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terça-feira, 28 de setembro de 2004

Espantalho

“Era uma vez um agricultor
que tinha um campo enorme,
onde mantinha todos os animais à distância

por causa das colheitas.

Conseguia o que queria mas,
sentia-se muito só.


Um dia, pôs-se no meio do campo
para receber os animais.
Ficou lá até á noite,
a chamá-los de braços abertos,
mas nem um animal apareceu,
nenhum foi ter com ele.

Estavam todos cheios de medo
daquele novo espantalho...”


"Querer para nós, não chega sonhar. A realidade mostra-nos que muitas vezes estão simplesmente há nossa espera, mas não nos atrevemos a aproximarmo-nos de quem queremos. Simplesmente, afastamos de nós quem gostamos com "medos" de, vai lá saber-se, negação?

Para alguns como “EU” as coisas necessitam de sinais mais evidentes do que simplesmente um, "Olá" ou um "Que saudades tinha de ti!". E olho embaraçado para aquele sorriso enorme bem rasgado que me deixa “penado” sem pinga de sangue.

Por “protecção” consigo sempre afastar-me primeiro do que ouvir um NÃO!

Não gosto de ouvir, todos os dias o vocábulo "NIM!"

Afasto, sim sei que afasto pessoas “que penso” que gosto, antes que elas me possam ferir.

Defesa? Uns quantos entendidos, dizem que sim. Como mudar? Como sentir-me melhor ou EVITAR?

Procuro, mas não encontro respostas no som ou nas palavras dos entendidos que ouço ou leio.

Simplesmente sou assim.
Direi de uma só vez e hoje: Quem me quiser, terá de levar o pacote inteiro e não só os bons bocados.

Consegui! Uauuuuu...

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Histórias velhas, do meu baú: 2004

Amor, Amizade e Traições

Este texto foi escrito à muitas primaveras com um propósito. No entanto, o conteúdo vem exactamente no mesmo propósito que passados "tantos tempos" contínuo a pensar exactamente com o mesmo princípio. Perdoem-me a franqueza, mas que raio mulheres!

"Quando os melhores amigos disputam a mesma mulher ou homem, ninguém ganha. Muito menos a pessoa que está a ser disputada.
Por mais gratificante que possa ser para a pessoa que está a ser seguida, o facto de ser-se perseguida por alguém, um amigo ou potencial “amante”, sugere sempre um defeito de carácter que virá a revelar-se quando se juntar com o perseguidor. Serão dois ocos que depois de algumas secções de sexo chegarão à conclusão que mais ninguém os quer. Sozinhos, pensam na próxima vítima. Não existe perseguida(o), se esta não der alguns sinais de prazer aos seus possíveis perseguidores.
Que possibilidades a longo prazo tem uma relação quando os perseguidores são na generalidade tão egocêntricos?
“Terei aquilo que quero!”
“Que se dane se alguém se magoa!”

Que tipo de pessoa escondida no silêncio ingénuo, constrói prazeres extemporâneos; promete ou continuadamente arremessa palavras difusas, impróprias etc e tal, só porque num dia e momento qualquer, foi-lhe oferecido em desabafo, um pior momento de felicidade da sua amiga(o)?

Quanto aos dois que disputam o prémio, também não ganham nada. Nem mesmo o que acaba por ficar com o prémio, a(o) perseguida(o). Isto porque nunca temos a certeza se a perseguição continuou porque se amava essa pessoa, ou porque a competição é que conduziu a isso mesmo. Ninguém normal suporta a ideia de perder para um amigo(a), seja quem for.
Os bons cedem. Escolhem outro caminho. Amar é, ser livre em actos e acções.
Na verdade se existir mesmo amor, esse acabará por vencer sem ter de recorrer a uma campanha de traições e trapaças. Isto é, tentar vencer o adversário a qualquer preço.Se realmente existir amor, ninguém precisa de abrir mão do seus princípios, muito menos se deve abrir mão aos amigos
."

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Texto velho do meu baú: 16/02/2002
(sem alteração do meu original)

domingo, 19 de setembro de 2004

Noticia da morte…

JL, de profissão “x” em Lisboa, faleceu a noite passada devido a complicações com a perda da sua alma gémea.
Tinha 45 anos.
Afável e obsessivo, Jorge nunca encara o papel de romântico incorrigível.
Mas, nos últimos dias da sua vida revelou uma faceta desconhecida da sua alma. Essa oculta quase fantasma pessoa surgida durante a busca, estilo Agatha Christie, da sua alma gémea.
Uma mulher com quem ele apenas sonhou umas preciosas horas, talvez uma noite (claro que a química existiu no primeiro dia, num só breve momento).
Infelizmente, a longa busca terminou ao acordar dessa noite, no mais completo fracasso.
Contudo, mesmo perante a derrota, o corajoso Jorge manteve-se fiel à crença que a vida não é apenas uma série de acidentes sem sentido ou coincidências, mas antes uma colecção de acontecimentos que culminam num requintado e sublime plano do destino.
Os amigos próximos, questionados sobre Jorge descreveram, como um homem diferente nos últimos 4 (2000) anos, talvez últimos dias de vida.
Reescrevo os últimos apontamentos que deixou na sua velha sebenta de pequenos nadas:

“Eu não tenho idade. Tenho vida. JL”

“...vejo que aquelas que me tocaram a alma não conseguiram despertar o meu corpo, e aquelas que tocaram no meu corpo não conseguiram atingir a minha alma...
(Paulo Coelho - 11minutos)”


Um amigo (.. 19Set'04)

Tenho ciúmes dos que podem estar junto de ti.

É nas nossas lembranças que jazem os sentimentos mais profundos.
Lembramo-nos, como dizem os poetas; que este regresso para trás cada vez mais para trás, faz com que voltemos a sentir-nos como crianças.
Cada um de nós a um dado momento da vida, vai olhar para um ente-querido que precisa de ajuda e fazer a mesma pergunta que eu faço para com todos os amigos.
“Quero ajudar Senhor, mas o que é necessário?”
A verdade é que raramente podemos ajudar os que nos estão próximos.
Não sabemos que parte de nós devemos dar, ou, como corre tantas vezes, a parte de nós que podemos dar… não é a desejada.
Por isso, aqueles com que convivemos escapam-nos.
Ainda assim, amamo-los.
Podemos amar completamente mesmo sem percebermos completamente.
Como eu digo sempre:
“Nem sempre nos é possível ajudarmos quem mais gostamos”

A melhor ajuda que podemos sustentar a alguém é, “ESTAR LÁ” em qualquer momento.
Eu digo bastas vezes; tenho ciúmes dos que podem estar junto de ti.


(.. 18Set'04)

...crescerei e me tornarei um homem.

Abano a cabeça no horizonte e medito.

Sinto a pergunta vulgar redopiando meu pensamento.
Como és tu?
Respondo sempre com uma certeza absoluta:
- Depende de quem olha para mim.
Quero conhecer-te.
Replico:
- Já o está a fazer.
Continuando, me dou a pensar em coisas banais.
Coisas tristes, coisas sem estrutura firme no sentido normal dos homens. Bem! Eu também não me acho normal. Tenho amigas que me dizem que eu sou um caso difícil de entender.
Mas raio. Quero dizer o que penso…
Ver, nem sempre é acreditar.
Existem coisas que vimos ou sentimos, que a racionalidade não pode explicar.
Puxa, consegui dizer. Melhor, escrever. Melhor ainda, publicar.
Mas continuo a pensar. Revejo as minhas amizades… Não consigo decifrar a minha consciência. Tenho um sentido desenfreado de partir. Quero dizer mais. Tenho vontade de deixar algo… Mas reconheço que não é tarefa fácil, nem dos poetas nem dos escritores, de recriar as mentalidades da força nas mulheres.
Mas direi ainda, sinto que hoje tenho alguma força para dizer algo mais, principalmente às amigas e são tantas que me olham com outros olhos… Olhos que não os tenho, mas elas acham que sim, eu sou algo que as faz pensar em felicidade.
Mas eu não sou feliz.

Direi? Conseguirei? Continuo?
Penso numa delas e tenho a vontade de gritar.
Depois de dizer o que sonho, será que a perderei como amiga? Não, digo eu. Se é amiga não quer que eu me perca. Então… Será mesmo que estou hoje em mim?
Mas… apetece-me dize-lo.

"Ama o teu homem como uma criança… Um dia ele vai crescer."
Buáaa, consegui. Está escrito está escrito. Não apagarei o que tanto me custou a pensar e a escrever.

Existem prazeres, que se não os partilharmos não tem sabor.

Para acabar este momento e acho que estou hiperemotivo… ahahahah Será? Eu acho que estou naquele tempo em que se sente que o amor está no ar mas não é absoluto nem nosso, simplesmente ele está lá, mas não dentro do nosso coração. Sabemos que ele existe. Sabemos que ele acontece, mas… é o tempo que nos deixa e não o amor.

Direi ainda nesta fase a elas:
Nunca digas à tua amiga que eu te sussurro. Alguém um dia vai saber que afinal eu também sei amar.

Ainda não consegui entender que fascínio tenho na minha montra de homem! Que tenho facilidade em fazer amigos, isso reconheço, o porquê ainda não aprendi. Pior ainda é que gostarem de mim não é o mesmo que eu gostar de alguém.

Como eu necessito de entender a diferença do gostar e de amar. Neste momento estou a ficar naquele estado, como dizemos “em parafuso”.
Eu que gosto de tantas mulheres. Eu que em cada uma me revejo num mar de felicidade, sonhos futuros e no presente acredito numa mão cheia de nada!
Em cada uma que olho e não vejo, quero de coração ama-la.
(para mim, como um dia escreverei. ver é normal, Deus nos dá isso no dia em que abrimos os olhos naquele dia...
Olhar, tem mais de interior é mais demorado e por vezes... é um breve instante.)
Mas sei e acredito que só uma e simples mulher entra no meu coração.

Mórmon? Ahhh… Era uma solução pacífica, claro para mim e onde estavam elas?
Não… tenho que continuar a busca de alguém que me faça entender que mesmo menino, vai querer esperar que eu cresça.
O sonho, era estar junto dela e esse amor reconhecer, que um dia eu também vou ser um homem.

(.. 18Set'04)

segunda-feira, 13 de setembro de 2004

Sofrimento, humilhação, e muito prazer.

Que sabes sobre dor, sofrimento, e muito prazer?
Eu sei quase tudo... (quase... ahahahah) Mas isso é certo, sei o que não me interessa.
Sei que ainda quero coisas boas, muitas coisas boas desta vida.
O sofrimento aliado ao prazer? Tenho que arrancar isso da minha alma.
Afinal, somos seres humanos, nascemos cheios de culpa, temos medo quando a felicidade se transforma em algo possível, e morremos querendo castigar os outros porque sempre nos sentimos impotentes, injustiçados, infelizes. Pagar os seus pecados, e poder castigar os pecadores – ah, isso não é uma delícia? Sim, é óptimo.
Mas que raio, não veio alguém a este mundo para sofrer por nós, porque gostava de nós?
O prazer não é dor.
Nem pode ser, por mais que alguém nos diga que também é possível isso suceder.
Nada disso tem relação com a verdadeira vida.
Dor e prazer. Sadismo e masoquismo. Chamem-lhe o nome que quiserem. Se estiverem convencidos disso ou que esse é o vosso melhor caminho, sofro. Lembrar-me-ei que um dia eu vos tive, mas depressa vos esquecerei e nunca mais lhes procurarei.
Nunca alguém vos disse que não gostavam da vossa maneira de vestir ou de outra coisa qualquer?
Comigo ultimamente me aborrecem porque deixo crescer o cabelo (uma jura silenciosa que fiz a mim mesmo). Sinto-me óptimo. Irreverente? Claro que o sou, sempre fui.
Mas dizem os entendidos que fico mal com cabelo grande... Raio! Como conseguem eles ver a minha alma?
Os melhores dizem! Gosta do que faz ou da maneira que age?
Se estás contente com a forma, continua.
E se não gostamos do que fazemos ou da nossa maneira de agir?
Existe sempre alguém que de uma certa maneira nos diz algo que nos entorna a alma. Parece que nos conhecem, mas nada disso, alguém consegue olhar para nós de maneira diferente, simples não? Por ser simples esse alguém nos entende.
Coisa que os amigos e as gentes normais não conseguem porque estão habituados a observarem-nos sempre da mesma maneira.
A dor, entendo eu, só e reprimida se formos conscientes que não vai durar a nossa vida toda ou mesmo o dia todo.
O tempo é mais importante na nossa relação com os outros, do que nós pensamos. Se soubermos exactamente medir o tempo, sabemos medir os nossos medos, nossas angústias, nossas inverdades e nossas fraquezas.
Dominar o tempo é ter a consciência do tempo. E sabemos se formos racionais que ele é pouco tempo no tempo.
Acreditem ou não eu, todos os dias penso nas pessoas que sofrem (sim sei que são muitas) sem pedir esse sofrimento. No entanto sei e sou consciente que muitos também sofrem por consentimento. Acham que sofrer é chegar a Deus. Será?
Academicamente sugeria outra forma de pensar o sofrimento.
Imagina-te no cimo. Imagina que vês o ser humano a sofrer. Imagina que não tens ante queridos e que todos os são também.
Eu sinto um vazio enorme ao fazer este exercício, mesmo mental. Penso eu, que se estivermos acima de, talvez alguns (com medo de não pensar em todos) sofrimentos conseguimos entender as nossas dores.
Existem coisas para as quais não fomos incumbidos de pensar. Existem fasquias que não devemos ultrapassar, nem seria justo (porque Deus assim não quis depois da última aliança) sofrermos pelos outros, talvez só mesmo por nós (... mas não é Ele que nos impoê).
Porque não descermos ao nosso lugar para a qual nós viemos a este mundo? Porque inventar coisas que Ele nunca quis para nós?
Somos masoquistas? Sádicos?
Que proveitos retiramos de coisas que não foram criadas para nós?
A dor tem limites e nós temos que saber os nossos limites.
Sentindo a dor, podemos sentir prazer e encontrar a paz.
A dor está interligada às nossas fraquezas. Os fracos provocam dor de variadíssimas maneiras, em si.
O isolamento é a dor dos vencidos.
Não sei se o ser humano procura sempre o mais fácil. Por ser mais fácil encontrar a dor nós, nos aproximamos mais dela? O que é fácil, todos querem ter. E é o melhor para nós? Não acredito. Ninguém deseja sofrer.
Que raio de dilema.
Eu antevejo um mundo melhor sem sofrimentos de qualquer espécie, se conseguirmos entender que se pode viver sem sofrer. A vitória do humano.
Movemo-nos não pelo prazer, mas da renúncia a tudo o que é importante.
A mulher mostra a sua dedicação ao marido. Ela quer sentir isso.
O homem trabalha para ser reconhecido o seu suor, pela família. E os filhos que renunciam o seu sonho para agradar a seus pais!
A vida deveria ser alegria: AMOR.
Recuperar as nossas ansiedades, nossos medos, é importante para a nossa vida.
.
(.. 13Set'04) (nada para acabar)

Se eu soubesse escrever... de uma amiga.

Recebi este verso sentido de uma nova amiga. Sinto que os sonhos não comandam nada. Os sonhos doem como dói o amor. Sinto, que por mais que sonhemos o melhor é olharmos em frente e que tal, ver a realidade? Eu gosto de olhar em vez de ver, mas tem dias que não consigo olhar. Vejo. E meu coração diz-me bem baixinho... CALA-TE.
Partilho.. de mmt.

"Olá... boa noite. Apeteceu-me partilhar contigo um texto meu...
O titulo é: Se eu soubesse escrever...

Se eu soubesse escrever...
Diria tantas coisas...
Diria a ti, que a amizade é igual a uma rosa,
não faz falta tê-la perto, para saber que é tão bela!
Diria que, tal como uma gaivota,
procura uma rocha para descansar de seu vôo...
assim meu coração procura repouso na tua amizade!
Diria que em cada estrela coloquei um beijo para ti...
Diria que essas palavras que escrevo...
muito pouco são,
mas nelas
está todo o meu coração!
No dia que eu saiba escrever,
tu ditarás essa canção...
Minha alma será a letra
A música teu coração.
O título será o que esperamos da vida...
Se chamará... ILUSÃO!

Beijo enorme...
Sorriso sereno...

Obrigado.

(.. 13Set'04)

sábado, 4 de setembro de 2004

Quarentão! No tempo serei cinquentão.

Depois de chegar das minhas pequenas e justas férias, alguém se atreveu a oferecer-me um filme em DVD (claro que foste tu). Ainda na “labuta” do saborear dos últimos dias que faltam para o recomeço da rotina laboral, recebo o dito. Visionado e me deleitado com o mesmo, entendi com a raiva de homem a mensagem da minha amiga oferecedora.
Perguntam vocês! Mas afinal que filme foi esse que mexeu com este gajo?

Alguém tem que ceder. “Something’s Gotta Give”

Pergunto eu, e vocês viram?
Bem, eu vi e como vi de certa maneira o meu espelho, não gostei. Alguém gosta que lhe digam as verdades, mesmo que sejam verdadeiras? Eu nem assim nem assado mas, e só naquela de brincadeira, sério, sério é mesmo para me aborrecer.

Vem esta a propósito de uma pequena deserção, sobre o estado actual das mulheres e dos homens adultos, contada por uma das intervenientes, irmã de Erica, personagem de mulher dócil, gostosa mas que a vida lhe está a passar com a resignação consentida da própria e de muitas.
Gostei do que ouvi. Revi. Voltei a rever. E depois fiquei a pensar se estaria a sonhar ou seria mesmo verdade o que estava a pensar que tinha visto e ouvido. Na verdade estava ali tudo escarrapachado para um homem que queira entender, sem papas na língua.
Acho que sempre pensei nesse assunto e de certa maneira foi sempre o que tenho sentido.
Afinal porque fujo (mais correcto e é sempre o que digo, é que tenho um medo terrível delas) das mulheres adultas?
Não querendo perder mais tempo em delongas, permitam-me descrever o dialogo em causa que, não é tão justo assim como parece à primeira vista, depois eu explico.

Erica Barry e sua irmã Zoe e Sanborn.

Fala a irmã de Erica para Sanborn (63 anos, namorado da filha (30 anos) de Erica)

“… Você já tem uns anitos, não?
Tem quantos, 60? 63, O.k.?
Nunca casou, o que sabemos, se fosse mulher, seria uma maldição. Seria uma velha solteirona.
O mundo louva o facto de nunca ter casado.
É um homem fugido, difícil de fisgar, um bom partido!
Por outro lado aqui a minha deslumbrante irmã, que é bem sucedida!
Tem mais de 50 anos, é divorciada e fica em casa, noite após noite após noite, porque os tipos disponíveis da idade dela, querem miúdas de 30 anos!
Todo o panorama dos namoros acima dos 50 anos… Está orientado de forma a excluir as mulheres mais velhas!
Em consequência disso estas tornam-se mais produtivas…
E por conseguinte, mais interessantes, o que por outro lado, as torna menos desejáveis, porque os homens principalmente os mais velhos, sentem-se ameaçados e fogem a sete pés…
De mulheres produtivas e interessantes!
É tão óbvio!
As mulheres disponíveis mais velhas são o grupo mais excluído que existe!

Felizmente, o homem morre mais cedo do que as mulheres, é a nossa única safa.”

“Amiguinha”, já vi de tudo. Já senti isso tudo. Concordando com a forma, não concordo com o conteúdo. Não generalizando, por mim tem aspectos mais fortes do que os que foram dissecados.
Um dos maiores exemplos é o que sinto; !constituição de uma nova família!
Estranho? Passo a explicar.
Existem homens (eu), seja qual forem as suas idades, ao se separarem, a primeira coisa que dizem para com o seu ego, é: Nunca mais me caso… blá… blá… blá…
Passado algum tempo, passando a fronteira das coisas banais, é aí que se levantam novas atitudes de vida ou de recomeço, para quem acha que ainda merece refazer-se para um novo caminho (castigo, digo eu).
Quero uma mulher que seja minha esposa, aceite-me como sou e que me dê filhos. Ou seja… constituir uma nova família.
A maioria dos homens pensa que sim, e esta, é a atitude mais banal parecendo irreal.
Quem é a mulher que depois dos quarenta anos se atreve (sabendo hoje que os riscos cada vez são menores na gravidez de idade avançada) a pensar (bem, eu conheço uma que com 45 anos que aceitou uma filha do seu amor, mas essa no antes, não fez parte dos meus caminhos) numa nova família?
Seria também justo dizer, coisa que penso muitas vezes: com que direito eu penso que posso refazer uma nova família com uma mulher mais nova?
E porquê, as mulheres dos quarentas não querem?
E porquê, as mulheres com menos idade aceitam pacificamente essa atitude?
E quantas também divorciadas e com filho, tem medo dos seus medos? Estas ainda mais difíceis são, de aceitarem a construção de uma nova relação.

Que motivações me movem a renegar a bela mulher dos cinquenta, que tudo já fez na vida e nem chatices nos dá e sabe exactamente o seu lugar e o nosso?
O homem primeiro emerge na ideia do: Primeiro vou tentar, depois logo se verá. Na verdade é isto que todos queremos. Pensamos e bem, que não deixámos de ser quem éramos.
E o tempo passa tão depressa... é mesmo um abrir e fechar de olhos, e um certo dia no tempo, os homens, acordam, olham no espelho e dizem; mas afinal eu quero uma nova família para quê? Já não tenho paciência para aturar fraldas, consultas, infantários, etc etc etc
Eu continuo a pensar que o homem quando chega a este estado é a negação da vontade do seu sonho e um consentir de realidades (diversas são as razões).
Será necessário ouvir de uma bela mulher de 30 anos, que somos já velhotes e que quando ela chegar aos quarentas (idade quente de uma mulher) já não damos uma “queca” em condições?
Será que somos masoquistas?
Só pensamos em sexo?
Só nos move na vida, pernas abertas e cheiros de aromas diversos mas todos eles agradáveis?
Não quero acreditar nisso. Sei que não fui ensinado a ser um homem na verdadeira palavra e sentido. Obrigaram-me em pequeno a olhar uma bola! Ser homem era jogar com uma bola. Bonecas! Isso era para raparigas... Puxa!

Agora que sou grande e dono dos caminhos que percorro bem ou mal, faço o que me vai na gana. Digo NÃO a tudo o que me ensinaram, agora só quero brincar com bonecas.
Pergunto eu afinal, mas existe algum mal por eu querer isso? Tenho que pensar como o poeta que diz: “Enquanto não aparecer a que será a minha mulher, vou brincando com as mulheres erradas”
Eu digo NÃO. Acreditam?

Outra das vontades que podia dissecar, é o facto de nós homens sabermos que enquanto nos movermos bem na cama tudo está no seu lugar. Se a vontade das pernas nos abandonar então temos mesmo que arranjar uma vara, uma bengala ao jeito de nos ajudar a caminhar o resto das nossas vidas.
Será que é isto que terá que acontecer? Eu ainda não cheguei lá mas, não quero acreditar que tenho que estar mal, para depois remediar. Não, o poeta não diz mas digo eu todos os dias; “A carência é inimiga do amor”, e quanto mais tarde mais amargos de boca teremos. Qual o homem que não sabe isso?
Logo se isso acontecer, sei, sinto que nunca vou ser feliz o resto dos meus dias.
Mas afinal onde está essa mulher de idade bela que eu me delicie a sonhar e aceitar caminhar com ela?
Afinal o dinheiro não existe mais na vontade de uma mulher?
Ah! Faltava isso mesmo, dinheiro. Claro que os meus caminhos tem sido vilipendiados, desgastos em horizontes que quiçá não serão as minhas melhores escolhas, mas aqui sou eu que falho como homem.
Agora sim, como diz o cantor: “Já tive mulher, de todas as idades, de blá blá blá” e reconheço que o dinheiro não é a minha melhor virtude, e quiçá, sei que minhas melhores virtudes são utilizadas em proveito do momento, do tempo, do corpo, até que se olhe com olhos de não querer ver o inevitável e essa mulher se lembre que o dinheiro não é uma boa virtude.
Será que sou um de tantos, um eleito?
Alguns deste tempo, acham que as ejaculações ou orgasmos são a tentativa de chegar mais perto Dele! Eu assim não penso.
A arte do sexo, dizem; é a arte de controlar o descontrolo.
Quantas coisas faço, para que o tempo pare e muitas vezes o desejo é que passe?
Sinto agora mesmo, que não é neste lugar que eu deveria estar, mas, sim ali.
Obrigado ao presente (momento).

Hoje sinto-me grato pela oferta. Gostei de pensar.

((.. 31Ago'04)