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domingo, 26 de abril de 2009

Quem sou?

"Sempre haverá gente que te vai amachucar. Assim, o que tens de fazer é seguir confiando e só ser mais cuidadoso em quem confias duas vezes."


Simplesmente simples:

Sou o que tenho. Falo baixo. Oiço melhor. Olho dentro. Persisto na verdade. Tudo o que falo, falo de saber. Quando não sei das coisas dou sempre a minha melhor opinião. Não faço fretes a ninguém. Não abano a cabeça para se sentirem bem comigo. Estou presente fielmente e afasto-me com facilidade por lealdade mesmo a perder. Irreverente em excesso que até aborreço. Emudeço as minhas dores parecendo que não existo. Vagaroso ao ponto de chatear. Complicado ao ponto de não perceberem. Exagerado em quase tudo ao ponto de me insultarem. Tão sincero que posso magoar. Amigo ao ponto de amar. Brinco como um menino.
A omissão é o meu limite.
A paz existe no meu modo de viver.

(..26Abr’09) (2)

Nota pacifica: Detesto a injuria.

sábado, 25 de abril de 2009

25Abril74

Registo, 35 anos passados do início do caos instalado em mim. Não tenho nada de bom para recordar este dia. Nasci antes deste. Tinha tudo executado para outra vida que não a que passei. Bom, a única coisa boa foi o regresso de África, em Dezembro de 1974. Pensando melhor, ainda não sei se o regresso não foi ainda o maior caos. Ainda me sinto vitima, dilacerado, dilapidado, vandalizado, das atribulações nascidas para a tão falada democracia.

“O segredo de uma velhice agradável consiste apenas na aceitação de um honroso pacto com a solidão.”


(..25Abr’09)

sexta-feira, 24 de abril de 2009

Amigo.

.. recordo-te com muita saudade.
Depois de partires, fiquei a conhecer mais um pouco de mim. Sim! É por estas coisas que realmente ficamos a conhecer o quanto somos.
Preciso de ti.
Volta.
Leva-me..

(..24Abr’09)

domingo, 19 de abril de 2009

Parabéns.

.. para mim pelo reencontro dos meus melhores dois amores de mais, e outro doce amor que ainda não tinha abraçado. Hoje foi um dia bom. Registo.

(..19Abr'09)

sexta-feira, 17 de abril de 2009

Pensamento..

.. do dia.

Estamos numa época em que o fim do mundo não assusta tanto quanto o fim do mês.

(..17Abr'09)

Nota precisa: Tenho perguntas sem respostas quando respiro e neste caso, considero-me uma pessoa feliz, agora e neste tempo, tenho tempo para reflectir sobre as coisas que quero e desejo muito. Pode parecer que estou a respirar, mas só estou em suspensão.

sábado, 11 de abril de 2009

Carácter.

Este texto "atenta-me", não posso deixar de copiar este bocado e regista-lo neste lugar. Sei que gosto muito. Faz reflectir. Pensar fundo. O resto, bem, o resto não importa agora.

"O que é que se pode perguntar das pessoas com palavras? O que vale a resposta que uma pessoa dá com palavras e não com a realidade da sua vida?... Vale pouco (...) São poucas as pessoas cujas palavras correspondem por completo à realidade das suas vidas. Talvez seja esse o fenómeno mais raro da vida. Na altura, ainda não o sabia.
Agora não me refiro aos mentirosos, aos safados. Só penso que conhecer a verdade, adquirir experiências, de nada serve, porque ninguém consegue mudar o seu carácter. Talvez não se possa fazer mais nada na vida que adaptar à realidade com inteligência e cautela essa outra realidade inalterável, o carácter pessoal. É a única coisa que podemos fazer. E mesmo assim, não seríamos mais sábios, nem mais protegidos... "

Sándor Márai, in "As Velas Ardem Até ao Fim"

Amêndoas.. para os dias menos doces:



(.. 11Abr’09)

sexta-feira, 10 de abril de 2009

Páscoa.

Natal, Pai-Natal, Ele nasce, oferecem-se prendas. Páscoa, coelhos, Ele morre, oferecem-se prendas; ovos, amêndoas etc e tal.
A final o que é isto? O que é a Páscoa? Páscoa!.. Quem não está ou fica confuso, com estas coisas? Mais tarde ou mais cedo alguém nos fará a pergunta e deveríamos todos saber responder.
É desta forma que penso - “maizómenos”, e sorrio ao voltar a reler este texto. No tempo e já passaram tantas primaveras em mim, é este o meu jeito de ser menino. Sou eu a crescer.
Com esta leitura, espero conseguir arrancar um bom sorriso a todos os que me lêem, desejando-vos uma Boa Páscoa.



- Pai, o que é a Páscoa?
- Ora, Páscoa é.... bem... é uma festa religiosa!

- Igual ao Natal?

- É parecido. Só que no Natal comemora-se o nascimento de Jesus, e na Páscoa, se não me engano, comemora-se a sua ressurreição.

- Ressurreição?

- É, ressurreição. Maria, vem cá!

- Sim?

- Explica a esta criança o que é ressurreição para eu poder ler o meu jornal descansado.

- Bom, meu filho, ressurreição é tornar a viver após ter morrido. Foi o que aconteceu com Jesus, três dias depois de ter sido crucificado. Ele ressuscitou e subiu aos céus. Entendido?

- Mais ou menos... Mãe, Jesus era um coelho?

- Que é isso menino? Não me diga uma coisa destas! Coelho! Jesus Cristo é o Pai do Céu! Nem parece que este menino foi baptizado! Jorge, este menino não pode crescer assim, sem ir à missa pelo menos aos domingos. Até parece que não lhe demos uma educação cristã! Já pensaste se ele diz uma asneira destas na escola? Deus me perdoe! Amanhã vou matricular esta criança na catequese!

- Mãe, mas o Pai do Céu não é Deus?

- É filho, Jesus e Deus são a mesma coisa. Vai estudar isso na catequese. É a Trindade: Deus é Pai, Filho e Espírito Santo.

- O Espírito Santo também é Deus?

- É sim.

- E Fátima?

- Sacrilégio!!!

- É por isso que na Trindade fica o Espírito Santo?

- Não é o Banco Espírito Santo que fica na Trindade, meu filho. É o Espírito Santo de Deus. É uma coisa muito complicada, nem a mãe entende muito bem, para falar a verdade nem ninguém, nem quem inventou esta asneira a compreende. Mas se perguntar à catecista ela explica muito bem!

- Bom, se Jesus não é um coelho, quem é o coelho da Páscoa?

- (gritando) Eu sei lá! É uma tradição. É igual ao Pai Natal, só que em vez de presentes, ele traz ovinhos.

- O coelho põe ovos?

- Chega! Deixa-me ir fazer o almoço que eu não aguento mais!

- Pai, não era melhor que fosse galinha da Páscoa?

- Era, era melhor, ou então peru.

- Pai, Jesus nasceu no dia 25 de Dezembro, não é? Que dia que ele morreu?

- Isso sei eu: na sexta-feira santa.

- Que dia e que mês?

- ??????? Sabes que eu nunca pensei nisso? Eu só aprendi que ele morreu na sexta-feira santa e ressuscitou três dias depois, no sábado de aleluia.

- Um dia depois, portanto!

- (gritando) Não, filho! Três dias!

- Então morreu na quarta-feira.

- Não! Morreu na sexta-feira santa. Ou terá sido na quarta-feira de cinzas? Ah, miúdo, já me confundiste! Morreu na sexta-feira e ressuscitou no sábado, três dias depois!

- Como!?!? Como!?!?

- Pergunte à sua professora da catequese!

- Pai, então porque amarraram um monte de bonecos de pano na rua?

- É que hoje é sábado de aleluia, e a aldeia vai fingir que vai bater em Judas. Judas foi o apóstolo que traiu Jesus.

- O Judas traiu Jesus no sábado?

- Claro que não! Se ele morreu na sexta!!!

- Então por que eles não lhe batem no dia certo?

- É ...... boa pergunta.

- Pai, qual era o sobrenome de Jesus?

- Cristo. Jesus Cristo.

- Só?

- Que eu saiba sim, porquê?

- Não sei não, mas tenho um palpite de que o nome dele tinha no apelido Coelho. Só assim esta coisa do coelho da Páscoa faz sentido, não acha?

- Coitada!

- Coitada de quem?

- Da tua professora da catequese!!!


(..10Abr’09)


(Este texto faz parte do meu baú, faz alguns anos.)

sexta-feira, 3 de abril de 2009

Perdidos.

O meu é tanto presente como sempre fiel, até nos pormenores, pequenos nadas..

Precisava de saber todos os dias, quem era eu para ti. Deixaste-me vezes demais sozinho. És muito exigente comigo, e nunca o suficiente com outros.
O medo é muito comum nas pessoas de grande sensibilidade. São estes, normalmente que, mais param na vida para reflectir as suas acções, até nas coisas que para os outros parecem simples. Quem não pára e faz tudo sem qualquer receio, mostra que a vida não tem qualquer significado.
Há pessoas que não conseguem perceber a pressão que exercem nos outros, tornando o que é simples e natural, em coisas desmesuradas.
Não é pelo facto de se dizer não que, a mesma pessoa sinta esse não. É só porque as coisas ultrapassam os limites do bom senso do próprio. Não entende. Porque é que as coisas de repente se tornam diferentes de dias anteriores. Isto não é crescer.
As pessoas que mais devagar andam na vida são as que mais longe chegam, normalmente são as mesmas que decidem as coisas com o mesmo vagar que absorvem o que lhes rodeia.
Cada pessoa tem a sua velocidade. Cada pessoa tem a sua maneira de enxergar. Cada pessoa realiza as coisas à sua maneira.
Não choro muito. Ou talvez só possa chorar um pouco por cada mulher e já esgotei a minha conta – deve ser isso. Mas, porque sentimos que o que sentimos não é lógico?
É emocional - temo. Acho que temos de tomar algumas decisões difíceis com base nas emoções. Estou tacanho a estímulos de rotina. Não sei o que sinto. E o que sinto não é bom. Pareço de novo perdido.
Sei, virá um momento em que saberei, e se for um "sim", toda a lógica desaparecerá com o passado.
Às vezes perguntam-me:
- És feliz?
- Bom!.. As relações nem sempre são sobre felicidade, certo?
- Com que frequência te sentes feliz na tua relação? Sentes-te feliz o dia todo? Quando foi a última vez que te sentiste feliz?

Não existe lógica para o amor. Encontrar essa coisa é uma carga de trabalho. Há pessoas que são felizes para sempre antes de decidirem que querem ser felizes até ao fim, oficializando o seu acto. Outros continuam perdidos em acções abstractas. Só estou perdido.

(..03Abr’09)


(Escrita em tempo real, 09 Mar 26)

quinta-feira, 2 de abril de 2009

Penitência (II)

Incongruências com o passado. Hoje, amanhã e sempre.

(continuação)

(gentes normais)
- Que parvoíce! Com esta idade e ainda tão inocente!
- Acorda para a vida, ó careta!
- Amor e uma cabana?
- Amor até ao fim e não para sempre?
- Ainda acreditas no dia em que as crianças viverão e concretizaram não os seus pesadelos vividos, mas sim os seus sonhos?
- No dia em que a vizinha não fechará os olhos aos maus-tratos familiares praticados pelo vizinho?
- Amizades honestas e sadias?
- Acorda! Acorda estúpido! Acorda para a vida!
- Entra na real!


É isto e mais. É o que gente lúcida e mais desperta do que eu, afirma de mim vezes sem fim.
Pensando bem, é patético! Para isso era preciso que me deixassem de chamar romântico, ou boa gente. Impossível! Um romântico ou gente boa como eu não se conforma. Morre teimoso. Não à remédio que me valha! Ainda não acredito que o mundo é uma selva, matar para não morrer.
Sonho com o dia em que pautaremos as nossas acções com respeito pelo próximo. Acredito que tememos pensar por nós próprios, acabando os nossos dias adaptando-nos ao ambiente que nos rodeia em vez de adaptarmos o ambiente a quem realmente somos.
Repito-me; acredito que acontece porque não nos conhecermos nem nos aceitamos. Passamos mais tempo a disfarçarmo-nos para iludir os outros que esquecemos quem somos e ao que viemos.

(gentes normais)
- Malucos estes românticos!
- Pensam que a vida é rosas e mais rosas!
- Mais, dizem que as pessoas trabalham e trabalham apenas para se manterem de pé.
- Acreditam piamente, "Que o dinheiro não é tudo na vida". Só ajuda! Só dá um empurrãozito.
- Que as mulheres ainda se conquistam com flores. Cartas de amor. Cavalheirismo e igualdade de necessidades e sentimentos.
- Jantares á luz de vela e beijos de fazer balançar as pernas.
- Que bom mesmo era no tempo dos nossos avós, sem televisão ou computadores.
- A jogar ao esconde, saltar à corda, jogar à macaca, ao pião, aos médicos, saltar ao eixo.. era mais saudável, divertido e social que qualquer programa hoje habitual.
- Que a amizade não se conta pelo hi5 e similares, mas por aqueles que nos ouvem quando não falamos. Que nos entendem pelos gestos involuntários. Que nos decifram o estado de espírito pelo olhar. Sabem sempre onde estamos e nos mimam quando tudo corre mal.
- Que estes são os que chamam amigos, amigas, irmãos, irmãs, amores, às vezes até batatas, trengos e trengas.
- São a quem confidenciam no ouvido.
- São os que dizem NÃO, quando todos dizem SIM.


Perniciosa venda que me torna romântico, honrado e leal. É, sei muito bem, é doloroso viver com ela bem junto da pele, mas admito, são esses os meus amigos, os que choram-se injustamente, trato-os por igual. Trato-os com cuidado, especial amor e respeito, calando até ao meu limite, as minhas diferenças.
Esta venda torna-me a vida mais difícil, não me deixa enviar desculpas por SMS (era mais simples), mas obriga-me a colocar o joelho no chão, ramo de flores na mão e beijo sentido.
Os tempos estão difíceis. A velhice engelha e cobre-me a pele. A venda molda-se cada vez mais à vista. É, o melhor é habituar-me e aceitar quem sou - apenas um pobre maldito e convencido, que nasceu em dia não e lhe chamam romântico trôpego. Falo em demasia, quando devia aceitar tudo. Não ter opinião. Aniquilar a identidade. No geral, quando me pedem uma opinião e ofereço diferente ao receptor, até mesmo diferente dos amigos (!), sou complicado, dizem.
Pelo menos devia aprender a emudecer até morrer, carregar a minha índole desajustada dos que vivem de feições reais que não a minha.


(.. 02Abr’09).

Penitência (I)

Incongruências com o passado. Hoje, amanhã e sempre.

Hoje cada vez mais, reconheço-me como sendo uma pessoa de coração na boca, difícil, e às vezes sinto-me irreconhecível, tomando como modelo as gentes.
Sou o que tenho, já disse. Digo tantas vezes para que seja cada vez mais verdadeiro, pelo menos persisto, aceitando que sou o que todos pensam que sou. Mas tenho mais defeitos: Mania da perfeição. Complicado ao ponto de ninguém me perceber. Exagerado ao ponto de ser insultado. Sincero ao ponto de magoar. Amigo do amigo ao ponto de amar até ao fim.
Aceito a vossa desilusão perante a minha cabeça, cada vez mais desarrumada, ou melhor, romântica maneira de ver as coisas da vida e das relações interpessoais.
É defeito de visão. Os meus olhos não são lúcidos e actuais quanto os vossos. Com efeito saiu-vos a sorte de nascerem sem este defeito. Os meus olhos transmitem-me nebulosas imagens que interpreta como suposta realidade. Finalmente foi-me diagnosticada a deficiência, vós sois normais, a anormalidade encontra-se em mim - admito.
Gente como vocês, são reconhecidos entre iguais, convivem e repartem aventuras, tratam-se com carinhosas alcunhas e simpáticos diminutivos. Cumprimentam com sorrisos da largura da cara. Confiam segredos interiores, abraçam como sinceros familiares. É delirante a afinidade que nos segundos, minutos, horas, e dias se dedicam com cumplicidade uns com os outros.
Como vos invejo! Que amizade! Que amor! Tenho a certeza que essas coisas adquiridas, por vós viverão para além da vida e dos tormentos de vós mesmos.
Como sois felizes! Comunicam com facilidade. Faz-me parecer sincero e tudo mais fácil.
Roio-me de inveja até ao tutano. A facilidade é tal que multiplicais amizades como matilhas animais. Olho e vejo tudo isto em quase todos vós, gentes.
Porque razão fui amaldiçoado com esta venda que me tapa a visão, identifica a deficiência e não vos reconhece como meus? Observo-vos diariamente. Ó como gostaria de vos imitar o andar altivo e confiante. A vossa culta, simpática e sedutora linguagem. A vossa cuidada e admirada aparência. A amizade transmitida no inicio e no final do dia, com o vosso jogo de mãos, olhos, abraços que se entrelaçam e beijos suaves que se deveriam fazer sentir pelo calor que provocam.
Que bom seria fazer parte da vossa matilha. Proferir com à vontade palavras que se trancam cá dentro, que recusam a exposição, não aceitam entregarem-se apenas como objecto de troca gratuita. Se assim não fosse, se não fossem palavras orgulhosas, se não se recusassem, passaria tal como vós a pronunciar até ao total desgaste palavras tais como; amigo, amizade, amor, lealdade, honestidade, seriedade, confiança, admiração, sim, não, etc e tal, e uma página mais de igual palavreado orgulhoso.
Ó como gostaria! Porque complico o que para vocês é tão fácil? Talvez, talvez não sofresse tanto!
Ó como gostaria! Talvez se não complicasse o que para vocês é tão fácil.
Maléfica venda que não vos deixa ver tais como afirmais ser!
Até compreendo que me olhem de soslaio. É, a minha venda torna-me extremista, idealista e romântico. Ôdase! Acredito que posso contribuir para mudar e ou melhorar o mundo. Acredito nas palavras honestas das gentes leais. Que é no esforço de cada um de nós que se encontra a felicidade de todos. Cresci com este sonho dia e noite desde que me recordo da minha infância.
(cont..)

(.. 02Abr’09).


(meu baú: Texto actualizado, escrito pela minha tinta em 2006.)