Aprendo comigo algumas coisas. A ideia é simples. Roubar ao mundo um pedaço de vida. Depois se o conseguir, fixava para sempre com palavras. Agarrava com os dedos as tintas, e delas, traços escritos dos nossos prazeres. A ideia prende-me os sentires. Quero sempre mais de mim, quero suster o tempo. Fechar-me num lugar qualquer sete horas seguidas, porque não mais? É uma fixação pretendida que se esfumou da realidade. As coisas foram feitas para se utilizar no dia a dia e desaparecer no tempo. A repetição dura até um dia alguém dizer basta. Gosto sempre de escrever o que me vai na alma. Assim sou e assim por ora serei. Estes meus nadas, tropeçam-me e perco-me.
Esta ideia era tão simples. Foi minha ou tua? Quisemos que fosse nossa e eu gostei sempre de saber que era dos dois.
A exaustão também faz parte da vida. Os corpos a caírem, a serem segurados pelo chão, as palavras a desfazerem-se nas bocas, a voz a desfalecer até nascer o silêncio. Sim, foi sempre isso que quisemos atingir. As conversas, essas, tinham outros lugares marcados.
Lembro-me, de pensar que um dia mais cedo ou mais tarde, as palavras deixariam de existir, trocaríamos por gestos e mesmo esses, também seriam perdidos, para dar lugar aos nossos melhores silêncios. O silêncio busca o imaginável, a performance, o amor pleno. Eu continuo a imaginar coisas complicadas, tudo ou nada.
Tudo era natural. Nasceu tudo em simultâneo com os sonhos. Sonhamos um dia e no mesmo instante realizávamos os nossos sentires.
Tudo era simples, simples, tão simples que não resultou. Talvez fosse demasiado simples, e o engano enorme.
Eu tinha dito que as palavras roubam tudo o que apanham, são ciumentas, irrompem por debaixo onde o silêncio as sustém. Que mania da perfeição que o amor nos rouba.
Faltará a impressibilidade aos nossos silêncios? As coisas previsíveis aborrecem-me mas, tornam-nos mais seguros. Ninguém quer a rotina mas é ela que nos segura dos nossos defeitos. Se não acontecer nada, nada se percebe. Ninguém percebe até que algo aconteça. E tudo o que acontece não se deixa ver pelo simples movimento das coisas. É sempre preciso um nascer de uma história própria para cada acontecer.
Os corpos enganam muito, as almas são sempre um enigma.
Sonhar acordados, estamos sempre. Necessitamos de juntar o que é com o que não é. Ficcionamos sempre e outra vez mais. Somos assim, nada criamos, rodamos o que já outros viveram do mesmo modo. Só assim a vida é vivida. As histórias são feitas assim e todos temos uma história para contar, nunca entendemos é porque é sempre igual a outras que andam por aí. Eu que queria roubar um bocado de vida, hoje quase parece impossível. Será impossível?
O medo dói mas faz-nos companhia. O sofrimento deixa-nos crescer. E um maior vence o anterior. Quando nos dói é preciso urgentemente encontrar outra alma que nos faça ser mais desequilibrados, é o perigo da contradição. Acontece-me que um maior desgosto de amor cura-me de um amor profundo e fiel anterior, mas nunca aceito. Desconheço-me, cada vez mais.
Esta existência não é um jogo e eu esfumo-me sem jeito, sem qualquer destino, sem caminho, nunca me apetece chegar a qualquer lado. A falta é o que nos faz caminhar, continuar. Aprendemos com as faltas, todas as faltas sejam elas quais forem, desde que seja uma falta. A minha ignorância é a condição de aprender, não sei e quero saber, essa a minha contradição a que me completa, sou assim que hei-de fazer?
Faz-me falta o amor que não sei.
O principio é mordaz e quanto mais, pior é os finais, nunca acontecerá de bom jeito. Quanto mais amo menos sei da palavra amor, o que sinto falta. Essa a minha falta. Devia desistir Sei lá o que é o amor. Sei, sem ele nada há. Tudo preenche, tudo ocupa, os lugares mais secretos, onde já nada esperávamos encontrar. Quero continuar a aprender a sentir a falta que me faz.
Confundimos vezes de mais sexo com amor porque ambos surgem de faltas. São diferentes como o corpo da alma. Só sou alguém porque existem outros, assim me sinto, outro, nunca eu, porque tenho falta.
(.. 05Out'06)
Esta ideia era tão simples. Foi minha ou tua? Quisemos que fosse nossa e eu gostei sempre de saber que era dos dois.
A exaustão também faz parte da vida. Os corpos a caírem, a serem segurados pelo chão, as palavras a desfazerem-se nas bocas, a voz a desfalecer até nascer o silêncio. Sim, foi sempre isso que quisemos atingir. As conversas, essas, tinham outros lugares marcados.
Lembro-me, de pensar que um dia mais cedo ou mais tarde, as palavras deixariam de existir, trocaríamos por gestos e mesmo esses, também seriam perdidos, para dar lugar aos nossos melhores silêncios. O silêncio busca o imaginável, a performance, o amor pleno. Eu continuo a imaginar coisas complicadas, tudo ou nada.
Tudo era natural. Nasceu tudo em simultâneo com os sonhos. Sonhamos um dia e no mesmo instante realizávamos os nossos sentires.
Tudo era simples, simples, tão simples que não resultou. Talvez fosse demasiado simples, e o engano enorme.
Eu tinha dito que as palavras roubam tudo o que apanham, são ciumentas, irrompem por debaixo onde o silêncio as sustém. Que mania da perfeição que o amor nos rouba.
Faltará a impressibilidade aos nossos silêncios? As coisas previsíveis aborrecem-me mas, tornam-nos mais seguros. Ninguém quer a rotina mas é ela que nos segura dos nossos defeitos. Se não acontecer nada, nada se percebe. Ninguém percebe até que algo aconteça. E tudo o que acontece não se deixa ver pelo simples movimento das coisas. É sempre preciso um nascer de uma história própria para cada acontecer.
Os corpos enganam muito, as almas são sempre um enigma.
Sonhar acordados, estamos sempre. Necessitamos de juntar o que é com o que não é. Ficcionamos sempre e outra vez mais. Somos assim, nada criamos, rodamos o que já outros viveram do mesmo modo. Só assim a vida é vivida. As histórias são feitas assim e todos temos uma história para contar, nunca entendemos é porque é sempre igual a outras que andam por aí. Eu que queria roubar um bocado de vida, hoje quase parece impossível. Será impossível?
O medo dói mas faz-nos companhia. O sofrimento deixa-nos crescer. E um maior vence o anterior. Quando nos dói é preciso urgentemente encontrar outra alma que nos faça ser mais desequilibrados, é o perigo da contradição. Acontece-me que um maior desgosto de amor cura-me de um amor profundo e fiel anterior, mas nunca aceito. Desconheço-me, cada vez mais.
Esta existência não é um jogo e eu esfumo-me sem jeito, sem qualquer destino, sem caminho, nunca me apetece chegar a qualquer lado. A falta é o que nos faz caminhar, continuar. Aprendemos com as faltas, todas as faltas sejam elas quais forem, desde que seja uma falta. A minha ignorância é a condição de aprender, não sei e quero saber, essa a minha contradição a que me completa, sou assim que hei-de fazer?
Faz-me falta o amor que não sei.
O principio é mordaz e quanto mais, pior é os finais, nunca acontecerá de bom jeito. Quanto mais amo menos sei da palavra amor, o que sinto falta. Essa a minha falta. Devia desistir Sei lá o que é o amor. Sei, sem ele nada há. Tudo preenche, tudo ocupa, os lugares mais secretos, onde já nada esperávamos encontrar. Quero continuar a aprender a sentir a falta que me faz.
Confundimos vezes de mais sexo com amor porque ambos surgem de faltas. São diferentes como o corpo da alma. Só sou alguém porque existem outros, assim me sinto, outro, nunca eu, porque tenho falta.
(.. 05Out'06)

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