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terça-feira, 31 de março de 2009

Realejo.

Sou igual a tantos outros, é verdade, talvez seja pior (ultimamente há quem diga que sou, e eu acredito), talvez por isso, às vezes goste destas merdas; do que dizem, e das coisas que faço com paixão. Tive a curiosidade natural de reaver momentos em que era menino e acreditava em tudo, todos; nos pregadores, nas rifas, sortes, sinas, signos etc e tal.
Desta vez em ar de brincadeira atrevi-me e aceitei que um passarito me fizesse a previsão dos dias futuros. O “feliz” animal entrou na sua casota à "voz" da dona e apareceu com pequeno cartão numerado. Mais um sinal da dona, voltou a entrar e trouxe outro cartão.
Número dezanove - diz a dona em voz alta, a senhora das saias. Entregou-me um envelope numerado na frente com uma esferográfica. Assim foi com todas as gentes presentes que esperavam carenciadas a sina. Em cada duas entradas do periquito na casota, um envelope pela quantia de dez Euros.
Era caro, diziam alguns, mas pela quantidade de gente que parava, atrevia-me a pensar que a sina “tinha” algum sentido, pelo menos estava a gostar de sentir essa sensação.
As gentes abriam os envelopes em velocidade como quem procura a felicidade, e liam. Uns em voz alta - ouvia risos. Outros exclamavam. Outra dizia em voz alta: “para o ano vou casar com um homem rico e jeitoso”! Ouvi outras frases similares.
Abri o meu envelope e, em passo lento fui lendo quase na diagonal. Acabei de ler e voltei a passar os olhos pelas linhas na diagonal inversa. Não mostrei a ninguém. Não sorri. Não chorei. Reli. Estava consternado. Escondi o papel impresso no bolso. Saí do local com passos alargados. Senti olhos virados a mim. Fugi. Acomodei-me no carro e fiquei pensativo. Voltei a reler, agora com atenção mais cuidada. Sentia-me igual às pessoas que liam as suas sinas, que procuravam soluções (!) para serem felizes. Mas nada de extraordinário! Pensei nas minhas repetições; às vezes só preciso de alguém que me segurem a mão.
Lia este tipo de mensagens quase todos os dias nas revistas cor-de-rosa, ou jornais. Estava familiarizado. E fiquei em paz. Comigo. Com o coração.
Pela razão.


Sina nº 19.

Você é de personalidade forte que poucos aceitam, mas seu coração bom e leal, está sempre pronto e aberto para as pessoas, essa diferença tem-lhe causado muitas mágoas.
Julga as pessoas pela sua própria lealdade e por isso, seu coração é muitas vezes enganado, mas sua felicidade depende de pessoas cuja existência ignora!
Acautele-se daqueles que dizem que lhe querem: nem todos o amam, alguns manipulam, outros só o desejam e não pensam no seu bem-estar.
É invejado por pessoas que julga serem seus amigos e os que espreitam a sua queda, coiotes, mas a estrela do seu destino indica que nenhum inimigo poderá predominar sobre a sua cabeça.
Será em breve surpreendido com um amor de uma moça de carácter e de boa aparência, bonita de dentro para fora. Com ela se casará e ela lhe dedicará toda a atenção que as estrelas reservam.
Ainda assim, não se iluda pelas pompas da riqueza, porque elas são as portadoras da infelicidade. Contente-se em viver honradamente com o necessário na vida que tudo correrá a seu favor. Não será muito rico, mas de nada necessitará para o seu bem-estar e família.
O Universo diz que será feliz, toda a oposição será vencida e ninguém lhe fará mais mal.
Terá sorte no jogo com o número **.


(..31Mar’09)

domingo, 29 de março de 2009

Gatos.

I’m sorry. I dont’t know what to say.
Iknow i screwed it up - but i will love you forever.



Com os gatos também quis. Quis-te todos os dias, nunca quase te tive, e nenhuma noite passou sem te ter como sou na minha libido. Queria falar muito baixinho por baixo dos lençóis e brincar às escondidas dentro de ti, de mim, nós. E, no entanto, foi bom ter-te por perto tão longe e ouvir a tua voz e ver os teus olhos grandes, bonitos, principalmente dentro de mim quando não me querias e eu dentro de ti, sufocava em turbilhões de coisas sem erotismo, sem me vestir, sem a roupa da noite, porque sou assim, sou assado, sou o que tenho.
Dentro de ti estive quase tão bem como penso que estarei quando me chamarem ao final do meu destino. Final da respiração. Do pensar. Das coisas ruins que me fazem. Que me fizeram e ainda prevejo acontecer tantas vezes mais. Porque sou o que sou, espelho do que tenho.
Lembras-te? Quis sempre que fosses mais minha do que dos outros que ensaiavam frases estranhas, imperfeitas, fazendo que recuasse para dentro da solidão.
Nunca te esqueças amor perdido nas nossas diferenças que gosto de ti há muito tempo. Só me perdi por isso. E perco-me todas as vezes que ainda penso em ti antes de ir para longe. Longe de nós.
Os gatos? Desses tenho saudades de lhes cortar as pernas todas, até pensei comprar uma faca nova, a maior, a mais afiada, a que não me desse muito trabalho.
É, sou o que tenho, espelho de mim. Uma coisa aprendi, deixei de sonhar.
Hoje já acredito no que sempre te ouvi pela boca grande de dentes limpos, esbranquiçados num brilho só teu. Somos diferentes.
Sou diferente. Sempre fui. Não mais. Não menos. Só diferente.
Não melhor. Diferente de mim sem perder a identidade. Os gatos também são diferentes de mim, de ti, de nós. Dos outros, todos, também.
A minha identidade é, e será sempre a minha pessoa. Para as coisas boas. Para as coisas menos boas. Para todos os que me envolvem. Para os que me aceitam.
Com esperança cuidada, sem expectativas, vou ao caminho. Vou ver os abismos.
Os homens são respeitados não pelo que aparentam em momentos de presença cuidada, mas pelo tempo que, com orgulho, vivem a sua identidade.
Gosto de pensar que as coisas são assim. Simples. Sempre teu. Sempre meu. Sempre nosso.
Só nos humanos a natureza adoece. Pois.
Também pelos gatos que um dia pensei serem meus até ao fim. Gosto de pensar assim.

(.. 29Mar’09) (2)

quinta-feira, 26 de março de 2009

Bem te quero. (II)

“As pessoas querem viver bem na vida, sem quererem saberem que a verdadeira felicidade está na forma como se chega ao final. Construção.”


Sempre me atraiu o longe. O perto sufoca-me e esse nunca quis conhecer-me melhor, isto é, deixar viver as minhas decisões, já que os maiores sacrifícios, esses, faço-os tão bem. No longe está-se longe. Pelo menos vamos na ilusão. O que esperam de nós é sempre muito, quase sempre excessivo, pode até ser interesseiro, e tudo fica pior, quando não o conseguimos.
Neste momento tudo é melancólico. Tudo em mim fora antes. As lágrimas estão presentes nos olhos do coração. As lágrimas. Não sei até quando. É o destino. Suspenso. É como estou agora, suspenso, até retirar se conseguir, a corda que me enrola a pescoço da cabeça do coração.
É que não encontro outra melhor solução, saída. Tudo me parece sem propósito. A minha última decisão aliviou-me e foi com prazer que adormeci, estava muito cansado, muito doente, mas ninguém quis saber como me sentia. Ainda tenho a doença agarrada a mim.
Vive-se. Tudo segue o mesmo do mesmo. Repetem-se as coisas. As mesmas. A vida não pode ser vivida assim. Viver assim sufoca dois, pelo menos um. Adoece-se. Dizia-lhe veementemente que não devia ser assim, mas no fundo sem qualquer convicção. As mesmas palavras saíam de mim todos os dias. Passei a viver calado dentro de mim. Triste. Acomodei-me, agarrando-me só a mim.
Conheço humanos que bastem. Mas que sei afinal de ti?
Não sei se fico ou se irei para nenhures. Sei é que os dias nos criam hábitos e não passo nenhum sem ir ao café, beber um café e ler o jornal. Só acordo assim.
Continuo a não entender, a não perceber nada de nada com os olhos postos no mistério de tudo. De todas as coisas. De todos os actos. De todas as palavras. De tudo o que eu senti.
Eu porquê? Não mereço.
Só o que se partilha cresce, os laços crescem, mas isso já eu sei. Nada de mais próximo, nada de mais distante do que duas almas que se amam. Amam?
Destrói a tua casa e constrói-a num amor igual à tua imagem e adoecerás.
Aliviei de tanto crer, Bem Te Quero,

(..26Mar’09)

quarta-feira, 25 de março de 2009

Bem Te Quero.

“Haverá sempre gente que te vai amachucar. Assim, o que tens de fazer é seguir confiando, e só ser mais cuidadoso em quem confias duas vezes.”


Às vezes sinto-me bem. Às vezes sinto-me mal. Quando me sinto bem, sinto-me amado. Quando me sinto mal, acordam-me razões.
Estou muito enfurecido com as minhas coisas. Enfurecido de furioso. Com ganas ásperas de raiva, porque a razão cada vez mais me mostra o meu verdadeiro lugar. Solidão. E para fugir das coisas que se amam é necessário uma coragem desumana, estúpida também.
Para se viver com razoabilidade, não chega gostar, respeitar, amar, tão pouco sacrificar-nos por alguém que decidimos num certo momento cuidar e ir até ao fim. Nada chega, quando um de dois, segue por caminhos escorreitos, sacrificando momentos ímpares e objectivos delineados.
É pouco quando um de dois, oferece com pequenos gestos de indiferença, sinais de insegurança. Outros, mal ou bem, decifram mistérios (atitude penosa), em instantes dúbios.
Ultimamente não me tenho concedido o privilégio de não voltar atrás. A racionalidade da vida mostra-me, que o meu lugar é desumano, incomum, e muito pouco provável que chegue a qualquer final.
É uma merda viver condicionado ao racional, mas a singularidade da vida leva a que seja e, quando conseguimos essa virtude de trampa, provavelmente seremos melhor sucedidos.
Não creio, mas últimos sentimentos dizem-me que, o coração não leva a lado algum. Atrofia-nos. Cega-nos. Perdemos o discernimento. Os sacrifícios morrem na praia. Se gostarmos muito, cremos que tudo é perfeito, mesmo que todos os dias as palavras vindas não as justifiquem.
Os actos, esses, mesmo disfarçados, encobertos, cortam-nos o respirar e mesmo assim continuamos a acreditar.
Não sei se vou conseguir viver racionalmente. Não acredito. Nunca acreditei. Não quero acreditar. Mas viver do amor, cada vez mais, não é um caminho seguro e qualquer um que ame demoradamente e ou queira ir até ao fim, morre sem lá chegar.
Acredito no amor e numa cabana, sinto que existe, só tenho de esperar a minha vez, Bem Te Quero.

(..25Mar’09)

terça-feira, 24 de março de 2009

Caos.

É na minha pura delicadeza
que instalo o caos..
que em tudo
dá sentido à vida.

Viver sem o coração na boca,
é como decompor lentamente.

É assim que gosto,
e é assim que respiro.


Trabalho. Eficiência. Modelos organizacionais. Modernismo, e tantas tretas que ouço e leio, que faz dó. Todos dizem que é para sermos mais felizes. E o tempo esgota-se.
Já pensámos nos quantos cursos modernos aparecem todos os dias (em qualquer jornal)? Desses que se tiram muito depressa e no final, entregam-nos um papel atestando que agora sim, agora somos melhores que anteriormente. (?!!#$)

A nossa arrogância somada à que a sociedade nos tenta impingir todos os dias, e que aceitamos (alguns), coloca-nos na fila dos inválidos com destino traçado. Mantemos os sapatos a brilhar porque nos impingem que é um sinal de gente de bem. O gel nos cabelos, não é sinal de modernismo, tão pouco limpeza, mas sim, o de aceitar o que a reles sociedade impõe.
A paixão ausenta-se cada vez mais, não existe. E quando existe um pouco, é apenas a tentativa da perfeição daquilo que queremos para nós próprios. A vida é um caos. Devia ser. É que aqueles que não são capazes de controlar os caprichos, estão destinados a serem controlados por eles. O caos é liberdade.

Bom, pergunto!
Há alguém verdadeiramente feliz? Conheceis alguém?
Tenho as minhas dúvidas, mas são as próprias do meu caos (devo ter a mania que só eu sei destas , e outras merdas). As decisões que tomamos na vida são uma porcaria. Soma a falta de coragem. Somos previsíveis. Iguais a todos os demais. Nada é novo. Somos ensinados a ser escravos de coisas sem qualquer valor. E quem nos rodeia, educados de igual forma, não nos pode ajudar.

Temo que a maioria tenha uma vida de merda, estamos “todos” em estado de coma. A letargia também é assim. O que nos falta é paixão às coisas que fazemos ou que queremos muito fazer, essa é que é essa. Um pequeno que seja, sacrifício, faz parte da paixão.

"Todos" temos falta de paixão!

Chiça! Ca'coisa! Ôdase! Ajamos de acordo com essas paixões! Sucumbamos aos caprichos! Forjemos um ser novo, caramba! Devíamos fazer alguma coisa, porque, além de os dias passarem, terminamos todos de igual forma.

NÃO ao capricho!
SIM ao acaso!
SIM ao caos!

Finalizando o meu caos, remeto palavras às minhas repetições: Somos prisioneiros da nossa identidade, vivendo em ilusões que nós próprios criamos.

Quem diria! Afinal todos somos felizes sem fazermos nada por isso.
Gosto demasiado deste jogo..

(..25Mar’09)


Nota: Somos necessários a muitas pessoas, mas nunca o suficiente para quem gostamos muito.

segunda-feira, 23 de março de 2009

Rigor.

1
“Só porque alguém não me ama como desejo, não significa que não me ame com toda a sua força.”

2
“O sexo é o consolo das gentes, quando o amor não os alcança.”

(..23Mar’09)

Nota: Advogo, citações que andam por aí.

sexta-feira, 20 de março de 2009

Hoje, nada.

Apetece-me muito viver, mas asfixio-me num monte de nada sempre que tento respirar. Incomoda-me porque é que não me deixam viver a minha nova vida. É nova. Tudo é novo. E a todas as coisas novas, preciso de enxergar, sentir. Certo é que errarei, mas isso já faz parte de todos os processos em início. É sabido.
Sou lento em tudo. Nas decisões, piorei. Gosto de madurar cada vez mais as escolhas que faço, mesmo as que parecem mais simples, como por exemplo; se tomo um café aqui ou ali. Tenho inveja e saudades da minha imaturidade. Desculpava-me sempre com a idade, mas era a minha maneira de ser. Recordo.
É que só a nós humanos a natureza adoece. E de repente fiquei velho. Engano-me imensas vezes e o imenso cansa. No amor, sou um fracasso. Uma alegria breve é o que me fazem sentir. Não é assim que revejo as mais outras. As que me encontraram. As que num momento, apresentei-me, fazendo presença, não breve. Também fico triste. Às vezes é como me sinto. Mas é uma tristeza doce. Não é o desespero que se me agarra à garganta. Não é o estar deprimido que me rouba outro destino qualquer. Fico triste como quem não tem de fazer ou já tudo fez e tudo perdeu e em tudo se enganou porque em tudo excepcionalmente, me iludi.
Sem querer, repito-me, sou o que tenho. É a verdade, a minha, e nada mais me interessa do que pensam ou possam pensar de mim, da minha vida, do que agora faço ou do que vou fazer amanhã. Ainda é cedo, muito cedo, para decidir, se vou amargar ou viver sem amargar seja o que for. Sou muito crescido por dentro para não voltar a repetir amarguras, e isso é verdade, não quero mais, porque já chega de dores que nunca quis.
O que quero é algo que me proteja deste tempo que me bate, sem cronologia, pelo menos aparente. Sinto-o todos os dias. Hoje deu-me para isto, devo estar num dia bom. Faço contas à vida e marco um prazo. Tenho de acreditar nos prazos que estabeleço, mesmo que me minta, marcar deve ser coisa fina, devo faze-lo. É um alivio saber que há um fim em tudo o que vivi e em tudo que eu ainda vá decidir de mim, do meu corpo, da minha vontade, dos meus sonhos, em tudo, tudo de mim, mesmo que perto, mesmo que longe, eu estarei aqui. Num qualquer lado serve, pelo menos para mim.
Chega assim. Todo o presente. Qualquer coisa que torne os dias menos frios à luz do dia e as noites menos abandonadas. Tudo é tão breve. Breve porque queremos, não por ser assim, sabemos que o amor é outra coisa, perde quem perdeu antes de começar, é que todos querem mais do que tinham quando começaram. Para ser exactamente assim, outro perde algo.
Deixei o corpo. A face. Sexo. E existe tudo isto, sem me preocupar, sem morrer em mim. Melhor do que eu, só o amor, mas isso já sabia.
Guardo o olhar e sei que vais sempre recordar, de mim, do meu corpo de menino a tentar convencer-te que o meu amor é inteiro, embora nunca o seja o bastante. É bom desconfiar do amor porque ele às vezes é traiçoeiro. Metamorfoseia-se em reles sentimentos, é o que digo, é o que sinto, é o que sei da vida.
Sou um apaixonado presente que não deverei encontrar o caminho que me pertence. Cada vez mais me cresce o interior. Velho. Lento. Paciente. E não tenho tamanho corpo para suportar tamanho refúgio do dia, da noite. Do silencio aterrador. Das palavras. Só escrevo palavras.
Hoje, nada de novo.
Hoje, nada.

(..20Mar’09)

quinta-feira, 19 de março de 2009

Pai.

Ontem recebi alguns elogios, via comunicação digital pelo dia. De muitas gentes. De amigas e de amigos que teimam em continuar a ser meus “compinchas”. Li e vi nos média, elogios aos meus iguais, pelo dia.
Não percebo que dia especial foi esse. Apesar dos tantos erros que cometo, todos os dias, e reconhecer que não é possível muitas vezes ajudar-mos quem mais gostamos, continuo a ser um homem - deve ser por isso, sei lá eu..

Não conheci o meu. Nada lhe desejo. Da minha parte, sei, fiz um bom trabalho aos que nasceram de mim. Coloquei-os sempre em primeiro. Fui um pai igual a tantos. Fui educado assim. Hoje, surpreendo-me do que fiz.. E de tudo o que fiz, lembrei-me, esqueci-me sempre de mim.

(..19Mar’09)

quarta-feira, 18 de março de 2009

Abraço.

Quem me dera ter um abraço quando estiver com o coração partido. Pelo que vale, nunca é tarde demais. Assim, algumas pessoas nascem para:

- se sentarem à beira do rio;
- serem atingidas por raios;
- terem ouvido para a música;
- serem artistas;
- nadarem;
- dançarem;
- conhecerem obras, como a de Shakespeare.
- serem mães, pais;
- entrarem na nossa vida por segundos importantes;
- não saírem mais das nossas recordações;
- serem felizes;

mas algumas nascem, só para fazerem outros felizes.

(..18Mar’09)

terça-feira, 17 de março de 2009

Beleza.

Vou repetir-me. Reconheço cada vez mais as minhas repetições. É a deformação, mesmo com dificuldades, aqui e ali, sinto-me estranho. Não sei se é bom ou mau, mas a deformação é um facto.
É assim ao que venho hoje. Continuo a acreditar e a pensar que a beleza EXTERIOR nos é emprestada por algum tempo.
Tenho o “mau” hábito de dizer com a boca muito aberta a uma mulher muito bonita: “Aproveita o tempo que te emprestaram a beleza, para te certificares que caminhas seguramente no amor até ao final.”
A interior, a que muitos julgam "ver", "gostar", "dar valor", até de falar dessa "coisa”, porque.. sei lá.. deve ficar bem nas conversas de café, e ou a tentativa de ser diferente.. etc e tal.. nasce, só quando o outro um dia ao olhar ao espelho, repara na primeira ruga e nos olha tristemente. O nosso corpo treme, sua. O amor, se existir, envolve o momento. Os dois se olham. Acreditamos nos olhos. E do lado de cá, oferecemos um ternurento e sincero abraço.. e DECIDIMOS FICAR.
Então sim, iniciamos o processo de aprendizagem do gostar da beleza que todos falamos tão vulgarmente.. e esta sim, é eterna.

(..17Mar’09)

sábado, 14 de março de 2009

Pensamento.

"Infelizes
aqueles que
vivem na imensidão
da ilusão."

(..14Mar’09)


Nota: Agendei este post para ser publicado. Por algum motivo estranho à minha pessoa não foi publicado no dia e hora. Fica a nota.

segunda-feira, 9 de março de 2009

Desistir.

“Estava sentada no começo das escadas. Tinha vestido, de propósito, a saia nova cor-de-rosa com a esperança de lhe parecer irresistível. Se assim fosse seria a primeira vez.
Em frente só tinha a porta. Uma porta grande de ferro pintada de verde, semi-aberta. Pelas sombras dos passos que se ouviam na rua deserta, tentava adivinhar quem era.
No pensamento um sentimento estranho... Uma mistura entre o querer ver a "aquela" cara e o medo que a "aquela" presença lhe impõe.
O relógio marcava a hora da visita especial das terças-feiras. Desta vez o ponteiro dos minutos continuava e a visita não chegava. Ou melhor já teria chegado? Teria naquele dia vindo mais cedo?
Traçou as pernas inúmeras vezes. Viu todos os minutos passarem. Tentou sair dali em pensamento.
Tudo em vão. A ansiedade não diminuiu. Nem os sonhos desapareceram.
Percebeu, sem saber bem porquê, que nada daquilo fazia sentido. Levantou-se e saiu. Foi naquele momento que desistiu.”


Com o meu propósito: "EU SUPRIREI TODAS AS TUAS NECESSIDADES". [Filipenses 4:19]

(.. 09Mar'09)

[Histórias velhas do meu baú. Não me lembro qual o livro, nem autora, onde copiei este fragmento.]

Silêncio II

"É uma voz que,
como todas as outras,

não tem olhos e,

por isso,

sozinha,

não sabe exactamente onde está."

[JLPeixoto]

E acrescento: Vou onde me manda a vontade. Não a de ninguém. Mas a minha! Vou por aqui porque quero ir e não porque devo.

(..09Mar’09)

sexta-feira, 6 de março de 2009

Do baú.

Ela deu um pulo assim que viu o cirurgião a sair da sala de operações.
Perguntou:
Como é que está o meu filho? Ele vai ficar bom? Quando é que eu posso vê-lo?
O cirurgião respondeu:
Tenho pena. Fizemos tudo, mas o seu filho não resistiu.
Sally perguntou:
Porque razão é que as crianças pequenas tem cancro? Será que Deus não se preocupa? Aonde estavas Tu, Deus, quando o meu filho mais necessitava?
O cirurgião perguntou:
Quer algum tempo com o seu filho? Uma das enfermeiras irá trazê-lo dentro de alguns minutos e depois será transportado para a Universidade.

Sally pediu à enfermeira para ficar com ela enquanto se despedia do seu filho. Passou os dedos pelo cabelo ruivo do seu filho. Quer um caracol dele? Perguntou a enfermeira. Sally abanou a cabeça afirmativamente. A enfermeira cortou o cabelo e colocou-o num saco de plástico, entregando-o a Sally. Foi ideia do Jimmy doar o seu corpo à Universidade porque assim, talvez pudesse ajudar outra pessoa, disse Sally. No início eu disse que não, mas o Jimmy respondeu: Mãe, eu não vou necessitar do meu corpo depois de morrer. Talvez possa ajudar outro menino a ficar mais um dia com a sua mãe.
Ela continuou: O meu Jimmy tinha um coração de ouro. Estava sempre a pensar nos outros. Sempre disposto a ajudar, se pudesse. Depois de aí ter passado a maior parte dos últimos seis meses, Sally saiu do Hospital Children’s Mercy pela última vez.
Colocou o saco com as coisas do seu filho no banco do carro ao lado dela. A viagem para casa foi muito difícil. Foi ainda mais difícil entrar na casa vazia. Levou o saco com as coisas do Jimmy, incluindo o cabelo, para o quarto do seu filho. Começou a colocar os carros e as outras coisas no quarto exactamente nos locais onde ele sempre os teve. Deitou-se na cama dele, agarrou a almofada e chorou até que adormeceu. Era quase meia-noite quando acordou e ao lado dela estava uma carta. A carta dizia:

Querida Mãe,

Sei que vais ter muitas saudades minhas; mas não penses que me vou esquecer de ti, ou que vou deixar de te amar só porque não estou por perto para dizer Amo-te. Vou sempre amar-te cada vez mais, Mãe, por cada dia que passe. Um dia vamos estar juntos de novo, mas até chegar esse dia, se quiseres adoptar um menino para não ficares tão sozinha, por mim está bem. Ele pode ficar com o meu quarto e as minhas coisas para brincar. Mas se preferires uma menina, ela talvez não vá gostar das mesmas coisas que nós, rapazes, gostamos. Vais ter que comprar bonecas e outras coisas que as meninas gostam, tu sabes. Não fiques triste a pensar em mim.
Este lugar é mesmo fantástico. Os avós vieram ter comigo assim que eu cheguei para mo mostrar, mas vai demorar muito tempo para eu poder ver tudo. Os anjos são mesmo fixes. Adoro vê-los a voar. E sabes uma coisa? O Jesus não parece nada como se vê nas fotos, embora quando o vi o tenha reconhecido. Ele levou-me a visitar Deus! E sabes uma coisa? Sentei-me no colo d'Ele e falei com Ele, como se eu fosse uma pessoa importante. Foi quando lhe disse que queria escrever-te esta carta, para te dizer adeus e tudo mais. Mas eu já sabia que não era permitido. Mas sabes uma coisa Mãe? Deus entregou-me papel e a sua caneta pessoal para eu poder escrever-te esta carta. Acho que Gabriel é o anjo que te vai entregar a carta.
Deus disse para eu responder a uma das perguntas que tu Lhe fizeste, Aonde estava Ele quando eu mais precisava?
Deus disse que estava no mesmo sítio, quando o filho dele, Jesus, foi crucificado.
Ele estava presente, tal e qual como está com todos os filhos dele.
Mãe, só tu é que consegues ver o que eu escrevi, mais ninguém. As outras pessoas vêm este papel em branco. É mesmo fixe não é? Eu tenho que dar a caneta de volta a Deus para ele poder continuar a escrever no seu Livro da Vida.
Esta noite vou jantar na mesma mesa com Jesus. Tenho a certeza que a comida vai ser boa.
Estava quase a esquecer-me: já não tenho dores. O cancro já se foi embora. Ainda bem, porque já não podia mais e Deus também não podia ver-me assim. Foi quando ele enviou o Anjo da Misericórdia para me vir buscar. O anjo disse que eu era uma encomenda especial! O que dizes a isto?

Assinado com amor de Deus, Jesus e de mim.

(..06Mar’09)

(!) Histórias velhas do meu baú, directamente prá’qui. Uma história como tantas outras.

quinta-feira, 5 de março de 2009

Paradoxo.

Amor, razão!
Lá venho eu com as minhas merdas, mas é o que me apetece. Hoje apetece-me escrever merdas. É o momento. É a vida, a minha. Aprendi com a vida, principalmente com os meus erros, que devia, quando se trata de fazer escolhas acertadas, retirar o coração da cabeça. Qualquer escolha. Indiferentemente do género. Pois! Sei que sim! Aprendi. Leio e oiço vezes sem conta os "amigos". Os doutos. Os entendidos. Os inteligentes. Os idealistas. Sei lá, tanta gente que gostava de saber como é que esses gajos "idiotas" vivem.
E Deus onde está no meio disto tudo? Deixa-nos assim meio-sozinhos ao acaso? É certo que sempre gostei do acaso, mas.. Quando é que Ele se chega a nós, quando mais precisamos Dele? Às vezes até necessitava que Ele me desse um par de estalos. Sei lá! Não devo merecer outra coisa melhor – digo eu. Ou quiçá, não mereça qualquer sinal ou então, devo andar cego de carência.
Cá para mim é assim, simplesmente simples, apenas uma só coisa pode tornar o nosso dia-a-dia, a alma e ou o nosso respirar completos, e essa coisa é o AMOR – “mainada”. É que um homem faz o que pode, até o destino lhe ser revelado, essa é que é essa.
Lembro um bom amigo que já não existe, costumava dizer-me bastas vezes: Tem cuidado com o que achas que sabes sobre alguém, provavelmente estás errado e provavelmente fazem-no contigo. Era um amigo especial.

(..05Fev’09)

segunda-feira, 2 de março de 2009

Ah!

.. Que ninguém me arremesse piedosas intenções (1).

Cântico Negro de José Régio:


Vem por aqui" — dizem-me alguns com os olhos doces
Estendendo-me os braços, e seguros
De que seria bom que eu os ouvisse
Quando me dizem: "vem por aqui!"
Eu olho-os com olhos lassos,
(Há, nos olhos meus, ironias e cansaços)
E cruzo os braços,
E nunca vou por ali...
A minha glória é esta:
Criar desumanidades!
Não acompanhar ninguém.
— Que eu vivo com o mesmo sem-vontade
Com que rasguei o ventre à minha mãe
Não, não vou por aí! Só vou por onde
Me levam meus próprios passos...
Se ao que busco saber nenhum de vós responde
Por que me repetis: "vem por aqui!"?

Prefiro escorregar nos becos lamacentos,
Redemoinhar aos ventos,
Como farrapos, arrastar os pés sangrentos,
A ir por aí...
Se vim ao mundo, foi
Só para desflorar florestas virgens,
E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada!
O mais que faço não vale nada.

..

Ah, que ninguém me dê piedosas intenções,
Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga: "vem por aqui"!
A minha vida é um vendaval que se soltou,
É uma onda que se alevantou,
É um átomo a mais que se animou..
Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou
Sei que não vou por aí!


(..02Mar'09)

(1) Há falta de melhor imaginação para definir o meu estado de momento. Diz o amigo Albert Einstein; "Em momentos de crise, só a imaginação é mais importante do que o conhecimento".