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quarta-feira, 29 de novembro de 2006

Um perfume.

Um perfume que sinto sublime, mas que nunca me perfumou.
Escrever amizades no tempo não é fácil. Perfumar num lugar qualquer e saber que sonhámos com quem um dia partilhou um momento nostálgico, quiçá, um momento bom, ainda é tarefa mais difícil.
Contarei a minha e a história dela, quando um dia me encontrou.
Vou chamá-la de: "Femme de Montblanc".
Escutai, sabeis que eu nunca me repito e nunca volto ao dia anterior.
As mulheres em geral, desfazem-me em pedaços, tal que hoje mais do que nunca, sei, sou um bom coleccionador de pés. Amo as mulheres! Amo tanto que até dói! Na verdade umas amo de gostar
, outras, simplesmente, amo de amar.
Esta "minha" "Femme de Montblanc", perdi-me com ela, faz anos, muitos. Ela nunca se perdeu comigo. É uma miúda fantástica, persistente, gosta de me dar “baile”, como se eu fosse um homem velho, que já deixei de ser o outro homem, aquele que nunca gostei de ser. Ela sabe, eu continuo a ser aquele que ela tem exactamente medo de um simples olhar lá do lugar dela, Guarda.
"Femme de Montblanc", é amiga, e eu sou um homem de sorte de a ter encontrado no local que nos conhecemos. E que local (rs)..
Lembro-me, foi uma noite giríssima. Tinha ela vinte e quatro anos… Que saudoso tempo!... Perfume perfumado na noite que pensei que ia crescer outra vez mais. Tenho saudades deste tempo. Era outro. Sofria menos.

2 (06_12_09)
Gosto de me lembrar deste encontro que nunca prometeu nada, a não serem palavras, bons momentos e uns sorrisos confortáveis. Hoje, no tempo, revejo, esta amiga… Cat, e sorrio. Que coisa poderia eu mais fazer? Faz-me sentir um irmão mais velho, coisa rara. Eu tenho medo dela e sinto que ela tem medo de mim.
Os anos amordaçam-lhe o querer, a vontade, quiçá, os sonhos, não o que ela sonha - tem sonhos próprios, mas quisera eu um dia, que ela sonhasse também os meus sonhos junto dos sonhos dela. Rio-me, que outra coisa posso eu não fazer? Ela chama-me tantos nomes. E eu rio-me tanto com ela por ela me chamar aqueles nomes imensos.
É atrevida, chama-me “kota”! Gosto! Só ela me escreve esse nome porque tem medo de mim, e eu gosto. Acha que eu já perdi o equilíbrio, a força, a vontade, quero eu dizer - irra, pensa ela, perdi as vontades do sexo, as vontades de amar, como a vontade que ela acha que eu devia ter com a idade dela.
Sorrio, um dia escrevi aqui para outra amiga que, a idade não existe em nós mas sim, na vontade que cada um de nós tem em dar. Oferecer ao outro o que amamos de querer de amor. E quando se ama, tudo acontece. De outro modo não sei pensar, não quero preconizar.
Sorrio, gosto de lhe sorrir. Gosto de sentir a miúda a olhar-me. Penso sempre na possibilidade do que elas pensam – já deu o que tinha a dar, escolhe outra, e sorrio.
De novo sorrio, lembrei-me, que sempre lhe disse nas nossas longas conversas de palavras - queria, quero, outros filhos, nascidos por mim, em mim e para mim, mesmo que uma mulher queira viver comigo, num lugar onde uma família pode continuar a viver e a amar. Tenho vontade de lhe dizer coisas, muitas coisas, não para a possuir, mas para que saiba – eu disse-lhe tantas vezes - um dia estarei no lugar que sonho – um rio fluindo. Na sua margem, quatro paredes. Entre as duas, as crianças brincam felizes com os mais animais, revoltando as verdes que plantámos não só para olharmos.

… voltarei. (tinta sem fim)


(.. 29Nov'06)

segunda-feira, 20 de novembro de 2006

Estou bem onde estou.

Na verdade só estou bem onde estou e não aceito hoje, aqui e agora, a cantiga “só estou bem onde não estou”. Parece que, de repente, o canto do António virou a cantiga “da verdade”, e que em cada esquina, corre a inquietação da procura de um lugar alternativo em que ainda por cima não se acredita que melhore o que quer que seja.
No meu tempo, por muitas razões que agora não quero recordar, acho que se acreditava que havia lugares em que não só se estava bem mas, permanecia-se num qualquer limbo de êxtase. Era uma ideia de solução definitiva, ao gosto do meu tempo e feito na medida de nós próprios, era assim que queríamos que tudo fosse. Os sonhos, estavam ali.
Lembro-me - quero lembrar-me agora, a maioria das pessoas alinhava nessa ideia de que o lugar perfeito é sempre outro, diferente daquele que nos é acessível.
Revoltávamo-nos, mas passava. Zangávamo-nos, mas era de curta duração. Acomodávamo-nos, mas não contava para nenhuma contabilidade. Lembro-me das bastas interrogações que eu e os meus amigos fazíamos - “quem sou”, “de onde venho e para onde vou”, mas desvanecia-se nas borbulhas da minha, nossa adolescência e nos primeiros amores inflamados.
Lembro-me de tudo, quero que assim sejam as minhas lembranças de moço, mesmo que perdido por um qualquer lado ou por uma qualquer razão, houve sempre demasiada gente a suspirar pelo paraíso perdido, pela relação perfeita, pelo estatuto que se colasse à pele, pela fortuna que trouxesse fama e glória.
Mas sabem como é: o tempo é sempre traiçoeiro e a memória organiza-se como pode, arranjando o passado em função do presente, para haver um antes diferente do agora.
Neste agora, quase parece mal dizer que não se quer ir a lado algum, mais agora do que ontem, a maioria nestes das gentes dos espaços virtuais, gosta e diz alto e em bom som (mentira, se disse-se que gostam de dizer), que não querem nada – são felizes, felizardos! As gentes que aqui vêm já têm tudo! O dia que corre, corre simplesmente, flúi, transforma-se num lugar, que nos faz chegar aqui, um altar que no final do tempo, qualquer tempo, tornar-se vulgar e para mim este lugar não é nem nunca foi um lugar vulgar. Vim parar aqui porque, quis e quero. O que tenho, adicionarei aos amigos que sempre fiz em espaços semelhantes.
A cantiga que hoje faz furor, a do António, irrita-me!
Em cada esquina corre a inquietação da procura de um lugar alternativo em que, ainda por cima, não se acredita que melhore o que quer que seja. Virámos “todos” para o individualismo e hedonistas, ou então é o cansaço dos dias iguais que nos fazem suspirar e queixar, sem conforto do sonho, nem o recurso ao imaginário…
Aprendi desde cedo… Há um único tempo que faz a diferença: o do aqui e agora. Pena é que a maioria confunde vezes demais o, “aqui e agora”. Nunca entendi a razão mas, continuamos a fazer enormes confusões, sinto-o – gosto de dizer que, o meu dia foi fantástico, mesmo que um não o tenha sido tão bom, geralmente é fantástico.
Tenho para mim que a maioria das gentes, faz julgamentos dos outros na medida que julga as suas necessidades. Tenho para mim que, a maioria, refaz o que aprendeu, segundo as suas conveniências. Tenho para mim, que “mudamos” vezes demais – para pior, segundo as nossas vinganças, segundo as nossas tristezas, segundo as nossas cegueiras. Tenho para mim que nunca paga quem nos fez mal e isso sim, quem num momento qualquer, atravessou o nosso caminho no momento errado, isso sim, pagamos sem saber que mal foi executado ou que males nós merecemos. Somos assim, e as desculpas são sempre – na maioria dos casos, injustificadas, assim somos, pedintes de afectos que não merecemos, porque não alimentamos convenientemente os sentires de outrora – os que nasceram em bondade e saúde no nosso berço.
Mudámos para pior, porque as conveniências servem-nos à mesa da fome do “aqui e agora”.
Sempre acreditei no tempo. Até hoje não tenho qualquer razão para ter dúvidas. O tempo foi e quero que seja, sempre meu amigo. É no tempo que vejo o melhor carácter dos que escolho para meus amigos.
Morro com a malícia negativa, brejeirice sem lógica, a cusquice, a intriga, a mentira, as omissões e outras coisas que me afectem os sentires e que afectem os sentires de alguém que estimo muito! Uma vida a seleccionarmos o que aprendemos, ainda por cima, contra nós, e acabamos a entrar no coro do “só estou bem onde não estou”...


... como se alguém de bonito fosse um destino seguro e com sentido.

(.. 20Nov'06)