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terça-feira, 29 de julho de 2008

Não sei nada! Que pena.

Há coisas perigosas. Claro que já estive muito perto das mais perigosas que, na altura nem sabia. Recuei! Fugi! Sei lá! Acabo sempre por ter de fingir um pouco ou muito, conforme o que acho dos perigos, grandes ou pequenos. Reconheço que das gentes fujo, por isso padeço de alguma coisa, talvez seja doente! Tolo, quiçá! Algumas das gentes já não estão comigo - lembro. Mas sou assim e não sei se deva mudar. Por ora, sinto-me bem, ainda que de momento, deformar-me com os dias seja real.
Às vezes lembro-me das coisas que perdi. Mais das pessoas. Falo de coisas, as que são o nosso perigo real. Um dia percebermos que não eram perigosas - tarde. Outras, são e continuam a ser um tormento.
Falo muito de mim. Estranho é os outros nunca falarem de si. Falo em demasia. Quem não me conhece fica em pouco tempo a saber quase tudo de mim. Depois, foge ou fica. Na maior parte dos casos, ficam. É pena, fica quem "não devia". Talvez se falasse menos as que eu queria por perto ficassem mais tempo, talvez - digo eu. Sempre fui assim. Nunca sei o que me une às muitas conversas que tenho, ora falando de mim para mim, ora falando das coisas que penso saber (é que alguns acham que eu tenho manias). Não importa! A final até não sei nada. Que pena!
A maioria, gosta. Há as que se zangam muito. E as que não percebem nada das palavras. Talvez quando me sinto muito falador, sinta uma leve esperança de que a pessoa que me ouve ou finge que o faz, me leve ao caminho da esperança e me tire do desalento, ou me cubra de palavras sem que eu fique curioso para não doer tanto qualquer partida – penso eu.
Quando falo, quase quero agarrar o brilho dos olhos de quem me ouve. Até pode ser outra coisa, igual, ou sem sentido algum. O querer agarrar muito, por vezes, cria laços – é um mal meu. É que cá para mim, o tempo descobre o amor, amor desigual, aquele do primeiro dia. O tempo é danado para descobrir coisas que o coração se recusa a ver num certo momento - o primeiro. Mas a impressibilidade é que é a coisa perigosa. Quer dizer, aquela coisa dos “cliques” entre duas pessoas é que é imprevisível. Por isso não se consegue ver o perigo ou os perigos que essa coisa nos esconde. A juntar, a nossa fragilidade corrói os olhos! Poizé! Assim é tudo "mais pior".
De uma maneira ou de outra a nossa tristeza (minha), está sempre presente, eu é que finjo muito bem para que elas, as mulheres muito bonitas, não a vejam, pelo menos no primeiro dia. É que depois de passar alguns dias no meio dos abraços e beijos fugidios ou roubados, a tristeza (a minha), já não se vê, deixamos de olhar o essencial para olharmos outras coisas que passam a principais. É assim que os tais “cliques” que tantos nos apregoam, se fazem mais importantes do que deviam ser.
Há coisas a mais em nossa volta. Essa é que é essa! Pervertem-nos muito. Se fosse possível andar-mos todos nus, num deserto, sem qualquer árvore, sem qualquer nada, admirávamos as gentes sem qualquer distracção! Aí sim! Obtinha um olhar simples de uma vez por todas do azul tamanho do céu que Deus me oferece todos os dias. À poizé!
Erraria menos, quiçá! Hoje estaria a viver uma vida sem lamentos, sem subestimar qualquer espécie.
Os olhos, os meus, que reluzem da luz que resplandeces quando te vêem, seriam sempre o que tu anseias de verdade por mim, saindo tudo de ti para que não tenhamos que de novo partir para um outro lugar sem qualquer rumo, sem qualquer veleidade.
A curiosidade, irrita. A mentira, destrói. As omissões, padecem.
É que o mal só está dentro dos nossos anseios porque Deus colocou todos os órgãos criados por Ele, no seu devido lugar.

Nosso?!.. É só mau desfrute e uso.

(.. 29julh’08)

sexta-feira, 25 de julho de 2008

Ser o que se é sempre II.

(cont..)

Procuramos esquecer com outros os outros e normalmente não conseguimos. Nem a nós próprios nos conseguimos esquecer de nós quanto mais. Não há nada a fazer! E tantas pessoas que passam por nós! É como quando gostamos! Gostamos enquanto precisamos e depois deixamos de precisar e de gostar ao mesmo tempo - acho.
A verdade é esta: o impossível é de facto possível. O possível é que não é possível. Fica muito pior depois do impossível se ter tornado possível uma vez, uma única vez que seja. Sem dúvidas não há esperança – penso. Por estas e por outras similares, sei que não vou a bom porto. Mas tenho fé! Um dia alguém me encontra e não me deixa ficar sem esperanças.
Não tenho sempre razão. A maior parte das vezes que me dou a trocar argumentos, deixo-me perder – já o tinha dito. Não gosto de ver ninguém a sofrer ou mesmo, perder seja o que for. Perder, é coisa muito minha. Nos anos que respiro, treino-me arduamente para suportar a dor da perda. Agora só perco quando me dizem que perdi. Estou um verdadeiro relaxado. Mas o que tem importância é que me distingo de forma consistente com que articulo os lábios. É sempre bom que saibam de nós, depois de nos verem bem. Mas se o possível é quase impossível, porque não fazem o "quase"?
Sou – já o tinha dito, demasiado impaciente e ansioso. Só que não estava à espera que as coisas fossem difíceis, tão difíceis. Isso é o que eu julgo e isso magoa muito.
Mentir é norma de muitos. Dizem que é uma maneira de se defenderem. Dizem muitas coisas erradas. E que só acredito no que quero, principalmente no que sinto. Essa é que é essa. Por isso devo sofrer mais. Não tem qualquer importância é só uma maneira de ser.
Mente-se até às pessoas que se gosta muito – defendem-se. Se calhar unicamente àquelas de quem se gosta mais. Quase gostam de mim. Dizem. A vida é atroz e insensata - digo. Devemos encobrir a atrocidade e insensatez aos que amamos com todo o esforço da nossa inteligência – vingo-me eu. Odeio os amigos que querem ajudar pretendendo saber o que é melhor. Que devemos fazer isto ou aquilo e não isto e aquilo. "Os exercícios e as experiências são para os outros, menos para nós". Isto os amigos não sabem, só eu! Teimoso!
Isto são coisas de um tempo muito curto mas com alguma luz. A filosofia deprime-me. Às vezes penso demasiado, mas estou ilibado, estou a tentar deformar-me.
É cada vez mais claro para mim! Poucos conhecem quem sou.. e não sou nenhum poema, porque isso nunca quis ser, tal o tormento de quem me tenta descrever.
Salvo o exagero, continuamos assim até ao fim. Todos! Eu. Tu e eles também. E elas.

(.. 25julh’08)

quinta-feira, 24 de julho de 2008

Ser o que se é sempre.

.. mesmo que se perca (*), é uma virtude que para muitos passa ao lado.

Hoje vi um bom amigo. É médico. No sitio onde eu também fazia parte. Lá ia eu almoçar com um mais amigo, quando chegou perto de mim e tocou-me no ombro.
- Não acredito. És tu Jorge?
Ri-me.
- Estás diferente! Para melhor. Pareces-me mais novo! Gosto principalmente desse corte de cabelo. Fica-te melhor. Faz jus à tua pessoa.

De repente vira-se para o seu amigo e confidencia em voz alta.
- Este é o homem mais “puto” que conheço em mais de oito mil empregados (agora, dois mil e duzentos +/-), nesta empresa. Ó Jorge! Já sabes que “puto” é o mesmo que menino. É assim que gosto de te ver. Estás muito bem!
Continuando a confidencia:
- O Jorge é uma pessoa de bem. Gostava que todos fossem assim como ele é. Serem “meninos” com qualquer idade, até chegar a hora de irem. O difícil é de conseguir alguém que brinque eternamente.. mas isso já é outra história. Só este consegue. E à tantos anos que o conheço! Não mudes! Estás muito bem. Muito gosto em te rever. Aparece!

E lá fui com um sorriso tão rasgado quanto pude para junto do meu outro amigo que, já me esperava para o almoço.

Afinal o que é a verdade?
Tenho cá para mim que a minha verdade, são as minhas convicções. Não importa muito se é verdade, na verdade. Acredito nas coisas. Acredito na minha vida. Acredito que se o “branco” atormentar-me os caminhos ou de alguém que goste, então porque não acreditar que o “preto” é o meu/nosso caminho mais correcto?
A minha verdade é; o direito que tenho de escolher as coisas boas que quero para mim e, para todos os que gosto muito. Argumento bem. Aprendi. Muitos sentem a raiva a torcer-se. Também ficam sem jeito. Sei o porquê! Mas interesso-me mais pelo meu argumento, do que perder tempo com argumentações frágeis.
Não sou sabichão nem “anarca” provincial, mas também só falo do que sei. Quando não sei, falo das coisas em que acredito e ou quero que sejam. É como dizer que; hoje vejo um céu tão azul, mesmo que esteja nevoeiro. É o meu querer. E isso é que eu sei.Isto é convicção! Pelo menos são as minhas. Sou exactamente assim e assim vou vivendo. Pelo menos gosto de julgar-me assim. O meu médico diz que sou frágil! Só que não acredito. Sou muito forte – digo eu.

(.. 24julh’08)


(*) Muitos dizem que é teimosia. Infelizmente somos assim.

sábado, 19 de julho de 2008

Para a Catarina.

Dia dos 30 anos.

Dez
anos, é muito tempo. Vale a pena esperar, também, não esquecer o que nunca está presente. É uma mania minha, deve ser só isso. Catarina, não tenhas medo! O tempo, o meu, já foi melhor do que presentemente. Estou seriamente a pensar na pele. Na minha aparência. A que tinha naquele tempo que nunca estava só, mesmo que as raparigas só passassem por mim. Naquele tempo fazia tudo por estar num jardim a ver as raparigas a olharem para todos os rapazes mais giros que eu. A certa altura, quase sempre, misturava-me entre eles. Quase sentia que era sempre para mim que elas mais olhavam. Às vezes até sentia desejos pelo calor dos olhos que elas me lançavam. Nunca senti que estivesse a mais no meio dos rapazes que elas olhavam. Soube sempre que não era o meu lugar, mas o que mais gostava era, dos olhares das raparigas. Aqueciam-me o ego. E no final das tardes, ia para casa outra vez, com o tal ego levantado até que as mãos me doessem tanto que ejaculava sem dor na alma que sempre pensei ter. Eu era assim. Só queria muito as raparigas perto de mim, enquanto olhavam para os outros rapazes. Que olhassem! Gostava dos odores da mocidade delas. Fui sempre um sonhador de aromas e de abraços. Pelo menos naquele tempo pensava assim. Às vezes, lembro-me, elas não acreditavam em mim. Muitas vezes para acreditarem, tinha de lhes mostrar o meu ego, para que não sofressem tanto como eu sofria por elas, sem que me mostrassem nada. A maldade turva o olhar, não o dos outros, mas o meu. Nunca tive em conta as consequências. Foi assim que cresci. Deliciando-me amargamente e muitas vezes, só com o aroma que me chegava, e deixava que entrasse todo em mim, pelo corpo todo. De noite, já quando os sonhos estão cansados, mexia no que era meu e então, depois de passar pelo êxtase da minha idade de moço, adormecia com os olhos abertos. Ainda via no escuro os olhares das raparigas que pisavam o jardim.
O que os teus olhos vêem, vem da luz que tens em ti. Acredita! Olha para os teus, antes de olhares outros mais bonitos do que os meus. Não tenhas medo! Foge só das sombras do teu olhar. Não vale a pena dormir com um homem que dorme bem todas as noites - agora. Isso não está certo! Não existe prazer. Não é disso que se trata, os olhares, aos rapazes muito bonitos? Julgamos acertar nas coisas que nos ensinam quando somos novos. Depois crescemos e inventamos coisas novas. Mas o certo é que ao crescermos mais, tudo o que se passou, não pensamos que merecesse a pena, ou melhor, tudo é muito vago e não deixa de ser só ego.
Quando o corpo cansa e a alma entristece, não faças caso. É que todos precisamos de descansar por algum tempo, e o tempo dos outros, nunca é o nosso, e isso é que é verdade. Por ventura já reparaste na indiferença da natureza aos teus temores? Nos dias que estamos tristes e que pensamos que ninguém nos vê, a natureza que enxerga, também não nos diz nada. Mas tem gente que pensa que sim. Eu já não acredito nessas coisas, nem na conversa do mar, do Sol.. etc e tal.. nem outras coisas que outrora de calções pensava. Pelo menos antes tudo era mais giro. Pensava que tudo era verdadeiro. E do verdadeiro gostava muito. Afinal eram só olhares. Nunca saberemos o que une, a verdade de calções e a verdade da experiência. Hoje tento descobrir o que não sou. Já sei o que passei. De momento, deixam-me ser o que eu sempre quis ser. É bom que deixem. Assim fico eternamente. Isto é crescer. Tu cresces e, crescer é bom. Basta que nos deixem à vontade.Por último Sophia, que mais posso acertar? Quem sou ou não sou se o amor me encontrou e deixa-me tomar os caminhos que melhor compensam a felicidade comum? O mais das vezes enganamo-nos. Mais ainda quando julgamos acertar! Infelizmente passamos muito tempo a recomeçar e, é só nisso que somos bons até à eternidade. Seja só isso! Já ninguém quer lutar pelo amor que encontra. E isso não é bom.
Bom é sabermos que um dia as coisas que tínhamos como verdade, e que durante muito tempo o lixo tomou, voltam a ser as coisas que mais gostávamos, mesmo que seja um ténue sonho, quase esquecido. É bom encontrar alguém na nossa curta vida que, nos deixe ser o que sempre fomos e quisemos ser muito. É o meu caso. Um dia, o teu. Sei.
Se for preciso Catarina, torna-te pesada como uma pedra que, embora pisada, não se levanta contra ninguém.
Doce és tu! Serás sempre tu, até ao dia que perfizeres o que eu concluo. Sou diferente, e isso não é bom para ninguém, muito menos para mim.

(..19Julh’08) (2).



Nota. Perco-me sempre quando escrevo sobre as coisas que não percebo nada. Irremediavelmente serei sempre assim. Desculpa! Minha querida amiga Sophia! É esta a vida que levo.

Esta minha querida vida II.

Os livros trazem sabedoria – dizem. A mim traz-me nostalgias. Hoje quase me arrependo de ter lido tantos livros. Pelo menos aqueles livros que com a força das letras, mostram o que eu já sabia antes de os ler – que estupido sou! Repetem as coisas de formas diferentes. Até o vocabulário é muito português – alguns. É que eu não gosto nada dos livros que dizem que eu devo fazer, isto ou aquilo. Sinto-me sempre despido. Por vezes quase nu. E eu sei que as letras não foram escritas pelas pessoas que me viram nu. Bastas vezes, sinto-me mal com os livros que me lembro hoje. Assim não! Não preciso que me dispam. Muito menos que me adivinhem.
Sinto-me triste quando me lembro. Não tenho qualquer compaixão nem alegrias pelas lembranças das palavras que li. Era o que faltava, lembrarem-me do que eu devo fazer?!..
Estou naquela fase que tento desesperadamente, distrair-me. Não tenho saudades de gentes, só de coisas, e de sítios - repito. A sério que tento distrair-me quando me lembro de felicidades que tive outrora. Mas é só pura distracção. Nada de importante, pelo menos é o que penso das minhas distracções. Talvez seja a maneira errada de passar o tempo, talvez! Agora mesmo que queira recomeçar, o tempo de agora não é o mesmo do passado e este tempo, estou a gostar, apesar de me sentir triste, mas vai mudar, mesmo que devagar. Hoje já tenho muito tempo. Não porque querer, mas porque me impuseram de vez, e eu aceitei como se Deus me chamasse para entrar na Sua morada.
Esta coisa do tempo começa a maçar-me muito. É que não mostra qualquer compaixão. E houve alegrias que me encheram os dias, em que de noite adormecia parecendo um menino muito feliz. Já fui feliz. Mas nunca satisfeito.
Lembro-me das mulheres que gostei e não queriam de mim o que eu queria delas. Há sempre mal-entendidos que não convém alimentar. Por isso é que tive muitas resoluções na vida que, o melhor era estar sozinho. Por ser assim, fiquei vezes demais sozinho. Tentei melhorar, mas não consigo ser o que dizem os tais livros e eu não sou de viver o que não sinto. Um mal que aprendi presentemente, é que sou capaz de deformar-me lentamente até sentir que outros sejam mais felizes do que eu! Mas afinal nunca fui assim? Não espero encontrar melhor que o presente, a minha melancolia é-me suficientemente querida. De que gosto?
Antes da vida boa que me é oferecida todos os dias presentemente, via os filmes todos. Quase todas as boas séries. Incomodam-me os barulhos das pessoas sentadas ao meu lado e, gosto tanto de rever as cenas mais macabras, até de rever as letras que me passavam depressa por ter demorado mais tempo a olhar para a mulher do papel principal por ser muito bonita. Por estas coisas, gostei sempre de estar mais vezes sozinho do que, a viver com alguém que não me deixasse olhar os meus silêncios premeditados.
Não gosto de fazer comparações com coisas que já desisti faz “muitos tempos”. Isso é um mal de muitas gentes. Mas gosto de comparar o que acho justo. Se dou, ofereço, abraço, porque não vivo disso? Este é o meu pequeno defeito, o de pensar que tudo o que ofereço, se encaixa perfeitamente no outro lado! Hoje sei que não é assim. As coisas que se encaixam melhor e sempre, são as que todos nós aceitamos de alma livre - essa é que é essa e, não se pode viver de sonhos que não sejam possíveis, só porque gostamos ou queríamos muito.
De alma livre, pelo menos é mais justo. Para Deus. Para todos. É que se fosse assim, ninguém procurava nada – nem mais, nem melhor. E eu estaria sempre disponível mesmo que às vezes nem pareça que estou presente. Não me julgo, nem sou um exemplo para ninguém. Quero ser assim, porque é sempre assim que me sinto bem, mesmo que perca algo. Serei um deformador se me sentir melhor comigo.
Amar e viver bem, tem destas coisas. Regras. Regras iguais para todos. Na verdade nunca me dei muito bem com regras, vivi de certa forma com o coração agarrado aos sonhos e expectativas que desenvolvi mal ou bem, por isso, vivi mais vezes sozinho do que acompanhado. Acompanhado é mil e uma vez melhor do que estar só, mas às vezes não é possível juntar os sonhos e a realidade.
É muito difícil entender quem gostamos muito, mas isto, todos sabemos. Queríamos é que o outro fosse feito à nossa imagem e isso não é possível. Mas continuamos a querer muito, dói-nos tudo, é uma maçada, por isso, não nos libertamos para aceitar a diferença, mesmo que o desejo se sobreponha às coisas reais.
Sei a minha história toda de cor, detrás para a frente e o inverso também. Sei de onde vim. Até sei quem me abandonou. Quem me quis muito. E outras coisas também. Por isso prefiro amar de coração aberto o presente, pelo menos até me darem com os pés! Não é assim que vivem as gentes?
Presentemente, desejo muito a mulher muito querida que me atura em cada instante. Sem ela, acredito, não estaria por aqui. Outros lugares sabem, não existe melhor do que o meu presente que, será eterno.
Serei gente em deformação?
Somos feitos de ossos, pele, carne e de uma parte divina – é isso que eu sei. Tenho fé.

(.. 19Julh’08)

quinta-feira, 17 de julho de 2008

Esta minha querida vida.

Não é desistir, é só não dar importância às coisas que não merecem ter. A minha nova vida, novo tempo, novo lugar, é uma das poucas coisas que quero sentir. Olhar dentro e apaixonar-me, que seja eternamente. Mereço. Já merecia faz anos, este novo encantamento, mesmo que por vezes ainda me doa, aqui, ali, até mesmo nos pés.
Quase gosto da vida que inicio. Há dias que aceito que o tempo passe por mim. É que eu sou muito do contra, não sei o porquê, mas que gosto, gosto. Vejo-me a gostar das flores, do mar também, mas é só um acaso - creio. Mais do que isso não deve ser. Quase ninguém fala com o tempo. Quase, porque eu ainda falo. Pelo menos tento, apesar dele não me ligar nenhuma. Deve ser assim que ele nos fala, quando o Sol aparece ou a chuva nos invade a alma! Eu falo-lhe quando estou vagamente só, porque ultimamente nunca estou só. Tenho sempre a meu lado a minha querida mulher que, desenvolveu uma eterna vivacidade e sensatez que, até se tornou “expert” em me aturar. Deve ser por isso que não consigo deixar de estar tão apaixonado pela minha querida muito mulher. Deve ser. Mas eu continuo a falar com o tempo, devo gostar, pelo menos é “mais melhor” do que falar com as paredes ou, andar numa rua a falar sozinho. Falar com o tempo ninguém me repara os erros, nem ele, porque quase nunca acredito no tempo.
Quando ando na rua, vejo passar as pessoas e quase nunca as vejo parar. Agora tudo me parece muito rápido. O mundo e as pessoas têm pressa, não reconheço razão, mas de momento não me interessa. Eu já não tenho pressa, deve ser por isso que eu as olho com mais vagar e vejo a pressa delas. Em certas alturas, intrometem-se tédios entre os meus olhos, dá cabo da alma, as intromissões, e eu não gosto disso. Deve ser a ansiedade, nostalgia, saudade, tudo o que eu não quero pelo menos por ora. É melhor não insistir no olhar as pessoas, parecem-me coisas sem nexo, a pressa, delas, desfaz o tão humanos que eram – penso eu.
Esta minha nova vida, refaz conceitos que outrora tinha como certos. Um dia quis mudar o mundo e agora tenho que me desfazer das coisas com que fui construído. Mudar o mundo já não me serve para nada. Amanhem-se – é o que sinto. Do que se trata é só de deformar ligeiramente o que vai acontecendo dia-a-dia e prometer-me que não invento mais nada. Ainda me faltam muitos anos, posso olhar outras coisas e depois só quero acabar de repente.
Não sei se valeu a pena o que deixei, mas também não pergunto nada. Se valeu ou não. Há muitas coisas que são assim ou têm de ser assim. Não vale a pena pensar nelas.
Esperam-me coisas novas, isso é que sei. Decisões que ainda não quero resolver - nem pensar! Estou de férias do cansaço que me obrigaram a recolher só para mim. Cinco meses! Há muito tempo que o amor se mostrou ser algo que nem todos compreendem – nem eu. Talvez agora consiga aprender que a vida tem mais do que trabalhar para sustentar os bens materiais que me habituei a requisitar para a minha vida. O amor tem destas coisas. Digo, o amor sereno e bom. Sim meu amor, lembro-me de ti. É esta vida que levo.
Não é fácil habituar-me a mim. Nem às coisas que penso. Deformar-me vagarosamente, deve ser bom. Não posso é sofrer mais. Isso é que não.

(.. 17Julh’08)

quarta-feira, 16 de julho de 2008

Irreversibilidade do momento.

Agora sim, posso fixar a cara do mundo. De repente e fazendo um enorme esforço, não vejo nada, nem como se diz vulgarmente; nada no fundo do túnel.
Prazer? O prazer não é coisa que se possa ver. Pode ser dor! Deve ser isso. O mar, mesmo imenso na minha frente não me deixa ver, até nem o ouço. Nem os sonhos, nem os amantes, que em todos os tempos, aqui fizeram juras de amor. Mar! Não vejo nem ouço.
Não entendo. Ainda olho, mas nada. E agora até tenho tanto tempo!.. Às vezes, quando são iguais estes momentos, apetece-me retirar-me do lugar onde estou. Mas continuo a fixar o nada, apesar de noutros momentos diferentes e no mesmo lugar, sonhar que vejo um belo horizonte cheio de um mar tão azul que até dá dó de não o perceber. Dias como os de hoje, quero lá saber. Fixo o nada.
Posso começar tudo de novo outra vez. Agora tenho mais tempo para olhar. Posso repetir, ao que me parece de momento, eternamente. Mas! Talvez mudando de lugar. Talvez ali. Aqui não! Hei-de chegar lá. De momento não me importo, nem onde, nem como, nem quando. Hoje não vejo o que queria tanto ver. Entendo. Chegarei lá e logo saberei se estou cá. Agora, ainda é cedo, para fazer qualquer pergunta. Queria tanto ouvir, pelo menos o silêncio.
Acordei com um aço no peito. Qualquer movimento pode abrir o que não quero que se abra. Fico “mazé’qéto” – penso. Não estou a achar graça à paisagem. Tão pouco ao que penso de momento. É que as dores são muito estranhas. Talvez ir a um médico fosse melhor do que engolir um remédio qualquer, quiçá? Tenho "mazé" de entreter a imaginação. O tempo pára. Logo volta a arrancar, para atacar. Tenho momentos em que penso pará-lo. Um dia vou ser capaz. Tão certo como o que vejo agora, um momento.
Não estou doente. Não tenho dor alguma. Fecho-me com a certeza que isto há-de passar. Só estou neste momento a imaginar que vejo o que não quero ver. Imaginação? Cansaço? Névoa? Irreversibilidade? Não me perguntes nada. Quando chegar verás os meus olhos abertos. É só um momento.
Já faz algum tempo que não vejo o mar..
Outro momento.. ôdase..

(.. 16Julh’08)

sexta-feira, 11 de julho de 2008

Tempo.. “Sleeping dogs lie”.

Penitência..
Admito que passei alguns dias e algumas noites menos bem. Sou assim, ó se sei – digo eu. Tentei desesperadamente superar o imenso desejo de vingança.. e perguntava se esta dor alguma vez desapareceria!?..

Assimilei..
O tempo não cura nenhuma ferida, no entanto, sinto, fará da forma mais misericordiosa diminuir as dores pouco a pouco.

Inquiro..
Como vivem os que fazem muito mal a outros, só porque lhes fazem frente com a boca muito aberta, enquanto eles olham de olhos fechados?

Gosto de pensar na frase, “Sleeping dogs lie”. (*) Às vezes digo-a para mim no início de dormir, até me ir. Faz-me sentir bem. Quase não percebo a razão.. Não se deve traduzir à letra, porque não faz qualquer sentido. É uma expressão de rua, antiga. Aprendi faz anos, num lugar qualquer.
Deve-se ler:
“Não desenterres o passado”.


Estou muito bem. Respiro melhor.. Sou feliz ao olhar a mulher que me olha de frente todas as noites e manhãs. Obrigado a ti, minha querida mulher.

(..11Julh’08)



(*) Lembrei-me! Existe um filme com o nome “Sleeping dogs lie”, do realizador Bobcat Goldthwait, na qual o sentido é.. “Não desenterres o passado”.Depois de o ver, entendi e assimilei.

sexta-feira, 4 de julho de 2008

PONTO FINAL EMPREGO!

"Poizé".. Finalmente percebi!

.. Deus esteve sempre junto de mim.


Sempre entendi que a velocidade de Deus não é a nossa (minha). Afinal se eu sabia, porque não O senti junto de mim estes últimos meses infernais? (?!$#..)
Os sonhos não são resolvidos por Ele. As expectativas criamos nós, são nossas, não Dele. Afinal o que é nosso é sempre nosso. O que é Dele, só temos de ter muita fé, porque o que Ele tem para nós, só o futuro nos mostrará na velocidade Dele. Nem sempre, ultimamente, tive fé. A que devia ter, não andava junto de mim. Tive muitos dias que estive cego. Se hoje fui recompensado (pensando no MUITO MAU que vivia profissionalmente), reconheço o que hoje adquiri, foi certamente pela fé que sempre vivi anteriormente e não pela fé que ultimamente me fugia a olhos de alma, nestes últimos meses.
Sei que consegui vencer e pela última vez mostrar o meu verdadeiro carácter. Muitos ficaram surpreendidos, mas pior ficaram os maus, os que muito mal me fizeram (infelizmente como não sabem fazer mais nada, continuarão a fazer a outros).
Na verdade fui eu que consegui. As dores saíram-me do corpo todo até cegar muito. Mas sem ajuda de algumas gentes, tinha sido tudo muito mais difícil,
por exemplo:

- dos amigos, poucos, que todos os dias me sorriam, confortavam e me faziam rir muito
.
- da minha querida mulher, que todos os dias me tolerava as tristezas, o mau humor, a adversidade das coisas ruins do dia a dia, oferecendo-me cumplicidades, e mostrando o meu melhor caminho, não para o bem comum.
- do meu querido filho, que de longe, todos os dias me abraçou muito, não esquecendo que em Fevereiro veio visitar-me de tão longe.

Sem estas coisas simples, a solução preconizada por mim, teriam sido bem “mais” pior.

Assim registo: (1)
HOJE, SEXTA-FEIRA, DIA 4 DE JULHO, pelas 15:03 horas foi-me concedida a PRÉ-REFORMA, com todos os direitos adquiridos ao longo de mais de 33 anos de actividade, até aos 65 anos. (2)

(realidade)
Muito cego e quase de imediato, aceitei e disse!
- ONDE ASSINO?
- Aqui! (ouvi).
Estava cheio de dores. Quer dizer, aceitei com olhos húmidos, mas muito mais molhados e escondidos no coração.
Assinei.

(“lembraduras” concisas):
Gosto tanto de fazer o que fazia na minha ex empresa..
Gosto tanto dos tantos amigos que por cá ficam..

(acordando):
Como se diz; “Do mal, o menos”.

Assim, acabaram:
- os pesadelos..
- os "afazeres" silenciosos..
- as milhares de dores escondidas..
- as coisas horrendas..

(contrição):
Vivi CINCO MESES que nunca mereci.
NINGUÉM MERECE. Deus sabe!
Não desejo igual, nem às pessoas que me fizeram mal.
Não conheço ninguém que mereça o que passei.

Vou descansar.
Por hoje, por agora, não me apetece escrever mais nada.
Estou bem. Tenho paz. Estou feliz. (3)
Merecia.

(..04Julh’08)(2)



(1) Na verdade queria, merecia. Era uma ténue esperança, o mínimo.
(2) Reconheço que, depois dos 65 anos (mereço chegar lá) o adquirido é melhor.
(3) Estou feliz pela solução encontrada. Não fico feliz pelo que ofereci e ainda muito podia oferecer à ex empresa que sempre defendi. Não posso esquecer que; estudei e trabalhei muito, para que a empresa fosse a melhor na minha área. Muitos amigos sabiam e viam, como brilhavam os olhos, por cada trabalho solucionado.

terça-feira, 1 de julho de 2008

Acordo Ortográfico II

História breve. Datas Chave dos Acordos Ortográficos

1931
Aprovado primeiro acordo ortográfico entre Portugal e Brasil. Contudo, a unificação entre os sistemas não aconteceu.

1943
Assinada Convenção Ortográfica. Cada país publica respectivo vocabulário. Divergências profundas inviabilizam-no.

1945
Assinada Convenção Ortográfica Luso - Brasileira num encontro em Lisboa. Portugal aplicou acordo. O Brasil, não.

1975
Projecto de acordo estabelecido entre Academia das Ciências de Lisboa e Academia Brasileira de Letras não é aprovado.

1986
Acordo Ortográfico assinado por Portugal, Brasil e cinco países africanos é inviabilizado por reacções portuguesas.

1990
Acordo Ortográfico assinado por sete países (Timor-Leste juntou-se mais tarde) carece de ratificação para vigorar.

2008..


Mudanças

1 - Consoantes mudas
Agora: acção, actor, respectiva
Depois: ação, ator, respetiva

2 - Acento diferencial
Agora: pólo, pêlo
Depois: polo, pelo

3 - Terminações verbais êem
Agora: vêem, dêem
Depois: veem, deem

4 - Ditongo tónico ói (palavras graves)
Agora: bóia, heróico
Depois: boia, heroico

5 - Hífen (eliminação/fusão em alguns casos)
Agora: pára-quedas, auto-estrada
Depois: paraquedas, autoestrada

6 - Hífen (eliminação em alguns casos)
Agora: fim-de-semana
Depois: fim de semana

7 - Hífen (supressão em formas do verbo haver)
Agora: hás-de, hei-de
Depois: has de, hei de

8 - Hífen (separação dos elementos)
Agora: microndas, electróptica
Depois: micro-ondas, electro-óptica

9 - Maiúsculas/minúsculas
Agora: Janeiro, Fevereiro, Março.. Primavera, Verão..
Depois: janeiro, fevereiro, março.. primavera, verão..

(.. 01Julh'08)


(A recolha foi ali e ali também. A sintese e as palavras, são do mesmo)