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segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

Boas Festas'08


NOTA: Por estarmos em tempo de crise e não querer contribuir para o enriquecimento das operadoras, não envio SMS a ninguém.

(.. 22Dez'08)

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

O menino e a menina.


“.. E todos os dias..”

".. o meu menino muito querido,"

"e a minha menina muito querida,"


".. crescem."



Nada me perturba em consciência. Fui um pai fantástico. Não sei é se agora como outro e mais velho, vou ser melhor, essa é que é essa. O fácil é que não tenho qq obrigação. As obrigações são para as gentes que nunca fizeram nada e em últimos dias querem repor as faltas.

(.. 18Dez’08)

Filhos.

.. Homens e mulheres.
Aos pequeninos; o menino e a menina.


Depois do início. Os pais estão separados. Ninguém tem e ninguém quer ter culpas. Cada um tem a sua vida. Diferente. O que é igual é coincidência. Acontece o mesmo com tanta gente. É o fruto da intolerância, da pressa. Do querer coisas que o outro não quer. É assim que o mundo saltita, acomoda e tanta gente vive. Mais vale do que andarem com desacatos constantes e pior, os miúdos assistirem, quando há miúdos. Preferem partir. Viverem em casa diferentes e depois de algum tempo, aceitam viver com pessoas também diferentes. É a vida, dizem. Os meninos andam cá e lá. Passaram a ser mais ricos de coisas materiais. Têm quase sempre duas casas. Dois carros e mais brinquedos. Todos têm de trabalhar. A vida é difícil.
O avô tem tempo, parece. Está sem trabalho e de momento não quer mais nada. Anda triste. É uma nova vida. Será assim até ao seu final. É que agora o tempo passa em atropelos de pensamentos e ao que parece, não se quer encontrar.
Ser avô, dizem, é ser pai duas vezes. Devíamos entender primeiro se ser pai, é ser-se escravo da intolerância juvenil etc e tal, de sementes que foram semeadas!
No pensamento, o velho, repete com orgulho nostálgico; “sou avô de duas crianças lindas”. Quando era mais novo tinha pensamentos semelhantes: “sou pai de filhos lindos”.
Os tempos são outros. Os pais preocupam-se. Todos, cada qual com as suas coisas. Só os meninos podem fazer tudo, o avô agora não diz nada. Não é como noutros tempos, quando era pai. Chamava-lhes a atenção, “ainda são meninos para entenderem a estupidez dos adultos”. E ouvia; “Pai posso andar descalço?”. Como pai, tirava-lhe os sapatos.
Os pais gritam muito aos filhos. Os avós são silenciosos. Os avós têm muito mais dores do que quando eram pais. Os médicos dizem aos avós para tomarem algo, dormem melhor e espantam os gritos. O avô pensa que o médico é maluco e aguenta o frio. Os pais sabem quase sempre o que fazer com os meninos - pesam eles. Os avós calam-se.
O filhos fazem muitas perguntas! “Porque não dormimos todos no mesmo quarto?”. Os pais diferem com ares de amor! “No próximo Domingo, vamos comer frango assado com batatas fritas, “tá’bem”?”
Os avós orgulhosos andam de mãos dadas com os meninos na esperança que as gentes olhem e saibam que são da mesma semente. Há pais que sofreram muito mais dos que os avós quando os meninos eram pequeninos. Agora o avô chegou à idade de não querer fazer nada, sossegou. Abraça quem lhe chega o beijo na face. Os que lhe procuram. Os que lhe querem afeição. Deixou de procurar. Olha para trás, e sabe, sente, foram dias difíceis, os que passou com os seus meninos. Agora quer que sejam felizes. Os pequeninos. E os outros que já cresceram.
O avô lembra-se daquele tempo (ainda não está gagá), das palavras mortíferas que lhe foram proferidas. Era um pai. Ainda lhe dói. Tenta esquecer, mas a lembrança não se vai.
O avô queria o melhor para os seus meninos. Eles não quiseram. E a vida hoje não se compadece com o que queriam e não queriam, os seus meninos. Seria bem melhor, a vida deles, terem feito o que o pai lhes pedia. Na altura, era tão pouco. “O vosso único trabalho é estudar!”, “mereçam este tempo de facilidades!”
E o menino pergunta; “e para que serve?”, o avô sabe: “É para jogares”. O menino pede: Conta a história” e o avô protesta: “Outra vez o capuchinho vermelho!”
Os filhos queixam-se. Os meninos e os avós nunca se queixam. Têm sempre um ar sério, olham de frente e seguem. Sabem o que estão a fazer. Na rua vão sempre de mão dada. Confortáveis, alegremente sorridentes. Sentem orgulho de estarem juntos. Não se cansam de todos os dias verem as mesmas coisas. Gostam de se olhar, procurar os sorrisos um no outro. Gostam de ir ao jardim. Brincar nos baloiços. Nos escorregas. Ir há piscina.
O avô volta a ser pequenino e todos os dias o menino e a menina crescem.

(.. 18Dez’08) (2)

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

A minha querida neta.

.. Catarina :)





(.. 16Dez'08)

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Downshifters

Sempre fui um “Downshifters” sem o saber, agora sei e sinto vontade de sorrir. Devo ser, desde que deixei de aceitar horas extraordinárias na empresa onde trabalhava. Aconteceu mais ou menos no início do ano do senhor, 1990.
Tinha concluído por essa altura o Curso de Design do IADE - Lisboa. Queria saber mais. Queria ganhar mais. Queria um novo desafio, um melhor novo emprego. Nessa época, “anos 90”, tive dois convites para integrar, em agências de publicidade na zona de Lisboa, como Designer Gráfico.
Ainda aceitei fazer psicotécnicos e aceder a uma entrevista depois de aprovado na anterior. Marcou-me profundamente, a entrevista. Pediam-me disponibilidade total. Essa a condição essencial, primordial e não a sociabilidade entre o grupo. Também não deveria ter família (filhos menores), tão pouco pensar em cria-la nesta altura, se acaso fosse seleccionado - lembro-me. Os horários podiam ir pela noite fora, como também pelos fins-de-semana e ou feriados. Ganharia no início, três vezes mais do que ganhava actualmente e o futuro era muito promissor, pelo menos monetariamente. Acho que foi desde ai que iniciei uma nova atitude de estar na vida e no meu emprego, o dinheiro não seria tudo e isto sim:

- Fazer o que mais gostava;
- Gostar de estar onde trabalhasse;
- Ter tempo justo disponível para a família e para mim;
- O ordenado seria uma bênção adicional.

Com esta atitude, ganharia menos, muito menos, mas não abdicava do tempo familiar. Tive muitos dissabores. Outros, adquiriam; boas casas, carros e muitas coisas que qualquer pessoa gosta de ter. Deixei de ter isso tudo pelo prazer de não me vender e fazer da minha vida o que mais queria – vivê-la.

Hoje, passados tantos anos, aprendo que afinal há muitas pessoas pelo mundo que optaram e a optam pelo mesmo ideal; Ganhar menos e viver melhor. São os chamados: Downshifters. O termo foi apropriado da palavra "downshift", que significa, passar para uma mudança abaixo no carro ou na mota, ou seja, abrandar, desacelerar. O objectivo é mesmo esse: abrandar o ritmo de vida.

Pronto, afinal também sou um “coiso e tal”. Apesar deste ideal, não quer dizer que tenha tido uma vida fácil ou melhor do que outros que se martirizaram, mas quer dizer que faz anos que decidi que o dinheiro não era tudo para mim, ou melhor, os objectivos da minha existência não passavam por qualquer valor material, e isso sim, passavam pela liberdade que pudesse ter para mim e para os meus.

Na maior parte da minha vida anterior, não fui compreendido, mas compreendi-me sempre melhor. Senti-me sempre bem e consegui estar bem comigo e com a vida - pelo menos até hoje. Outros deixaram morrer a vida, e compraram, melhores casas, melhores carros, melhores artefactos, etc e tal, coisas que ainda hoje não dou valor que talvez mereça.
Vi o Sol. Vi o mar. Outros países. Outras gentes. Não posso dizer o mesmo das gentes que passaram por mim, mas sei que a maioria têm essas coisas todas, mas nunca viram um pôr-do-sol a namorar-me. Não têm tempo, dizem.

Nada tenho contra, mas tenho contra o facto de às vezes ainda não me compreenderem, pelos menos os que passaram por mim - falo das mulheres. É que ainda prezo muito o meu mui vagar de fazer tudo sem pressas e sem dores. Se tivesse muito dinheiro, deixaria de ver as coisas que hoje vejo, e isso é que é verdade. É que eu preciso de muito pouco para viver, só preciso de comer.
A inveja, a frustração, o egoísmo, etc e tal, tornam-se cada vez mais, valores fundamentais da sociedade. Os mídias vendem, “ad nauseam”, a imagem de gente bem-sucedida, vidas paradisíacas, tudo apenas pela obtenção dos produtos “x”, da viatura “y”, da casa Alfa. A publicidade é agressiva a olhos vistos. Vêem-se raparigas/rapazes de 13/14 anos a passarem-se por mulheres/homens, fazendo-nos crer que se utilizarmos os produtos “xpto”, ficamos iguais; bonitos, jovens e felizes para sempre. A maioria das gentes, “lá no fundo”, acredita e constroem a esperança em espuma de vento.

Não sei se as minhas opções foram as melhores, mas pelo tempo que já passou, concluo que a maioria foi boa, outras, talvez menos boas, e nem por isso deixei de ser quem sou. A única coisa que consigo ver daqui é o facto de, para termos algumas coisas mais na vida, não chega sermos honestos – é um facto. Os que mais adquirem resultados materiais, são os que mais baixam a cabeça em vénias absolutamente ridículas, e para estarem bem, só precisam de encontrar uma companheira que pense no mesmo jogo. Porque nunca joguei, estou só.

(..15Dez’08) (2)

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

Solidão (II)

Tempo e solidão são hoje os bens mais preciosos, o verdadeiro luxo.

Marque encontros com você mesmo. Experimente. Dê um tempo. Surpreenda-se. Solidão é exercício, visite-se. É pausa, contemplação, observação. É inspiração, conhecimento. É pouso e também voo. É quando a gente inventa um tempo e um lugar para cuidar da alma, da memória, dos sonhos; quando a gente se retira da multidão e se faz companhia. Quando a gente se livra da engrenagem e troca o medo de ser só pela coragem de estar só. Não falo de isolamento, nem de ruptura. Adoro gentes mas, mesmo assim, e talvez até por isso, preciso de solidão. Preciso estar em mim para estar com outros.

Ninguém quer ser solitário, solto, desgarrado. Desde que o homem é homem, ou ainda macaco, preferimos não ficar sozinhos. Agrupamo-nos, protegemo-nos, evoluímos porque éramos um bando, uma comunidade. Somos sociáveis, gregários. Queremos família, amigos, amores. Queremos laços, trocas, contacto. Queremos encontros, comunhão, companhia. Queremos abraços, toques, afecto. É a nossa vocação. Mas, ainda assim, revendo o poeta, ouso dizer: é preciso aprender a estar só para se gostar e ser feliz.

O desafio é poder recolher-se para sair desatado. É fazer luz na alma para conhecer os seus contornos, clarear o caminho e esquecer o medo da própria sombra. Existem pensamentos, orações, sorrisos, encontros e realizações que só acontecem quando estamos a sós. Existem curas, revelações, ideias, lembranças que só podem vir à tona quando estamos sós. Mesmo os momentos compartilhados só serão inesquecíveis se uma parte nossa estiver inteiramente só para apreender tudo que apenas a nós se revelará e tocará.

Existe uma pessoa que só conhecemos se conseguimos ficar sós: nós mesmos!

Seja amigo da solidão. Aceite seus convites, passeie com ela, desmistifique-a. Não corra dela, não tenha medo. Desassombre-se. Ouse a solidão e fique em óptima companhia.


(.. 12Dez’08)

Nota: Parte 2. Textos do meu baú, ano 2003.

Solidão (I)

Procurando arquivos no meu antigo e quase extinto baú, encontrei um texto muito bem estruturado que publico em duas partes (sabia que já tinha lido algo sobre o assunto e que o assumia por alguma razão). De alguma forma este, quando o li, enraizou positivamente a minha vontade e forças para não abdicar das raízes de como sobrevivi e nasci. Agora já adulto, continuo com rasgos de apetência para estar só (só não é isolamento). Ninguém tem culpa, sou assim, é de berço. A confusão das relações pessoais continuam a ser um caos e cá para mim, não me dou nada bem com omissões e coisas semelhantes. Estar só não é fugir a responsabilidades como muitos pensam. Sempre gostei e gosto de estar com gentes. Enfim, partilho e faço minhas as palavras, pelo menos é o que penso e sinto na maior parte dos dias, nos bons e maus momentos.


Solidão é requisito para nascer e para morrer.

Que me desculpem os desesperados, mas solidão é fundamental para viver. Sem ela não me ouço, não empreendo, não me fortaleço. Sem ela me diluo, me disperso, me espelho nos outros, me esqueço. Sem ela os silêncios são estéreis e as noites sôfregas, povoadas de assombramentos e desejos insaciáveis. Sem ela não percebo as saídas, os milagres, os espinhos. Não penso desprendido, não mato dragões, não acalento a criança apavorada em mim, não aquieto meus pavores, meu medo de ser só. Sem ela sairei por aí, com os olhos inquietos, caçando afecto, aceitando migalhas, confundindo estar cercado por pessoas com ter amigos.

Sem ela me manterei aturdido, ocupado, agendado só para fintar o tempo e não ter que me fazer companhia. Sem ela trairei meus desejos, rirei sem achar graça, endossarei ideias tolas só para não ter que me recolher e ouvir meus lamentos, meus sonhos adiados, meus dentes rangendo. Sem ela, e não por causa dela, trocarei beijos tristes e acordarei vazio em leitos áridos. Sem ela sairei de casa todos os dias e me afastarei de mim, desconheço-me, perco-me.

Solidão é o lugar onde me encontro a mim mesmo, de onde observo um jardim secreto e por onde acesso o templo em mim. Medo? Sim. Até entender que o monstro mora lá fora e o herói mora aqui dentro. Encarar a solidão é coisa do herói em nós, transformá-la em quietude é coisa do sábio que podemos ser.

Num mundo superlotado, onde tudo é efémero, voraz e veloz, a solidão pode ser oásis e não deserto. Num mundo tão volúvel, desencantado e ansioso, a solidão pode ser alimento e não fome. Num mundo tão barulhento, egoísta, atribulado, a solidão pode ser a trégua e não luta. Num mundo tão “stressado”, imediatista, insatisfeito, a solidão pode ser resgate e não desacerto. Num mundo tão leviano, vulgar, que julga pelas aparências e endeusa espertalhões, turbinados, boçais, a solidão pode ser protecção e não contágio. Num mundo obcecado por juventude, sucesso, consumo, a solidão pode ser liberdade e não fracasso.


(.. 12Dez’08)

Nota: Textos do meu baú, ano 2003. Não sei onde copiei, mas creio que foi numa revista qq.

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

Sou um bicho estranho.

.. quando só.

A ilusão é muito importante. Quase todos vivem assim. Parados no tempo, parados dentro do nada. A ilusão permite que vivamos pensando que estamos bem ou pelo menos quase bem. Acredito que a ilusão é madrasta do “deixa andar”.
Tenho dias que a fúria me invade. Tenho dias que não me apetece dizer nada, tão pouco repetir seja o que for. Ninguém sabe o que está a acontecer. Dizem que o mundo está em constante mudança. As pessoas mudam todos os dias e isso não tem mal nenhum. O amor – já o disse aqui – é cada vez mais rápido. Sente-se só passar. Não tem tempo para ficar. E deve ser por isso que cada vez mais vivemos de ilusões. A ilusão fica até nós querermos, ou pelo menos, até um dia dizermos, basta. Mas ninguém consegue ou quer dizer basta, e disso tenho a certeza. É quase como o frio que hoje sinto, é que nunca esteve tanto frio assim de repente e agasalho-me tanto hoje e os dias seguem outros mais dias.
Antes tinha medo de me perder, hoje perdi-o. É um alívio. Não sabemos o que é a vida e o que está para lá dela. Ninguém nos ensina e quase sempre pensamos que viver sozinhos é melhor do que viver acompanhado, o que é uma grande parvoíce. Normalmente quando me sinto triste, sem testemunhas, a tristeza parece-me doce. Não implico e não implicam comigo. É que quando estou triste, quase nunca me apetece dizer nada, mas estar assim sem dizer nada, não quer dizer que não goste de quem me obriga a abrir a boca. É que apesar de fingir, tenho momentos que não me apetece fingir nada, nem falar, e se não falo, não finjo. Não precisamos de fingir tanto. Nem tantas vezes. Triste, posso gritar à vontade que ninguém me ouve - uma cama não deixa de ser uma cama, por a encontrar-mos vazia.
Sou um homem estranho com manias adversas e às vezes até complicadas que preciso de preencher sobretudo com imaginação, quiçá ilusão, e assim, a ilusão invade-me.
Viver com alguém, obriga-nos a partilhar o que nem sempre se pode ou é bom partilhar. Facilmente desistimos de nos explicar porque as palavras ao repetirem-se, se vão esvaziando. Cansa muito imaginar o que se faria se estivéssemos sozinhos sabendo o engano grande que há sempre nisso. Se quisermos ser justos é ainda mais difícil, porque não o somos. Falta o tempo quanto mais falta temos de companhia, e ficamos mais sozinhos. Sim, podemos ser suficientes para várias pessoas mas somos sempre insuficientes para uma só.
Assim penso, mas ninguém acredita porque sou um ser ainda estranho.
Claro que a vida não é assim, dizem. Dói perder as vozes que habitam numa casa, mas aí a ilusão volta, e continuamos a fazer passar os dias iludidos.

(..11Dez’04)

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Defeitos contra-natura.

Alguns defeitos contra-natura que temo que tenham nascido em mim para ficar são; teimosia, irreverência e impulsividade pouco razoável, conotam-me, e eu acho que sim. Deformo-me para não ficar sem elas, protegendo-me. Deve ser isso, pelo menos assim diz o doutor que às vezes me acode, os gritos, e diz; são razões positivas.
Temo que as minhas razões sejam mais razoáveis e naturais que as razões de outros. Só por si e por serem naturais, deviam ser avaliadas positivamente. Devo ter a mania, só pode, ou continuo a pensar que as minhas razões para os outros são tão evasivas e ou abstracta que ninguém as aceita, pelo menos é o que penso até hoje. Deve ser por isso que na gíria social, sou apelidado de teimoso.
Cá para mim, nunca compreendi porque, por mais coisas anormais que façamos ou que nos desviemos dos comportamentos sociais – vulgo normal, há sempre alguém que gosta de nós com todos os defeitos que nos acusam, essa é que é essa.
Penso, mal ou bem que, as razões dos outros têm muito mais a ver com vénias e ou cedências que se aprende na vida – obrigação, bonito, educação etc e tal, do que cada um é capaz de perspectivar com as suas atitudes, mostrando a sua vontade, a sua verdade, o seu valor na real. Às vezes, porque sou teimoso, vou mais longe; dão para que eu dê, fazem para que eu faça etc e tal.
Viver a vida como a maioria vive, é para mim, não sermos nós a viver o que somos, o que pensamos, o que queremos. É sermos escravos da “normalidade social”. Claro que existem mínimos, regras sociais, mas mesmo essas, condicionam as nossas vontades e com isso, revelamos aqui e ali, mal-estar ou desconforto. Diria que um mau dia é aceite por todos como uma breve depressão, cansaço, o que é normal, dizem, mas para mim é sinónimo de não estarmos a viver a vida que achamos que somos merecedores, que aceitamos dentro de nós, aquela vida que nos apetece tanto gritar, essa, é a nossa vida. E geralmente porque passamos a viver a vida de outro – o outro gosta e quer assim, temos muitos dias, “maus acordares”.
Qualquer desencaminhar num sentido menos social, é apontado como doido (e tantos outros nomes). Se repetir muitas vezes os desvios que lhe são naturais, é chamado de irreverente. E irresponsável se fizer vida contra-social.
Tenho cá para mim que a irreverência é sinónimo de vontade de viver uma vida muito própria que lhe está no sangue, aceitem ou não, existe vontade para fazer o que lhe é natura, independentemente se os outros acham bem ou mal. Na verdade todos nós vivemos uma vida amordaçada por vários motivos. Às vezes só precisamos de acertar no companheiro que nos incentive a sermos nós próprios, e não, que nos obriguem a viver uma vida acomodada em estimas de educação. As escolhas de amizade são feitas nas coragens dos valores de cada um.
Há limites para tudo – sabemos, mas os limites estão nos outros e nunca no que se sente amordaçado.
Será que queremos o mal de alguém quando não damos o bom-dia?
O que se aprende, “obriga-nos” a cumprimentar, mas por “n” razões às vezes não o fazemos. Porque carga de água conotamos com falta de educação ou que deve estar zangado connosco?
Agarrei este exemplo, como tantos outros existem. Qualquer pessoa num dia qualquer da sua vida, apetece-lhe gritar, e isso é o sentir-se encurralado nos excessos de elos sociais. Se adicionarmos irreverência com impulsividade nas acções, é-se conotado com “ainda menino(a)”, imaturo(a), etc e tal - ÔDASE.
Vem este pensamento a propósito de me ter lembrado de há uns anos quando saía de um restaurante, acompanhado, apeteceu-me dançar ali na rua ao som de uma música que enchia o ar quente onde me encontrava. Já aqui tinha escrito, faz algum tempo também, fui imediatamente observado que tinha idade para me comportar como um homem.
Só queria dançar.
Indignado, amuei como uma criança.

(.. 8Dez’08)

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Prendas escondidas - Crédito.

Crédito nas lojas: taxas escondidas no Natal

A maioria das lojas com linhas de crédito omite a TAEG ou indica uma taxa inferior é real. A denúncia é da DINHEIRO & DIREITOS, após visitar 7 lojas de electrónica para conhecer as condições de financiamento.
A associação denunciou estas práticas ilegais à Secretaria de Estado de Defesa do Consumidor e a quem compete fiscalizar, o Banco de Portugal. A falta de clareza e precisão das condições dos empréstimos revela que é também necessário investir em mais e melhor formação de quem atende nas lojas.
Caso pretenda, por exemplo, um televisor, compare modelos e preços em várias lojas. A poupança pode saldar-se em mais de € 800, segundo os estudos da PRO TESTE. Escolhido o modelo e a loja, pondere pagar a pronto ou pergunte se a loja tem linha de crédito sem juros. Estas são as soluções mais baratas.
Se não houver crédito sem juros ou não puder pagar no prazo proposto, aquela revista aconselha a comparar o crédito em várias lojas e ver as condições do crédito pessoal nos bancos, regra geral, mais vantajoso acima de 2000 euros.
Para um crédito de € 1000, a loja Box/Jumbo apresenta as melhores condições (TAEG de 14,24 por cento). Mas, para compras inferiores a € 2000, a utilização de um cartão de crédito pode compensar se a TAEG for inferior à da Box.
Para compras de € 2000 ou mais em prestações, compensa um crédito pessoal, alerta a DECO PROTESTE, após analisar as condições de 18 bancos. Para associados, a melhor opção é a Caixa Galicia (TAEG de 10,10 por cento). A Caja Duero (10,95%) é Escolha Acertada para não associados. Ambos apresentam uma TAEG inferior à das lojas.
Quando pedir simulações, peça a TAEG: é a única taxa que reflecte o custo total do empréstimo e permite comparar produtos. Quanto mais baixa, mais barato o crédito. Pergunte os custos do processo e se o banco exige seguro de vida, tal como a maioria faz. Alguns pedem ainda um seguro de protecção de crédito. Informe-se sobre eventuais penalizações por reembolso antecipado.
Já o consumidor pode analisar a sua situação financeira e verificar se consegue pagar mais um crédito. A acumulação leva ao sobreendividamento, sobretudo em caso de doença ou desemprego, alerta a DECO, que vê chegar cada vez mais famílias aos seus Gabinetes de Apoio ao Sobreendividamento.

DINHEIRO E DIREITOS n.º 90, Novembro de 2008 - págs. 30 e 31