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sábado, 4 de agosto de 2007

Sapo

Futuramente os sonhos deixam de ser sonhos. Só o vento me transformará, se um dia quiser ser levado daqui. Fixo o lugar. Não me mexo. Não posso perder mais calorias! Nem construir suores porque volto a perder calorias para limpar. Fixo-me! O medo absorve-me! Outra vez mais não! Dói, porra! O coração dói.
Apenas se volta e se ergue, o homem, quando o mundo volta a ficar quieto, quando mais nada parece mover-se. Então, quando enfim se ergue, o que vê é o que havia antes.
O homem, porém, continua a escutar o rumor dos ventos, a deslocação do ar que há em torno, quase uma sombra que lhe refresca as costas e os sonhos. Sente medo ainda! Muito medo e, por isso, cerra os olhos com muita força, à espera. Nada sucede, porém.
É, na aparência, o mesmo de sempre, igual e impassível, discreto na curva do seu olhar, sem objectivo ou finalidade que exceda o simples facto, de ali estar a fingir um qualquer olhar. No entardecer, seria uma boa hora, se qualquer milagre acontecesse não espantaria ninguém. Nada sucede! Nada sucedeu! Porém, nunca sucede, nem desta vez.
Ali continua o homem a sonhar com o milagre. Eu não acredito em milagres se os homens não lutarem por os fazer acontecer. Merecer.
Para que aconteça, tem muito a ver com o milagre em si, terá que existir outro, não homem, mas uma mulher, se existir a mulher, os milagres podem acontecer. Acredito, sei que assim é.
Mesmo assim, tenho dúvidas se a mulher existe. Facto existiu. Anda por aí. A que eu sonhei e perdi. Sonhei, tive-a e depois do uso, lançou-me no lixo. Não a que o homem sonha, sentindo o vento a puxa-lo para lá do sonho. Eu não sinto o vento, mas sinto a aragem que me incomoda, porque todos os sonhos um dia acabam mesmo que um dia tenham existido. Sei que é.
Gostava de ser eu a soprar o vento! Mas se fosse o dono do vento, quem sopraria a aragem briosa dos sonhos que por vezes me revoltam a solidão?
Quisera um dia correr como o vento, mas não consegui porque deixei de sonhar. Os sonhos muitas vezes são desequilibrados. Não se nota, é a paixão.
Salvar sonhos já não é o que era dantes, no tempo em que os animais falavam, quero dizer, ser salvo por elas, então é mesmo para esquecer. Esqueceram-se de mim, penso eu, sem sonhar.
Faz tempo que aqui estou neste charco sonso, catano! Não há maneira. de me olharem. As mulheres passam com as crianças ao lado. Eu bem estendo os lábios. Eu bem assobio ao Sol sempre que uma qualquer ela se abeira do lugar onde normalmente me estiro em descanso, charco.  Elas bem se esticam olhando como se olhassem um espelho para se verem giras para todos menos para mim que estou mesmo aqui, à mão até. Mas nada! Nada! Têm-me nojo, asco. Algumas assustam-se e saltam, outras, chegam a rir-se de mim. Caneco!
Sonhava que era um sapo. Podia sê-lo em verdade, quiçá, serei?
Parti os espelhos que tinha em casa.
Desisti.
(.. 04Ag'07)

3 comentários:

Anónimo disse...

Um sapo pode ser sempre alguem á espera de um beijo unico para o transformar num princepe... será?
tonto!rsss
Beijo.

Anónimo disse...

Tens arte na maneira como escreves, incomoda-me. Escreves as palavras contra todas as regras que aprendi. Consigo sentir que continuas irreverente contra a manipulação da ordem das coisas. Gosto, como já tinha dito. Audácia e sensibilidade tens, a ternura faz parte de ti, que mais te falta? Assume-te sapo lindo! Deixa de escolher tanto. Continuas de acesso difícil. Muitos anos passaram e o meu beijo não te transformou. Continuas igual a ti e, é muito bom saber isso. Queria ver a foto que tinhas no perfil. Não ficas velho e isso incomoda-me. :-) Beijos. Alexa

Anónimo disse...

Tu e as tuas histórias!!! Deu para ver que este agosto foi em cheio, mas o calor nem foi muito. eheheheh A tua amiga alexa tem razão. Também me incomoda, não envelheces? Qual é o truque? Andas a poupar-te? eheheh Ai sapo que não aprende, continuas difícil e esquisito na escolha. Amigo querido, beijos de mim SG.