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segunda-feira, 24 de janeiro de 2005

Precisamos de uma testemunha...

Esperamos sempre muito dos outros ou do outro.
Agigantamos expectativas erradas dos nossos valores, isso cria um espelho falso da realidade. A razão é inequívoca, misturamos os sonhos com as expectativas e isso normalmente leva-nos a níveis para os quais não fomos educados ou treinados, pior ainda, não fazem parte do nosso carácter.
Outras pequenas razões existem mas estas são as maiores falhas da nossa vida.

Um dia olhamos e a nossa vida está completamente diferente de tempos passados.
Tempos que outrora tudo nos parecia divino ou de grande felicidade. Esta é a vida que vai ser até ao fim do meu tempo, pensamos nós. No entanto tudo num certo momento se transforma em desespero nunca antes adivinhados ou pressentidos. Acontece a muitos. De repente a nossa maravilhosa(o) parceira(o) de tantas felicidades sentidas e sonhadas, já não está mais connosco! ESTAMOS SÓS.

Citanto a biblioteca da minha cabeça, gosto mais desta frase:
DERAM-ME COM OS PÉS.

Simples não?

Inicia-se um doloroso período de refúgio, chateado qb, enfurecido e envergonhado.
Voltaremos a viver quando entendermos que por pior que a vida nos mostre o dura que é, existe sempre alguém pior que, com menos céu, sabe que é nas pequenas coisas reais que se encontra o verdadeiro sentido da vida.
Olho para trás algumas vezes, penso que, até são vezes de mais as que penso e pergunto:

Se a vida a dois é difícil…
Olhamos para o lado e todos se queixam do mesmo…
Tantos divórcios…
Ninguém está a conseguir acertar, como noutros tempos…
O casamento já não é o mesmo, o tempo encurta cada vez mais…
O respeito pelo outro desvanece-se…
Desde cedo queremos viver em nossas casas, sós…
A família separa-se…
Os filhos querem a sua independência…
Os pais ficam sós…
Os lares para a terceira idade crescem de negócio…
Morre-se só…

Porque casamos então?

Vários são os motivos, vários são os sentimentos. Acredito que cada um tem exactamente a sua regra mas, entendo que uma situação não premeditada é a regra da testemunha! Precisamos de uma testemunha para a nossa vida.

Os que vivem sós deparam com um conjunto de situações óbvias nos dias que procedem ao da separação.

Um dia compram uma nova casa. Um dia decoram tudo como sempre acharam que deveria ser a sua casa. Antes estavam enclausurados na prorrogativa do parceiro. O tempo no início absorve o tempo das arrumações até do descanso dos pensamentos do refúgio e dos sonhos falhados. Mas o tempo não pára e um dia notamos que olhamos para as paredes sem notarmos que estamos sós. E mais outro dia e não notamos que tudo o que de novo arranjámos, não será mais olhado por amigos mas sim por aquele que nos entra em casa para consumir sexo.

As regras são simples e básicas. Não convidamos mais o sexo oposto. Pois este sabe que vivemos sós. Sabemos que se convidarmos um novo parceiro para um momento a sós é uma carga de trabalhos para provarmos a nossa indiferença ou a nossa absoluta bondade ou mesmo as nossas melhores expectativas de gente de bem, equilibradas. Pioramos as coisas quando pensamos, se convido é porque só penso em sexo se, não convido o que será que ele esconde lá em casa?
Assim como necessitamos de uma testemunha para verificar os nossos melhores feitos na vida, vivendo sós também requer uma testemunha para verificar que a nossa casa é o espelho do que nós éramos na vida anterior. Isto é, se eu mostrar uma casa limpa e arrumada então é porque não era eu o mau da relação anterior.

Necessitamos de muitas testemunhas mas, só uma pode ser a eleita, para observar o meu coração que pode viver num lugar qualquer desde que sinta o seu abraço.

Não conseguindo a testemunha as nossas frustrações são cada vez mais exacerbadas e nefastas ao bom funcionamento de uma vida bem equilibrada.
Assim no casamento as coisas vão funcionando até um se sentir que o outro já não é nem será uma boa testemunha para o final da sua vida. Esse levará decididamente mais tarde ou mais cedo COM OS PÉS.
Os que vivem sós, viveram mais amargurados até que consigam que a experiência boa ou má confira efeitos duradoiros de equilíbrio na sua vivência com os mais regulares amigos.

O melhor exercício para observarmos como estamos no nosso novo ou velho carácter é, perceberemos como é que os novos amigos reagem! O que de positivo deixámos semeado que uma, duas, meia dúzia de semanas eles ainda nos tratam do mesmo modo que no primeiro encontro?

Casados ou sós a testemunha serve os mesmos fins.

Casados ou sós a testemunha serve os mesmos fins. No entanto viver só é mais difícil do que viver com uma parceira. A questão de entrarem em casa é segura no casamento e o sexo está resolvido.
O só... bem, esse terá que se haver com a sua paciência de jó.


(.. 24Jan'05)

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