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quinta-feira, 26 de julho de 2007

SS.. Arriscar!

Risco é toda a vida, vivida em verdade.
Acontecem coisas sem que se compreenda por que acontecem e, precisamente, o que menos interessa é saber ou compreender. Fascina-me e, arrepio-me.. Arriscando a vida! Basta-me o conforto da tentativa..
Mentir pode ser um exercício de inteligência em que a realidade é reinventada. Sei que é "impossível" voltar atrás, recomeçar tudo de novo..
Mesmo que quisesse – e não quero, seria demasiado doloroso e inútil. Não destrinço agora, neste momento, mesmo já noutro tempo, o que aconteceu do que podia ter acontecido, o que vi do que quis ver mais do que tudo e o que disse em objecto consciente (A amiga que mais gosto deste mundo e de outro, qualquer outro, dizia-me tantas vezes.. "Nunca digas nunca!"). Mas eu digo, gritando.. Nunca é nunca, como o sim é sim, para toda a vida.
A minha vida nada tem a ver com o que escrevo. Preciso de arriscar. Nasceu em mim o risco. O excesso de vida.. de sentires.. de fazer sempre mais e melhor.. do que alguma fez fiz.
Arriscar é viver. Arriscar é pecar por omissão. Viver de novo.
Existe mais de uma maneira de fugirmos de nós.. Arriscar!.. Torna presente o que está ausente, sem que se saiba como.. O resto não interessa para nada.. O que interessa é sentirmo-nos amados.. seja o lugar que for ou que ainda vá nascer..
Simplesmente simples.. Bj
(.. 26Julh'07)

SS.. ao teu acordar.

Obrigado.. :)

Se vivesses num cubículo não gostaria nem mais nem menos de ti, minha muito querida amiga. Aprecio e admiro a frontalidade dos amigos. Os que dizem o que pensam e fazem o que dizem. Descobres em cada dor do dia, uma nova terra para plantares. Sabias que cada um de nós tem um pouco de terra para plantar coisas novas? Esquecemos esse pedaço quando, o amor cobre o olhar. Num sonho, faz algum pouco tempo, plantei algo. Nesse dia foste o meu modelo favorito. “.. Chegavas a casa. Despias-te muito lentamente. Movias-te como um gatinha macia. Espreguiçavas-te como gente feminina.. Enquanto eu era um caçador furtivo, sustendo o fôlego por detrás de um sonho..
Apesar da extrema tensão erótica, nunca nos tocámos.. Não havia tempo, ou vontade, ou não era preciso. Assim somos suficientes. Tu continuavas a sofrer por amor de outro mais lindo rapaz. E como sei que sofres..
Eu da mesma dor sofro, por amor de outra tão mais feminina.. Queria-me prisioneiro, nas omissões.. Eu só queria respirar com ela.. A nossa boca. A boca dela que era minha. A boca minha que sempre será dela. Hoje fujo com todas as forças que posso.. A dor essa, continua.. Preciso de acordar.. Hoje não me apetece plantar.. nem mexer na terra que me está destinada.. Não tenho o líquido com que se lava as mãos.. Até os olhinhos precisavam..”


A proximidade física, também não tem obrigatoriamente de significar sexo.. O medo é atroz.. Esquecemos de coisas tão simples como é a presença de alguém para lhe ver-mos o sorriso.. Simplesmente simples..
Aqui encontro outro lugar.. O te novo papel onde podes "caligrafar", sem que te desviem os caminhos.. Não vá um qualquer cheiro ou toque de outra pele, desfazer o que amas, ainda.


As coisas não se ligam umas às outras, o tempo não passa, tropeça.. Bj.


(.. 26Julh'07)

sexta-feira, 20 de julho de 2007

Um pouco de mim.

Sou, obviamente, uma pessoa de excessos. Não de excessos maus, estes, penso em verdade, tenho em conta e medida - sou homem. Os outros excessos, os bons, tenho bastantes porque, me deixo ir com facilidade na onda dos meus sentires. O meu coração é muito traiçoeiro. Aprendi a fazer muito mal as contas da vida, ou se quiser, ensinaram-me mal o que iria encontrar no início da minha vida como adulto.

Existem limites, atrevo-me a passar a fasquia sempre que sinto que estou bem. Por vezes esqueço-me dos outros. Perco-me, não sabendo, qual o limite deles. Entrego-me todo. Não tenho limites na entrega. Preciso do mesmo. Quando sinto os limites dos outros, tenho sempre medo! Sou quase sempre enganado! Os meus limites ultrapassam tudo o que seria de bom senso - por isso sou de excessos. Sei. Gosto do risco. Não aceito que alguém não consiga, mesmo com esforço, arriscar algo para adicionar a dois. Quando encontro o limite do outro, geralmente é metade do meu e, então fujo a sete pés.

Sou de tudo ou nada! Não gosto de NIM! Faço muito mal, uma avaliação dos outros. Pelos vistos é o que sinto. Dizem-me que é por eu ser um risco a viver, um excesso de sentires. Nasci no risco, na aventura da vida, no pecado do amor. Consigo, arriscar no dia-a-dia, mesmo que hoje nada tenha.
A dois, tudo é mais fácil. Sozinho, é uma aventura desmesurada.

A vida vai ensinando-me a deixar os limites de lado. Geralmente fujo, ainda não sei resolver algumas coisas de outra forma. Se não aceito, os outros também não aceitam. Não sou de inventar palavras para as desculpas. Um dizer adeus é, mais simples. Já disse tantas vezes aqui! SIM ou NÃO, é sempre mais simples. Não gosto que me enganem, eu não engano. Juro!

Por norma, não me arrependo de nada. A única coisa que consigo pensar depois de algum mal ter acontecido, é que podia ter feito as coisas melhores. Mas nem sempre é possível. A vida ensinou-me; para trás, nunca.
Tenho medo das recaídas. Fico desesperadamente sem norte, sem sentido, vou a baixo com facilidade. Por isso, parto sem palavras, para mim é mais simples, para os outros, não quero pensar. Digo, o momento de vida passou e, se passou, não se inventam mais palavras para se repetir a mesmas lenga-lengas. Mente-se muito e com muita vulgaridade que, até dói.
Deixou de existir objectivos ou como gosto de dizer, “afinal descobri que os objectivos, não eram os mesmos”, “tudo não passava de uma mentira encapotada de beleza ou de carne, quiçá”.
Tenho consciência que magoei alguém, não desnecessariamente, mas ser mais consciente para o outro, não traria nada de melhor. Sou um pouco egoísta. Sei.
Quando me magoam, depende sempre de quem é quem, sofro, aliás, tem tudo a ver com os tais excessos. Sou de excessos, na verdade, mais.
Os sentimentos são muito primários, como o ciúme, a desilusão, a solidão, a inveja, as frustrações. São instintos complicados, fazem parte da vida. Tentar viver no equilíbrio, seria bom, mas nem sempre é possível quando nos sentimos enganados, magoados.

Vivo a verdade acima de tudo, custe o que custar. A vida inspira-me de todas as formas e feitios, nas suas agruras e ironias. Não me dou bem com a mentira, pior com as omissões.
Quando se descobre que os objectivos partilhados, sonhados, chorados, sentidos, tocados, não são mais dos dois, então, que faço aqui?
Oferecer sonhos que, não podem ser vividos, é mentir descaradamente a seja quem for.

(.. 20Julh'07)

domingo, 15 de julho de 2007

Contra-mão num Domingo.

Domingo é um dia silencioso. Já o sabia. Na serenidade dessas manhãs, porém, posso escutar melhor as cálidas e melancólicas histórias que, o ócio e a solidão inventam. Não é uma manhã qualquer. É uma manhã de todos os Domingos. Uma qualquer.
Chamei por ela! Não fez gesto de mexer a cabeça para lado algum.
Fiquei triste. Achei que o meu silêncio só ela o perceberia, num sentir, mesmo que melancólico era perfumado. O perfume, não lhe chegou, pensei eu. Talvez estivesse a pensar num novo amor. Pensava! Pelo olhar que lhe sorria a face.
Quiçá! Ela lá! Eu cá! Não morri! Ela também não iria sucumbir ao perfume que só nas manhãs de um Domingo, alegravam e se misturavam no cheiro da maresia que brotava do mar, mesmo ali.
Distante estou. Eu e o meu cheiro. Não me sai o dela, das minhas entranhas. Roubei-o para sempre.
Outra mais mulher que não ela, vejo. Conheci-a! Daqui, sempre que a vejo, parece-me a minha mãe. Era só mais outra mulher. Muitos lhe chamam a mulher-dos-pombos. Hoje, Domingo, no amanhecer e depois da dificuldade de ela se levantar logo pela manhã, faz sempre o mesmo caminho. Vai ver o mar. Eu diria, vai sonhar, observando o sonho que lhe foge, que lhe fugio um dia, entre as mãos, como eu, como a todos nós, penso eu.

Desce a avenida. Eu, no mesmo caminho, vou para casa dormir.
A noite acorda-me os olhos, enquanto a mulher-dos-pombos, dorme. Quando ela num caminhar já meio trôpego, desce a avenida, eu também caminho como ela. Assim nos cruzamos, com destinos diferentes, mas tão iguais no caminhar.
Cruzamo-nos, às vezes, eu e ela, a mulher que preenche os Domingos de Sol diante do mar. Ela desce a avenida, eu subo-a.
As nossas vidas distintas tocam-se apenas nesse instante em que ela vem e eu estou indo. Solitários ambos, caminhando os dois no princípio da manhã, procurando preencher o vazio dos Domingos em que nada acontece no profundo e matinal silêncio. A vida dela descendo a avenida, a minha subindo. As nossas solidões em contra-mão.

Já muito tarde, voltamos a cruzar-nos. Agora ela sobe a avenida e eu desço. Ela vai descansar. Sonho repousando os olhos duros e sentidos no mar. Deu o milho aos pombos. Sorri! Penso que só nesse dia, Domingo, e nesse momento quando distribui migalhas aos pombos, a natureza lhe arranca um sorriso. Adivinho-o! Sinto-o ao cruzar-me com ela, já no final da tarde, muito tarde para ela, cedo por ora, para mim. Eu desço, porque a minha solidão sentida acorda-me o olhar. Ela continua a subir, para se recolher. Eu desço para desencantar os meus pecados.

Existe contraponto em algumas vidas. Eu que desço, a mulher-dos-pombos sobe, já tarde, depois de nos cruzarmos, para destinos diferentes. Somos solidários em sentires. Somos solitáros nos olhares. A solidão dói. Dó muito, mas continuamos a viver e a sorrir de vez em vez.

A outra, a rapariga que olhei e que não me olha, a loira, a mais bonita, já não conhece mais o meu odor. Libertou-se! Fez bem, merece um melhor amor, eu ainda não consigo esquece-la.

(.. 15Julh'07)

sábado, 14 de julho de 2007

Às vezes amamos e aprendemos.

Às vezes amamos e aprendemos.
E depois.. Prosseguimos.
E isso, não tem mal nenhum.

Não posso ficar, Joana!
Não posso fazer-te isso.. Tenho que ir.. Aprendi!
Eu sabia que ia ser assim..
Eu não te disse logo no primeiro dia?
Eu queria tanto ficar!
Ter um filho teu!
Recolher-me só em ti..
Sentir o teu, nosso abraço..

Só eu sei..
Só tu me deste o que eu nunca tive..
Ensinaste-me a mar..
Amei uma única vez.. Foi bom! Ainda sonho..
Contigo, consegui ser quem sempre achei que era..
.. Mas eu tinha-te dito, não era capaz..
Eu não sou como os outros que, são capazes de tudo.
Eu queria, juro que tentei.
Sei! Tu sabes.

Eu queria tanto..
.. Tanto..

Participar no teu dia a dia, vida, ar que respiras, rir-me, chorar, abraçar-te quando te dói o bastante para que o meu abraço te faça sentir segura e mimada... Mas não posso ficar! Tu sabes, e eu sei que sabes.
Não ia ser justo para ti. Para a tua família! Sabes, eu não sou assim.Eu sei que sabes o que quero! Queria! Acabarias por te arrepender! Sabes bem que sim e isso, viu-se todos os últimos dias em que, ainda sonhávamos que existíamos.

O facto de insistires, só comprova a intensidade do teu amor. É essa a única dádiva que aceito de ti. Levo-a. Quero levá-la. Amo! Amarei sempre.
Como é possível amar e, num outro dia, deixar de amar tanto que até dói?

.. Por último, queria te dizer; com o tempo, a maioria dos amigos torna-se tão inútil quanto os parentes.

Lembrei-me de ti, Joana! Quero deixar de me lembrar. Dói e tu sabes disso. Deixa de gritar! Deixa de dizeres disparates. Deixa que eu morra aqui, mesmo que sozinho e só.

Beijo único.

Cito-me, agora faz razão, tu sabes: Os sonhos antigos foram bons sonhos. Não se realizaram, mas ainda bem que os tive.

(.. 14Julh'07)

quinta-feira, 12 de julho de 2007

O amor é estranho!

Mas voltar a trás, é muito mais estranho.

Procuro não voltar a trás, tentando não desperdiçar quando sinto que o meu amor está comigo. Mesmo que possa doer muitas partes do meu corpo, mesmo que tudo pareça ao contrário, mesmo que todos digam que não deveria estar ali, luto por tudo o que amo.
Um dia, sei, vou chorar mais do que mereço, mas não fui eu que quis que as coisas acontecessem assim, sei. Faço por não voltar a trás. Dói mais, muito mais, sei.
O meu começar para garantir que não volto para trás é no primeiro dia, no primeiro encontro desse amor. Luto, o quanto for possivel.
Voltar aos braços de um antigo amor deve ser mais ou menos como reler um dos livros da nossa vida. Já o escrevi, repito-me para continuar a filosofia, a minha.
Na altura foi marcante, mas depois, o tempo passa urdindo a sua teia e quando se volta ao cruzamento da felicidade, já lá puseram um sinal de sentido proibido. Pode ter sempre outro alguém no nosso lugar, muito antes de terem nos dado com os pés. Acredito que a maioria antes de partir, já realizou o engano. Outros saem, porque acreditam que existe outra vida extra que, não são o garante da verdade do próprio, no seu melhor sentido de amar.
Tive cedo esta noção de que a felicidade não se repete (não existem impossíveis). Pode até reproduzir-se, acontecer, mas sempre com um desvio ao argumento e às personagens originais onde a ideia de reprodução fiel é traída pelos sucessivos cortes em coisas que antes aconteciam e deixam depois de acontecer, além, acredito, que nada será como antes. Mais tarde, na escola, Heraclito, filosofo pré-socrático, deu-me razão: “A água não passa duas vezes debaixo da mesma ponte”, terá dito o homem. Sabemos que os homens e as mulheres – tal como os rios – podem fazer percursos sinuosos.
Muitos já escreveram, outros tentam, todos acham que podem definir o amor. Como gosto do que já li, escrito por alguém, gosto de repetir: “O amor não se escreve, quem o fizer não sabe o que é o amor”.
Penso que, quem como eu descreve o amor, é mais uma descrição sentida, vivida pelo próprio, e nunca poderá falar ou descrever o amor dos outros. É o seu amor. É o meu sentimento de momento. O amor é estranho, esquisito e baralha muito quem não o sente.
Amar é um sentimento único, mas os que não sabem o que isso é, parecemos uns doidos, tolos, seres estranhos que, vagabundam caminho em caminho, sem nexo, sem rumo.
Na verdade só conhecem esses caminhos quem ama. Sabemos bem, enquanto a paixão bater no coração, os caminhos não são perdidos, mas sim, todos eles sentidos.
Diria que a combinação química que envia as pessoas para o paraíso (embora o inferno seja um final tão normalíssimo como outro qualquer) é tão especial que, dificilmente admite um retorno ou conselhos de alguém, por mais amigo e de boa fé que esteja.
O amor é estranho. Não se procura. Acontece. E se assim for, valerá a pena adquiri-lo e vive-lo de forma verdadeira com todas as forças que nos motivarem a absorve-lo.
Vale o tempo que vale, mesmo que seja um dia. No amor tudo vale a pena.
Ninguém entra num amor profundamente cheio de química, para pensar que vai acabar. Isso é remar contra a natureza do amor. O amor basta-se a si próprio, e nunca aos outros que nos cruzam os caminhos. Conselhos ao longe, porque ninguém vai entender porque amo quem amo. Na distancia, ama-se pior, tem mais dor.
Na verdade não acredito em voltas ou recuos, depois de um grande amor, que por várias razões acabou. Não quero falar sobre, e os porquês do final, não vale neste desabafo. Não acredito que a mesma pessoa ganhe um totoloto duas vezes na mesma vida. Para acontecer, é necessário um esforço anormal, para ser chamado impossível e teria que ser a DOIS.
Não existem impossíveis, mas existe a verdade. A verdade dói. Se alguém se foi, é porque as suas novas motivações soçobraram ao amor que vivia.
Li faz pouco tempo um artigo, em que uma psicóloga de nome Nancy Kalish diz que, 60 por cento das pessoas que tropeçam no primeiro amor (ou melhor amor!), voltam a apaixonar-se pelo mesmo amor. Podem até nunca esquecer, e o pior é depois fazem comparações constantes do amor anterior, com o recente. Outra, Jennifer Beer, diz que a primeira paixão (ou a maior!) pode influenciar todas as que vierem a seguir.
No fundo, o que ela quer dizer é que uma pessoa pode andar cinquenta anos “atrás de alguém” que conheceu na sua juventude. Não valia mais ficar logo com ele?
Os caminhos são todos iguais, mas a nossa melhor metade – cara-metade, consegue fazer com que esses mesmos caminhos, se tornem diferentes, para melhor, e isso, é amar, mesmo com todas as dores do mundo, vale a pena falar sempre a verdade e ser-se fiel para sempre.


(.. 12Julh'07)

domingo, 1 de julho de 2007

Reatar o quê?

O dia de amanhã será sempre o que fizemos e fazemos a nós. Hoje, entretanto, somos o que somos. Não devemos parar. Aproveitar o agora da melhor maneira, e realizar o bem que devemos e possamos fazer sem tentar as "grandes" coisas que não estão ao nosso alcance é, uma boa diferença para afugentar erros do passado. Eu faço e tu podes, o que necessitas como eu é... de confiar mais em ti. Força!

Chamo a este despertar (texto), como gosto, pseudo reatar! Quando estamos sós, quantos de nós já pensámos que a melhor coisa da vida seria reatar com o amor anterior? Aquele que por uma qualquer razão, nos deixou um dia sem conversa ou razões equilibradas de consenso comum?

Existe sempre alguém que diz que, a separação era a melhor solução para um e porque não para os dois? Por mim falo, sei, alguém sabe, só sei desaparecer para perder, sem atrofiar quem me mente. Detesto a mentira.

Fraquejar no momento de maior carência afectiva, acaba por ser uma situação comum na fase “final” de qualquer namoro e num momento qualquer pode acontecer. Há vários factores que podem contribuir para a recaída, mas explicá-la é difícil.
Há quem aguente alguns dias sem a companhia do parceiro. Há quem aguente meses e até anos. Com mais ou menos esforço, os objectivos de levar a bom porto o fim de uma relação caem por terra quando, a saudade ou a carência afectiva não derem tréguas. A fragilidade emocional, agravada neste período, pode ser traiçoeira.

A confusão de sentimentos, cria situações de extremos entre parceiros que um dia foram íntimos. Do amor ao ódio (e vice-versa) é apenas um pequeno passo. São as situações de maior calor emocional que podem voltar a despertar nos amantes, uma vontade imensa de retornar o contacto físico. As discussões, também podem gerar reaproximações. Já aqui escrevi a pinha opinião sobre este assunto, “se é para findar, não vale o esforço de se ser amigo de um ex”. É a minha opinião consistente em factos.

Uma noite de copos mais agitada, a boa disposição, a proximidade em relação ao ex-companheiro podem acabar numa noite de lençóis divididos e arrependimentos ao amanhecer. Como desinibidor, o álcool pode relembrar carinhos antigos, estimular pequenos toques, sussurros e olhares.

O fim de uma relação não dita o fim da “amizade”. Se tudo ficar resolvido, dificilmente os corpos se voltam a tocar. Mas, quando ficaram dúvidas por dissipar, pequenos hábitos como; desabafos, ir ao cinema ou outros lugares com o ex-amante, tomar um café ou trocar sms criam novas esperanças. Não me tento.

As emoções, sejam verdadeiras ou não, são todas elas frágeis. Por isso devemos acautelar o futuro no reatar de qualquer relação anterior. Não deixa de ser desconfortável, é como reler o livro da nossa vida. Se foi o fim, certamente foi por uma razão forte e importante para quem o fez. Se o mesmo quer voltar, o engano foi do outro e nunca nosso. Assumir as responsabilidades dos actos é de bom senso e de bom carácter.


Assim, deveríamos pensar bem, maduramente, se o reatar não vai trazer só conversa de treta, em vez de adição de uma melhor relação. Quantas vezes num reatar, alguém só quer afinal saber o “porquê” da saída. E nos dias subsequentes, as perguntas são constantes, pior é a tentativa de alguém dizer, que aceitou o regresso porque ama muito e só esse facto, o fez aceitar de volta. Parecem arremessos constantes de amarguras como quem diz; “se voltares a fazer isso, irei! Existem mais indivíduos na terra.”

Depois das dúvidas dissipadas, o amor que já não existe, deixa de ser a razão de uma nova maneira de viver para um novo futuro. Existe mais remendos e bom senso do que coisas boas e o sexo não pode ser tudo.
Nunca acreditei em amizades de um amor abandonado, depois de saber que gostei, foi bom num dia qualquer e por razões dispersas, acabou. Nunca lamento a partida. Lamento sim, o ter de partir por sentir-me enganado ou porque me quiseram enganar com promessas falsas de uma nova vida. Assim não existe ninguém que aguente a verdade, por um dia ter sonhado a sua, “nossa verdade”.

Para que ceder, se vamos voltar a cair na dor que já tinha passado, ou pelo menos o pior já se foi? A final o que erámos nós?
Tenho alturas que sinto que nem palhaço sou, mas servi para passar o tempo.

(.. 01Julh’07)