representação sindical...)
O 'mobbing' pode ser definido como um qualquer comportamento abusivo, traduzido em palavras, actos - ou sob qualquer outra forma de comunicação individual - que poderão afectar negativamente a dignidade física / mental ou a integridade de uma pessoa, a realização de actividades no contexto de uma função ou um determinado ambiente de trabalho.
Na esfera profissional, o assédio moral está normalmente limitado à destruição psicológica da vítima, de forma progressiva, embora possa ser associado a abusos de natureza humilhativa, física ou corporal, para além de eventuais abusos de carácter estrutural, como sejam a rejeição, as ameaças ou os roubos.
Perfil da vítima: inteligente um pouco mais do que a média, altruísta, ingênuo, insatisfeito, honesto, com uma certa consideração dos valores, apegado ao trabalho e à empresa. Não tolera injustiças com ninguém.
Perfil do mobber: malvado, muitas vezes com referência à meritocracia, de nível medíocre, não cria nada, useiro, mente, engana com facilidade os do seu grupo, certamente com problemas na própria família...
Muitos dos comportamentos dos mobbers caracterizam fielmente aqueles mafiosos: motivações de fundo (na maioria das vezes, o dinheiro), mania de grandeza, vontade criminal, cumplicidade em eliminar alguém, o agir escondido... obedece árduamente...
quinta-feira, 16 de outubro de 2008
Acordar.
Posso a acordar de qualquer maneira, tanto faz, o final é sempre para o mesmo, acção para mexer qualquer parte do corpo e levantar-me. Nada mexe e eu não quero fazer nada para mexer. Não quero perder nada do que tenho.
No fundo, acordo sempre da mesma maneira de qualquer homem comum. Só não acho é justo, acordar da mesma forma dos outros. Mereço um acordar diferente, como quando acordava com a paixão a envolver-me e sentia o coração a despedir-se e a razão dissipava-se – queremos sempre assim.
Se houvesse um sentido lógico para me mexer, acordava como sempre fiz, sem a preocupação de inalar o aroma que hoje faz o meu sonho ser, esperança.
Antes de ser o homem que hoje sou, acordava de qualquer maneira. Não tinha aroma para tomar. Nem calor afectuoso que me pregassem na cama. Mexia-me muito depressa. Queria ir ao encontro do desconhecido mesmo que nesse dia não vislumbrasse nada de igual ao que sonhava. A esperança fervilhava no meu sangue, ainda. Foi à demasiado tempo que até parece que sonhei. Não gostava da vida que tinha, é um facto, só mesmo do trabalho, e esse, ainda sufoca, mas entretêm-se cada vez mais a esfumar-se nos dias, ainda bem, ainda bem para mim.
O tempo pára e depois arranca para voltar tudo ao mesmo – é o que sinto. Às vezes ao acordar, afundo-me na cama, nunca sei o que procuro, mas procuro. É dramático no início do dia saber que acordo com o aroma de quem tanto gosto e não conseguir domá-lo nas minhas mãos para que fique sempre comigo. Desejava que fosse um álibi para que as minhas desculpas e ou as minhas razões não fossem tomadas em conta. Queria tanto nunca ter "razão", é a deformação a envolver-me. É uma luta contra o sonho. Estou a crescer e não queria.
Ainda acordo muito devagar. Sou sempre vagaroso em tudo o que faço. O que é uma chatice quase sempre, pelo menos é o que os meus caminhos repisados mo proferem e eu não consigo deformar este aspecto - essa é que é essa.
O dia não pára e ainda não me apetece mexer. Principalmente hoje que me deleito no aroma que inspiro. Porquê hoje? Não sei, mas quero ter muitos amanheceres iguais. No entanto fecho-me em mim, com a certeza de que isto, como o resto, passa. É que a partir dos cinquenta, alguém me disse, já nada é natural, nem a dor nem o prazer. Não desejo assim.
Hoje prometo não tomar banho de manhã. É sempre o que faço. Levo-o sempre comigo no corpo e aguento-o tempo suficiente em mim, depois, noutro lugar, despego-me das coisas que me sufocam e deixo que outra água o leve e as leve, para um lugar estranho e mais distante ainda. É assim que faço quase todos os dias ao acordar com o aroma que acorda em mim.
Isto deve ser dor. Cansaço. Deformação. Agora enervo-me com razão. Deve ser irreversível este meu acordar. Vejo os dias tão previsíveis e isso é coisa que abomino e pensar na quantidade de água que me limpa a alma, traz-me agonia - é o que sinto. Podia sorve-la, ficaria limpa dentro de mim. Tenho de arribar, pular da cama. Desejar que o dia seja igual ao que almejo por completo. Acordar feliz como quando era um menino de paixão, num horizonte de razões comuns e algumas cumplicidades partilhadas em abraços desejados. Eu, que sou de fazer e viver as coisas vagarosamente e bem, abomino quando me sussurram: É demasiado tempo.
(..15Out’08) (3)
segunda-feira, 13 de outubro de 2008
Talvez, não é nada.
Talvez esteja a envelhecer rápido demais, mas lutarei para que cada dia tenha valido a pena mesmo que, alguns dias me pareçam imerecidos.
Talvez tenha de sofrer mais inúmeras desilusões no decorrer do resto da minha breve vida, mas até lá, farei com que percam cada vez mais importância, diante de gestos de amor que vou encontrando, aqui, ali, acolá.
Talvez as forças se percam dia após dia e já nem consiga realizar todos os meus sonhos, talvez, mas nunca irei considerar-me um derrotado.
Talvez tenha sido enganado inúmeras vezes, mas não deixarei de acreditar que em algum lugar, alguém merece a minha confiança.
Talvez com o tempo eu perceba que cometi grandes erros, mas não desisto de continuar a trilhar o caminho do meu coração.
Talvez só agora eu saiba que perco amizades, mas irei aprender que as boas, as que não desistiram de mim, nunca estarão perdidas.
Talvez algumas pessoas desejem o meu mal, talvez, mas continuarei a plantar boas sementes por onde passar.
Talvez nunca consiga vislumbrar um arco-íris, talvez, mas aprenderei a desenhar um, nem que seja dentro de mim.
Talvez não aprenda todas as lições necessárias que a vida todos os dias me ensina, talvez, mas tenho a consciência que os mais valiosos, já estão enraizados em mim.
Talvez não tenha motivos para grandes comemorações, talvez, mas não deixarei de me alegrar com pequenas conquistas.
Talvez a vontade de abandonar tudo se torne a minha melhor aliada, talvez, mas ao invés de fugir, continuarei a correrei à frente das coisas que acredito.
Talvez não seja o que gostaria de ser, talvez, mas passarei a admirar melhor quem sou.
Talvez tenha de enfrentar mais alguns inimigos, talvez, mas terei humildade para aceitar as mãos que se estenderem na minha direcção.
Talvez ainda tenha de passar muitas noites frias, derramar mais lágrimas, talvez, mas nunca terei vergonha por chorar.
Talvez tenha sofrido uma grande injustiça, talvez, mas jamais assumirei o papel de vítima.
No final de tudo, as lágrimas, incontáveis dúvidas, erros etc e tal, com as pernas sem vacilações, sou capaz de construir uma vida melhor. E se ainda não consegui, decididamente; é porque ainda não chegou o meu fim. Em todos os finais, sei que não existe nenhum "talvez", mas sim, a certeza de que tudo o que fiz na minha vida valeu a pena. Fiz e continuo a fazer o melhor que posso e o meu coração me leva.
(..13Out’08)
Nota1: Rezando pois.
domingo, 12 de outubro de 2008
Crise Económica – O Golpe.
Há crise económica. Faz precisamente três ou mesmo quatro anos que o caminho era seguido. Todos sabíamos. Mentiram-nos. Esconderam-nos a verdade.
Não percebo nada de economia, é certo, mas nunca vou perceber as razões dos créditos concedidos na América que, ao serem oferecidos ao desbarato a quem logo no inicio do contrato já nada tinha, o país América, vá lá saber-se porquê, fez a crise chegar há nossa Europa e a Europa deixou a crise da América tocar-nos.
Os entendidos, querem que eu acredite que a crise foi por isto e por aquilo. A maioria diz que foi pelos tais créditos fáceis e de engano que se concedeu aos pobres. Os mais doutores, dizem que foram criados produtos de venda sem o mínimo de segurança. Todos dizem, doutores, políticos e outros afins, barbaridades ou coisas que nos querem fazer entrar pelos ouvidos do entendimento. Cá para mim, todos mentem. Todos sabem as verdadeiras razões, nem quero lembrar-me dos abissais vencimentos que estes que, deveriam sempre defenderem-nos, recebem mensalmente. Deviam defenderem-nos, mas não o fazem, nem o fizeram.
Por estas poucas e outras razões que não vou escrever, porque não percebo nada disto, não me distraí em qualquer leitura que ouvi e vi, jornais e televisões, ultimamente. Creio, é do meu entendimento, hoje mais do que nunca, que foi outro golpe de “génio”, feito por um grupo de terroristas num lugar qualquer.
Foi só o tempo de plantar uns quantos presidentes, administradores e subdirectores nos locais chaves. Criarem uns novos bancos aqui e ali. Oferecer produtos financeiros que nenhuma estrutura mais segura e antiga ousava criar. De resto, o tempo, faria por destruir um cada vez mais Capitalismo caduco em tempo e na história. Incrível é o Capitalismo de momento se socorrer da doutrina Comunista - Nacionalizações. Cá para mim é tudo muito estranho.
Depois das ditas torres (WTC), mais uma terceira que pouco se falou terem caído, este foi talvez o maior ataque executado e bem sucedido, perpetuado por alguém sem qualquer escrúpulo a coberto de pessoas instaladas em lugares chaves, que por dinheiro, muito dinheiro, rejubilam escondidos e desculpados num lugar seguro. O tempo mostrará que não foi o que nos querem fazer acreditar. É a ingenuidade absoluta a olhos vistos em todos os sectores. Todos os nossos mais altos representantes falharam. E que bem que ganham. E que boas vidas têm. E que coisas boas os alimentam. E que boas habitações têm. Etc e tal..
A Europa continua a não falar a uma só voz. Continua separada. Fala a várias vozes, uma a cada dia. A Europa não é federal, vá-se lá saber porque ainda não o é, mas perde tempo a conseguir mais países para entrarem no seu “nosso” grupo.
Vamos ver o que vai acontecer aos que menos tem. Como se diz no meu país: “É sempre o mexilhão que mais se fode!”. Essa é que é essa.
(..12Out’08)
Nota histórica:
Crise de 1929
1
Grande Depressão, também chamada por vezes de Crise de 1929, foi uma grande recessão econômica que teve início em 1929, e que persistiu ao longo da década de 1930, terminando apenas com a Segunda Guerra Mundial. A Grande Depressão é considerada o pior e o mais longo período de recessão econômica do século XX. Este período de recessão econômica causou altas taxas de desemprego, quedas drásticas do produto interno bruto de diversos países, bem como quedas drásticas na produção industrial, preços de ações, e em praticamente todo medidor de atividade econômica, em diversos países no mundo. O dia 29 de outubro de 1929 é considerado popularmente o início da Grande Depressão, mas a produção industrial americana já havia começado a cair a partir de julho do mesmo ano, causando um período de leve recessão econômica que estendeu-se até 29 de outubro, quando valores de ações na bolsa de valores de Nova Iorque, a New York Stock Exchange, caíram drasticamente, desencadeando a Quinta-Feira Negra. Assim, milhares de acionistas perderam, literalmente da noite para o dia, grandes somas em dinheiro. Muitos perderam tudo o que tinham. Esta quebra na bolsa de valores de Nova Iorque piorou drasticamente os efeitos da recessão já existente, causando grande inflação e queda nas taxas de venda de produtos, que por sua vez obrigaram o fechamento de inúmeras empresas comerciais e industriais, elevando assim drasticamente as taxas de desemprego.
Os efeitos da Grande Depressão foram sentidos no mundo inteiro. Estes efeitos, bem como sua intensidade, variaram de país a país. Outros países, além dos Estados Unidos, que foram duramente atingidos pela Grande Depressão foram a Alemanha, Austrália, França, Itália, o Reino Unido e especialmente o Canadá. Porém, em certos países pouco industrializados naquela época, como a Argentina e o Brasil, a Grande Depressão acelerou o processo de industrialização.
Os efeitos negativos da Grande Depressão atingiram seu ápice nos Estados Unidos em 1933. Neste ano, o Presidente americano Franklin Delano Roosevelt aprovou uma série de medidas conhecidas como New Deal.
Essas políticas econômicas, adotadas quase simultaneamente por Roosevelt nos Estados Unidos e por Hjalmar Schaact na Alemanha nazista foram, 3 anos mais tarde, racionalizadas por Keynes em sua obra clássica.
O New Deal, juntamente com programas de ajuda social realizados por todos os estados americanos, ajudou a minimizar os efeitos da Depressão a partir de 1933. A maioria dos países atingidos pela Grande Depressão passaram a recuperar-se economicamente a partir de então. Em alguns países, a Grande Depressão foi um dos fatores primários que ajudaram a ascensão de regimes de extrema-direita, como os nazistas comandados por Adolf Hitler na Alemanha. O início da Segunda Guerra Mundial terminou com qualquer efeito remanescente da Grande Depressão nos principais países atingidos. (wikipedia (1).
2
Foi a primeira crise pura do capitalismo (ou crise de superprodução). As altas taxas de juro dos EUA (aliadas a uma política deflaccionista, medidas praticadas com o propósito de escoar os excedentes do seu comércio próspero - desenvolvido no pós-guerra, e dinamizado depois da crise de 1921 -, e evitar a fuga de capitais) atraem às Bolsas Americanas investimentos de todo o Mundo, resultando um surto de especulação financeira que atinge proporções desmedidas. O custo das acções ultrapassa muito o seu valor real, levando à criação de sociedades fictícias.
Simultaneamente, a progressiva automatização permite taxas de produtividade mais elevadas, e promovem-se campanhas de venda a crédito extraordinárias, para escoamento do produto.
A publicidade consegue incitar o consumo em massa, mas a oferta continua muito superior à procura, o que leva à saturação do mercado.
Nestas condições, fale a primeira empresa Inglesa, e a retirada imediata de parte dos capitais britânicos da Bolsa de Nova York marcou, a 24.10.1929, a Quinta-feira mais negra da história do capitalismo. Um avultado número de acções (sem compradores) é posto à venda, com a consequente baixa vertiginosa do seu preço. O sindicato dos banqueiros e o sistema federal intervêm, mas a deflação dos preços torna-se irreversível. A esta crise financeira alia-se assim uma económica: matérias-primas, produtos alimentares e tropicais (café, borracha, algodão) são os primeiros produtos a senti-la, mas todos os sectores, em cadeia, acabam por ser afectados. Esta quebra faz não só diminuir os rendimentos, como, consequentemente, diminui o poder de compra e aumenta o desemprego (os stocks acumulam, e a produção é restringida).
Também o comércio internacional entra em recessão, atingindo sobretudo a venda de produtos industriais.
A falência de numerosas empresas e a falta de investimentos explicam a duração da crise. O sector mais afectado foi, sem dúvida, a banca: o "crash" de Nova York provoca também a retirada de capitais americanos investidos no estrangeiro, e o clima de desconfiança que se gera leva os particulares a anularem os depósitos bancários e a praticarem o entesouramento ou a compra do ouro.
A esta crise bancária junta-se uma crise de crédito quando, em Maio de 1931, fale o principal banco austríaco (dominado pelos Rothschields) : é retirado o crédito a inúmeras empresas da Europa Central, que acabam também por falir. Nenhum País escapa às repercussões desta crise, que abala a crença no liberalismo e leva a uma crescente intervenção do Estado na actividade económica.
segunda-feira, 6 de outubro de 2008
Sinais. Coisas de nada.
Vamos aos pensares do dia. É assim, quando duas pessoas iniciam uma nova vida em partilha, continuo em crer, existem muitas coisas que, qualquer lugar comum além de interessante é partilhado pelos dois, com estados de alma completamente desinteressados e possitivos. Quer dizer, qualquer espaço é oferecido de coração aberto a um e a outro. Também sabemos de antemão que, nada é igual no seu percurso ao início. Porquê?
Tomo como exemplo a história de um casal em início, onde li num lugar qualquer. Nesta história como na maioria, ela chama-se Maria e ele João.
..“Maria amava muito e um dia resolveu ir viver com o seu amado vivendo em partilha a casa deste. No início como em qualquer relação, a partilha é absoluta. Nos meses subsequentes, Maria que desde o início, depois de vestir o pijama, deixava sempre a sua roupa dobrada e direita no mesmo lugar na casa de banho. Um dia reparou que esse “seu” lugar estava ocupado pela roupa do João. Não disse nada. Maria tomou a suas roupas e colocou-as noutro lugar. Outros mais dias passaram e a Maria lá ia arranjando um “lugarzito” aqui e ali para arrumar as suas poucas peças de roupa no final de cada dia. Certa dia, Maria nota que o "seu" lugar estava outra vez vago. Voltou a arrumar a sua roupa como sempre fizera no dito espaço. No mesmo dia repara que o João colocou a roupa dele por cima da sua. Não disse nada desta vez. Calou-se. Pensou. Pensou cada vez mais só para ela - já tinha conversado sobre o assunto com o João em modo de brincadeira em tempos atrás. Prometera que não falava mais no assunto, mas dizia para ela - é coisa de pouca importância, amanhã é outro dia. Também pensava: A casa é dele. Devo estar aqui emprestada.
O que parece desinteressante - coisas sem significado para uns, é importante para outros. A isto, chamo pequenos sinais – pequenos nadas, que prevêem de certa forma, a vida que temos pela frente com alguém e ou, como sentimos que alguém nos trata. Como é que coisas tão pequenas que muitos chamam; tacanhez, mesquinhices etc e tal, fazem decidir a vida ou emoções de alguém? Na verdade esquecemos que viver em partilha é viver com outra pessoa e não com um espelho.
Duas pessoas mesmo que se gostem muito, são diferentes nos seus modos de vida e de estar. Assim, muitas vezes desvalorizamos as coisas do outro em proveito próprio. A pequena história revela o que muitos não querem saber. Cá para mim, os mais pequenos sinais estão todos os dias à nossa volta, e existem muitos "pequenos nadas": reconhecemos ou não; aceitamos ou não; entregamo-nos completamente ou não; damos ou não.
O poeta diz: Enquanto não compreenderes o significado do compromisso, não saberás amar.
(.. 06Out’08) (2)
