.. não apagam nada.
Vindo da melhor amiga (m) (*):
“.. gosto de tua foto no blog. Estás tranquilo...”
Não sei o que quero. É verdade! Todos os dias me chegam coisas que não sei resolver. Principalmente as boas. A razão é simples. Estou muito agarrado às coisas que gosto. Sou um homem normal. Às vezes consigo no tempo seguinte, por tempo indeterminado, convencer e convencer-me que consigo fugir do que mais gosto. De quem mais gosto também. Minto. Minto muito. Sei que nestas coisas minto para perder. Agora sei. E também sei que não mereço perder assim tanto como tenho andado a perder. Não é justo. Não tem sido justo. E mesmo que afugente tudo de mim, continuo a pensar nas pessoas que gostam de mim. De momento só sei que este título é verdadeiro. É o que sinto.
Conheço as pessoas, as boas, as que por qualquer razão me entram na vida. E por qualquer razão, apetece-me fugir. Minto. E até dizer coisas que nunca sinto. Ultimamente sou pior. Às vezes, chega-me por alguns momentos, uma alegria de que me julgava uma vez mais, incapaz. As alegrias, as últimas, são dores que faz tempo que as sinto. Não as suporto. Escondo-as bem. Finjo. E isto é verdade.
Hoje por exemplo. Entrei numa superfície que não é minha. No interior, olhei. Rejubilei. Adquiri um olhar de um enorme carinho. Deliciei-me. Uma nova e boa amiga conseguiu o que sempre sonhara. Sim, uma boa amiga.
Consegui sentir uma enorme felicidade. Fantástico. Deliciei o momento em segundos.
A minha amiga e o seu amigo, tentavam ter tudo a tempo e a horas para o dia da inauguração e para os seus futuros clientes.
O amigo trabalhava na superfície. Vi. Senti que, as coisas andavam devagar. Os contratempos estavam a ser muitos. É o início. É sempre assim.
Apeteceu-me fazer tudo. Escolher as ferramentas e mãos à obra. Dois é sempre melhor do que um - pensei eu. Ofereço-me - Percebo disto. Vou arregaçar as mangas. Isto vai melhorar – penso eu.
Olhei para a minha amiga. Vi nos seus olhos, não preocupação, mas olhares de paciência e de socorro. Queria muito ajudá-la. Ofereci-me. O amigo disse-me que não era necessário.
Despedi-me. Dei um aceno. Até outro dia. E fui dali triste para o meu abrigo. É verdade. Ninguém tem nada que adivinhar o meu modo de ser. Ninguém é um adivinhador. Mas eu sou um homem normal.
Isto tudo deve ser por minha culpa. Deve ser insuportável estar com uma pessoa como eu – digo eu. Às vezes só necessito de um abraço, nada mais. Sou capaz de calar no tempo tanto que todos notam que já não estou presente. Consigo até deixar de existir. Calo tantas vezes. Consigo silenciar-me. Fecho a boca. A tristeza é só nossa e para merecer melhores cuidados é preciso merecermo-nos primeiro a nós próprios - julgo eu. Mas não sei faze-lo para mim. Nem o faço. Que pena - penso eu. Chegam entretanto aqueles dias que não colho as coisas justas e assim, tomo caminhos que só eu entendo.Perdi a mão no que vivi. É normal em mim. Queria ficar sozinho. Continuo a querer. Isso é que sim. Agora as coisas estão dentro da minha cabeça a olhar para mim. Não tenho mais nada a dizer. Eu é que não consigo perceber os outros. Os outros, esses, percebem tudo de mim. Vê-se logo.
O amor é um animal estranho e eu sem poder morrer – penso. Por isso crescemos de várias maneiras e das mais surpreendentes. Até esforço o corpo para além do que seria normal ou saudável também. Ninguém me vê. Nem por isso aprendo a viver como os outros. Acumulo dores na memória que só a mim dói. Sei. Também só eu ligo. Mas os meus males são piores. Arrependo-me quando já esqueci. Sou assim. O amor é tão rápido, cada vez mais rápido. Sinto-o só a passar. E eu que sou tão lento e gosto tanto das coisas feitas com o sabor e a velocidade do meu respirar!Não estou a conseguir dizer nada. Melhor! A escrever.
Ôdace.. Estou triste. Mais outra vez. Amanha mais. É certinho! Não são os outros, mas eu que não sei estar aqui. Qual é o mal?
Sinto às vezes um enorme frio a entrar por baixo dos meus pés na minha direcção. Do meu coração. Esteja onde estiver
Experimento outra vez olhar o céu. Deve ser assim a vida. A melhor vida. Sou uma cara sem mundo. É o que sinto. Uma cara a rir. A falar. A inclinar-se. Uma cara ausente como sempre quando quero perder (!) outra vez mais. Minto. Ninguém quer perder.
Proíbo os amigos, os meus melhores amigos, de partirem antes de mim. Um fez! E sinto-lhe tanto a falta. Outros vão. Desistem! É como eu! Deve ser assim a vida. Consigo viver sem atrapalhar ninguém.
As mulheres que conheço não me apagam nada. Tem sido verdade. As que se dizem amigas, querem ser amigas. Outras, olhar-me dentro. Há as que querem o que eu não posso dar. Mas as melhores, e existem, não tem coragens para mudar o mundo comigo. Disto tenho a certeza. Por isso voltarei a adormecer e a acordar outra vez. Outro dia vai chegar - sinto. Como já escrevi tantas vezes. Para recebermos, à que abrir mão de coisas agarradas a a nós.
Há-de um dia chegar alguém que não saiba de mim..
(.. 18Abr’08)
(*) Não sei porque continua a ser. Não mereço. Só fui um homem normal.