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sábado, 10 de dezembro de 2005

Hoje, não é fácil conseguir uma viagem.

"Difícil é combater com o coração: pois aquilo que se deseja paga-se com a vida"
(Heraclito)

Vou voltar a silenciar-me, apetece-me viajar. É como me sinto hoje e ultimamente. A meio caminho entre o mar e a terra. Entre o sublime e o absurdo. Um labirinto onde entro e saio sem conseguir definir um rumo concreto. Estou só à espera de uma vaga no meu pensamento para voltar a gritar e porque não viajar. Nesta altura do ano não é fácil arranjar um cantinho para pensar nos outros. Quero continuar a pensar só em mim e só em mim porque não estou bem e não estou a conseguir saber dizer que não estou bem ali. Nesta altura do ano, também não é fácil de conseguir uma viagem.

Ando sem paciência para escrevinhar qualquer palavra. Poderia ser mais verdadeiro e dizer que quando escrevo tudo é claro para mim menos para quem me lê. Posso sentir que os que não me entendem são aqueles que por qualquer razão, acham que as palavras escrevinhadas são momentos mal sonhados com alguém.
Os meus amigos sabem que vivo de emoções. É fácil de viver da razão. Viver o que se sente nunca é fácil. A beleza de lá e a carência de cá faz-nos tropeçar arduamente em coisas que, de lá não querem, e eu de cá quero.
A não-aceitação de pequenas expectativas como poderiam ser grandes, não importa o peso da mesma, não é definido por ninguém, simplesmente é sentido ou não sentido.
Quando quero seguir algum rigor da razão, pressinto o perigo. É neste estado que faço as minhas juras de amor para toda a vida, mas que não as encontro nos meus sentires.
Parecendo o contrário, sou uma pessoa complicada. Hoje cada vez mais noto a crítica que paira no meu carácter. Sou de convicções fortes. Fortes de mais para o gosto de gentes que se cruzam nos meus caminhos. Não parecendo, sou. Não o sendo, pareço.
É no amor que sinto o meu melhor caminho, a minha melhor expressão de viver. Sentir-me um menino é a minha melhor condição do meu bom senso. Se me obrigam a ser um menino “atinado” não o sei ser, logo, morro, não suporto as amarras, sofro de claustrofobia, gosto de dançar numa rua qualquer como se um abraço fosse.
Quem me conhece sabe que sou um aventureiro nato, condição do menino que vive em mim. Não me façam ser o homem que querem que eu seja, pois eu ainda não vivi para morrer ali.

Esquecerei os votos, as lágrimas, os elogios…
Pois num coração duro de razões, não produzem calor.

Quem já amou, que não tenha amado à primeira vista?

Lembro-me de muitas gentes que me abraçaram com as suas razões. Depois, os tempos passaram… e os sentimentos foram crescendo, refinaram-se e então, o amor sente-se.
Passava eu às razões, e tudo morre… os caminhos dos sentimentos, trocaram-se.

Na vida, nesta terrena, ou se inicia tudo com amor ou nunca nada resulta. Ou se desfaz agora ou amanhã, porque prolongar desejos que não vão passar disso mesmo?
O desejo é sempre historiado, recordado pelos momentos, mas o que eu mais recordo é, quem por qualquer razão lutou, que sejam só vinte e quatro horas, pelo seu amor que seria para toda a vida.
“Relacionamentos” de razões é como premeditar a matéria.

Agora tenho dias sem problemas. Mas não hoje. Há um cansaço específico. Uma noite anterior mal dormida. Ou não dormida. O corpo pesado (vou mas é deitar-me).
Só que os meus pensamentos reclamam mimo, abraços, amor. Também querem tagarela, reflexão, divertimento (que aborrecidos, que inoportunos). Logo hoje que estou tão cansado). Os meus pensamentos não me largam. Pedem, reclamam, exigem! Atenção (quem me dera a mim agora ficar naquele estado triste em que ficamos quando nos despedimos, tão cedo). O quê? Que queres dizer com isto? Não entendo estes meus pensamentos, hoje.

(.. 10Dez'05)

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