Falei à pouco com alguém que muito estimo. Pensava que seria agradável uma pequena conversa, depois de um fds de silêncio. Sei, ela sabe que, nunca pudemos falar quando eu quero - sim e sempre, quando ela pode.
A raiva, nunca foi amor. Os ódios também não.
Lembrei-me de outrora uma amiga, que com outra sensibilidade, me dizia; os meus amigos dão-me sempre razão, e tu nunca! Estás sempre do contra!
Onde fico eu? É de mim que se trata em primeiro lugar. Só posso fazer alguém feliz se, eu me sentir bem comigo. Se não é assim que o outro pensa, lamento, mas não agrado com palavras doces o que não sinto. Falo sempre com o coração mesmo que ele não me deixe ser doce, ou que não me deixe ser manhoso. É como eu digo… é, TUDO OU NADA.
O amor não é aprendizagem, mas sim crescimento. Tudo o que é necessário da nossa parte não é conhecer os caminhos do amor, mas esquecer os caminhos da antipatia. No amor a primeira coisa a ter em conta: não é algo que se possa aprender. Se aprendermos, perdemos o verdadeiro sentido. Seremos uns “pseudo falsos amorosos” (a paixão, mente). É como aprender a mentir. O amor não se aprende, não pode, isso é falsear o amor. O amor é dado, sentido incondicionalmente, sem que o outro lhe mude seja o que for.
Alguns obstáculos do amor são: ciúmes, possessão, ligações, expectativas, desejos…
Não é o amor que é ciumento. O ego é que se sente magoado. É o ego que se sente competitivo, numa luta constante. O ego é ambicioso e deseja mais do que os outros, deseja alguém especial. É o ego que começa a sentir-se ciumento, possessivo – o ego só existe com posses.
Quanto mais possuímos, mais o ego se fortalece, sem posses o ego não existe. O ego quer mais dinheiro, sem dinheiro não se escolhe, porque a cegueira do ego olha outras coisas. Sem nada disto, é sempre muito difícil a alguém dizer, eu sou eu.
Ciúme, possessão, ódio, raiva, violência; são mil e uma coisas, excepto amor. Está disfarçado de amor – porque estas coisas são tão feias que não podem existir sem uma máscara.
A paixão é quente. O amor é frio, não gelado mas frio. O ódio é quente. A paixão e a luxúria são quentes. O amor está no centro. É frio – nem quente nem gelado. É tranquilidade, calma, serenidade, silêncio.
A poesia e a paixão são mentiras – belas fachadas, mente-se, treina-se etc. Só o amor é verdadeiro e este, é livre.
Quando nos encontramos absolutamente felizes na nossa solidão – quando não precisamos do outro, quando o outro não surge como uma necessidade – então somos capazes de amar e é aqui que existe o maior discernimento nas palavras que dizemos ao outro. Não existe fel nas palavras. Não existe ódios.
Se o outro é uma necessidade, tu podes explorá-lo, manipulá-lo, dominá-lo, mas não podes amar. Por medo do futuro, tornamo-nos possessivos. Criamos uma prisão para rodear a pessoa que pensamos amar.Obrigamo-lo se necessário, a ser à nossa medida. Pior é constantemente dizer-lhe, que ele não concorda connosco, tentando-lhe modificar, ser o que não é.
Tenho dito muitas vezes. A carência é inimiga do amor.
Digo outras vezes e tantas eu já disse aqui. Os meus amigos não me apontam defeitos, mas são livres de me dizer no ouvido as palavras do seu coração. É nos momentos que tenho algum problema com a minha vida particular que, procuro os amigos para me ouvirem e eu ouvi-los.
A maioria quer que os amigos lhes digam as palavras que nós já as construímos dentro de nós. Esses, sim (pensamos e dizemos), são os nossos grandes amigos, os que nos entendem, esses sim, até na distância nos sentem. A maioria assim pensa. Lamento eu não ser assim.
Para mim é nos meus momentos difíceis que sinto as minhas verdadeiras amizades. Não é quem diz o que eu sei (se já sei, porque quero ouvir da boca dos outros? Masoquismo?), mas o que me dá luta para eu enxergar no caminho verdadeiro, mesmo que seja difícil ouvir as palavras, porque não eram aquelas que queríamos ouvir. No fundo e no tempo, eu reconheço, e sei sempre, quem num dia qualquer me disse algo com valor, que hoje não quis ouvir. Hoje recordo. Hoje lembro-me. Aprendemos todos os dias, e o sofrer é constante.
O amor não cria prisões. O amor traz liberdade, o amor dá liberdade. É desprendido. Só é possível se conhecermos uma, uma só qualidade completamente diferente de amor, não de necessidade, mas sim de partilha. O amor é partilha. Aprender a amar é aprender a desviar as coisas ruins, os verdadeiros obstáculos… como retirar as pedras, mesmo que seja uma a uma e demore o tempo que tiver que ser... o amor nasce simplesmente. Ele flúi, mas devem ser retiradas todas essas coisas que afasta o amor. Amor nasce, quando esquecermos os modos de antipatia.
A liberdade de conceder uma opinião, seja ela qual for, mostra a coragem de um carácter.
Assim sou, assim serei. Não aceito mordaças, mesmo a perder algo da minha vida.
Assim em dez minutos, fiquei a saber e a sentir, que o meu lugar não era mais necessário ali, só queria ouvir o que já estava em estaca em si. Ultimamente era assim, queria sempre ouvir-me dizer SIM. Assim, nunca posso ser quem sou! E eu sou assim.
(.. 29Mai’06)
