| Contradições | Realidades | Sonhos | Desilusões | Caprichos | Destino | Expectativas | Sentimentos | Frustrações | Desabafos | Contradições | Realidades | Sonhos | Desilusões | Caprichos | Destino | Expectativas | Sentimentos | Frustrações | Desabafos | Contradições | Realidades | Sonhos | Desilusões | Caprichos | Destino | Expectativas | Sentimentos | Frustrações | Desabafos | Contradições | Realidades | Sonhos | Desilusões | Caprichos | Destino | Expectativas | Sentimentos | Frustrações | Desabafos | Contradições | Realidades | Sonhos | Desilusões | Caprichos | Destino | Expectativas | Sentimentos | Frustrações | Desabafos | Contradições | Realidades | Sonhos | Desilusões | Caprichos | Destino | Expectativas |

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Desejos..

.. de um Fantástico Natal, Final de Ano e uma entrada no ano 2010 cheios de coisas boas, juntos das pessoas que no ano que finda, vos apreciaram, foram presentes e que vos gostam muito.

Aproveito para vos presentear com alguns dos meus muitos hobbys, AGORA que ninguém me manda desfazer o que faço.













Bem Hajam..

(.. 22Dez'09)

Nota: Não desapareci, só ando muito preguiçoso com a minha nova e melhor vida.

sábado, 19 de dezembro de 2009

Vícios

Sábado estúpido. Acordei mal humorado. Às vezes tenho destas merdas. Sonhos esquisitos. Sonhos que não parecem meus. Tudo é irrequieto. O dia vai ser um bom dia. Vai ser bom porque quero que o seja. Esforçar-me-ei para esquecer a noite e, o dia sorrirá.
Admiro o silêncio profundo das coisas. Apetece-me fazer sexo. Apetece-me todos os dias. Apetece-me sentir o meu sexo no sonho que me irrequieta os silêncios da noite. Amo abraçar o sexo. A partir de certa idade o sexo mostra-se previsível, logo desinteressante, mas detesto a previsibilidade com que os outros pensam que a idade é assim. Detesto porque não penso assim. Apetece-me sexo todos os dias e a previsibilidade, do outro que necessitamos para dançar, é ruim - ó. Quando já não há sentido, já nada há que se entenda e de nada vale a pena tentar compreender o incompressível.
De repente, lembro-me do tempo em que não entendia a minha vida quanto mais as dos outros e, o que começava como companhia acabava quase sempre no tédio assegurado.
A idade tem merdas que nos trazem desgraças. Elas são sempre umas incompreendidas. Eu, não me interessa os homens, sou pior quando só quero e penso em sexo com as mulheres. Não quero mulheres, só quero apenas uma que me satisfaça a satisfação de lhe dar muita satisfação, pelo menos toda ou, quase toda a plenitude sexual que ela comporte e que me assegure as vontades de penetra-la, sempre que ela me abraçar. Essa mulher um dia virá ter comigo. Espero que seja ainda nesta vida. Quero sexo tanto quanto ela e nada nos calara. Deixemos de conversas de merda e percebamos que, nenhuma relação existirá ou resistirá sem sexo pleno. Amadurecer é, namorar e reencontrar novas maneiras de abraçar e de penetrar no corpo todo da espécie feminina que gosta muito de nós - de mim.
Hoje não sei o que senti ao acordar dos sonhos e olhar a janela. Já ouve um tempo em que julguei salvar o mundo, um pouco que seja, pelo menos salva-la só para mim.
Era outro eu. Não vale de nada lembrar as "lembraduras", só me trazem trabalhos. Os sonhos irrequietos, não deviam acordar-nos e quando são sobre sexo, com ela dentro de mim, acordar é morrer. Agora que desisti de me encontrar, dou-me melhor comigo. Não espero que gostem de mim porque quando gostavam, não era de mim, era de outra coisa que gostavam e isso hoje destrói os sonhos que nasceram comigo.
Hoje não sei quem gostou de mim. De quem gostei. Sei que cada humano gosta à sua maneira. E hoje acordei com sonhos de meninice. Ou sonhei com alguém que mereço. Nunca sei. Não sei de mim. Tão poucos dos meus sonhos. Vou deitar-me com as frases a fazerem-me a cabeça. Gostava de me viciar dentro de ti.. ó inquietude da noite.

(.. 19Dez'09)

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Disforme

Não se sabe para onde virar os olhos quando só a angústia é pura. A beleza é um perigo – apesar de ser emprestada, é nefasta, conduz ao delírio e isso, as gentes belas sabem e usam-na em proveito, mal. Os outros sonham. Já não se lembram de nada. Já foram os mais belos. A todos é dado um corpo e um espírito - fé. Esquecemos de propósito; o empréstimo passa por todos. Ninguém vem ao mundo feio – é o que sinto.
Há meses que não tenho nada para dizer, não digo nada da vida. Sei só que a vida que levo não deve ser propriamente uma vida, porque nela nada acontece. Há meses que não faço patavina. Esqueço ultimamente os livros. Quanto mais escrever. Só coisas tristes me revoltam a cabeça, muito tristes e choro. Deve ser por isto tudo que o que penso é lixo e o que escrevo não presta para nada. É-me impossível imaginar que alguma alegria ainda viesse ao meu encontro. Uma tristeza ruim, não conseguir cantar e o mundo virar, para que os dias melhorem, pelo menos aos que eu mais amo. Precisava disso. Precisam eles.
Tudo o que está a mais dói. Não vale de nada correr para nenhum lado. Só Deus sabe porque empresta beleza a uns e não a outros. Cada um tem uma só oportunidade. Chegou a vez de uns que não outros - sei, a minha já foi. Não aproveitei o suficiente, sabendo que padeceria e voltava num corpo abstracto cheio de preguiça para revirar os olhos a todas as belezas que o tempo torna a recordar-me. Um truque de mágica, só pode, executado em perfeição por Ele.
Ficar por aqui eternamente mudo, é um destino. O mar bate muito ao longe. É o coração a penar, avisa, pelo menos a mim avisa-me, não quer dizer que lhe ligue alguma coisa. O normal é não acreditar, essa é que é essa.
De natural tudo nos falta. O artificial é um logro. Somos feitos de pó que deixou de ser feito. Perdemos a palavra num lugar qualquer. Ninguém oferece valor às palavras ditas. Ninguém acredita. Assim, mais vale escapar para o lugar onde não seremos vistos. A traição que nos agarra pelas costas. A alegria breve. O que ficou por dizer. Os dias felizes. Isto sim.
Cada um tem uma história poderosa nunca resolvida. O amor excita a vida a ser vida. Todas as idades são fantásticas. A mim tanto me faz. Já estou em declínio. Enlouquecido.
Até lá durmo escondido no corpo que me acolhe todos os dias. Sofrida pelos azares do tempo, da vida. Gosto de estar. Sinto-me “gostado”, seguro, é um bom alívio.
Não sou disforme. Só se devia poder roubar a coragem.

(.. 15Out’09)

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Fantasmas.

Não tinha eu decidido que não seria outra coisa senão eu próprio? Mas como chegar lá, a mim próprio, ao mais próximo do meu dentro?
Agosto passou muito depressa. Setembro veio e logo foi-se sem conseguir resgatar os sonhos que me fazem alguma tormenta quando coloco a cabeça no único travesseiro que uso. O anacrónico som dos sonhos, prolifera nos gestos para sempre deslembrados. Ai o doce e doloroso prazer solitário que me cria fantasmas incolores.
Começo a escrever sem saber o que me leva a carregar nas teclas do meu já velho PC. Nunca sei. Mas quero sempre e todos os dias escrever seja o que for, apesar de na maior parte das vezes nunca perceber porque escrevo coisas que também na maior parte das vezes não fazem qualquer sentido. Tento brincar, esconder letras e, logo as frases ficam sempre imperfeitas, como eu, como os sonhos que não completei, mas ouve um dia que quis que fossem reais. Acredito que as palavras que vou escrevendo, cada uma trás consigo a seguinte, pois que a vontade e a premeditação me impedem de atingir o objectivo, desconheço, que só se revela pouco a pouco, conforme as frases, parágrafos, ao menos devia escrever sem estar agarrado à boca.
Sonho com frases antes de escrever, mas no momento de registo, entendo que não prestam para nada, disso tenho a certeza e não do medo que jaz em mim, pelo menos nos sonhos.
O que importa é que ao escrever sinto-me transportado sem saber que pudesse saber para onde, qualquer lado é sonho, qualquer lado é passado e as palavras são tão poucas e a única verdade ficou no passado.
Acredito em muitas coisas, a maioria são confusas. Amo a vida que se torna pequena, quase do tamanho de uma mão de criança.
A culpa é minha que falo e penso confuso e não consigo sair do círculo que me parece que me trava os sentidos, as emoções, até sinto o sangue a deixar de correr. A culpa é minha porque só eu entendo as palavras que escrevo e não quero que seja de outra maneira.
Assim vou-me entretendo a ver os outros a entreterem-se. Em casa, sinto-me protegido. Cada vez mais seguro. Escondo-me debaixo do teclado que exige sempre mais palavras que invento com paixão acrescida dos sonhos que não realizei.
É como o amor. Amamos sozinhos. Sozinhos tudo é compromisso nulo. Sentimo-nos bem. Mas acompanhados tudo é mais carnudo.

“A minha juventude não foi mais do que uma tempestade de sombras, atravessada aqui e além por raios de luz”. Charles Baudelaire.

Não copiei esta frase, fui eu que a escrevi porque, é o que sempre e ainda sinto.

(.. 14Out’09)

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Sábado, 10.

Grafo este dia menos bom, dia 10 de Outubro do ano, 2009. O sexo foi marcado pela realidade que já adivinhava quando me fiz homem. Não vou entrar em considerações privadas, nem do foro sentimental pessoal. Registo a data, para que em memórias futuras, nunca me esqueça.

(.. 12Out'09)

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Passado.

Regressei e ainda não fui, cheguei. Porque estou a escrever. A rever. A reescrever. A voltar a sentir. A repetir. A assustar-me. A maravilhar-me. A sentir horror. A querer fugir. A querer voltar. A não querer acabar. De repente tenho saudades das coisas sem saber porquê. Do passado. Nada de mais. Não defino as coisas que tenho saudades. A maioria delas são sempre as minhas saudosas marionetas que com elas, construo e sustento os sonhos.
Sou impetuoso (já fui mais). Aprendo cada vez mais a louvar o tempo lento em que as coisas se fazem e desfazem. Tenho perguntas dentro da cabeça que temem sair e, frases feitas que ingloriamente de vez em vez esquecem-se de mim, esqueço-as. Não as registo. Ficam dentro dos miolos, no sangue e outros fluidos capazes de se organizarem para que eu viva. Respire. E outras coisas que todos nós fazemos. Por isso os dias passam. As frases vão e vêem. Como posso encontrar-me e ter a certeza de quem sou? Estou a tornar-me invisível e não posso salvar ninguém. Parecem-me frases inúteis. A maior parte delas só passados tempos, diluem-se. Faço confusões, sei de antemão que ninguém lerá e isso faz rasgar-me as frases e as histórias que sonho ou que vivi ou que queria viver e as coisas más que nunca quis. São tudo motivos para inventar frases que somadas, parecem histórias não existentes.
Quando penso nestas desordens sinto um peso por cima do coração. Deve ser a angústia. As dúvidas. A vida que ainda falta respirar e que nunca sabemos como irá acontecer.
Todos os dias podem acontecer muitas coisas. Todos os dias acontecem coisas, não a mim. Se acontecer que farei exactamente? Penso nestas merdas e não pretendo chegar a conclusão nenhuma. Pode acontecer e pode nunca acontecer nada. Para estar bem não perco tempo com estas merdas. Às vezes tudo me parece mais do que suficiente. Já tive de tudo. O suficiente. Ao acordar, sinto o querer, numa vontade que raia o absurdo, o presente autêntico.
Nada é fácil. Nada é para ser fácil. A facilidade traz o tédio que tudo esbate. Tudo aniquila. Li algures: “O prazer não é senão uma sucessão de pequenas dores”. Não sei se concordo. É que todas as dores do mundo foram sufragadas na cruz por Ele. O paradoxo é que todos temos dores e ninguém faz para melhorar, deixamos os dias correrem.
A vida devia ser vivida em função de cada um de nós e não de outros. Não é possível fazermos alguém feliz quando não somos felizes. Paradoxo é que nos enganamos, e aos outros, e continuamos a dizer que estamos bem.
Só o passado nos alcança, só o que ficou no coração – essa é que é essa. O passado é verdadeiro. O futuro pode ser duas coisas. Falso. Verdadeiro. Que venha outro mundo, se puder.

(..18Set’09)

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Pó.

Da janela da minha vida, neste instante, vejo o mar. Esse mar que não tem dono e pode desvendar as mais variadas cores. Queria agora como tantos outros que sonham, olhá-lo colorido. Mas tudo depende da alma que nele se reflecte. Penso que deve ser assim ou é mais ao menos.
Hoje o dia está meio claro. Quer dizer, não presta para nada. Sinto o verão a fugir-me sem ter comido à sua mesa. As razões são diversas, as minhas, e por mais que tente lembrar-me, não quero saber, porque é que nunca aceitei o convite da época quente. Tinha que ser.
Hoje que olho, deixo-me transportar a lugares passados. Pessoas que se tornam presentes mais uma vez como figurantes de uma história secreta ou, de um destino passado ou, do acaso. Pensando no que vejo, no fundo, nada foi por acaso. Ou então, só o essencial, que tudo o resto decide.
Às vezes quando o mar me chega, confunde-me. Casas onde vivi. Aromas passados. Pessoas que se diluíram metamorfoseando com o tempo e o esquecimento.
Sei que nada mais igual acontecerá, se não a continuação do há muito. O tempo não se esgota. Só o meu. E o meu começou muito antes para que eu viesse e me leve de novo a repousar e ficar abrigado para sempre.

Ao olhar o mar, uma doce – sinto, melancolia toma o meu peito. Tremo. O coração, sinto que falha (tenho de ir ao médico). Não veria uma baleia que passasse no horizonte. Mesmo que voasse. Mesmo que me chamasse. De momento a brisa toca-me com o aroma dos sonhos e olho com os olhos da alma.
Aceito o destino das coisas do mundo por mais gloriosas que tenham sido, por mais aparentemente imperecíveis. É difícil aprender a viver num lugar que já não se tem no mundo. Os eternos mal-entendidos com os outros a quem é necessário perdoar todos os dias. A inveja que fere mais ainda por se desconhecer os motivos. O tempo tem destas merdas.
Não regressaria ao mar se não pela memória, pela melancolia. A sós, tudo nos é aberto sem omissões, sem qualquer vergonha. A sós, somos leais e o branco, é branco.

Lembro-me da velha palavra de ordem; viver a vida no presente. Ganhar dinheiro. Misturar-me com os outros fazendo de conta que era como os outros. Pois! Todo o passado, a uma distância perdida, é o que é.
Há quem não aguente entrar num supermercado sem sentir logo uma agonia no coração ao ver tantas e diferentes mercadorias e não conseguir escolher alguma. Quando escolhe, cada vez mais o pouco reflecte o passado. Há quem não aguente ver um país que já foi. Ver a coerente destruição do que ainda se mantém de pé. Ver gentes que se dizem “verdadeiros democratas” a mentir todos os dias. Hoje perdem a vergonha, dizem corajosamente na cara, na cara as mentiras.

Nem só de olhos fechados se consegue viver no mundo. É estranho. Quero eles sempre bem abertos. Olho o mar o sonho que vai diluindo no passar do dia.
Sinto necessidade de um refúgio. Místico, mágico. Com sentido, ao qual me entrego de vez em vez sem fazer qualquer pergunta ao Deus que nunca me abandonou. E quando chorava, Ele fazia presença. Deus esteve sempre comigo, mesmo nos acasos.

Também houve tempos de alegria, de inusitado entusiasmo em que tudo parecia avançar. O tempo traz destas certezas e destas merdas que, vá lá saber-se a razão, não se apagam. Põe ordem nas coisas e nos sentimentos. Só de longe se vê quem de facto importa, o vulto que se distingue, porque enganos há muitos. Paixões de dias. Horas. Minutos.
Andei muito por aí em busca de palavras para encher as coisas da vida, dos momentos, sejam eles de emoção ou de silêncio - senti. A brisa fresca acorda o sonho que via no horizonte. O cigarro desapareceu no cinzeiro. Bocejei. Estiquei as pernas, espreguicei e olhei o relógio.
Lembrei-me do acaso que tudo transforma numa imperiosa necessidade.
Olhei mais uma vez a areia (ou o mar?) que reflectia os sonhos. O pó é o último, o único destino dos sonhos.

(..17Set’09) (2)

domingo, 13 de setembro de 2009

Filme "nil".

Inglorious Bastards - Sacanas Sem Lei (0/10)

A minha enorme fome e estupidez de pensar que o filme em questão ia encher-me as medidas (*), "obrigaram-me" mais uma vez, a ir ao "nimas". Confesso, tinha uma enorme expectativa.
É que não chega aos calcanhares do filme "Os Doze Indomáveis Patifes", como ainda previa. (Não sei onde uns gajos que tem direito a opinar publicamente, acharam semelhanças).
Foi mau demais.. Estou completamente aborrecido. Sinto-me ROUBADO.

Infelizmente fui ver esta..
trampa.
Desilusão.

Barrete completo.


(.. 13Set'09)

(*) Gosto de filmes sobre a II Guerra (Resistência e espionagem).

domingo, 6 de setembro de 2009

Cabalas.

Inocência

Dor

Amizade




"Viver não é esperar que a tempestade passe. É aprender como dançar na chuva."

"O destino une e separa as pessoas, mas nenhuma força é tão grande para fazer esquecer pessoas que por alguma razão, um dia nos fizeram sorrir."


Sinto uma estranha mistura de anseios e alguma esperança. Penso, sonho e devaneio o olhar em recordações boas de outros tempos e deste tempo também.
Dou comigo a repensar, se uma recordação será algo que se tem ou se perdeu! Sinto desde há muito uma enorme paz interior, é verdade, mas por isso uma grande confusão, na realidade em que vivo.
Apetece-me vaguear na minha opcional vida de silêncios. Quanto mais partilho as minhas razões, mais confusões nascem. Se falo é porque disse o que não devia - magoo. Se calo, é porque sou teimoso - magoo. Pode o mundo bom dizer; calar é fugir à realidade (responsabilidades), mas cá para mim que sou de calar com facilidade, é um exercício que poucos conseguem realizar. Silêncio, nunca temi e não o temo. É que não tenho vergonha nenhuma de o utilizar em proveito da segurança da minha vida. Faz parte do meu carácter desde que nasci.
Recordo hoje coisas com e sem dor, e espero, não me tornar um nostálgico crónico a ponto de cair sem sorrir. É que às vezes sinto que não me olham como mereço. Não digo por dizer, é o que sinto e isso, não está certo. O respeito e o lugar de cada um eclipsam-se, ninguém dá pelo sumiço, falseia-se. Assim a vida torna-se difícil de ser vivida com acerto, perseverança e razoabilidade nas coisas que exigimos aos outros. Escrevo sobre honestidade. Connosco. Principalmente com os outros. Os umbigos prevalecem. E isso é uma pena..
.. o meu mundo não é assim.

Neste mundo, decididamente, não sou inocente.
Sou humano, tenho muitas dores.
Aprendo que a amizade é um monte de oportunidades para os oportunistas testarem os seus engenhos oportunistas.

Em tudo, vence quem menos ceder. Assim, continua o mundo a sobreviver e este, não é o meu mundo decididamente.

(..06Set'09)

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Análogo

.. a algo que tenho gostado muito ao longo da minha vida, apesar de cortar raízes frequentemente com exercícios difíceis, resultantes de deambulações de carácter recepcionados.


"O gato doméstico (Felis silvestris catus), é um animal da família dos felídeos, muito popular como animal de estimação e um predador natural."

"A maioria dos gatos partilha um mesmo comportamento: são extremamente curiosos. Não é por acaso que existe um dito popular que diz "A curiosidade matou o gato".

"A visão altamente apurada, audição e olfacto sobre-humanos, combinados com o paladar e sensores táceis altamente desenvolvidos, fazem do gato um mestre nos sentidos."

"Os gatos possuem um cérebro bastante evoluído, sendo capazes de sentir emoções. Podem sofrer diversos distúrbios psicológicos, tais como stress e depressão."

"As fêmeas apresentam um temperamento variável: podem simular ignorar o dono, dar-lhe atenção, ronronar ou fugir sem razão aparente."

"O gato apresenta vários ciclos reprodutores ao longo do ano...Durante esse período, as gatas miam mais frequentemente, e vários gatos podem lutar pela mesma fêmea no cio. O que vencer ganha o direito de copular.

"Estes animais costumam copular somente quando a fêmea entra no cio. Este pode ocorrer várias vezes ao longo de um ano e dura aproximadamente uma semana. O macho procura cercar a fêmea, que tenta resistir ao máximo à cópula. Se o macho for hábil, ele conseguirá mordê-la na parte posterior do pescoço, imobilizando-a. Até conseguir isso, é comum que os dois soltem miados altos, diferentes do miado usual."

"Depois da cópula, a fêmea limpa-se e pode ficar muito violenta até que termine todo o acto do acasalamento."

"O gato geralmente ronrona quando se encontra em um estado de calma, prazer ou satisfação."


[Instinto]
1. Impulso espontâneo independente de reflexão.
2. Tendência, aptidão inata.

[Gata]
1. Fêmea do gato.

[Gato] (latim cattus)
1. Zool. Mamífero digitígrado, da ordem dos carnívoros, tipo da família dos felídeos, de que há várias espécies, uma das quais é o gato doméstico, que destrói os ratos.

[Aqui há gato:]
Expressão que indica suspeitas ou dúvidas relativamente a alguma coisa. Igual a: Aqui há coisa.


roONRon RRRRRROnnnRRoooonnnnnnnnnnnnnn

(.. 3Set’09)

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Tempo.

Não sabemos nada do amor até sabermos o significado da palavra compromisso, essa é que é essa. E que dizer do ciume? O ciume é bom, ajuda a desenvolver o ego, mas pode-nos fazer cometer tolices. Normalmente arrependemo-nos passado a dor aguda, o que é normal.
Desaparecer "do mapa", é ser libertado, dizem os poetas. Ó se os entendo! Sofre sempre quem fica e não quem se liberta. O tempo é tão curto. Devíamos guardar as lembranças e tomar novo rumo.
Desde o momento que chegamos a esta vida, estamos em fluxo de tempo. Podemos medir e marcar objectivos, mas não podemos fazer um desafio, nem sequer podemos acelerar isso, ou atrasar o tempo. Será que podemos?
Algumas vezes experimentamos a sensação de que um qualquer momento bonito passa rápido demais. Gostávamos que esse momento demorasse mais tempo na nossa mão e a quando de uma qualquer tristeza, sentimos o tempo a vaguear. Por estas razões, todos queríamos acelerar as coisas de outro modo.
O compromisso, devia ser uma palavra guardada dentro do nosso carácter. Compromisso e amor são (para mim), palavras soldadas. "Unas". A maturidade ensina-nos.
Devíamos ter um cuidado redobrado e não esquecer que; a velocidade de Deus é diferente da nossa, mas a velocidade de quem gostamos também o é. Um atleta de atletismo em competição, não pode ver os seus adversários, porque estes correm mais devagar e assim nunca se podem olhar.
Neste universo, tudo é executado na nossa medida, só não é em velocidade, pela razão das nossas necessidades ou fragilidades do nosso coração.

(.. 01Set'09)

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Esboço

Os gansos selvagens não têm a intenção de se reflectir na água;
A água não espera, nem pede para recolher a sua imagem.
Sobre o lago a lua brilhante, através dos pinheiros o vento suspira..
Na tranquilidade da noite. Ninguém sabe porquê, ou para quem.
A beleza.
[Hsuan-Chueh]

Cada vez menos preciso de qualquer coisa para aquecer o coração. A vida sorri e aceito-as de coração aberto. Ainda o tenho. Sinto-o. Os dias são sem qualquer ilusão e menos frias. As noites menos abandonadas. Assim estou agora.
Não importa mesmo nada perder quem perdeu antes de iniciar seja o que for. Mesmo que seja uma coisa pequena. Maior que pequena a maioria das gentes não sabe lidar com a perda, apesar de pensarmos o contrário.
Sei. Engano-me imenso e o imenso engana-me, já o sabia e não sei se já escrevi, mas é no amor que mais vezes falho. O amor mostrou-me que sou um fracasso. Só consigo uma alegria breve. Quero dizer, brevíssima. Pensava como os outros homens, o campeão era sempre eu.
Cada vez mais faço contas à vida. Marco prazos. Cada vez sei mais que é um alívio saber que há um fim em tudo o que se vive. Os sacrifícios, as dores, por exemplo.
Os escritores dizem, "tão perto e tão longe". Às vezes o perto é longe e por isso sentimo-nos tristes com qualquer coisa. Nestas alturas nunca sabemos o que é. Dizemos; é da lua. É só um dia ruim. Afinal a vida das gentes normais deve ser assim. Incluo-me.
Também ainda fico triste. Mas é uma tristeza doce e repenicada. Não é o desespero que se agarra à garganta, nada disso, nem estar deprimido que me rouba qualquer destino. Fico triste como quem não tem nada para fazer ou já fez tudo e tudo perdeu e em tudo se enganou porque nos iludimos.
Deu-me para isto.

(.. 28Ag'09)

terça-feira, 25 de agosto de 2009

Catarina..

Parabéns.

Mais um ano a cresceres, o segundo. Chegou-me aos ouvidos que a prenda foi efusivamente brindada por ti, ainda bem. Foi muito bom saber daqui.

1, Bolo da Catarina.


2, 3, Crescer.


4, Quem sai aos seus..



(..25Ag'09)

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Parabéns "pa"

Não esqueci. Ando num vai e vem, porque quero e estou a gostar muito. Mudei para melhor. E tudo cada vez mais me faz feliz. Era fantástico ouvir de ti que igual acontece. Quiçá está a acontecer, mas ainda não do teu jeito. Desejo que o tempo melhore.

Para ti, onde num tempo foste muito importante para mim, desejo-te o melhor.

Beijo e carinhos,

.. de um amigo "estranho".


(.. 24Ag'09)

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Parabéns E

Olá EG,

Hoje é um dia especial. Registo. Desejo-te um dia fantástico.
Lembra-te! "Pagam-me para não fazer nada" e não faço memo, memo népias.
Ainda espero de ti aquele convite "fixe", "sopa de peixe". Lembras-te? Para dois! rsrs :)

Para ti amiga,

.. beijo e carinhos.

(.. 03Ag'09)

sábado, 1 de agosto de 2009

Começar

.. o mundo.

Hoje é dia de aniversário de três amigos. É início de mês, um mês bonito. É sábado, dia de nada fazer. Chove e a casa é agradável. Penso cada vez mais no paradigma; nas pessoas que querem ir para o céu.. mas.. nenhuma quer morrer. Sem esforço, nada se tem. Do nada nada vem, etc e tal..

A companhia merece todos os mimos. A minha querida amiga, merece mais do que estou a conseguir. É que ultimamente ando muito cansado. Tenho muitas coisas para fazer e o tempo, descordena-se nos dias e momentos que tomo a vida quase como certa. Tento acordar todos os dias bem. Abrir muito os olhos, mas fogem-me as razões que devia presentear o esforço da minha querida amiga e companheira que continua fazer-me um homem feliz. Merece a minha presença. Merece toda a minha atenção. Merece os meus olhos felizes. É, o meu melhor sorriso, é dela.

Cá para mim, ainda não é desta que volto ao meu lugar nascido por mim. É que ainda tenho tantas coisas para fazer antes de esplanar as letras que se agarram ao sangue na minha garganta.
Começar o mundo não é tarefa fácil, mas estou no caminho porque existe por ela e por mim, uma mulher fantástica que não desiste da minha alma que de vez em vez teima em deixar de respirar. A ela, minha querida amiga, companheira e mulher, o meu obrigado.

Voltarei, para continuar e começar o mundo..

(.. 01Ag'09)

domingo, 7 de junho de 2009

Gestos.

Passamos demasiado tempo a queixarmos de pequenos nadas, pequenas imperfeições, defeitos que vimos (mal), em nós. Olhamos para as pessoas que passam todos os dias ao nosso lado na rua, ou em qualquer outro lugar e, não damos valor ao que temos, como somos construídos.
Tenho algumas amigas e amigos surdos-mudos, desde o segundo ciclo escolar. Alguns encontraram-me quando entraram na minha ex-empresa. Outros conquistei no tempo. A Língua Gestual fez parte da minha comunicação com eles, desde miúdo.
Hoje lembrei-me de todos ao acordar, não sei a razão e não quero saber. Para todos eles, o meu pequeno contributo; da minha estima, consideração e da amizade.

Música «Amor perfeito», de Edson e Hudson,
interpretada em Língua Gestual Portuguesa.




Fecho os olhos pra não ver passar o tempo
Sinto falta de você
Anjo bom, amor perfeito no meu peito
Sem você não sei viver

Então vem,
que eu conto os dias
Conto as horas pra te ver
Eu não consigo te esquecer
Cada minuto é muito tempo sem você, sem você

Os minutos vão passando lentamente
Não tem hora pra chegar
Até quando te querendo, te amando
Coração quer te encontrar

Então vem,
que nos meus braços esse amor é uma canção
Eu não consigo te esquecer
Cada minuto é muito tempo sem você, sem você

Eu não vou saber me acostumar
Sem suas mãos pra me acalmar
Sem seu olhar pra me entender
Sem seu carinho, amor, sem você
Vem me tirar da solidão
Fazer feliz meu coração
Já não importa quem errou
O que passou, passou então vem

Fecho os olhos pra não ver passar o tempo
Sinto falta de você
Anjo bom, amor perfeito no meu peito
Sem você não sei viver

Então vem,
que nos meus braços esse amor é uma canção
Eu não consigo te esquecer
Cada minuto é muito tempo sem você, sem você

Eu não vou saber me acostumar
Sem tuas mãos pra me acalmar
Sem seu olhar pra me entender
Sem seu carinho, amor, sem você
Vem me tirar da solidão
Fazer feliz meu coração
Já não importa quem errou
O que passou, passou então vem

(..07Jun'09)

sexta-feira, 5 de junho de 2009

Gosto.

Gosto desta voz semelhante ao Elvis. Apeteceu-me lembrar.
A música está nos dedos.
Na alma, em silencio.

Danny Mirror, em I remember Elvis Presley



(..05Jun'09)

Nota: Quem quiser enviar-me esta música em mp3, agradeço (já recebi a música).

Feridas.

“Nenhuma pessoa merece as tuas lágrimas e quem as merece não te faz chorar.”


Seis anos (ou foram oito?), foi o tempo que andei de lá para cá, ou de um lado para o outro, para me encontrar, mesmo que fosse num local qualquer, como nos meus sonhos os que sempre tive - na margem de um rio, uma casa, crianças, animais, e um Céu num Sol ameno, abraçar uma nova família.
Incluo-me sempre neste sonho e sonhava-o muitas vezes. Nunca sei é quem é a parideira, devido ao meu mau génio, por desperdiçar tudo o que me era oferecido pelo acaso do destino que os poetas escrevem.
Agora, por ti, o mundo ganha forma. Cada vez mais e cada vez melhor. A tua beleza é a comparência divina que me seduz nos minutos do tempo que eu respiro. Devagar aceito. Entrego-me. Não como outrora quando o tempo era tempo de entrega total sentida ou não e alguns enganos. A idade tem destas coisas, entregamo-nos abertos, em razão da frente que olhamos e nos abraça. Tempo de paz, necessidades e de buscas.
És e serás sempre o melhor que o destino me recolheu. Enfeitiças-me. Fazes-me continuar a viver. Cresço todos os dias. Agora melhor do que outrora. Aliás, melhor não existe em mim. Tudo é vida por me quereres na tua medida e no teu sentir. Aceito tudo, porque sou assim. Porque sou assado. Estou feliz por ti, por mim já é outra coisa, porque continuo a ser o mesmo homem, entrego a verdade e falo de boca aberta. Sei que sabes, mas não quero que te falte nada de mim para ti.
A tua beleza reflecte-se na beleza de todas as coisas para surgir ainda mais poderosa, mais intensa. Faz doer e tu sabes, porque te digo sempre estas coisas. Pretendo ser mais do que nós e não sinto medo agora. Não me recuso a qualquer excesso da nossa vida. Quebrar limites e rirmo-nos são os nossos segundos.
Por isto tudo chegou o tempo de nos refugiarmos em sonhos reais, de nos perdermos um no outro, de não voltarmos a passados, abraçarmo-nos num derradeiro abraço até ao final.
Já não tenho feridas no peito para as olhar. As dores partem. Sei que foste tu minha querida amiga companheira e mulher, a obreira do meu novo iniciar.

(..05Jun’09)

quinta-feira, 4 de junho de 2009

Mãos.

Tinha um desejo antigo. As mãos. Dar as mãos. Só as mãos. Não olhar. Não falar. Nada de explicações. Não pretendia saber de mais nada. De ti. Muito menos dos outros. Não eras desconhecida. Tinha-te visto algumas vezes na casa da tua amiga. Apetecia-me dar-te as mãos. Só isso. E precisava das tuas mãos.
Queria sentir os segredos ao enlaçar as minhas nas tuas mãos. Este querer era no início. Como desconhecidos a contarem histórias um ao outro, Só toques das mãos. Confessarem segredos. Entregarem-se às mãos. Rirem-se muito. Não termos medo de nada. Nem do que era dantes. Nem do que viria depois. Pousarmos uma sobre a outra e a esquecermos juntos o cansaço da vida. Nada de impossíveis, eram só mãos a tocarem-se. Que mal podem fazer quatro mãos?
Agora tenho-te, e contigo e com as tuas mãos, somos mais fortes do que era dantes quando falava sozinho sem verdadeiras respostas. Agora roubaste-me os medos. Hoje já não tenho medo da vida.

(..04Jun’09)

terça-feira, 2 de junho de 2009

Amigo

"amigo, não tenho perguntas para fazer-te. quantas
pessoas entendem aquilo que não entendo? quem
descobriu o segredo mais inútil?

amigo, não tenho perguntas para fazer-te. basta-me
olhar. passaram anos, poderiam ter passado mais
anos ainda. poderiam passar séculos."

[José Luís Peixoto]

(..02Jun'09)

Nota: Gosto muito de ler as palavras deste fulano..

domingo, 31 de maio de 2009

Tu.

Logo na tarde em que te vi, fiquei perdido, ali, por tua causa. Minto. Perdi-me pelo que senti e não pelo que vi - com a minha idade, estava habituado a ver o que vi, não mais, mas semelhante. E a noite veio depressinha, não que eu quisesse, mas tu querias, senti, e deu-me uma dor dentro de mim, quiçá, no peito, não me lembro. E a noite chegou. Fiquei ruído por não poder dormir nessa noite contigo.

Hoje, não consegui iniciar o sono de forma normal. Levei algumas horas a pensar na razão. Até sonhei com os olhos muito fechados. Mas não consegui dormir pelo menos no início. Depois percebi que também tenho inícios de sono mal resolvidos. E quando penso assim, pelo menos alivio-me e adormeço.

Estavas na minha frente e olhava-te com olhos de homem. Talvez fosse o encanto do primeiro dia. Uma tremenda cobiça – lembro-me, dava-me cabo do desejo. Desejava-te. Queria desfazer o meu corpo no teu num aperto ciumento. Tinhas fascínio. Feminina. E também uma sedução perigosa, sentia-o. O teu sorriso branco rasgado, incomodava-me. Quase sentia o medo. Eras o medo em absoluto (sempre tive muito medo das mulheres femininas e muito bonitas). E sentia que nunca mais te iria ver - inquietei-me. Muito menos ter-te. E ainda muito menos ter-te só para mim.

Hoje, além de resolver o início do sono, estranhei-me por ter procurado um comprimido para dormir. Tinha medo de ter resolvido mal a coisa. Adormeci pelo cansaço. Acordei cheio de sono e mais cansado.

Devias estar de passagem - pensei. As ruas seguiam o teu corpo. Deixavas um rasto de desejo. Os homens olhavam. Passavas e calavam-se. A minha esperança era jovem, tinhas metade da minha idade. Doía-me tudo. Ver-te e não te tocar, não suportava, era um golpe que pensava que já tinha ultrapassado.

Apaixonei-me no momento. Outra vez. Não tinha sido a primeira vez contigo. Já me tinha acontecido noutro tempo que me negaste, quando também como homem olhei-te pela primeira vez na casa da tua amiga. E passou muito tempo. Muito. Quando prometi que te apagava de mim. Até que de novo me encontraste e de novo mostras-te o fascínio da tua beleza. Do teu sorriso branco e da tua graça também. Nem sabia bem o que dizia e o que te dizer. Olhava-te como ainda hoje te olho. Apaixonado.

Hoje reconheço o menino que fui. O medroso. Bem sabes que o que nos aproximou, foi uma mesma tristeza pela inevitabilidade de tudo. Há pessoas que amarram o destino como se quisessem ser salvas. Só temos de saber que o destino somos nós que o construímos e não mais do que isso. Mais nada serve os nossos desejos. Só nós e só o nosso querer nos amarra. As coisas são como são – este juízo derrota-me sempre.

A noite veio depressinha. Despedi-me junto da porta da tua casa, onde não me convidaste para entrar. Ainda bem, tinha medo - aceitava logo. O pior era o que nos ia acontecer a seguir. O medo estava dentro de mim e custava-me muito suporta-lo para que não o visses – medroso.
Estava desvairado para te descobrir a pele, milímetro a milímetro. Mas parecias uma gota que me escapavas entre os dedos – sentia-o.

Sofri mais e mais nos dias todos que vieram para que nos encontrássemos mais uma vez e tantas outras. Pediste para repetirmos. E eu sofria por antecipação. Com o auxílio do meu sorriso, julguei-te seduzida, à beira de seres minha. Mas só queria que fosses minha se eu fosse o teu único (nunca perfilhei ideias de partilhas de amores casuais).
Um dia falaste-me das tuas coisas sérias que estavam mal resolvidas. Ai sim, petrifiquei e passei a estar mais apaixonado - devia ser o diabo a tentar-me. Entre nós o amor não podia ser feito - disseste-me. Como entendia tudo o que me falavas. Esse era o medo em mim e continuei com o medo, por mim.
O tempo encontro-nos. E encontrámo-nos.
As coisas são como são. E, entre elas, o vazio que as une.

Acordei hoje feliz e apaixonado..
.. mais uma vez, de tantos dias bons que vão acontecer. Porque, gosto-te muito minha mui querida amiga, companheira e mulher.

"Ama-me quando eu menos o merecer,
porque será nessa altura que mais necessitarei"
[Dr.JeckyII]


(.. 31Mai’09) (2)

segunda-feira, 25 de maio de 2009

Deus.

"Quem sabe, se Deus quer que conheças muita gente ruim antes de conheceres a pessoa certa, e quando a conheceres possas estar agradecido."


Certo dia perguntaram-me, o que faria se um dia fosse Deus?
Respondi com o meu melhor sarcasmo. Nesse dia (por acaso), até tinha os dentes limpos e abri a boca toda:

Primeiro matava qualquer outro que dissesse que era Deus - só um deve existir.
Na segunda etapa, reciclava as mentalidades.
Faria os homens serem, fazerem e pensarem, como homens. As mulheres serem, fazerem e pensarem, como mulheres.
Depois, com tudo nos seus devidos lugares, o mundo era “mais melhor bom”.

Um homem é homem por ser homem. Assim como uma mulher é uma mulher por ser mulher. Ninguém deve fazer outro papel. Trocar as coisas naturas, não é bom.
Apaixonei-me por uma mulher, não por ter voz grossa, ou pelos no rabo (rs), mas porque é uma mulher. É sabido que se escolhermos alguém (como é hábito na maioria), pela imagem, naturalmente as coisas não vão a porto seguro. A mente ao longo do nosso crescer, fica tacanha. Desacertamos muito.
Abraço o aroma de uma mulher sem olhar. Se toco, morro pela mesma.
Se cada um fizer as suas coisas como lhe pede o corpo, ai ai. É que falar muito não leva ninguém a parte segura. Está no fazer acontecer, para que a consciência e as cedências sobrevivam.
Ainda a propósito (gosto de tagarelar), passamos grande parte das nossas vidas, sem dizer o que queremos. Dizemos o que é preciso. Falamos em códigos. Enviamos pequenas mensagens. A maioria do que escrevemos, nem nós próprios as reconhecemos quando as lemos no tempo. Por isso e cada vez mais, não entendemos os outros, mas queremos que elas nos entendam. Tudo seria mais fácil para nós (homens e mulheres), se falássemos com clareza, principalmente com as pessoas que gostamos muito.
É que nas coisas do amor, o amor não tem que ser para sempre, mas sim até ao fim.
Sou homem, assim penso.

(..25Mai'09)

sexta-feira, 22 de maio de 2009

Portugal (II)

2009 Portugal Actual

(Saúde)


quinta-feira, 21 de maio de 2009

Portugal (I)

2009 Portugal Actual

(Desemprego)


domingo, 10 de maio de 2009

Vitríolo

Em tempo bom, contínuo, sem vontade e imaginação para escrever, aproveito um artigo de PC, que li numa revista cor-de-rosa faz tempo, que me fez pensar. É que a palavra "vitríolo", não me é em nada familiar - não era. Não conhecia. Li. Fiquei mais inteligente (rs). Atrevi-me a procurar pela net o seu significado. De alquimias não percebo nada, nunca percebi - não me perco nesse assunto (!?#), mas o tema do texto é interessante e inteligente - gostei.
Pela mensagem, copiei para o meu espaço.

"No meu livro “Veronika decide morrer”, que se passa em um hospital psiquiátrico, o director desenvolve uma tese a respeito de um veneno indetectável que contamina o organismo com o passar dos anos: o vitríolo.
Assim como a libido – o líquido sexual que o Dr. Freud reconhecera, mas nenhum laboratório fora jamais capaz de isolar, o vitríolo é destilado pelos organismos de seres humanos que se encontram em situação de medo. A maioria das pessoas afectadas identifica seu sabor, que não é doce nem salgado, mas amargo – daí as depressões serem profundamente associadas com a palavra Amargura.
Todos os seres têm Amargura em seu organismo - em maior ou menor grau - da mesma maneira que quase todos temos o bacilo da tuberculose. Mas estas duas doenças só atacam quando o paciente acha-se debilitado; no caso da Amargura, o terreno para o surgimento da doença aparece quando se cria o medo da chamada “realidade”.
Certas pessoas, no afã de querer construir um mundo onde nenhuma ameaça externa pudesse penetrar, aumentam exageradamente suas defesas contra o exterior – gente estranha, novos lugares, experiências diferentes - e deixam o interior desguarnecido. É a partir daí que a Amargura começa a causar danos irreversíveis.
O grande alvo da Amargura (ou Vitríolo, como preferia o médico do meu livro) é a vontade. As pessoas atacadas deste mal vão perdendo o desejo de tudo, e em poucos anos já não conseguem sair de seu mundo – pois gastaram enormes reservas de energia construindo altas muralhas para que a realidade fosse aquilo que desejavam que fosse.
Ao evitar o ataque externo, também limitam o crescimento interno. Continuam indo ao trabalho, vendo televisão, reclamando do trânsito e tendo filhos, mas tudo isso acontece automaticamente, sem que entendam direito porque estão se comportando assim – afinal de contas, tudo está sob controle.
O grande problema do envenenamento por Amargura reside no fato de que as paixões – ódio, amor, desespero, entusiasmo, curiosidade – também não se manifestam mais. Depois de algum tempo, já não restava ao amargo qualquer desejo. Não tinham vontade nem de viver, nem de morrer, este era o problema.
Por isso, para os amargos, os heróis e os loucos são sempre fascinantes: eles não têm medo de viver ou morrer. Tanto os heróis como os loucos são indiferentes diante do perigo, e seguem adiante apesar de todos dizerem para não fazerem aquilo. O louco se suicida, o herói se oferece ao martírio em nome de uma causa – mas ambos morrem, e os amargos passavam muitas noites e dias comentando o absurdo e a glória dos dois tipos. É o único momento em que o amargo tem força para galgar sua muralha de defesa e olhar um pouquinho para fora; mas logo as mãos e os pés cansam, e ele volta para a vida diária.
O amargo crónico só nota a sua doença uma vez por semana: nas tardes de domingo. Ali, como não tem o trabalho ou a rotina para aliviar os sintomas, percebem que alguma coisa está muito errada."

(..10Mai’09)

quarta-feira, 6 de maio de 2009

Preciso.

.. opss! .. de ti até ao final.

Tenho vontade de fazer tantas coisas e tantas coisas necessito de não as fazer. Regresso e ainda quase não cheguei. É que não cheguei pelo regresso. Não sinto nenhuma vontade de acabar seja o que for pela razão de gostar do início. Lembro o teu início. Está dentro e não pode ser de outra forma. Agora sinto-me constante, pegado a mim, nem baloiço tanto. Passeio pelas ruas por onde já passei mil e uma vez e cruzo-me sempre comigo. Faltam corpos. Agarro-me à sombra na superfície. Juro que não é pela tua falta que me acomodas todas as horas pelo amor que te dou. É que o tempo não inclui tempo.
Preciso do teu meu silêncio, às vezes gosto de ficar assim. As horas passam, de ti o pensamento agarrasse. Ainda bem. É bom. Olhar-te. Sonhar-te. Fingir que não morro amanhã e acontece vida em mim por ti. Já te tinha dito que preciso muito de ti?
Preciso pelo meu egoísmo, grande injustiça, julgar que tenho direito de fazer o que faço, mesmo que em sonhos, contigo.
O coração um dia vai parar, mas neste momento não quero, preciso tanto dele por ti, por mim. Os corações também se gastam, por isso devem estar sempre juntos, para que com o tempo, pelo menos um exista. Uma noite. Uma de cada vez, no jardim da noite e outros mais dias se seguem até ao fim. Não vale desistir, tão pouco deixar arrefecer, ou parar.
O que gostava muito era de algo que me protegesse deste tempo que me bate, esgrime o destino, agarra-se à garganta, rouba-me o calor, e mais grave; rouba-me as ousadias que tinha antes de ser agora. Queria tanto ser outra coisa que não esta que nem sinto que sou. Por isso às vezes tenho que me agarrar às sombras, à minha pelo menos. Não me peçam para fazer o que não quero ou nada tenha a ver comigo. A minha sombra ainda é muito minha. Engano-me imenso e o imenso engana-me - "poisé". No amor sou um fracasso, uma alegria breve, uma noite quente, mas só isso mesmo. E a vida é cada vez mais breve, como sinto as coisas que mais gosto.
É um alívio saber que existe um fim. Só espero que todo o agora respirado não seja breve, por mim, que mereço gostar-te sem brevidade. Sabes? Deves saber; não tenho falta de nada porque existes todas as horas em mim, e é assim que hoje vivo. Gosto-te, até gosto agora mais de mim.

(..06Mai’09)

sexta-feira, 1 de maio de 2009

Inexacto.

(I)
Decidi por. Diante mar clube pescadores. Causa trabalho, mas chegasse pátria, como tal ainda existisse. É não solução, saída, tudo parecia propósito. A aliviou-me foi prazer eu minha fomos, carne deliciosa. Ela que os éramos um a conduzir outro. Eu veementemente não nada, mas fundo qualquer. O sabia dela? Eu conhecia que.

(II)
Matar-me enforcamento. Foi do da num de à linha. Não, por do que dar, quando à, como tal ainda existisse. Que encontrava, saída, e me sem propósito. A decisão foi prazer eu minha fomos, carne deliciosa. Repetia-me nós dois como cego conduzir. Dizia-lhe que era assim, mas no sem convicção. Que eu dela? Já humanos bastassem.

(..01Mai’09)

domingo, 26 de abril de 2009

Quem sou?

"Sempre haverá gente que te vai amachucar. Assim, o que tens de fazer é seguir confiando e só ser mais cuidadoso em quem confias duas vezes."


Simplesmente simples:

Sou o que tenho. Falo baixo. Oiço melhor. Olho dentro. Persisto na verdade. Tudo o que falo, falo de saber. Quando não sei das coisas dou sempre a minha melhor opinião. Não faço fretes a ninguém. Não abano a cabeça para se sentirem bem comigo. Estou presente fielmente e afasto-me com facilidade por lealdade mesmo a perder. Irreverente em excesso que até aborreço. Emudeço as minhas dores parecendo que não existo. Vagaroso ao ponto de chatear. Complicado ao ponto de não perceberem. Exagerado em quase tudo ao ponto de me insultarem. Tão sincero que posso magoar. Amigo ao ponto de amar. Brinco como um menino.
A omissão é o meu limite.
A paz existe no meu modo de viver.

(..26Abr’09) (2)

Nota pacifica: Detesto a injuria.

sábado, 25 de abril de 2009

25Abril74

Registo, 35 anos passados do início do caos instalado em mim. Não tenho nada de bom para recordar este dia. Nasci antes deste. Tinha tudo executado para outra vida que não a que passei. Bom, a única coisa boa foi o regresso de África, em Dezembro de 1974. Pensando melhor, ainda não sei se o regresso não foi ainda o maior caos. Ainda me sinto vitima, dilacerado, dilapidado, vandalizado, das atribulações nascidas para a tão falada democracia.

“O segredo de uma velhice agradável consiste apenas na aceitação de um honroso pacto com a solidão.”


(..25Abr’09)

sexta-feira, 24 de abril de 2009

Amigo.

.. recordo-te com muita saudade.
Depois de partires, fiquei a conhecer mais um pouco de mim. Sim! É por estas coisas que realmente ficamos a conhecer o quanto somos.
Preciso de ti.
Volta.
Leva-me..

(..24Abr’09)

domingo, 19 de abril de 2009

Parabéns.

.. para mim pelo reencontro dos meus melhores dois amores de mais, e outro doce amor que ainda não tinha abraçado. Hoje foi um dia bom. Registo.

(..19Abr'09)

sexta-feira, 17 de abril de 2009

Pensamento..

.. do dia.

Estamos numa época em que o fim do mundo não assusta tanto quanto o fim do mês.

(..17Abr'09)

Nota precisa: Tenho perguntas sem respostas quando respiro e neste caso, considero-me uma pessoa feliz, agora e neste tempo, tenho tempo para reflectir sobre as coisas que quero e desejo muito. Pode parecer que estou a respirar, mas só estou em suspensão.

sábado, 11 de abril de 2009

Carácter.

Este texto "atenta-me", não posso deixar de copiar este bocado e regista-lo neste lugar. Sei que gosto muito. Faz reflectir. Pensar fundo. O resto, bem, o resto não importa agora.

"O que é que se pode perguntar das pessoas com palavras? O que vale a resposta que uma pessoa dá com palavras e não com a realidade da sua vida?... Vale pouco (...) São poucas as pessoas cujas palavras correspondem por completo à realidade das suas vidas. Talvez seja esse o fenómeno mais raro da vida. Na altura, ainda não o sabia.
Agora não me refiro aos mentirosos, aos safados. Só penso que conhecer a verdade, adquirir experiências, de nada serve, porque ninguém consegue mudar o seu carácter. Talvez não se possa fazer mais nada na vida que adaptar à realidade com inteligência e cautela essa outra realidade inalterável, o carácter pessoal. É a única coisa que podemos fazer. E mesmo assim, não seríamos mais sábios, nem mais protegidos... "

Sándor Márai, in "As Velas Ardem Até ao Fim"

Amêndoas.. para os dias menos doces:



(.. 11Abr’09)

sexta-feira, 10 de abril de 2009

Páscoa.

Natal, Pai-Natal, Ele nasce, oferecem-se prendas. Páscoa, coelhos, Ele morre, oferecem-se prendas; ovos, amêndoas etc e tal.
A final o que é isto? O que é a Páscoa? Páscoa!.. Quem não está ou fica confuso, com estas coisas? Mais tarde ou mais cedo alguém nos fará a pergunta e deveríamos todos saber responder.
É desta forma que penso - “maizómenos”, e sorrio ao voltar a reler este texto. No tempo e já passaram tantas primaveras em mim, é este o meu jeito de ser menino. Sou eu a crescer.
Com esta leitura, espero conseguir arrancar um bom sorriso a todos os que me lêem, desejando-vos uma Boa Páscoa.



- Pai, o que é a Páscoa?
- Ora, Páscoa é.... bem... é uma festa religiosa!

- Igual ao Natal?

- É parecido. Só que no Natal comemora-se o nascimento de Jesus, e na Páscoa, se não me engano, comemora-se a sua ressurreição.

- Ressurreição?

- É, ressurreição. Maria, vem cá!

- Sim?

- Explica a esta criança o que é ressurreição para eu poder ler o meu jornal descansado.

- Bom, meu filho, ressurreição é tornar a viver após ter morrido. Foi o que aconteceu com Jesus, três dias depois de ter sido crucificado. Ele ressuscitou e subiu aos céus. Entendido?

- Mais ou menos... Mãe, Jesus era um coelho?

- Que é isso menino? Não me diga uma coisa destas! Coelho! Jesus Cristo é o Pai do Céu! Nem parece que este menino foi baptizado! Jorge, este menino não pode crescer assim, sem ir à missa pelo menos aos domingos. Até parece que não lhe demos uma educação cristã! Já pensaste se ele diz uma asneira destas na escola? Deus me perdoe! Amanhã vou matricular esta criança na catequese!

- Mãe, mas o Pai do Céu não é Deus?

- É filho, Jesus e Deus são a mesma coisa. Vai estudar isso na catequese. É a Trindade: Deus é Pai, Filho e Espírito Santo.

- O Espírito Santo também é Deus?

- É sim.

- E Fátima?

- Sacrilégio!!!

- É por isso que na Trindade fica o Espírito Santo?

- Não é o Banco Espírito Santo que fica na Trindade, meu filho. É o Espírito Santo de Deus. É uma coisa muito complicada, nem a mãe entende muito bem, para falar a verdade nem ninguém, nem quem inventou esta asneira a compreende. Mas se perguntar à catecista ela explica muito bem!

- Bom, se Jesus não é um coelho, quem é o coelho da Páscoa?

- (gritando) Eu sei lá! É uma tradição. É igual ao Pai Natal, só que em vez de presentes, ele traz ovinhos.

- O coelho põe ovos?

- Chega! Deixa-me ir fazer o almoço que eu não aguento mais!

- Pai, não era melhor que fosse galinha da Páscoa?

- Era, era melhor, ou então peru.

- Pai, Jesus nasceu no dia 25 de Dezembro, não é? Que dia que ele morreu?

- Isso sei eu: na sexta-feira santa.

- Que dia e que mês?

- ??????? Sabes que eu nunca pensei nisso? Eu só aprendi que ele morreu na sexta-feira santa e ressuscitou três dias depois, no sábado de aleluia.

- Um dia depois, portanto!

- (gritando) Não, filho! Três dias!

- Então morreu na quarta-feira.

- Não! Morreu na sexta-feira santa. Ou terá sido na quarta-feira de cinzas? Ah, miúdo, já me confundiste! Morreu na sexta-feira e ressuscitou no sábado, três dias depois!

- Como!?!? Como!?!?

- Pergunte à sua professora da catequese!

- Pai, então porque amarraram um monte de bonecos de pano na rua?

- É que hoje é sábado de aleluia, e a aldeia vai fingir que vai bater em Judas. Judas foi o apóstolo que traiu Jesus.

- O Judas traiu Jesus no sábado?

- Claro que não! Se ele morreu na sexta!!!

- Então por que eles não lhe batem no dia certo?

- É ...... boa pergunta.

- Pai, qual era o sobrenome de Jesus?

- Cristo. Jesus Cristo.

- Só?

- Que eu saiba sim, porquê?

- Não sei não, mas tenho um palpite de que o nome dele tinha no apelido Coelho. Só assim esta coisa do coelho da Páscoa faz sentido, não acha?

- Coitada!

- Coitada de quem?

- Da tua professora da catequese!!!


(..10Abr’09)


(Este texto faz parte do meu baú, faz alguns anos.)

sexta-feira, 3 de abril de 2009

Perdidos.

O meu é tanto presente como sempre fiel, até nos pormenores, pequenos nadas..

Precisava de saber todos os dias, quem era eu para ti. Deixaste-me vezes demais sozinho. És muito exigente comigo, e nunca o suficiente com outros.
O medo é muito comum nas pessoas de grande sensibilidade. São estes, normalmente que, mais param na vida para reflectir as suas acções, até nas coisas que para os outros parecem simples. Quem não pára e faz tudo sem qualquer receio, mostra que a vida não tem qualquer significado.
Há pessoas que não conseguem perceber a pressão que exercem nos outros, tornando o que é simples e natural, em coisas desmesuradas.
Não é pelo facto de se dizer não que, a mesma pessoa sinta esse não. É só porque as coisas ultrapassam os limites do bom senso do próprio. Não entende. Porque é que as coisas de repente se tornam diferentes de dias anteriores. Isto não é crescer.
As pessoas que mais devagar andam na vida são as que mais longe chegam, normalmente são as mesmas que decidem as coisas com o mesmo vagar que absorvem o que lhes rodeia.
Cada pessoa tem a sua velocidade. Cada pessoa tem a sua maneira de enxergar. Cada pessoa realiza as coisas à sua maneira.
Não choro muito. Ou talvez só possa chorar um pouco por cada mulher e já esgotei a minha conta – deve ser isso. Mas, porque sentimos que o que sentimos não é lógico?
É emocional - temo. Acho que temos de tomar algumas decisões difíceis com base nas emoções. Estou tacanho a estímulos de rotina. Não sei o que sinto. E o que sinto não é bom. Pareço de novo perdido.
Sei, virá um momento em que saberei, e se for um "sim", toda a lógica desaparecerá com o passado.
Às vezes perguntam-me:
- És feliz?
- Bom!.. As relações nem sempre são sobre felicidade, certo?
- Com que frequência te sentes feliz na tua relação? Sentes-te feliz o dia todo? Quando foi a última vez que te sentiste feliz?

Não existe lógica para o amor. Encontrar essa coisa é uma carga de trabalho. Há pessoas que são felizes para sempre antes de decidirem que querem ser felizes até ao fim, oficializando o seu acto. Outros continuam perdidos em acções abstractas. Só estou perdido.

(..03Abr’09)


(Escrita em tempo real, 09 Mar 26)

quinta-feira, 2 de abril de 2009

Penitência (II)

Incongruências com o passado. Hoje, amanhã e sempre.

(continuação)

(gentes normais)
- Que parvoíce! Com esta idade e ainda tão inocente!
- Acorda para a vida, ó careta!
- Amor e uma cabana?
- Amor até ao fim e não para sempre?
- Ainda acreditas no dia em que as crianças viverão e concretizaram não os seus pesadelos vividos, mas sim os seus sonhos?
- No dia em que a vizinha não fechará os olhos aos maus-tratos familiares praticados pelo vizinho?
- Amizades honestas e sadias?
- Acorda! Acorda estúpido! Acorda para a vida!
- Entra na real!


É isto e mais. É o que gente lúcida e mais desperta do que eu, afirma de mim vezes sem fim.
Pensando bem, é patético! Para isso era preciso que me deixassem de chamar romântico, ou boa gente. Impossível! Um romântico ou gente boa como eu não se conforma. Morre teimoso. Não à remédio que me valha! Ainda não acredito que o mundo é uma selva, matar para não morrer.
Sonho com o dia em que pautaremos as nossas acções com respeito pelo próximo. Acredito que tememos pensar por nós próprios, acabando os nossos dias adaptando-nos ao ambiente que nos rodeia em vez de adaptarmos o ambiente a quem realmente somos.
Repito-me; acredito que acontece porque não nos conhecermos nem nos aceitamos. Passamos mais tempo a disfarçarmo-nos para iludir os outros que esquecemos quem somos e ao que viemos.

(gentes normais)
- Malucos estes românticos!
- Pensam que a vida é rosas e mais rosas!
- Mais, dizem que as pessoas trabalham e trabalham apenas para se manterem de pé.
- Acreditam piamente, "Que o dinheiro não é tudo na vida". Só ajuda! Só dá um empurrãozito.
- Que as mulheres ainda se conquistam com flores. Cartas de amor. Cavalheirismo e igualdade de necessidades e sentimentos.
- Jantares á luz de vela e beijos de fazer balançar as pernas.
- Que bom mesmo era no tempo dos nossos avós, sem televisão ou computadores.
- A jogar ao esconde, saltar à corda, jogar à macaca, ao pião, aos médicos, saltar ao eixo.. era mais saudável, divertido e social que qualquer programa hoje habitual.
- Que a amizade não se conta pelo hi5 e similares, mas por aqueles que nos ouvem quando não falamos. Que nos entendem pelos gestos involuntários. Que nos decifram o estado de espírito pelo olhar. Sabem sempre onde estamos e nos mimam quando tudo corre mal.
- Que estes são os que chamam amigos, amigas, irmãos, irmãs, amores, às vezes até batatas, trengos e trengas.
- São a quem confidenciam no ouvido.
- São os que dizem NÃO, quando todos dizem SIM.


Perniciosa venda que me torna romântico, honrado e leal. É, sei muito bem, é doloroso viver com ela bem junto da pele, mas admito, são esses os meus amigos, os que choram-se injustamente, trato-os por igual. Trato-os com cuidado, especial amor e respeito, calando até ao meu limite, as minhas diferenças.
Esta venda torna-me a vida mais difícil, não me deixa enviar desculpas por SMS (era mais simples), mas obriga-me a colocar o joelho no chão, ramo de flores na mão e beijo sentido.
Os tempos estão difíceis. A velhice engelha e cobre-me a pele. A venda molda-se cada vez mais à vista. É, o melhor é habituar-me e aceitar quem sou - apenas um pobre maldito e convencido, que nasceu em dia não e lhe chamam romântico trôpego. Falo em demasia, quando devia aceitar tudo. Não ter opinião. Aniquilar a identidade. No geral, quando me pedem uma opinião e ofereço diferente ao receptor, até mesmo diferente dos amigos (!), sou complicado, dizem.
Pelo menos devia aprender a emudecer até morrer, carregar a minha índole desajustada dos que vivem de feições reais que não a minha.


(.. 02Abr’09).

Penitência (I)

Incongruências com o passado. Hoje, amanhã e sempre.

Hoje cada vez mais, reconheço-me como sendo uma pessoa de coração na boca, difícil, e às vezes sinto-me irreconhecível, tomando como modelo as gentes.
Sou o que tenho, já disse. Digo tantas vezes para que seja cada vez mais verdadeiro, pelo menos persisto, aceitando que sou o que todos pensam que sou. Mas tenho mais defeitos: Mania da perfeição. Complicado ao ponto de ninguém me perceber. Exagerado ao ponto de ser insultado. Sincero ao ponto de magoar. Amigo do amigo ao ponto de amar até ao fim.
Aceito a vossa desilusão perante a minha cabeça, cada vez mais desarrumada, ou melhor, romântica maneira de ver as coisas da vida e das relações interpessoais.
É defeito de visão. Os meus olhos não são lúcidos e actuais quanto os vossos. Com efeito saiu-vos a sorte de nascerem sem este defeito. Os meus olhos transmitem-me nebulosas imagens que interpreta como suposta realidade. Finalmente foi-me diagnosticada a deficiência, vós sois normais, a anormalidade encontra-se em mim - admito.
Gente como vocês, são reconhecidos entre iguais, convivem e repartem aventuras, tratam-se com carinhosas alcunhas e simpáticos diminutivos. Cumprimentam com sorrisos da largura da cara. Confiam segredos interiores, abraçam como sinceros familiares. É delirante a afinidade que nos segundos, minutos, horas, e dias se dedicam com cumplicidade uns com os outros.
Como vos invejo! Que amizade! Que amor! Tenho a certeza que essas coisas adquiridas, por vós viverão para além da vida e dos tormentos de vós mesmos.
Como sois felizes! Comunicam com facilidade. Faz-me parecer sincero e tudo mais fácil.
Roio-me de inveja até ao tutano. A facilidade é tal que multiplicais amizades como matilhas animais. Olho e vejo tudo isto em quase todos vós, gentes.
Porque razão fui amaldiçoado com esta venda que me tapa a visão, identifica a deficiência e não vos reconhece como meus? Observo-vos diariamente. Ó como gostaria de vos imitar o andar altivo e confiante. A vossa culta, simpática e sedutora linguagem. A vossa cuidada e admirada aparência. A amizade transmitida no inicio e no final do dia, com o vosso jogo de mãos, olhos, abraços que se entrelaçam e beijos suaves que se deveriam fazer sentir pelo calor que provocam.
Que bom seria fazer parte da vossa matilha. Proferir com à vontade palavras que se trancam cá dentro, que recusam a exposição, não aceitam entregarem-se apenas como objecto de troca gratuita. Se assim não fosse, se não fossem palavras orgulhosas, se não se recusassem, passaria tal como vós a pronunciar até ao total desgaste palavras tais como; amigo, amizade, amor, lealdade, honestidade, seriedade, confiança, admiração, sim, não, etc e tal, e uma página mais de igual palavreado orgulhoso.
Ó como gostaria! Porque complico o que para vocês é tão fácil? Talvez, talvez não sofresse tanto!
Ó como gostaria! Talvez se não complicasse o que para vocês é tão fácil.
Maléfica venda que não vos deixa ver tais como afirmais ser!
Até compreendo que me olhem de soslaio. É, a minha venda torna-me extremista, idealista e romântico. Ôdase! Acredito que posso contribuir para mudar e ou melhorar o mundo. Acredito nas palavras honestas das gentes leais. Que é no esforço de cada um de nós que se encontra a felicidade de todos. Cresci com este sonho dia e noite desde que me recordo da minha infância.
(cont..)

(.. 02Abr’09).


(meu baú: Texto actualizado, escrito pela minha tinta em 2006.)

terça-feira, 31 de março de 2009

Realejo.

Sou igual a tantos outros, é verdade, talvez seja pior (ultimamente há quem diga que sou, e eu acredito), talvez por isso, às vezes goste destas merdas; do que dizem, e das coisas que faço com paixão. Tive a curiosidade natural de reaver momentos em que era menino e acreditava em tudo, todos; nos pregadores, nas rifas, sortes, sinas, signos etc e tal.
Desta vez em ar de brincadeira atrevi-me e aceitei que um passarito me fizesse a previsão dos dias futuros. O “feliz” animal entrou na sua casota à "voz" da dona e apareceu com pequeno cartão numerado. Mais um sinal da dona, voltou a entrar e trouxe outro cartão.
Número dezanove - diz a dona em voz alta, a senhora das saias. Entregou-me um envelope numerado na frente com uma esferográfica. Assim foi com todas as gentes presentes que esperavam carenciadas a sina. Em cada duas entradas do periquito na casota, um envelope pela quantia de dez Euros.
Era caro, diziam alguns, mas pela quantidade de gente que parava, atrevia-me a pensar que a sina “tinha” algum sentido, pelo menos estava a gostar de sentir essa sensação.
As gentes abriam os envelopes em velocidade como quem procura a felicidade, e liam. Uns em voz alta - ouvia risos. Outros exclamavam. Outra dizia em voz alta: “para o ano vou casar com um homem rico e jeitoso”! Ouvi outras frases similares.
Abri o meu envelope e, em passo lento fui lendo quase na diagonal. Acabei de ler e voltei a passar os olhos pelas linhas na diagonal inversa. Não mostrei a ninguém. Não sorri. Não chorei. Reli. Estava consternado. Escondi o papel impresso no bolso. Saí do local com passos alargados. Senti olhos virados a mim. Fugi. Acomodei-me no carro e fiquei pensativo. Voltei a reler, agora com atenção mais cuidada. Sentia-me igual às pessoas que liam as suas sinas, que procuravam soluções (!) para serem felizes. Mas nada de extraordinário! Pensei nas minhas repetições; às vezes só preciso de alguém que me segurem a mão.
Lia este tipo de mensagens quase todos os dias nas revistas cor-de-rosa, ou jornais. Estava familiarizado. E fiquei em paz. Comigo. Com o coração.
Pela razão.


Sina nº 19.

Você é de personalidade forte que poucos aceitam, mas seu coração bom e leal, está sempre pronto e aberto para as pessoas, essa diferença tem-lhe causado muitas mágoas.
Julga as pessoas pela sua própria lealdade e por isso, seu coração é muitas vezes enganado, mas sua felicidade depende de pessoas cuja existência ignora!
Acautele-se daqueles que dizem que lhe querem: nem todos o amam, alguns manipulam, outros só o desejam e não pensam no seu bem-estar.
É invejado por pessoas que julga serem seus amigos e os que espreitam a sua queda, coiotes, mas a estrela do seu destino indica que nenhum inimigo poderá predominar sobre a sua cabeça.
Será em breve surpreendido com um amor de uma moça de carácter e de boa aparência, bonita de dentro para fora. Com ela se casará e ela lhe dedicará toda a atenção que as estrelas reservam.
Ainda assim, não se iluda pelas pompas da riqueza, porque elas são as portadoras da infelicidade. Contente-se em viver honradamente com o necessário na vida que tudo correrá a seu favor. Não será muito rico, mas de nada necessitará para o seu bem-estar e família.
O Universo diz que será feliz, toda a oposição será vencida e ninguém lhe fará mais mal.
Terá sorte no jogo com o número **.


(..31Mar’09)