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quinta-feira, 25 de outubro de 2007

No meu tempo não era.

Cinco décadas merecem algum respeito. Já não temos tanto tempo a perder. Por isso, como não podemos tirar a roupa mais depressa, arranjamos uma forma muito melhor, muito mais melhor boa, de não perder tempo. Deixamos - simplesmente simples, de olhar para o tempo que perdemos como uma perda de tempo.
Este, o segredo porque tanta gente, nos cinquentas, se põe a fazer encantadoras palermices: sabemos que a vida está, para nós, no seu ponto de rebuçado. Não existe experiência que não nos pareça termos já tido e, no entanto, temos a sensação de estar pela primeira vez a apreciar os verdadeiros prazeres da vida.
Os bebés, aprendem a gatinhar, enquanto eu, não tenho a sorte de encontrar um caminho para de uma melhor forma viver no amor dela, o meu amor.
Não existe pior na vida que, viver só. Alguns ainda o merecem, mas eu, não admito que, exista alguém que me julgue, vivo só.
Aos cinquenta, o sexo é melhor, digo eu, do que nos vinte ou trinta. Que seja, menos enérgico, memos parecido com uma aula de aeróbica – cima, baixo, insiste, vai a cima, vai a baixo, etc e tal.. Mais rápido.. Um, dois, três e quatro – é mais sábio, muito mais amante, mais amado, mais sentido, mais humano, muito mais rendido à beleza humana – beleza humana da mulher. Sei. Sinto. Amei.
Os corpos - nos cinquentas, continuam belíssimos, embora amaciados.. enfim, por andarmos por este mundo.. faz cinquenta anos.. caramba!..
As palavras criam realidades. Se repetirmos muitas vezes “no meu tempo” acabamos de facto, se sermos excluídos deste tempo. Calei. Calo-me. Não admira que muitos cinquentões tenham a impressão de que a vida lhes passou ao lado. Se a vida for amar, tornar alguém feliz, essa, nunca me passou ao lado. Só se esquecem, é vezes demais, de mim.
Temo que tenha feito tudo bem, quer dizer, lutei pelos meus sonhos, minhas crenças. Temo que não tenha encontrado ninguém que, acreditasse que a vida é assim afinal, mais simples.. Bastando apenas um abraço.. e a vida melhora.
Tenho, sinto, andado num mundo desconhecido, acreditando que todos merecemos melhor e um simples amor. Vou desviar-me, caminharei nas brasas de uma lixeira humana, talvez encontre o lixo que, se assemelha mais ao meu sentir. Não sirvo para amante. Não sirvo para padecer num erro de felicidade de um outro, se não tem a coragem de me fazer feliz.
Estou em Outubro de 2007, assim penso, assim não me encontram.
Noutros tempos não era assim. No meu tempo, não era assim.

(.. 25Out'07)

1 comentário:

Anónimo disse...

Faz algum tempo que não venho aqui espreitar-te, mas deixas-te o teu diário ao deus dará, algum tempo. Noutro tempo conheci-te mais forte. A idade faz-te anichar? Olha J desculpa, amantes são os animais que não tem cama própria nem sentido de vida e fazem as necessidades em qualquer lado. Não te conheçi assim. És difícil, mas assim sempre foste. Continua a ser quem és, mal ou bem, não te curves, não mudes a tua maneira de brincar e de ser. Aonde anda aquele sorriso lindo? Beijos SG