Como explicou Freud os ansiosos crónicos como eu que tem medo do medo ficam sem ansiedade quando deparam com um verdadeiro perigo. Eu sei que é assim. Tenho medo de tudo principalmente das coisas que não faço nada para as ter. Merecer já é outra coisa. Mereço algumas, mas nada de atropelos, tão pouco que me desejem o mal. Isso não desejo a ninguém. Prometo coisas simples. Nada de milhões e de felicidades a rodos. Prometo uma refeição, nada demais. Um bom bacalhau cozido, isso sim. Tenho fogão e euros para adquirir o alimento. Os vícios, esses, vou perdendo aqui e ali. Devagar para não doer muito. Os beijos não prometo. Toco com os meus lábios nos momentos de desejo. Nunca de consolação. As promessas de amor cumprem-se muito dificilmente - penso.
O tempo agora é de chuva e prefiro que ao cair, a lembrança seja exequível, só assim existe razão para a chuva cair. Que caia por uma boa razão e as lembranças são uma delas. Às vezes as coisas que deviam ser agradáveis são um tormento. E ninguém quer que seja assim. Ninguém faz para que os tormentos sejam enormes. Só que não conseguimos fazer melhor as coisas que alguém quer muito. As coisas todas têm o seu próprio ritmo e nós também. Isso não quer dizer que não queiramos faze-las, só que muito das coisas que outros querem de nós, ainda não estão ajustadas ao encontro das nossas coisas. Cada um tem nas necessidades a sua velocidade e expectativas. É como dizer; ter tudo não significa necessariamente ter tudo de uma só vez.
O tédio absorve-me. A raiva atiça-me. Que fazer? Deformar-me tem as suas dificuldades. Não é fácil. E não é para todos. Cada pessoa tem a sua maneira de ser, viver, respirar, amar. É um direito. Sou um “fala-barato” de boca aberta e por isso pago no dia a dia. Não minto, tanto quanto me é possível dominar as palavras que cresceram comigo e valem o que valem, hoje.
O tédio absorve-me. A raiva atiça-me. Que fazer? Deformar-me tem as suas dificuldades. Não é fácil. E não é para todos. Cada pessoa tem a sua maneira de ser, viver, respirar, amar. É um direito. Sou um “fala-barato” de boca aberta e por isso pago no dia a dia. Não minto, tanto quanto me é possível dominar as palavras que cresceram comigo e valem o que valem, hoje.
Abro a boca toda às coisas que me estão a fervilhar no coração, essa é que é essa. Não vale a pena mentir porque o mundo é inclemente. Sei que é difícil de me entenderem. De momento nem me encontro, desisti. Fico melhor comigo. Nem espero que gostem. Mesmo os que gostam, não me vão olhar no final dos meus dias. É que eu admiro tanto o silêncio profundo das coisas. A distância é só um pequeno silêncio, a distância causa o silêncio - digo eu.
O que mais me aflige é não saber para onde foi todo o tempo que já me passou e que de momento o encontro resumido a um breve instante. Tudo isto me está a escapar entre soluços. A caixa onde guardava as coisas do tempo, devem estar perdidas para no último dia as encontrar. Talvez seja a tal luz que todos falam que vemos – dizem, no último suspiro, antes de irmos.
Quando já não há sentido já nada há que se entenda e de nada vale a pena tentar compreender o que é ou foi incompreensível. Os valores invertidos a partir de certa idade, reconhecem-se logo, por isso nos afastamos ou partimos. Essas coisas devem ser para os outros, nós só queremos descanso e ter alguém que nos abrace muito sem pedir o mundo que sabemos que não nos pertence.
O que mais me aflige é não saber para onde foi todo o tempo que já me passou e que de momento o encontro resumido a um breve instante. Tudo isto me está a escapar entre soluços. A caixa onde guardava as coisas do tempo, devem estar perdidas para no último dia as encontrar. Talvez seja a tal luz que todos falam que vemos – dizem, no último suspiro, antes de irmos.
Quando já não há sentido já nada há que se entenda e de nada vale a pena tentar compreender o que é ou foi incompreensível. Os valores invertidos a partir de certa idade, reconhecem-se logo, por isso nos afastamos ou partimos. Essas coisas devem ser para os outros, nós só queremos descanso e ter alguém que nos abrace muito sem pedir o mundo que sabemos que não nos pertence.
São muitas frentes e, soluções, uma mão cheia de nada..
A coragem não existe.. não existe. É só um vocábulo..
Talvez goste de viver o que vivo. Talvez goste do meu destino que tende a desmoronar-se. Devo ser muito ansioso, querer muito e ninguém a desejar.
(..24Set’08) (2)
(..24Set’08) (2)
