| Contradições | Realidades | Sonhos | Desilusões | Caprichos | Destino | Expectativas | Sentimentos | Frustrações | Desabafos | Contradições | Realidades | Sonhos | Desilusões | Caprichos | Destino | Expectativas | Sentimentos | Frustrações | Desabafos | Contradições | Realidades | Sonhos | Desilusões | Caprichos | Destino | Expectativas | Sentimentos | Frustrações | Desabafos | Contradições | Realidades | Sonhos | Desilusões | Caprichos | Destino | Expectativas | Sentimentos | Frustrações | Desabafos | Contradições | Realidades | Sonhos | Desilusões | Caprichos | Destino | Expectativas | Sentimentos | Frustrações | Desabafos | Contradições | Realidades | Sonhos | Desilusões | Caprichos | Destino | Expectativas |

segunda-feira, 29 de maio de 2006

Sou diferente. Amordaçado, não!

Amordaçado / Açaimado / Avassalado / Algemado / Agrilhoado / Acorrentado / Aprisionado / Abafado / Amansado / Contido / Calado / Coarctado / Coibido / Dominado / Domado / Debelado / Domesticado / Manietado / Reprimido / Refreado / Subjugado / Sujeitado / Prendido / Preso / Submetido / Vencido.

Falei à pouco com alguém que muito estimo. Pensava que seria agradável uma
pequena conversa, depois de um fds de silêncio. Sei, ela sabe que, nunca pudemos falar quando eu quero - sim e sempre, quando ela pode.
Não foi agradável. Em menos de dez minutos (tempo máximo da conversa), fui acusado de ser diferente. A minha opinião, por discordar em alguns pontos no momento, fez transparecer um fel que nunca tinha sentido nos meus ouvidos. O meu silêncio é sempre de dor e nunca positivo. São os silêncios possíveis! Sou assim! Se falo, é porque tenho opinião contrária. Se me calo, é porque me defendo no meu silêncio.
A raiva, nunca foi amor. Os ódios também não.

Lembrei-me de outrora uma amiga, que com outra sensibilidade, me dizia; os meus amigos dão-me sempre razão, e tu nunca! Estás sempre do contra!
Pois! Onde está a minha liberdade de opinião? Terei que concordar com tudo, para que o outro me diga coisas boas no ouvido? Terei que mentir para ser agradável? Agora sim, reconheço que só quando concordamos, somos entendidos como amigos ou outra coisa qualquer. MORDAÇAS?!... Nunca foi o meu género.
Muitos são capazes de o fazer e depois? Eu não sou assim, mesmo sentindo que posso perder algo da minha vida... Sei que perco. Muitos não sabem que no amor, ninguém tem que concordar se não é assim que pensa. Não se deixa de amar, porque se pensa de maneira diferente. Mentir? Para? Para que o outro se sinta bem?

Onde fico eu? É de mim que se trata em primeiro lugar. Só posso fazer alguém feliz se, eu me sentir bem comigo. Se não é assim que o outro pensa, lamento, mas não agrado com palavras doces o que não sinto. Falo sempre com o coração mesmo que ele não me deixe ser doce, ou que não me deixe ser manhoso. É como eu digo… é, TUDO OU NADA.

O amor não é aprendizagem, mas sim crescimento. Tudo o que é necessário da nossa parte não é conhecer os caminhos do amor, mas esquecer os caminhos da antipatia. No amor a primeira coisa a ter em conta: não é algo que se possa aprender. Se aprendermos, perdemos o verdadeiro sentido. Seremos uns “pseudo falsos amorosos” (a paixão, mente). É como aprender a mentir. O amor não se aprende, não pode, isso é falsear o amor. O amor é dado, sentido incondicionalmente, sem que o outro lhe mude seja o que for.
Alguns obstáculos do amor são: ciúmes, possessão, ligações, expectativas, desejos…
Quando isto tudo desaparecer, o amor não desaparece, o que desaparece é o EGO. O ego alimenta-se de coisas estranhas. Bens matériais, seguranças, falsas expectativas, ilusões… etc, e o que escrevi atrás.
Não é o amor que é ciumento. O ego é que se sente magoado. É o ego que se sente competitivo, numa luta constante. O ego é ambicioso e deseja mais do que os outros, deseja alguém especial. É o ego que começa a sentir-se ciumento, possessivo – o ego só existe com posses.
Quanto mais possuímos, mais o ego se fortalece, sem posses o ego não existe. O ego quer mais dinheiro, sem dinheiro não se escolhe, porque a cegueira do ego olha outras coisas. Sem nada disto, é sempre muito difícil a alguém dizer, eu sou eu.
Ciúme, possessão, ódio, raiva, violência; são mil e uma coisas, excepto amor. Está disfarçado de amor – porque estas coisas são tão feias que não podem existir sem uma máscara.
A paixão é quente. O amor é frio, não gelado mas frio. O ódio é quente. A paixão e a luxúria são quentes. O amor está no centro. É frio – nem quente nem gelado. É tranquilidade, calma, serenidade, silêncio.
A poesia e a paixão são mentiras – belas fachadas, mente-se, treina-se etc. Só o amor é verdadeiro e este, é livre.
Quando nos encontramos absolutamente felizes na nossa solidão – quando não precisamos do outro, quando o outro não surge como uma necessidade – então somos capazes de amar e é aqui que existe o maior discernimento nas palavras que dizemos ao outro. Não existe fel nas palavras. Não existe ódios.
Se o outro é uma necessidade, tu podes explorá-lo, manipulá-lo, dominá-lo, mas não podes amar. Por medo do futuro, tornamo-nos possessivos. Criamos uma prisão para rodear a pessoa que pensamos amar.Obrigamo-lo se necessário, a ser à nossa medida. Pior é constantemente dizer-lhe, que ele não concorda connosco, tentando-lhe modificar, ser o que não é.

Tenho dito muitas vezes. A carência é inimiga do amor.

Digo outras vezes e tantas eu já disse aqui. Os meus amigos não me apontam defeitos, mas são livres de me dizer no ouvido as palavras do seu coração. É nos momentos que tenho algum problema com a minha vida particular que, procuro os amigos para me ouvirem e eu ouvi-los.
A maioria quer que os amigos lhes digam as palavras que nós já as construímos dentro de nós. Esses, sim (pensamos e dizemos), são os nossos grandes amigos, os que nos entendem, esses sim, até na distância nos sentem. A maioria assim pensa. Lamento eu não ser assim.

Para mim é nos meus momentos difíceis que sinto as minhas verdadeiras amizades. Não é quem diz o que eu sei (se já sei, porque quero ouvir da boca dos outros? Masoquismo?), mas o que me dá luta para eu enxergar no caminho verdadeiro, mesmo que seja difícil ouvir as palavras, porque não eram aquelas que queríamos ouvir. No fundo e no tempo, eu reconheço, e sei sempre, quem num dia qualquer me disse algo com valor, que hoje não quis ouvir. Hoje recordo. Hoje lembro-me. Aprendemos todos os dias, e o sofrer é constante.

O amor não cria prisões. O amor traz liberdade, o amor dá liberdade. É desprendido. Só é possível se conhecermos uma, uma só qualidade completamente diferente de amor, não de necessidade, mas sim de partilha. O amor é partilha. Aprender a amar é aprender a desviar as coisas ruins, os verdadeiros obstáculos… como retirar as pedras, mesmo que seja uma a uma e demore o tempo que tiver que ser... o amor nasce simplesmente. Ele flúi, mas devem ser retiradas todas essas coisas que afasta o amor. Amor nasce, quando esquecermos os modos de antipatia.

A liberdade de conceder uma opinião, seja ela qual for, mostra a coragem de um carácter.
Assim sou, assim serei. Não aceito mordaças, mesmo a perder algo da minha vida.

Assim em dez minutos, fiquei a saber e a sentir, que o meu lugar não era mais necessário ali, só queria ouvir o que já estava em estaca em si. Ultimamente era assim, queria sempre ouvir-me dizer SIM. Assim, nunca posso ser quem sou! E eu sou assim.
No momento, cresce aquele diálogo de surdos que não leva a lado nenhum, todos tem razão, é o momento difícil de calar para se ser ouvido. Sempre pensei e sempre assim fiz! Vale mais calar e ser acusado de silêncios, do que ficar a dizer nada.
Rói-se a voz sem dizer nada. Grita-se, sem nada se entender, pior, nada se diz e tudo parece que foi dito. Magoa-se ao desbarato quando deixamos de falar. Acomodamo-nos em qualquer palavra dura é mais simples... lançar o fel e a defesa fica feita.
Deixei o telefone de fel pousar duramente e sabiamente, num lugar com fim.
Aprendi a afastar o que me desgasta, mesmo que padeça.

(.. 29Mai’06)

quinta-feira, 18 de maio de 2006

Comodismo e sonhos.

Um mundo igual a tantos outros.

O tempo e as parcas ambições de todos nós. A falta de atenção na leitura atenta de pequenos sinais no dia a dia. A falta de coragem em decisões sérias, quando estamos montados em condicionalismos de comodismo, faz-nos caminhar sempre na vida, deste e daquele, e de outro, e mais outro. E continuamos em insistir em encontrar mais outro. Viramos aqui, voltamos ali. Recuamos e poucas vezes avançamos. A vida é assim porque somos levados na maioria das vezes - apesar de não ser o nosso verdadeiro sonho que abunda todos os dias em nós, a repensamos o que nos pertence ou o que devemos fazer, em função dos que nos rodeiam. Somos condicionados pela cultura das sociedades que, nos impuseram as maiores palas de um mau burro.
E que dizer das vezes, da tentação de “começar de novo” ou de “mudar de vida” (que é tudo o que alguém imagina ao colorir, de rabisco em rabisco, o seu destino, quando não vai à procura de quem resgate a um mesmo lugar). É verdade que, logo que se olha para trás, se vê mais longe. Mas é, também, verdade que não há como crescer fazendo que o futuro seja lá atrás.
Raramente, fazemos a vida em função dos nossos sonhos ou das nossas emoções. Esses, o que conseguem, são raros e certamente os mais felizes, principalmente conseguem dominar os ímpetos dos bens materiais que todos nós, cada um à sua maneira, acham que é a maior segurança de uma vida. O conforto do bem-estar de uma vida, existe no aconchegar dos corpos, nos abraços do dia a dia, das palavras verdadeiras e calorosas que emanamos à nossa companhia.
Nada tem mais valor do que os sorrisos de uma família feliz, em que todos os seus membros oferecem os seus afectos em todos os momentos, mesmo que a televisão em casa, não seja de cores ou de última tecnologia. A casa não é bem um espaço. Nem um conjunto de recantos, de histórias ou de aconchegos. Nem, sequer, o nosso mundo. Mas, sendo assim, suponho que a maioria das pessoas tenha uma casa e... viva sem abrigo.

Reflexão:
O Sr. “X” tinha um sonho, ser feliz. Mas para ele isso implicaria deixar a mulher, os filhos e o trabalho que o consumia e lhe vincava a cara de rugas. Como o tempo não é de voltar atrás e a idade que ostenta já não está para grandes actos de coragem, resignadamente, deixou-se ficar assim, no lugar onde sempre esteve e com os mesmos sonhos desde menino. Acreditava no coração.
Morreu sem o amor que sempre acreditou que existia num lugar qualquer. Um melhor mundo existia e ele sentia, sempre sentiu. Sabia que num lugar qualquer por aí, havia uma flor que ele sempre quis cuidar. Resignou-se! Aceitou ser um humano de sentires de razões. Abdicou do coração, e viveu num mundo igual a tantos outros.

(.. 18Mai’06)

quarta-feira, 17 de maio de 2006

Olá! Como estás?

Todos nós nos consideramos capazes de sermos amigos de alguém e ficamos tristes ou revoltados com atitudes que os nossos supostos amigos têm para connosco em certos momentos. Reclamamos, com frequência, que nunca esperávamos que fulano ou sicrano não estivesse presente naquele momento tão importante para nós, ou que proferisse palavras ou comentários desagradáveis tidos connosco!
Costumo dizer, muitas vezes aos meus amigos - “Os meus amigos, não me vêem, defeitos”, a maioria não concorda comigo!
Muitos acham que são os amigos que nos devem dizer as verdades!!! Que verdades? Gostam de nós incondicionalmente, por sermos quem somos. Não quero amigos para me dizerem constantemente que tenho muitos erros, ou que sou um “bera”! Esses, dispenso. Quero um amigo para me abraçar nos dias de Sol e dias de chuva. Quero um amigo para me raiar felicidade e trazer-me palavras simples, as positivas.

Pois bem, olhando para dentro, bem dentro de nós, esta falha em sabermos ser amigo de alguém começa em cada um de nós.
Também nós tecemos comentários desagradáveis sobre pessoas que consideramos amigas, por vezes de forma leviana e precipitada. Depois desculpamo-nos, dizendo que.. “não foi com má ou essa intenção”! E então, o que tem esta declaração de abonatória?
Fomos inconvenientes, deixámos vir ao de cima o que há de pior em todos nós, gentes: a inveja, a maldade, a maledicência, a vulgaridade. Grave ainda é a facilidade com que identificamos, no outro, este lado negro, e a dificuldade que revelamos em reconhecer em nós esta perversidade, mesquinha, que corrói as relações de todos.

Após esta tomada de consciência, torna-se importante uma atitude… a necessidade de ter contenção na língua e no pensamento. Não deveríamos pensar nem dizer aos outros aquilo que não gostamos que eles pensassem ou dissessem de nós, ou daqueles que amamos, ou que pensamos que amamos, ou que pensamos que são amigos, ou que pensamos que somos amigos.
Sei! É fácil de escrever mas, difícil de cumprir.
Ser amigo é sermos capazes de estar ao lado de alguém de quem gostamos incondicionalmente de uma forma simples e tolerante. Nada de exageros! Nada de abusos! Nada de obrigações! Nada de pedidos de mudança de personalidade!
Todos nós fazemos e dizemos tolices ao longo da vida. Se formos amigos, devemos saber perdoar, mas sobretudo evitar comentar seja o que for que diga respeito à vida dos nossos amigos.
Nas costas dos outros, vimos as nossas (todos sabemos esta). Amigos que nos dizem que, aquele ou aquela, são isto ou aquilo… Vale a pena pensarmos no assunto a sério, “Afinal que amigo temos nós”? “Afinal quem é este amigo”?
Outros por vezes, desabafam-nos coisas de outros amigos que nem são os nossos amigos. Devemos perceber os sinais. Num outro dia e num outro momento qualquer, ele dirá de nós o mesmo, a outro amigo. Esse será sempre um sinal que define o carácter de alguém.

Amigos não têm que ser colas. A amizade não obriga a estarmos sempre presentes. A amizade tolera-se. Sabemos, seja qual for o amigo, ele estará sempre connosco.
A amizade não obriga a fazer mudanças para que o outro se sinta melhor. A amizade é incondicional, vale isso mesmo. Amizade é sermos quem somos e por isso gostamos de ser amigos de quem nos aceita do nosso jeito.
Amizade não é sexo. Amizade não é namorar. Amizade é sentirmos um abraço quando não estamos lá. Falamos com os amigos, porque é mais positivo do que falar com as paredes. Eles são o nosso poço das pedras. O verdadeiro amigo, carrega-nos as pedras.

“Nem sempre nos é possível, ajudarmos quem mais gostamos”.

Cada um tem a sua vida, forma de vida, velocidade, maneira de ser e seu jeito. Gosta-se ou não, mas nunca se obriga nem nunca se cobra. Os que podem dar dão, os que não podem, nem por isso são menos amigos.

As amizades não são poemas, deixa isso para os amores. Muitos são levados a misturar amizade por algum amor. Os piores, são os que acham que depois de um amor, tudo pode ser amizade. A amizade só vai existir depois de um amor, no tempo e, quando os dois perceberem que perderam tudo numa oportunidade de vida. Só depois deste discernimento sério, pode… pode acontecer uma boa amizade. Ainda penso que é difícil porque amadurecer o ciúme, não é para todas as gentes. Numa base de verdadeira amizade, acredito no crescimento de um amor.
Cultivar uma amizade, muitas vezes é só dizer de vez em vez…
Olá! Como estás?
Pensei em ti, neste momento.
Gostava de saber de ti...

(..17Mai'06)

domingo, 14 de maio de 2006

Sou um rio que todos os dias flúi.

Da Relação à Ligação.
“No momento em que você sente que já não está dependente de ninguém, uma profunda calma e um profundo silêncio instalam-se em si, um deixa-andar relaxado. Isto não significa que tenha deixado de amar. Pelo contrário, pela primeira vez você conhece uma nova qualidade, uma nova dimensão do amor – um amor que já não é biológico, um amor que está mais próximo da amizade do que qualquer outra relação. É por isso que não estou a usar a palavra amizade, porque esse “barco” (amizade) afundou muita gente.”

“Amor, Liberdade e Solidão, de Osho”.


Ainda não consigo chegar a este nível de abstracção. Talvez nem queira saber disso. Não me revejo amar uma mulher, sem amá-la biologicamente. Como sempre o disse e continuo a sentir nas minhas entranhas, não faço sexo sem amor. O meu corpo necessita de alimento, ar, horizontes, sexo, etc. continuo a amar a mulher que, amo também sexualmente. Outra coisa não sinto é-me impossível pensar de modo diferente.
O amor é um fenómeno paradoxal. Acredito! São precisos dois, inicialmente, e no final são precisos dois para existir como um. É o maior dos enigmas!
Já aqui disse, o amor, é dois em um. Melhor dizendo: 1+1=1. Esta a melhor fórmula enigmática de matemática, que eu aprendi, nascendo com ela, ainda hoje faz parte dos meus melhores sentires.
É motivo neste momento, falar de um filme que vi, já faz tempo; dois filmes em, um. “Antes de Amanhecer” e “Antes do Anoitecer” de, Richard Linklater.
Dou como conselho a visualização deste filme, para quem aprecia as coisas simples do amor, a sua linguagem, a sua simplicidade – Tudo ou nada.
Tenho alguma dificuldade em pensar, que o amor nos aparece duas ou mais vezes. Acho que a maioria nunca o sentiu - vive dos sentidos biológicos. Alguns, poucos, em qualquer tempo da sua vida, sentiram o amor, mas mesmo assim deste, a maioria deixa-o passar. Falta de coragens. Excessos de comportamentos normais, aprendizagens sociais. Outros, muito poucos, deixam o corpo na terra, subindo a sua alma, com o único amor que tiveram em toda a sua existência enquanto carne.
Eu acredito que o amor aparece a todos pelo menos uma vez na nossa vida. Aceitamos ou não. Podemos aceitá-lo nesse momento ou não, mesmo que ele nos apareça em momentos que não serão os melhores, porque não nos ensinaram a agarrar esse amor mas sim, bani-lo pela cultura que nos impuseram.
Mas… a tendência para se ser suicida no amor, tornou-se banal, quase universal. A educação, a família, os outros, e a nossa falta de sabermos ler os sinais, fazem-nos viver uma vida sem amor. O que não constitui uma forma de viver. E a razão, o motivo fundamental é que esquecemos a linguagem do amor. Não temos coragem suficiente para embarcar na aventura chamada amor. Temos muitos receios… Perdemos muito tempo em pensamentos de merda, tentando justificar com coisas banais, vulgares, claro a nós, que é tudo muito difícil. Muitos pensam: “deixa ver o que isto vai dar!” E o amor, o outro, vai, chora, e deixa-se ir no caminho que sabe que não é o seu. Esse, sabe que morre num lugar qualquer e subirá um dia com esse amor dentro do seu coração. É normal eu lembrar-me de outro filme que diz muito das vidas de muitas gentes: As Pontes de Madison County, extraordinário exemplo.
Por isso as gentes estão interessadas em sexo, porque o sexo não é arriscado. É momentâneo, não precisa de envolvimento. O amor é envolvimento, é compromisso, é trabalhoso. Não é momentâneo. Mal ganhe raízes pode ser para sempre. Pode ser um compromisso para toda a vida. O amor precisa de intimidade, e só quando tiver intimidade é que o outro se torna o espelho. Quando conhecemos sexualmente alguém, simplesmente não conhecemos nada do outro. De facto evitamos a alma do outro. Só usámos o corpo e fomos, desaparecemos… o outro usou o nosso corpo e, também se foi. Não chega a haver intimidade suficiente para revelarmos a face, o carácter de cada um.
Comigo é difícil, porque sou um rio que, todos os dias flúi.

Faço sexo num abraço com quem amo. Não me revejo de outra forma. Assim sou. Alguém teria de ser o que sou. Sou eu.


(..14Mai'06)

Amor provém de "cobiça"!

Amor.

"É com certeza, uma surpresa para muitos, saber que a palavra inglesa “love” provém do sânscrito “lobha” que significa, cobiça.
Poderá ser somente uma coincidência o facto de o inglês “love” ter a sua raiz a sua raiz numa palavra sânscrita que significa cobiça, mas acredito que não se trata de uma mera coincidência. Deve existir algo misterioso subjacente, deve existir um motivo alquímico por trás disso. De facto, a cobiça, quando purificada, digerida, torna-se amor. É a cobiça, “lobha”, que, quando bem assimilada, se torna amor.
Amor é partilhar, cobiça é arrecadar. A cobiça é avara e nunca oferece, o amor só conhece a dádiva e nunca espera retorno; é a partilha incondicional. Deve existir uma razão alquímica para que “lobha” se tenha tornado love no léxico inglês. Lobha torna-se amor no que diz respeito a processos alquímicos internos."


“Amor, Liberdade e Solidão, de Osho”.

(..14Mai'06)

quarta-feira, 10 de maio de 2006

"Amorzinho!"

Ainda bem que muitos têm a coragem de iniciar tudo de novo e repetidamente, quando acabam qualquer relacionamento, como se alguém lhes tivesse incutido esse dilema na sua alma e isso fosse a verdade da vida. Claro que é mais fácil iniciar tudo de novo, do que lutar por algo que se têm. Quiçá se não é melhor? Se foi bom num qualquer início, porque não o fazer acontecer de novo com outro início? Algumas gentes são assim, assim pensam e assim fazem no seu dia a dia, o seu modo de vida. Ainda ao iniciar de novo, podemos emendar todos os erros passados (seremos melhores? O carácter, nunca muda!) e porque não aventurar outras ilusões e/ou expectativas? Como fica a nossa consciência?

Faz-me lembrar a doutrina católica: “Ama os outros.”
Na verdade, devíamos amar-nos em primeiro lugar. Se o conseguirmos, usufruiremos de tanto amor que, passamos a partilhá-lo de coração aberto com os outros em verdade. Já aqui escrevi o que penso, de relações verdadeiras nas gentes que nos são familiares. A minha opinião é aqui conhecida. Proponho-me de novo a repetir-me, por ter encontrado alguém que eu desconhecia, partilha nos seus livros o mesmo pensamento que eu sempre senti.

“Ama-te a ti mesmo e observa – hoje, amanhã, sempre.” “Gautama, o Buda”

Amar-me primeiro sobre todas as coisas?! Infernal! Lindo! Não tenho palavras para tão generosa leitura que fiz dum livro que retive em conselho virtual.
Pensava que andava perdido neste tempo. Pensava que era desprovido de qualquer sentimento semelhante às gentes normais. Na realidade, o egoísmo é pleno de soluções felizes. Quem diria que eu acabado de nascer, já sentia este sentimento enraizado em mim? Assim nasci, assim me fiz homem.
O desejo não tem mistérios. O amor tem consciência. Mas, eu sempre disse isso! Ai?!... Por defeito de ensinamentos, a sociedade incute-nos erros de vocábulos. Os sentimentos, esses, sentimos. Chamamos amor ao desejo. Este amor, não é mais do que um impulso biológico: depende da nossa química e hormonas. Por esta razão, é MUTÀVEL. Mudamos o amor de tempo em tempo. A verdade absoluta, desaparece. Erramos, menos os fieis que lutam. Esqueceram-se o que já escrevi sobre o casamento? Pois! É para toda a vida. Tudo ou nada.

“O desejo surge do teu corpo, o amor da tua consciência.”

Este amor, o verdadeiro o que permite o contacto com a verdade só emerge na nossa consciência – não do nosso corpo. Como não nos amamos a nós, não conhecemos a nossa consciência, o equívoco continua – desejo físico é entendido por amor.
“Sócrates tem razão: quando se conhece o amor, conhece-se a verdade, porque ambos são dois nomes para uma mesma experiência. E se nunca conheceste a verdade, lembra-te de que nunca conheceste o amor.”
Pois! Quem diria? Ama-te, e só assim podes partilhar em pleno, a tua felicidade com mais alguém.
“O amor comum é exigente, o verdadeiro amor é partilha. Nada conhece da imposição; só a alegria da dádiva.”
Estou siderado com o que leio! Pensamentos que outrora pensava que só eu partilhava nos meus silêncios e que me atrofiavam os passos que ainda hoje sigo. Sempre quis entender (acreditar) que algo de errado me fez ser assim quando nasci - um homem, sensível e trocado com as gentes que eu dei amor.
Sempre disse que devíamos olhar com grande atenção a nossa companheira (não me venham com essas merdas, que as companheiras mudam-se, os filhos são para toda a vida! Irraaa). Essa sim, merece todo o nosso amor, logo depois de nós. Depois e só depois… os filhos entram na tomada da partilha do nosso amor. Por nos amarmos tanto, irradiamos a grandiosidade desse amor pelas pessoas que nos são próximas. Sem nos amarmos, nada fará sentido.
Neste momento leio o egoísmo! Interessante, sempre me senti egoísta! Pensei que era um grande mal (mais um) meu, mas… Por esta e por outras que dou tanto amor e não me ofende o que não recebo! Um dia pedi ao meu amor: “Deixa-me amar-te! Não me ames!”
No entanto… Quiçá, um dia escreverei sobre esse assunto, egoísmo, que nada tem a ver com outros que nos ensinam, enganando-nos como se nada sentíssemos, ou nunca tivéssemos olhos para ver, fazendo-nos crer que o branco é branco - eu que sempre gostei da minha cor azul do cabelo. Sabias que a palavra amor, provém do latim "lobha", que é o mesmo que cobiça? Sempre a aprender. Dizem uns! Opino, nem sempre entendo ou aceito, o que outros querem que eu aceite sem lutas, principalmente, sem sentires eu nunca aceitarei.
Deixo como partilha um extracto de “Amor, Liberdade e Solidão de Osho”.

… “O amor comum é um simples fingimento; há algo oculto por trás dele. O verdadeiro amor é um fenómeno totalmente diferente. O amor comum é exigente, o verdadeiro amor é partilha. Nada conhece de imposição; só a alegria da dádiva.
O amor comum vive de aparências. O verdadeiro amor é autêntico; simplesmente, é. O amor comum é quase doentio, adocicado, escorre, é o que chamamos “amorzinho”. É enjoativo, nauseante. O verdadeiro amor é alimento, fortalece a alma. O amor comum só alimenta o seu ego – não o seu verdadeiro eu, mas o seu eu ilusório. Lembra-te de que o irreal alimenta sempre o ilusório, mas o autentico alimenta o verdadeiro.
Dê, distribua o que tem, reparta e goze a partilha. Não o faça como se fosse um dever – senão toda a alegria desaparece. E não se sinta obsequioso em relação aos outros, nunca, nem por um momento. O amor nunca é constrangimento. Pelo contrário, quando alguém recebe o seu amor, tu sentes-te obsequiado. O amor é grato quando recebido.
O amor nunca espera ser recompensado ou mesmo agradecido. Se o agradecimento surge do outro lado, o amor surpreende-se sempre – é uma surpresa agradável, visto não ter expectativas.

Assim, o amor irreal traz consigo frustração e o verdadeiro amor satisfação.

Deverá ter em atenção todas as suas necessidades, mas não estar junto dele para satisfazer os seus desejos fictícios. Não satisfará nada que na realidade irá magoá-lo. Por exemplo, não irá alimentar o seu ego, ainda que o seu ego o exija – isto significa que está a envenenar o seu amado. Apreço significa que será capaz de perceber que esta não é uma necessidade real, mas do ego; e não irá satisfazê-la.
O amor conhece a compaixão, mas não a preocupação. Por vezes é difícil, porque por vezes é necessário ser-se duro. Por vezes é muito reservado. Se o distanciamento ajudar, afaste-se. Por vezes é muito frio; se for necessário ser frio, seja-o. Qualquer que seja a necessidade, o amor é atento – mas não preocupado. Não satisfará qualquer necessidade fantasiosa; não satisfará nenhuma ideia venenosa no outro.
Posso abdicar facilmente da palavra Deus – não há qualquer problema – mas não posso esquecer a palavra amor. Se tiver que escolher entre as duas palavras, escolho amor; esquecerei tudo sobre Deus, porque todos os que conhecem o amor estão destinados a conhecer Deus. Mas o inverso não acontece: os que teorizam acerca de Deus e filosofam acerca de Deus poderão nunca conhecer o amor – e, igualmente, não conhecerão Deus.”


Obrigado a quem me ofereceu um novo alento, para continuar a viver.

(..10Mai'06)

quarta-feira, 3 de maio de 2006

Histórias de sentires. (3)

(3 de 3) Aerograma para a minha Joana.

As mulheres vaidosas fazem-me tesão. Para mim, não há maior afrodisíaco que a feminidade de uma mulher. Penso em fugir. Um dia apeteceu-me fugir em ti. Fugir não é muito diferente de sofrer. Seria bom se um encontro pudesse ser adiado até ao desaparecimento, do momento em que levamos com os pés. Sobretudo se esse acontecimento fosse quando estivesse feliz. É difícil não ser-se influenciado pela vida. Nunca sei se sou ou se quero ser. Claro que tenho o coração ensanguentado…

...(06_05_03 ; 20:04)

É a única condição que me faz escrever do que me cerca. É preciso estar muito triste para descrever seja o que for. As gentes não são felizes, mas sofrem da ideia da felicidade. Com quê? Com quem? Quando serei feliz? Porque não já? Ninguém pergunta porquê. Às vezes sinto que sofremos todos ao mesmo tempo. Deve haver momentos iguais para todos como um universo de sentimentos ruins, onde se sente a saudade, angústia, desgraças que só nos lembramos nós.
Cada um tem o seu engano de estimação. O meu é o menos vulgar – seguir em frente, sem voltar atrás, sabendo que perco sempre. Sei, nunca me dão a mão, e eu sigo por qualquer caminho. Nunca senti o meu coração, propriamente meu. Gostava de não ter coração – que outra pessoa qualquer, que gostasse de mim o tivesse. Gostava que fosses tu a levá-lo, Joana. Nunca sei quando é a última vez que nos vemos. Confundes-me. Todos os dias temo a vida que sinto. Não era e nunca fui assim. Sou um homem mais medroso do que assim assim. Protejo-me do passado que esqueço todos os dias. Na rua as caras conhecidas enchem-me o coração. Caminho entre as gentes de cabeça erguida. Gosto de andar na rua e olhar as gentes. Também sonho. Sonhamos todos com uma orientação qualquer. É isso que nos mantém. É isto que nos mantém alegres. Acredito.

Nós queríamos ser felizes. Eu quero.

Eu gostava tanto de te amar, Joana! Quando te tomo nos meus pensamentos, vai a noite escura ao encontro das gentes e das árvores, para nos verem, e eu penso que a minha alma te pertence. Pudera eu, meu amor, ou lá o que és, que pudesse pertencer a alguém. Há alturas que não se deve estar acordado. E eu acordo de olhos fechados vezes de mais. O tempo passa devagar, cheio de dor nos olhos abertos. O amanhã já não é no outro dia, mas num tempo que já não consigo cuidar. Ontem, era já! Lembras-te? Quando o tempo pára, é preciso dar por ele. Parado, conseguimos sentir-nos. Fora do nosso controlo, é dor. Preocupo-me com as noites que durmo mal, nunca como outrora que nem dava pelo acordar, acordando quando tinha de acordar, e respirava nesse mesmo acordar. Que pena. Joana! Onde ficas? A única coisa que sei fazer é sentir. Sinto-te e sorrio sempre. Preciso que me ensines a enganar-me.
Preciso que me ensines a interromper. Deixa-me, sair aqui sozinho. Estou sozinho de mais. Quando é que não estive? Nas minhas estrelas não há noite nem amor. As minhas mãos estão vazias. Ocupa-as.

Vem depressa, cara bonita, antes que seja tarde.

...(06_05_05 ; 13:15)

O meu coração tem a lembrança curta e as minhas mãos só servem para te tocar, agora só tocar-me. Abriga-te, guarda-te, justifica-te no meu pequeno grande peito que outrora o cheiravas.
Esse, o tempo, vai mal para quem foge só por fugir – ajuda, quem desistiu de alguém por quem procurar.
É pela cidade que ando, mas quem é que me vê? Quem me pôs aqui a perguntar-te? Deixa o teu tempo de lado. Põe o teu amor de parte. Escreve de novo para mim! Olha! Ainda estou por aqui e não por aí.

Se alguém me tivesse levado a algum lado, eu outrora, tinha ido. De coração leve, sem avisar. Hoje como ontem, sabes que “pedreguei”, nunca fui. Sou infeliz de ser fiel na ruindade do meu tempo. Apetece-me ser levado na tempestade e ser arremessado em qualquer outro lugar que não este. Não durmo há tantos dias, acordando só para te olhar e repetir os teus nomes, os velhos e os que foram nascendo. Depois, ainda consigo juntar de leve, o meu e o teu nome e durmo sem nunca me deitar. Repito-me, Joana. Sorrio.
Se houvesse um amor abandonado à sorte, só Deus sabe a companhia que me faria, se eu deixasse. Quantas vezes ao certo eu te perdi, para as mesmas vezes enlouquecer de tanto te chamar? Quando quero viver, nunca estás. Tu dirás. Eu sinto.
Agora que a porta me fechaste, quem me abrirá sem eu de novo me perder? Se eu pudesse, era já, e esta dor desaparecia.

...(06_05_09 ; 16:04)

Mais um dia. Tudo, olhando deste lugar, correu mal, menos o amor. A vida é simples e muito fácil de a perder. Gostei de te abraçar.
Se alguém soubesse do que digo e do que quero, e aceitasse o que eu decidisse aceitar do pouco de mim que tenho para dar, então sim entregar-me-ia, a essa pessoa, e seria dela, com as letras e os cuidados que tiver, para sempre. As palavras não me pertencem mas, também não pertencem a ninguém.Eis a minha vida incompleta, acabada de começar. Suposições que ainda sou capaz de fazer. Se eu tivesse tempo. Um sítio. Jeito. Imaginação. Alguém. Maneira. Aí de ti, se eu tivesse outras maneiras! Vontade. Paciência. Contaria outra história, certamente não esta, mas outra que tivesse um final mais capaz de sofrer. O que tu suportas e vives como natura, eu nunca consigo.

Continua. Vive. Sinto o teu meu abraço em mim. Lembro. Vivo, viverei.

(.. 29Abr'06)

segunda-feira, 1 de maio de 2006

Histórias de sentires. (2)

(2 de 3) Aerograma para a minha Joana.

Tenho dificuldade em lidar com a paixão. Sinto sempre nos dias posteriores um amor desigual. A imbecilidade é minha. Está no meu brotar e não em ti.
O mal foi não pensar no que poderia acontecer se por milagre fizesses aquilo que te pedia que fizesses. O mal foi não ter esperado que me amasses tanto a mim como, eu desmedidamente te absorvi. Qualquer mal, nunca está só. Eu sim. Ainda mais só.
O meu amor não é capaz de ver. Têm defeito. É cego. Pior, é medroso. O meu amor foi feito para dar. Também, guardar segredo, sem tu saberes. Não foi feito para ser trocado. Ameaçado. Aterrorizado. Medido. Posto à prova. Um amor nunca se põe à prova. Não se brinca. Pensava que o meu amor estava protegido dessa felicidade. É um amor sozinho e grande. Não estava preparado para receber fosse o que fosse da tua parte. Nunca estarei habituado a receber se, não me fizerem sentir amado sem omissões. Ninguém gosta de sentir-se ameaçado no amor que sente, muito menos ser trocado por tanto dar-mos, sem conseguirmos dar o essencial. Umas vezes dá-se muito, que pode ser muito pouco para o outro. Outros dão pouco, seja algo, mas o outro o quer muito, porque nunca o teve, ou porque o quer em experiência.

Esta imaturidade é comum em muitas gentes. Têm o coração em rodopios, olhando para tudo e todos, mesmo que alguém sofra, a dor nunca é recíproca. Existem muitas gentes assim (devíamos viver sem as olhar), apesar da maioria destas, serem as mais belas merecedoras de um olhar, e merecermos os seus enganos por um dia as termos desejado. A estas gentes, só um dia quando a idade se notar, outra e qualquer gente irá penar, porque agora, já nada tem para dar.

Para ti Joana, estas palavras podem não ser extraordinárias, mas para mim, são.
Um dia torna-se difícil dizer “eu amo-te”, mas dizemos. Continuamos a dizer até um novo acordar. Sem contar com o deserto da minha alma eu sei o que sinto, e o que deixei de ver. Perco, afugentando as dores ruins.
Tenho saudades de ti Joana! Mas não me custa sofrê-las, comparado ao que sofria quando estavas comigo, deitada no meu ombro a sonhar os meus sonhos, agarrada a mim, o meu amor, o meu amor que de fogo me queimava, tanto era o meu amor por ti, e a certeza de perder-te. Perco, porque não fui capaz.
Digo tantas vezes, “não vou amar mais ninguém”! A fragilidade ceifa-me. Desde o princípio dos princípios que pergunto, como pudeste apaixonar-te por mim com tanta facilidade e tão pouco sofrimento? Por mim, que nada valho. Por mim que só sei dar pequenos nadas! Como é que eu acreditei num tal amor?
A culpa não foi tua. Tu és feita de mulher. Eu sou um homem, feito de assim assim. Ser homem é também saber que erro mais do que tu.
Fui levado a preocupar-me com os teus dias, a pôr-me a nu, escondendo o pouco que restava da minha solidão dentro de ti. Da solidão que era minha e de novo nasce em mim. Da solidão que se apaixonou por mim e não me larga, porque ninguém consegue amar-me mais e melhor. Nunca gostei da solidão, mas ela é nascida em mim.
Não te pedi nada, Joana. Não fui eu quem falou primeiro em ser feliz. Por isso, fomos felizes como te falei, até um dia os teus, os meus, sinais se esfumarem por aí.

“Quero fazer amor contigo, amor!” Dizes no princípio. Ensinei-te a fazer amor como eu sei e nada e tão pouco eu sei, “faço sexo com um abraço”, disse-te e aconteceu. Gostei. Gosto. Perdi. Perco sempre.

Chateia-me as vezes que se invoca o nome do amor em vão? Sou contra. Sempre fui contra. Como é possível em poucos dias alguém dizer que nos ama? A mim faz-me medo. Foi sempre esse medo que ainda hoje jaz em mim.
Não sei porquê, dou comigo quando já é tarde para negar, a dizer “amo-te”. Digo esta palavra nos meus silêncios tantas vezes, porque sei que o meu amor é desigual e, é nos meus silêncios que revolto a minha alma desigual, que quer viver, mas nunca encontra paz, no respeito e na confiança.
“Não faz mal…” digo eu. Um homem como eu assim assim, quando se sente abraçado, permite tudo. Lembro-me e hoje relembro em silêncio, o que outrora tantas vezes eu repetia: A carência é inimiga do amor. Pois.
Sempre te amei do meu jeito, e o meu jeito é o meu tudo. Tudo o que de bom posso oferecer e, é sempre tudo ou nada. Tudo ou nada. Sei que sabes Joana. Sei que sentes. Quando sofro, digo-te. Quando choro, digo-te. Se estou mal e necessito de um abraço, digo-te. Se me sinto só, digo-te. Se preciso de ti, digo-te. E tu, nunca estás. Não podes e eu não posso morrer assim.
Que mentiras posso eu dizer-te para ser um homem mais perfeito para ti?

Apetece-me ouvir a tua voz outra vez.

(.. 29Abr'06)

Histórias de sentires. (1)

(1 de 3) Aerograma para a minha Joana.

A verdade do teu verdadeiro sonho está enraizado dentro de ti, e esse, eu nunca o descobri, Joana. Não quero perguntar-me, porque não quis perceber ou saber.
É amargo, dói, mas reconheço que perdi o nosso caminhar, o nosso tudo.
Não sei onde falhei mas, agora também já não interessa nada, sinto, perco-te, e eu deixo que vás.
As tuas lágrimas refrescam-me. Lambi-te os cantos dos olhos, na última vez que me tiveste. Choraste, pensando em muitas coisas que dóiem, menos em mim. Dizer-te “não chores” funciona sempre, mas eu não o disse, porque apesar da tua dor, a dor não era por mim. Lambi-te as lágrimas, gostei.

“ As mulheres depois de chorarem, ficam com vontade de fazer amor.
… só um homem anormal não aproveita…”


Eu não aproveitei a foda, nem me aproveitei de ti. Sou um merdas, um merdoso. Sabes bem como fujo das coragens.
Esta última vez que nos tivemos, disseste com uma voz diferente já no final da tarde, ainda naquela cama: “Hoje gostei muito de te ter!”. “Ainda bem que ficaste bem, mas eu ainda não!” Disse-te eu. Sorrimos, e eu sorri ainda mais. Era um dia diferente, e gostamos muito de fazer a diferença.
Lembrei-me, lembro-me todos os dias, em qualquer momento e lugar, que seis ou sete horas do nosso sexo, no nosso abraço, o tempo não nos chega… Mas hoje, gostei de ouvir a tua voz “Hoje gostei muito de te ter!”. Sorri. Viste. Depois para a minha dor ser ainda maior, ouvi da tua boca ainda molhada, “Fiquei muito satisfeita!”. “Foste um querido! És sempre! Mas hoje estou consolada de tantos pequenos nadas que me ofereces!”. De vez em vez enquanto falavas e choravas, lembrava-te, calando-te com a minha boca, para que me olhasses.
Hoje, quer queira ou não, sei, sinto, que não sou talhado para te merecer.
Sou muito fácil de ser conquistado depois de bem olhado. Sou muito frágil. Tão frágil. Não gosto que me chamem um romântico fora de prazo, mas sei que sou frágil, com um coração de trapo.

Ainda estás presente, e já estou cheio de saudades, porque sinto que não estás em mim.
Os dias passam, como os meses e os anos se foram. É degradante sentir-me assim. Um de nós já caminha noutra direcção qualquer e eu como dono do meu escrevinhar, sei que não sou eu. Encontraste um novo alento por ali. É justo! Eu não fui capaz.
Levei muito tempo a acreditar que podia ser o teu melhor, mais tempo ainda para perceber que os ex-namorados não eram assim tão ex como eu queria acreditar. Uns são claramente recentes ou actuais, outros ocasionais, ou regulares. Até à presumíveis, duvidosos, futuros e potenciais.
Sabe Deus o que me custa esquecer, fingir, ignorar, que tu existes mas, e porque não dizer-te neste momento, estima os melhores!

Eram incríveis os sinais, e eu nunca quis saber deles. Dizem que não devemos saber de nada do nosso amor (já escrevi que não penso assim). Olhar os sinais de uma vida passada é bom para melhor edificação dos nossos sonhos, das nossas relacções ainda em expectativas.
O que fui sabendo e sentindo, começou a dar cabo de tudo e de mim. Quis saber coisas de ti. Estupidamente, pensei que pudesse saber tantas outras coisas para ultrapassar os meus medos, as minhas merdas… Tantos dias sonhei. Partilhei-te outras tantas vezes, "vamos ser felizes".
Dói muito saber que não gostam de nós, ou que o empenho é desigual.
Ninguém é culpado, muito menos tu. Os meus silêncios tropeçam-me nos sonhos ainda por nascer… Falhei não querendo saber dos sinais. Troquei-te num dia, por meia dúzia de amigas que sonhava, enquanto elas brincavam às escolhas. Olhei-te! Gostei do que vi e do que senti.

Qualquer relação só cresce e é forte se coexistir, confiança e respeito um pelo outro. Não consegues o respeito porque a tua medida é desigual. Eu não confio pelo mesmo critério. Ainda bem que não te mudei em nada, e tu continuas a ser a mulher fantástica que conheci num dia que passou cheio de azul.
A confiança que perco é a tua razão de vida. Está em ti, faz parte de ti. És assim. Eu sou assim. Não mudo para ser homem, não mudes para eu te ter.

… “As mulheres são todas diferentes.
Quando se perde uma mulher, é uma vida… ... Mas são as mulheres que acabam por ter razão.” …


Uma vez disse-te: Tens uns olhos muito bonitos, mas não consigo olhar para eles durante muito tempo. São olhos de olhar, não são olhos de ver. Num outro momento, achei que tinhas olhos da cor de mar sujo. Não percebeste, não te lembras. Que coisas sinto que não entendes? Que coisas olho que não são? Verás em mim o que eu vejo em ti? Desses momentos, pergunto… Que faço eu aqui?

Hoje lembrei-me de escrever estas merdas. Sorrio. Podia ser ontem ou já faz tempo, e porque não amanhã? Queria simplesmente dizer-te que perdoei tudo hoje, desde que te olhei na primeira vez.
O meu verdadeiro trabalho, emprego que me ocupava o dia inteiro, eras tu. Eu cansava-me tanto e gosto tanto do que faço, que normalmente também passei a ser algum do teu trabalho. Será isto que chamam de amor? É a confiança no pior sentido, sei, mas é pouco nos grandes amores.

Gostava de te ver, sentir, envelhecer junto de ti em mim, como tantas vezes partilhei-te esses meus sentires. Queria a vida inteira, por um antigo beijo teu. Aí…! Pudesse eu, matar as pessoas no meio de nós e o mundo ser só nosso! Mas, para que quero eu qualquer coisa que não possa partilhar em confiança com as outras gentes, se vivo de partilhas?

Foi tão pouco, o bom!

(.. 29Abr'06)