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sábado, 7 de agosto de 2004

Os Homens são de Marte as Mulheres são de Vénus

Não imaginam como gostei deste texto e do livro.. Ai ai ai..
Prezo em o ler... reler... entender... sonhar... viver... e actuar de coração aberto. Cada palavra é um hino às relações de todos nós. Gostei de copiar estas palavras, letra a letra, para que rolem o mundo  mesmo que virtual, principalmente os meus amigos em todas as partes deste planeta as leiam.
Obrigado a ti, pela paciência de as aceitares.

Texto extraído do Livro de John Gray, «Os homens são de Marte, as Mulheres de Vénus, escrito/copiado por mim em Agosto de 2002.

...” Uma semana depois do nascimento da nossa filha Lauren, a minha mulher, Bonnie, e eu estávamos completamente exaustos.
Todas as noites acordávamos com a Lauren. Bonnie sofrera uma episiotomia durante o parto e precisava de tomar analgésicos. Mal conseguia andar. Depois de ficar cinco dias em casa para a ajudar, voltei para o trabalho. Ela parecia estar melhor.

Enquanto estava no trabalho, ela ficou sem analgésicos. Em vez de me telefonar para o escritório, pediu a um dos meus irmãos, que estava de visita, para comprar mais. O meu irmão, no entanto, não voltou com os comprimidos. Consequentemente, ela passou o dia todo com dores, a tomar conta de um recém-nascido.

Não tinha a menor ideia de que o seu dia tinha sido tão mau. Quando voltei para casa. Estava muito perturbada. Interpretei mal a causa do seu sofrimento e achei que ela me estivesse a culpar.

Ela disse: «Tive dores o dia todo... fiquei sem remédios. Estou encalhada na cama e ninguém me liga!»

Eu reagi defensivamente «Por que não me telefonas-te?»

Ela respondeu, «Eu pedi ao teu irmão, mas ele esqueceu-se! Estive todo o dia à espera dele. O que devo fazer? Mal posso andar. Sinto-me tão desamparada!»

Nessa altura, explodi. O meu pavio também estava muito curto naquele dia. Estava zangado por ela não me ter telefonado. Fiquei furioso porque me estava a culpar quando eu nem sabia que estava com dores. Depois de trocar algumas palavras ásperas, dirigi-me para a porta. Estava cansado, irascível, e já ouvira o suficiente. Tínhamos alcançado os nossos limites.

Nessa altura, começou a acontecer algo que iria mudar a minha vida.

Bonnie disse «Pára, por favor, não vás. Este é o momento em que eu mais preciso de ti. Tenho dores. Não durmo há dias. Por favor, ouve-me.»

Parei um minuto para ouvir.

Ela disse «John Gray, tu só sabes ser amigo nos bons momentos! Desde que eu seja a doce e amável Bonnie, estás sempre aqui, mas assim que eu deixo de o ser, sais por aquela porta.»

Então, ela mesma fez uma pausa, e os seus olhos encheram-se de lagrimas. Enquanto o seu tom mudava, disse «Neste momento estou com dores. Não tenho nada para dar, é quando mais preciso de ti. Por favor, vem até aqui e abraça-me. Não precisas de dizer nada. Eu só preciso de sentir os teus braços à minha volta. Por favor, não vás.»

Eu aproximei-me e silenciosamente abracei-a. Chorou nos meus braços. Passados alguns minutos, agradeceu-me por não me ter ido embora. Disse-me que só precisava de me sentir a abraçá-la.

Naquele momento, apercebi-me do verdadeiro significado do amor – do amor incondicional. Sempre me considerara uma pessoa amável. Mas ela estava certa. Até àquela altura, tinha sido um amigo nos bons momentos. Se ela estivesse feliz e bem disposta, eu amava-a. Mas se ela estivesse infeliz ou perturbada, eu sentia-me culpado e então discutia ou distanciava-me.

Naquele dia, pela primeira vez, não a deixei. Fiquei, e foi óptimo. Consegui dar-me quando realmente ela precisava de mim. Isso pareceu-me um verdadeiro amor. Importar-me com outra pessoa. Confiar no nosso amor. Estar lá no seu momento de necessidade. Maravilhei-me com a facilidade que tive para a amparar quando me foi mostrado o caminho.

Como tinha eu deixado escapar isso? Ela só precisava que eu me aproximasse e a abraçasse. Outra mulher teria instintivamente reconhecido o que Bonnie precisava. Mas como homem, eu não sabia que tocar, abraçar e ouvir eram tão importantes para ela. Reconhecendo estas diferenças, comecei a aprender uma nova maneira de me relacionar com a minha esposa. Jamais teria acreditado que pudéssemos resolver os nossos conflitos tão facilmente.

Nas minhas relações anteriores, comportava-me de forma indiferente e não amistosa nos momentos difíceis, simplesmente porque não sabia o que fazer. Como resultado, o meu primeiro casamento foi bastante doloroso e difícil. Este incidente com a Bonnie revelou-me como poderia mudar esse padrão.”...

...

Com esta nova consciência, a das nossas diferenças, podemos melhorar significativamente a nossa comunicação e desfrutar mais, uns com os outros. As minhas desculpas a todas as mulheres deste mundo por aquilo que fiz e por aquilo que nunca fiz. Sempre disse e sempre pensei, as mulheres podem ajudar o seu companheiro, ajudando-o a observar algumas situações, mas em primeiro lugar terá a mulher que escolher um homem que deixe ser ensinado por ela. Eu sei que existem muitos. Estão ai mesmo ao lado. Vamos aprender a olhar e a seremos mais felizes.

Junho de 2002


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Histórias velhas, do meu baú: 2002

2 comentários:

Margarida Bonvalot disse...

Felizes para sempre? Isso é utopia. É-se feliz aos poucos, de cada vez que se consegue superar as asperezas, as agruras, entendendo-as e sublimando-as. É-se feliz quando se atingem momentos de plenitude ou o gato vem ronronar para o nosso colo. A felicidade não tem medida nem peso e é inconstante. Feliz para sempre será quem morre num momento de felicidade. Paradoxalmente, essa felicidade esvai-se nesse mesmo momento...

SepolOm disse...

Concordo em absoluto amiga. Mas na verdade sem fazermos nada, não temos 1 minuto de felicidade. É neste contexto que procuramos numa relação, encontrar mais momentos de felicidade do que de agruras. Como digo bastas vezes, diz-me sempre o que te doí... pois eu estou contigo para te tirar a dor.
Ninguém é bruxo nem advinho e a sensibilidade constroi-se com amarguras e erros da vida.
Um beijo para ti Margarida