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quarta-feira, 30 de junho de 2010

Raizes.

Relíquias para homem e mulher. Mais inteligente. Mais natural. Com os sonhos quase realizados, cada um sabe de si.


1 – GINSENG ASIÁTICO
(Asian Ginseng)


Como tomar: Misturado na canja de galinha ou outro caldo qualquer.
Sabor: Insípido.
Vantagens: Liberta óxido nítrico, um gás de vida muito curto, mas muito importante, pois liberta os vasos sanguíneos que irrigam o pénis e os músculos vaginais anteriores.
Permite uma acção espontânea e deixa-nos excitados no momento.


2 – ASHWAGANDHA

Como tomar: Fazer chá.
Sabor: Semelhante ao chá-verde.
Vantagens: Ajuda a relaxar, porque acciona um sistema químico do cérebro que, é crucial para o desenvolvimento da libido.
Pertence à família da pimenta e promove o relaxamento.


3 – RHODIOLA

Como tomar: Tomar com Vodca, Gim, Água gasificada (tipo refresco) etc.
Sabor: Frio ou quente a gosto.
Vantagens: Permite optimizar os níveis de Dopamina e Serotonina e abranda a perda desses químicos essenciais. É a raíz da planta Rhodiola.
É usado na Sibéria, pelos russos, para manter, não apenas a libido, mas também a vitalidade.

(.. 30Jun'10)

sábado, 19 de junho de 2010

Dezoito.

O dia dez de Outubro de 2009, foi estranho. Final da tarde. Este ano de 2010 tenho tido dias iguais. O dia dezoito do mês presente, foi estranho. O final. Voltei a sentir as mesmas coisas. Iguais às que senti no dia do meu falecimento. Por tudo isso, é muito estranho sentir o estranho agarrado dentro de mim. Confuso é que respiro muito bem. Está a ser estranho as coisas que penso e as coisas que vivo. Estranho as coisas que não faço e devia fazer no tempo que tenho. E as que faço que não devia fazer, também são estranhas. Estranho as coisas que penso e não vivo e as que vivo com pouco pensamento.

Nos dia ruins esquecemos a palavra amor. Palavra que tantas vezes dizemos em vários formatos; emoções, toques e outros mais sons, todos trabalhados emocionalmente, todos formatados à medida do momento e que normalmente dizemos quando o céu é azul.

Tenho um exercício para propor. Pensa um pouco antes de ires buscar a caneta. E o papel também. Achas que realizaste as coisas que querias para a tua vida?
Escreve a tua mensagem fúnebre. És capaz?


(.. 18Jun'10)

sexta-feira, 11 de junho de 2010

Fingir.

Nunca mintas sobre as coisas que não queres mostrar. Nada mais certo. Nada mais inócuo. Nada mais amadurecido. Mentir para depois fingir é o que mais o homem aprende a fazer na sua vida. É que todos nós de certa maneira mentimos porque gostamos de fazer fantasmas e gostamos de viver com eles para não vivermos sós.
Não existe começar de novo. O que já passou, passou. Voltar a trás é, mentir tudo outra vez. Há quem goste de mentir, para depois chorar. Há de tudo um pouco. Mente-se todos os dias até um dia acertarmos em alguém que engole as nossas mentiras e esse cego dos ouvidos, vive na mentira e o outro alimenta-o. Há de tudo. Ainda bem que há quem saiba o que quer, o que não é o meu caso. Tempos que já lá vão, tinha tudo para não saber o que quero, hoje não é o meu caso. Quando não sabia o que queria, ninguém tinha ou teve a culpa – era assim, agora sou assado e assim sou.
Quando se mente muito, inventam-se palavras nobres. Há sempre alguém que as come. É como o fingir, as tragédias. Cada um foge às suas tragédias, porque mentimos muito. E vão vivendo, com mentira aqui e ali, vivem e choram e a angustia chega de noite sem qualquer piedade. “Tasse” bem. A maioria finge. Mas no que dá? É que o tempo passa, passa. e os fantasmas continuam pendurados no nosso existir. Não há volta a dar. Fingimos – é o mínimo. Fingir e chorar, qual é o melhor?
Por isso, nunca volto a trás. Quem mente nunca deixará de mentir.
Todos temos fantasmas – essa é que é essa, e não posso ajudar ninguém enquanto luto com os meus. Não temer a verdade, ajuda, já que o tempo não apaga nada – enm cura nada (já tinha dito). A verdade é dura, é tudo o que deveríamos querer, mas fugimos dela fingindo – essa é que é essa. E esta coisa é insustentável para se viver.
Fantasmas, tragédias, feridas, tudo isto e outras, são coisas mal resolvidas e por isso ficam dentro de nós até que a verdade que temos tanto medo seja entendida como satisfatória, mas não tem de ser. A verdade de um, não é necessariamente a verdade de outro. Não existe mais verdade. Não existem pessoas mais verdadeiras que outras. Só existe, verdade e fingimento.
Por isso, a verdade é uma merda, porque todos fingimos, até fingimos que somos a verdade e, melhor do que os outros. “Tasse” bem.

(.. 11Jun’10)

terça-feira, 1 de junho de 2010

Tempos.

História: Uma fábrica centenária, tipo familiar a, Fios e Cabos Nova Inglaterra, está a perder valor na bolsa. Os seus accionistas são os principais perdedores. Em Wall Street, Lawrence Garfield, Presidente do Conselho da Garfield Investimentos – e também accionista da dita, só vê dinheiro – é o seu único trabalho e proveito.
A olhos vistos o valor das acções evola-se todos os dias e numa última tentativa, o administrador centenário actual, convoca uma assembleia com todos os accionistas para salvar a continuação ou não da sua fábrica familiar.
Na assembleia de accionistas para a votação do "sim", ou "não", à continuação da fábrica, só foram proferidos dois discursos. Reporto para reflexão de todos.


1 - Coração (*)
Presidente do Conselho de Administração da Fios e Cabos - Nova Inglaterra, Sr. Andrew Jorgenson.

É muito bom ver tantos rostos familiares, tantos velhos amigos. Alguns de vocês não tenho visto há anos. Obrigado por terem vindo. Bill Coles, nosso presidente, mostrou-lhes no relatório anual, aquilo que realizámos, aquilo que precisamos de melhorar, os nossos objectivos para o próximo ano e anos seguintes.
Gostaria de lhes falar de outra coisa. Quero partilhar convosco algumas ideias acerca da votação que vão fazer na companhia de que são accionistas.
Esta orgulhosa empresa que, sobreviveu à morte de seu fundador, às numerosas recessões, uma grande depressão e duas Guerras Mundiais, corre perigo iminente de se auto-destruição, hoje mesmo, e na cidade que a viu nascer.
Aquele senhor ali sentado (aponta para o Sr. Garfield) é, o instrumento da nossa destruição.
Quero que o observem em toda a sua glória. "Larry O Liquidador." O típico empresário da América pós-industrial que faz de Deus com o dinheiro de outras pessoas.
Os tubarões de antigamente, pelo menos, deixavam algo tangível na sua esteira. Uma mina de carvão. Um caminho-de-ferro. Bancos. Este homem não deixa nada. Não cria nada. Não constrói nada. Não dirige nada. E atrás dele, só deixa um rasto de papel a cobrir o sofrimento - suavizar a dor.
Ah, se ele dissesse: "Sei gerir o vosso negócio melhor do que vocês", valeria a pena discutir o assunto, mas ele não disse isso. Ele diz: "Vou mata-los!” porque neste momento valem mais mortos do que vivos."
Bem, talvez isso seja verdade, mas também é verdade que um dia esta indústria volte a renascer. Um dia, quando o iéne for mais fraco e o dólar mais forte, ou quando finalmente começarmos a reconstruir as nossas estradas, as nossas pontes, as infra-estruturas do nosso país, a procura crescerá em flecha. E, quando isso acontecer, ainda aqui estaremos. Mais fortes, devido às provocações. Mais fortes, por termos sobrevivido. E o preço das nossas acções, fará ridícula a oferta actual.
Deus nos salve se votarmos para recebermos uns míseros de dólares e fugirmos. Deus proteja este país, se essa for realmente a onda do futuro - presente. Passaremos a ser uma nação que apenas faz hamburgers, que apenas cria advogados e, não vende nada além de seguros de protecção fiscal. E se chegamos no ponto onde devemos matar algo só porque na altura vale mais morta do que viva.. Bom, olhem à vossa volta, olhem para o vosso vizinho de lado.. Olhem para o vosso vizinho. Não vão matá-lo, pois não? Claro que não. A isso chama-se homicídio e é ilegal.
Também isto é um homicídio. Em larga escala. Mas em Wall Street chamam-lhe “maximizar o valor do accionista” e dizem que é legal. E põem notas de dólar onde deviam ter uma consciência. Porra!
Uma empresa vale mais do que o preço das suas acções. É o lugar onde ganhamos a vida, onde fizemos os amigos, onde sonhamos os nossos sonhos. É, literalmente, o tecido que liga a nossa sociedade entre si.
Por isso, vamos agora nesta assembleia, dizer a todos os Garfield da terra: “aqui construímos coisas, não as destruímos. Aqui não nos preocupamos apenas com o preço das nossas acções. Aqui.. preocupamo-nos com as pessoas.
Obrigado.


2 - Razão (*)
Presidente do Conselho da Garfield Investimentos, Sr. Lawrence Garfield.

Amém
E amém. E amém.
Terão de me perdoar, não estou a par dos hábitos locais, mas na minha terra dizemos sempre Amem depois de uma oração. Porque foi aquilo que ouvimos. Um pregador a orar.
De onde venho, este pregador é chamado de pregador pelos mortos. Vocês acabaram de ouvir a “oração dos defuntos”, caros accionistas, e não disseram Ámen.
Esta empresa está morta. Eu não a matei. Não me culpem. Já estava morta quando aqui cheguei. É demasiado tarde para orações. Porque mesmo que a oração fosse ouvida e se ocorresse um milagre, e o iéne fizesse isso e o dólar fizesse aquilo e as infra-estruturas não sei o quê, ela continua morta. Sabem porquê?
Fibra Óptica.
Novas tecnologias.
Obsoletismo.
Estamos mortos, tudo bem. Mas não estamos falidos. E sabem qual a maneira mais certa de ir à falência? Aumentar a participação, continuar a comprar acções de um mercado em recessão. Devagar, mas garantido.
Vocês sabem, houve um tempo em que havia dezenas de empresas que faziam chibatas - rédeas para carruagens. E posso apostar que a última empresa a desaparecer, foi a que fazia as melhores chibatas. E agora, como é que vocês se sentiam em ser accionista dessa empresa?
Investiram num negócio, e esse negócio, está morto.
Vamos ter a inteligência, vamos ter a decência, de assinar a certidão de óbito. receber o seguro e investir o dinheiro em algo com futuro.
Ah.. "Mas nós não podemos", diz o pregador na oração. “Não podemos, porque temos uma responsabilidade com os nossos empregados, com a nossa comunidade. O que será deles?”
Tenho três palavras para isto:
Quem se importa?
Importarmo-nos com eles?
Por quê?
Eles nunca se preocuparam connosco. Sugaram-nos até secar! Não têm responsabilidades para com eles.
Nos últimos dez anos, esta empresa sugou-lhes dinheiro.
A comunidade alguma vez disse: "Sabemos que os tempos estão difíceis, vamos baixar os impostos da água e dos esgotos"?
Vejam. Pagam o dobro do que pagavam há dez anos. E os empregados dedicados que há três anos não são aumentados recebem o dobro do que recebiam há dez anos. E as nossas acções valem 1/6 do que valiam há dez anos.
Quem se importa?
Eu digo-lhes. Eu.
Não sou o vosso melhor amigo. Sou o vosso único amigo.
Não faço nada? Faço-lhes ganhar dinheiro. A menos que esqueçamos os motivos que vos levaram a investir. Queriam ganhar dinheiro.
Pouco importa se fabricam cabos, galinha frita ou tangerinas. Querem ganhar dinheiro.
Sou o único amigo que têm. Vou fazê-los ganhar dinheiro.
Peguem no dinheiro. Invistam-no noutro lado. Talvez... Talvez tenham sorte e ele seja usado de forma produtiva. Assim sendo, criarão postos de trabalho e prestarão um serviço à economia e, Deus nos proíba, até termos algum lucro para nós. E se vos pedirem para contribuírem, digam que já deram na fábrica. E, já agora, agrada-me ser conhecido por Larry, o Liquidador. Sabem porquê, caros accionista? Porque no meu enterro sairão com um sorriso nos lábios e uns trocos no bolso. E um enterro digno de se ter.
Obrigado.


(.. 01 Jun'10)

Nota. Escrito por Jerry Sterner em Other People's Money – 1991, obra teatral, que foi ao cinema no filme O Liquidador em 1999.
(*) Nota pessoal.