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sábado, 29 de outubro de 2005

Sonho.

Leva-me para junto de ti.
O meu lugar não existe. O meu lugar não é onde penso que devia estar nem onde estou. Sei que seria bom como sei que iria gostar. Sentir-te, foi bom como era o que pensava e desejava.
Liguei-me misturando o meu no teu corpo e tu abraças-me como eu gosto de sentir essa dor. Tocas-me nos pontos certos não como um Cupido qualquer mas como obra do desejo por saciar e eu senti-me bem, ejaculando na mistura dos teus dedos que me arrancaram o desejo. As tuas mãos massajam o sémen que no minuto anterior eu gritava e tu com os teus olhos me pediam. É sexo, que seja, queremos.
Gostei de sentir o teu abuso com a minha, nossa carne. Não tinha entrado. O desejo pelo teu interior é enorme mas, o tempo corre a nosso favor. Temos todo o tempo do mundo, porque não abusar dele?
Cruzei os olhos com os teus, e tu falaste-me no coração. Entendeste que a minha carne desejava a tua, pedi-te com os lábios os teus líquidos e tu abriste o corpo para mim.
Penetrei-te com a doçura da minha língua e os amantes não renegam. Senti o teu corpo entregar-se com a veluda e sensível epiderme. Minha língua tocou no teu peito, o flácido ofereceu-me a rigidez e eu mais excitei. A libido cresceu e eu chupei o mamilo que me olhava, e chupei o outro que também me fez sentir desligado do mundo que não é o meu. E gostei de rever o primeiro e de novo o outro, claro, falo dos teus dois mamilos que lhes senti o cheiro.
Senti um líquido entrar na minha boca, saboreei-o e absorvi amorosamente com a dor de sexo, e senti o teu corpo a contorcer-se. Queríamos sexo e o tempo é nosso. As tuas pernas sobrecarregavam as minhas costas e eu continuava a amargar. A boca é doce a língua é quente e o teu corpo comia o que eu lhe oferecia. Que seja sexo se isso nos faz abraçar e ter-nos.
Deixei o superior para querer provar o anterior, e desci sem que a minha língua abordasse o ar mas, sempre a vaguear a tua pele com cheiro de amor. O sexo é a minha fome e a nossa vida.
Cheguei e contorci-me, encrespei, amarguei de novo. Ali estava o que eu queria provar. O cheiro é benigno, cheira a sexo. De leve toquei na púbis sem demover o caminho.
Queria aquele momento. Quero entrar sem autorização. Quero entrar de desejo e sem olhar, senti que queríamos.
Entrei, atingi com a minha boca no que tu abriste de desejo e nunca soaste qualquer timbre para me abjurares o que não queríamos .
A minha língua agigantou e eu submergi dentro de ti. Suavemente lambi, absorvi, tudo o que era teu é agora meu e está dentro de mim.
Amei a humidade. Chupei o que tinha que absorver. A língua não parava e tu nem aceitavas. Senti ao entrar mais fundo com a minha língua que o teu corpo se oferecia de todo a mim. As tuas pernas carregadas nas minhas costas não me deixavam parar e eu senti o teu orgasmo dentro de mim. Lambi, absorvi e saboreei tudo o que me entregavas dentro de mim.
Dizes-me sussurrando, encontrei um homem que entende o partilhar o amor como partilha absoluta.


No tempo do dia oposto, tomava um banho e acontecia tudo de novo depois do acordar. Penso em ti todos os dias. Arranjo-me para ti. É em ti que penso quando me apronto todas as manhas. Na possibilidade de te encontrar, no acaso de uma esquina qualquer e porque não, se eu sou daqui e tu és mesmo daí. O mundo é tão grande como pequeno, porque não te encontrar ali?
Adormeço todas as noites desde que ouvi falar de ti, nos teus ombros estreitos de adolescente.
Nunca te vi, nunca te tive, nunca te terei e tu sabes disso.
O mundo não mudará e eu nada farei para que aconteça o que o desejo quer que aconteça. Não gosto de fazer nada e não quero fazer nada pelo que não mereço, melhor ainda, o meu amigo “o Poderoso” diz que não existes e eu acredito.

Se existir início de comunicação de verdade, teremos que partir do princípio de que o outro é autónomo e não uma extensão de nós mesmos. Assim, talvez possamos encontrar uma forma de construir uma ponte entre duas ilhas, e tu sabes como tem sido difícil comunicarmos. Eu falo e tu não entendes. Tu falas-me e eu choro.

(.. 29Out'05)

sexta-feira, 28 de outubro de 2005

A inércia Espreita.

Confiança, confiar, nada saber, nada a contar. Stop.
Às vezes as coisas acontecem por um motivo. Algo de mau traz algo de bom.
A inércia espreita! Sinto-a.
Parece-me que o mundo é mudo de alma

(.. 28Out'05)

terça-feira, 25 de outubro de 2005

Sem ecos!

1
Se um dia te der uma vontade louca de chorar... Chama-me! Não te prometo fazer sorrir, mas posso chorar contigo.

2
Se um dia te der uma vontade louca de não falares com ninguém... Chama-me! Prometo ficar bem quietinho, junto de ti.

3
Se um dia resolveres fugir... Não te esqueças de me chamar! Não te prometo pedir para ficar, mas posso fugir contigo.

4
Mas... se um dia tu chamares-me e eu não responder... Corre ao meu encontro... Talvez eu esteja a precisar de ti.

(.. 25 Out'05)

domingo, 23 de outubro de 2005

Expectativas e Decepções.

Ao diminuirmos as nossas expectativas, as decepções também diminuem.

É muito comum criarmos expectativas sempre que estamos perante um novo caso ou querendo obter algum resultado de algo que esperamos.
A espera do resultado gera ansiedade e expectativa. A maioria de nós espera que certas coisas aconteçam de uma certa maneira. O que dizer quando estamos dentro de um relacionamento instável e ficamos sempre esperando um telefonema… a presença constante… uma atitude… etc etc etc?
As expectativas são o que pensamos que deve acontecer como resultado do que fazemos, dizemos ou planeamos. E a decepção é inevitável quando as coisas não saem como planeámos. Esperamos pelo aumento que acreditamos merecer.
Esperamos ser amados para sempre. Desejamos nunca mais sermos abandonados. Esperamos que os amigos nos compreendam quando mais precisamos deles. Esperamos não sermos julgados nem criticados quando algo não dá certo.
Quando somos frustrados nas nossas expectativas, os nossos medos mais secretos podem surgir, como o medo de não mais ser amado, ser abandonado, rejeitado.
A sensação de não temos valor, que não valeu a pena a espera, que já sofremos tanto, perguntamos: Porque de novo? Porque comigo?

"A decepção é inevitável quando as coisas não saem como planeamos."

Esperamos sem nada fazer quando acreditamos no pensamento mágico em nossas fantasias e, desprezamos os dados de realidade. Nossas expectativas serão coerentes com a realidade? Talvez seja uma pergunta importante a explorar.
Muitas vezes a realidade está muito distante das nossas expectativas, mas ignoramos.
A expectativa consome a nossa paciência, harmonia e equilíbrio. Parece que, quanto mais esperamos, mais difícil se torna ver o resultado. E nesse compasso de espera, como nem sempre temos controle de tudo, nos decepcionamos.
Neste tempo de espera é muito comum o encontrar culpados. Costumamos culpar alguém por quase tudo. Essa é uma maneira subtil de não enfrentarmos os próprios desejos, que em geral ficam ocultos. As expectativas não realizadas geram raiva, auto-piedade, e nos colocamos no papel de vítima.
Pensamos o que o outro foi injusto. Pode até ser que tenha sido mesmo, mas será que não recebemos sinais de que isso poderia acontecer e os desprezamos?
Será que é a outra pessoa que nos decepciona ou nós que esperamos algo que nem sempre nos podem dar?
Outro conflito muito comum gerado pela expectativa é quando esperamos alguma atitude de alguém e não expressamos o que queremos, como se o outro tivesse a capacidade de ler nossos pensamentos.
Um exemplo muito comum é a do marido ao chegar a casa depois de um dia de trabalho. A esposa está a preparar o jantar, esperando que o marido ao chegar irá lhe dar um abraço e ele, ao ver sua seriedade pensa que ela deve estar tão envolvida com o que está a fazer que para não atrapalhar a cumprimenta rapidamente com algumas palavras.

Conclusão: Os dois queriam receber um abraço, mas como reagiram de acordo com os próprios pensamentos, imaginando o que o outro estaria a pensar, ambos acabam por se frustrar.

Nem sempre as gentes sabem exactamente como nos sentimos. Por isso, o mais indicado é identificar as nossas expectativas (coisa difícil). Ao dizermos: "tu me ignoraras quase toda noite ao ficares a assistir há televisão", é muito diferente de dizer: "eu me sinto ignorada quando você fica a assistir há TV".
Quando as expectativas não são expressas tendemos a fazer um julgamento impulsivo diante do comportamento do outro e que nem sempre corresponde ao que o outro desejava demonstrar.
Verbalizar as nossas expectativas é importante em qualquer relação.
Pactos de silêncio acontecem muitas vezes sem que perceba-mos, e geram muitos conflitos. As expectativas em geral deixam-nos com uma venda nos olhos, não conseguimos enxergar a situação na sua totalidade e podem impedir nosso crescimento e a capacidade de manter relações saudáveis. Quando foi a última vez que nos sentimos frustrados porque alguém que não agiu como esperava-mos? Culpamos o outro mesmo ele não sabendo o que nós esperava-mos dele?
Geralmente quando culpamos alguém é porque tínhamos expectativas de que aquela pessoa "deveria" ter agido de maneira diferente do que fez. As expectativas sempre nos deixam fora de controlo.
Quando compreendermos que não é responsabilidade de ninguém "adivinhar" o que nós queremos, os conflitos diminuem. Quando nossas expectativas são um factor primário na maneira que pensamos, ouvimos, falamos, a decepção se torna uma constante.
E quando as expectativas do nosso próprio comportamento são frustradas? É muito doloroso manter a expectativa enquanto percebe que o tempo passa e que o nosso desejo está longe de ser alcançado. Aguardamos, esperamos e o tempo passa, até desistirmos na maioria dos casos.

O que temos feito para alcançar efectivamente o que desejamos?
Muitas gentes simplesmente, ficam em compasso de espera, acomodadas ao velho e conhecido padrão antigo de comportamento, como se não dependesse delas, para que as coisas aconteçam como desejamos. É certo que há situações que somos impotentes ou quando esperamos uma melhor atitude de alguém, mas, ainda assim, se criarmos expectativas em relação ao comportamento do outro, estaremos no caminho mais seguro para decepcionar-mos e nos frustrarmos.
As expectativas podem nos mover, motivar, mas também destruir-nos internamente. Quanto mais expectativas criarmos, mais estaremos propensos a nos decepcionar.

Porque não pensamos, em que áreas aparecem mais?
O que temos feito para que se realizem?

Se quisermos aprofundar mais, é bom escrever sobre cada uma das nossas expectativas não realizadas e observar se eram coerentes com a realidade.
Talvez descubramos coisas novas sobre nós. Talvez aprendamos a aceitar o que realmente está acontecendo e como lidar com a situação. Nem sempre as coisas acontecem da maneira como desejamos, mas, nem por isso devemos parar de lutar e desistir.
Talvez seja um sinal de que o mais indicado é mudar o caminho e não o nosso destino em chegar onde desejamos.

(este texto foi inspirado no livro: "Os homens são de Marte e as mulheres são de Vénus")

(.. 23Out'05)

quinta-feira, 20 de outubro de 2005

Que amor amamos?

Tu admiras, confias e respeitas a pessoa que acreditas amar?
Ao reflectir sobre esta questão, talvez tu descubras que nos acostumámos com uma relação desgastante e cheia de desentendimentos, sem nos perguntarmos sobre o que realmente queremos.
Um relacionamento só pode dar certo se estiver baseado em três sentimentos.
Passei bastante tempo reflectindo se concordava com o que lia e só depois de muito tempo compreendi que, na verdade, aquela era uma boa "fórmula do amor". Ou seja, não é possível sentir e, principalmente, se manter o sentimento do amor por uma pessoa caso a relação não esteja baseada em admiração, confiança e respeito!
Entretanto, descobri que cada um de nós, ao usar esta "fórmula", obtém o seu próprio resultado, dependendo também da combinação entre o que somos e o que o outro é! Isto é, eu posso confiar, admirar e respeitar uma mulher, mas nem por isso amá-la como mulher. Posso tê-la apenas como amiga ou irmã. Mas quando acontece uma alquimia entre a química contida em dois corpos, aí sim sentimos o amor pulsar e expandir a nossa existência como uma espécie de magia.
Na verdade, o que eu quero dizer é que existem muitas gentes que acreditam que estão a viver o amor, quando na verdade estão alimentando algum outro tipo de sentimento muito aquém. Sentem-se tristes, desesperadas, perdidas, angustiadas e insistem em justificar todo esse pavor através da palavra "amor". Sentem-se rejeitadas, desmerecidas e enganadas e, ainda assim, acreditam que amam...
No entanto, se essas gentes parassem um minuto, se desprendessem desses sentimentos tão dolorosos e respondessem, sinceramente, a três perguntas básicas, talvez descobrissem e se espantassem com o fato de que não estão a viver esse amor.

O teste!
Pensa na pessoa que tu acreditas que amas. Pensa na relação que vivem os dois e responde:

1
Tu admiras essa pessoa? Admiras o jeito dela, o carácter, a personalidade, a maneira como ela encara a vida, as atitudes dela diante dos problemas, diante das alegrias, enfim, admiras a alma dessa pessoa?

2
Tu confias nessa pessoa? Tu acreditas que podes contar com ela, podes confiar no que ela diz? Estás certa de que ela faz o possível para cumprir o que promete e está disposta a construir uma relação baseada na sinceridade e na verdade, por mais difícil que seja

3
Tu respeitas essa pessoa? Consideras o que ela pensa, o que ela sente e estás disposta a aceitá-la, por mais diferente que ela possa ser de ti? Tu realmente consegue dar espaço para que ela seja como é, sem tentar o tempo todo fazer com que ela mude o seu modo de ser, as suas opiniões e o seu comportamento?


Surpreende-te com tuas próprias respostas. Talvez descubras que o que sentes não é amor, mas capricho, falta de auto-estima, medo de ficar sozinha, conveniência, acomodação... Talvez descubras que te acostumaste com uma relação desgastante e cheia de desentendimentos, mas que nunca te questionaste sobre o que realmente queres.
Muitas gentes preferem acreditar que não têm sorte no amor ou que é melhor ficar numa relação ruim a ficar sozinhas. Na verdade estão apenas com medo de tentar com medo de sair em busca de um amor intenso, com medo de livrarem-se de uma pessoa que só lhes faz mal e perder o lugar de vítima!
É bem mais fácil ter argumentos para justificar um amor que não deu certo do que se arriscar a encontrar uma pessoa maravilhosa, companheira, sincera e profunda e ter de lidar com seus próprios defeitos, com suas próprias inseguranças...
Pois eu sugiro que não aceites menos, não aceites pouco. Procura sempre o melhor de ti. Cultiva sentimentos como respeito, confiança e admiração.
Sente isso, pela pessoa amada... Sente isso acima de tudo, por ti mesmo!
Se não conseguires, pára onde estiveres e propõem-te a aprender e a preparares-te para o verdadeiro amor, ainda que seja por essa pessoa que já está a teu lado! Sempre há tempo, mas não demores muito.

(.. 20Out'05)

segunda-feira, 17 de outubro de 2005

Sonho ou razão.

Deparei-me com um problema que não julgaria que existisse no meu mundo. Problema simples, que para as gentes normais não atrapalha mas, para mim e a minha maneira de estar na vida, fez uma “moça” das grandes.
Olho e debato-me com a continuação ou não de viver quem sou, ou viver como vivem as gentes da sociedade que coabito?
Faz sentido viver como os outros vivem? Faz. Porque me parece menos exigente, menos sentido, mais frio, mais calculista, mas ignóbil, mais falso, mais tudo que nunca me permiti viver dessa maneira.
Fugi sempre a essa questão, sonho ou razão.
Chego à triste conclusão que não vou lutar mais com sonhos que não encontram na razão, coisas iguais para uma vida em comum. Os que sonham não conseguem suportá-los eternamente, como eu até há pouco tempo.
A razão tem sido a minha negação de viver.
Quem sou eu para dizer o que é melhor seja a quem for?
E quem é quem que me pode dizer, que isto ou aquilo é melhor do que o eu sentia?
Choro porque a razão move a maioria das gentes que conheço. Outras existem que vivem do equilíbrio, coisa que eu ainda não consigo. Sei que é no equilíbrio das coisas que se consegue melhor viver, mas eu não fui capaz e prometo que vou tentar.
Serei mais feliz? Primeiro necessito de me encontrar? Veremos.
Nunca lutei com moinhos de vento. Mas outras gentes, à quem diga que sim. Registo e anoto.
Penso que viver pelo sonho tudo é mais difícil, mas se olho o mundo em volta e ninguém me compreende (eu não consigo fazer-me compreender) tentarei então pela razão.
Sou sensível a friezas intempestivas. Não sou de dias. Acordo sempre a sonhar exactamente como adormeço no silêncio dos meus sonhos.
A vida não tem sido fácil. Sei que outros amigos dizem, sentem o mesmo mas, com uma diferença, eu acredito que podemos viver a sonhar outros dizem que a razão nos faz andar com os pés no chão.
Sempre preferi perder, para os outros.
Não tenho que lutar nada se viver na razão. Amar não é razão. Amar é acreditar que tudo pode acontecer se quisermos. A razão olha a meios que não são os meus.
Não fui educado assim. Vou tentar, mas sei que tenho que ser mascara de algo. Sei que vou ser cego. Sei que vou fingir. Sei que nada vou sentir.
Aí sim, faço o que todos fazem, casam por conveniências, porque moram perto, porque trabalham mesmo ali ao lado, em vez de dois carros passam a ter um, em vez de tudo em dois e de coisas difíceis que o sonho leva a acontecer, do viver e ser encontrado, a razão é o final sem grandes tarefas de sentimentos profundos e verdadeiros.
No final, todos vivem o que eu sempre neguei.
Sei que sou puto, mas gosto de ser o que sou. Se tenho que mudar para essa razão então vamos viver sem coração.
Nunca gostei de facilidade com que se dão beijos a uns e a outros…
Dou abraços. Quem sentir, sabe que me tem.

Com a razão, escrevo:
Já tive muitas coisas, muitas e menos uma tal de felicidade!
Posso aqui inventar amores, vidas, alegrias, sonhos, desejos, tristezas, romances, revoltas...
Quando penso em amar, sinto algo forte, por vezes me dá arrepios, enche os meus olhos de alegria e vontades, mas sempre estou só!
Eu penso em ti, sonho e te desejo.
Mas penso mais na minha vida!
É nela que devo apaixonar-me.

Com o sonho, escrevia:
… da cor faço algo que ninguém percebe no escuro.Pinto as linhas do que as gentes querem ver, e não o que me sai da alma. Se é assim que me querem ver tentem colocar alguma luz. Se tudo estiver arrumado, encontraram um final feliz.

Vamos então falsear os resultados, e ser mais um entre as gentes que sempre me alheei. Aprenderei a ser bandido dizendo sem arrependimento e sem dó, NÃO!

(.. 17Out'05)

sexta-feira, 14 de outubro de 2005

Tudo é exequível.

(Nos adultos, tudo é exequível)
Existe um livro escrito por Elaine Kagan, que se chama "Laços de sangue" que eu gosto muito da última página, diz assim:

"Ele encontrou o número.
Ela ouviu a carrinha.
Ele estacionou, apeou-se, tirou um pente do bolso de trás e passou-o pelo cabelo.
Ela não olhou pela janela.
Ele subiu os três degraus de frente, os olhos baixos.
Ela desceu a escada e parou, na expectativa, junto da porta fechada.
Ele tocou a campainha.
Ela baixou a mão, espirrou e abriu a porta.
Olharam um para o outro.
Ele estendeu a rosa que cortara na partida de..., e ela aninhou-se-lhe nos braços"


Simplesmente simples.

(.. 04Out'05)

quarta-feira, 5 de outubro de 2005

A pedra.

Um dia resolvi guardar uma pedra linda que tinha apanhado na grande praia, que fica perto da barraca onde vivo. A pedra era linda pela polidez e rubor que apresentava. Não tenho o hábito de apanhar pedras nem conchas na praia, outros tempos sim, ainda andava de calções e todos os meus amigos miúdos como eu de calções, apanhávamos tudo o que fosse desigual do nosso dia a dia. Talvez conseguíssemos um tesouro, sei lá, um dia… Mas não me lembro onde guardei tantas coisas que sei, que apanhei nessa altura.
Hoje, olho a pedra que brilha. Quando a olho, sentimentos me fazem transpirar, sonhar mesmo com coisas que nem eu sei se jamais terei direito a usufruir. Pergunto eu, tantas vezes a mim mesmo: Que valores me adiciona à minha existência? Saúde, felicidade, bem-estar, amor, conforto, vigores sejam eles quais forem, euros, sorrisos?
Não obtive resposta. Claro! Uma pedra não fala, mas esta, acredito, sempre me falou.
Foi hoje que senti isso. Estranho! Saí de casa bem cedo, pelas oito e meia da manhã e tive pela primeira vez a sensação que alguém me chamava “leva-me, contigo hoje” - sei que ouvi. Entrei na sala da minha barraca, rodopiei vagarosamente e parei o meu olhar na mesma.
De novo estranhei, porque parei a olhar naquela pedra que ali estava como enfeite, num móvel barato e gasto? Não sei, mas levei-a comigo.
Fui ao café da manha, rito habitual. Li os jornais. Bons dias a quem chegava e fumei o meu primeiro cigarro. Olhei mais uma vez para a parede que já conhecia o meu olhar.
Paguei e saí. Até logo disse eu, aquém me ouviu.
Entrei no meu carro barato e me reconfortei. O meu carro é como eu, trabalhamos devagar, de preferência se pudesse-mos, nada faríamos, e em marcha seguimos para a minha grande praia.
Poucos minutos tinham passado e eu já via no horizonte o mar, a minha perdição, tudo numa combinação perfeita da minha vida. Mar, areia e céu.
Como hábito, gosto de ouvir falar o mar, sorrio. Cheguei, estacionei, troquei de calções, vesti um blusão de algodão com capuz e fiz-me ao caminho. Gosto de fazer caminhadas pela beira da praia, outras vezes mesmo na areia quando o mar não está comigo, está revoltado com algo de natural.

Objectivo: andar uma hora na beira do mar, com a água ao nível dos joelhos.

De vez em vez, consigo olhar o horizonte. De vez enquanto consigo ver alguns indivíduos a passar-me ao lado. Noutros olhares, vejo indivíduos a sentirem o Sol a colorir-lhes a pele.
Mas o tempo é exclusivamente para mim. Tempo de reflexão, tempo de crispação, o tempo é só meu.
As coisas menos boas da vida do meu dia a dia são ali despejadas sem mágoas e sem retaliações.
O mar nunca me diz coisas nefastas. O mar nunca me diz os meus defeitos. O mar sempre conseguiu que, eu visse a vida de uma maneira mais praticável, por essa razão, eu estava ali mais uma vez e outra vez virão outros encontros.
E assim lá ia eu deslizando pelo mar e o tempo a suceder.
As coisas que nos passam pela cabeça naquele momento penso eu, é como se a nossa vida estivesse no fim. A reflexão é fantástica e as soluções de um fascínio que não é possível noutro lugar qualquer. A meditação é executada na mestria.
A certo momento olho com um melhor contemplar e melhor fascínio uma pedra polida de cores mais preferíveis do que, a que eu tinha em casa, há muito tempo.

Olhei-a. Admito, namorei-a e contemplei-a.

O mar enrolou-a com ajuda da areia. Fiquei bravo. Tentei apanha-la, e o mar de novo a removeu. Estranhei. Olhando-a, fiquei imóvel e pensei.
Porque quero outra se já tenho uma tão linda ou mais?
Se o mar não me facilita na sua oferta é porque quer dizer-me algo! Estranho, hoje que não estou para ouvi-lo!

Numa fracção de segundo, baixei-me e apanhei a pedra que rolava para cima e para baixo ao sabor das ondas que me zangavam.
Dei meia volta ao olhar para o cronómetro, passavam trinta e oito minutos desde o início da minha caminhada. Estava distraído, outro dia qualquer, eu, ao minuto trinta, estava de regresso.
Com a pedra na mão, olhei e verifiquei todas as suas virtudes e as boas qualidades, tentando encontrar mais defeitos do que a outra que eu já conhecia. Tentava encontrar razões para não a levar comigo. Tentava encontrar pretextos para a deixar ali, e porque não troca-la?
Mas não, nenhuma imperfeição naquele momento e com a sensibilidade gritante que sentia chegava para deixar ali aquela pedra.

Cheguei ao carro, troquei de roupa olhando agora as duas pedras que as tinha juntado.
Tinha de novo vontade de fumar um cigarro. Fumei.
E se fez luz! De repente, olhei a pedra nova e com saudade a pedra velha as arremessei para longe, sempre no meu horizonte, e me sentei confortavelmente no meu carro a olhá-las.
A praia, já estava composta de muita gente pela hora que fazia. Os carros, uns para um lado, outros para outro sentido, passavam.
E o tempo passava.
Passaram quase duas horas lia e olhava as pedras lindas, lá no fundo do mundo, mais perto de gentes do que eu estava perto delas, mas ninguém se aproximou para as apanhar e as que passavam não as viam, as que viam não as olhavam.
Uma criança passou e viu, reparou, em algo. Fez o esboço de apanha-la, mas a senhora adulta gritou-lhe, “não mexas nisso que está no chão, é porcaria!” e a criança, continuou.
E eu ali fiquei sozinho a decidir o que deve fazer um indivíduo adulto.

Cheguei a casa, tomei banho, aprontei-me e foi almoçar fora.
O tempo passou. Os dias passaram e hoje olho o móvel barato que noutro tempo, tinha um enfeite… Uma bonita e colorida pedra do mar que um dia quis que fosse só minha, como quando era criança.
Simplesmente, simples.

(.. 05Out'05)

Nota 1: Em Portugal, é feriado. Aniversário: Fim da Monarquia e a entrada para a República.
Nota 2: FANTÁSTICO! Quando se treina o corpo e o espírito a não criar laços, é muito mais fácil de viver. Ascende-se a uma espécie de levitação, melhor dizendo, vida mais fácil.