A água não espera, nem pede para recolher a sua imagem.
Sobre o lago a lua brilhante, através dos pinheiros o vento suspira..
Na tranquilidade da noite. Ninguém sabe porquê, ou para quem.
A beleza.
[Hsuan-Chueh]
Cada vez menos preciso de qualquer coisa para aquecer o coração. A vida sorri e aceito-as de coração aberto. Ainda o tenho. Sinto-o. Os dias são sem qualquer ilusão e menos frias. As noites menos abandonadas. Assim estou agora.
Não importa mesmo nada perder quem perdeu antes de iniciar seja o que for. Mesmo que seja uma coisa pequena. Maior que pequena a maioria das gentes não sabe lidar com a perda, apesar de pensarmos o contrário.
Sei. Engano-me imenso e o imenso engana-me, já o sabia e não sei se já escrevi, mas é no amor que mais vezes falho. O amor mostrou-me que sou um fracasso. Só consigo uma alegria breve. Quero dizer, brevíssima. Pensava como os outros homens, o campeão era sempre eu.
Cada vez mais faço contas à vida. Marco prazos. Cada vez sei mais que é um alívio saber que há um fim em tudo o que se vive. Os sacrifícios, as dores, por exemplo.
Os escritores dizem, "tão perto e tão longe". Às vezes o perto é longe e por isso sentimo-nos tristes com qualquer coisa. Nestas alturas nunca sabemos o que é. Dizemos; é da lua. É só um dia ruim. Afinal a vida das gentes normais deve ser assim. Incluo-me.
Também ainda fico triste. Mas é uma tristeza doce e repenicada. Não é o desespero que se agarra à garganta, nada disso, nem estar deprimido que me rouba qualquer destino. Fico triste como quem não tem nada para fazer ou já fez tudo e tudo perdeu e em tudo se enganou porque nos iludimos.
Deu-me para isto.
(.. 28Ag'09)




