| Contradições | Realidades | Sonhos | Desilusões | Caprichos | Destino | Expectativas | Sentimentos | Frustrações | Desabafos | Contradições | Realidades | Sonhos | Desilusões | Caprichos | Destino | Expectativas | Sentimentos | Frustrações | Desabafos | Contradições | Realidades | Sonhos | Desilusões | Caprichos | Destino | Expectativas | Sentimentos | Frustrações | Desabafos | Contradições | Realidades | Sonhos | Desilusões | Caprichos | Destino | Expectativas | Sentimentos | Frustrações | Desabafos | Contradições | Realidades | Sonhos | Desilusões | Caprichos | Destino | Expectativas | Sentimentos | Frustrações | Desabafos | Contradições | Realidades | Sonhos | Desilusões | Caprichos | Destino | Expectativas |

terça-feira, 29 de abril de 2008

Fragilidade sem paragrafos.

Há poucas coisas perigosas. As mais perigosas são as coisas de amor. Algumas gentes sabem que falo com a boca toda. Boca aberta. Às vezes sinto-me muito bem em gritar as coisas do meu passado. Outras vezes as do presente. Das minhas coisas. Das coisas que quero acreditar que sinto. Ou que vejo, mesmo que em sonho. Não um sonho, mas muitos sonhos. Sonho muito para acreditar que tudo o que quero é verdade. Por isso escrevo e falo demais. Por vezes acho bonitos os meus sentires, quando sonho muito. O que me prende mais às coisas é o imprevisível, que não gosto, diga-se. Mas o que me guarda é a fragilidade. Talvez o meu pior defeito. Defeito para outros. Perco sempre de qualquer maneira, por isso não mudo. Não sou de mudar. Também não sou capaz - essa é que é verdade. Gosto das coisas como são. Se não me pertenço, porque cismar que alguém me pertence? Tenho muitas coisas em que pensar de momento e o momento nem é próprio. Não quero pensar. Mas o que mais quero é, respirar o ar, meu e o dela. O dela mais do que o meu. Do meu estou fartinho. O dela faz-me viver, mesmo que seja só por um bocado de vida. Gosto de colocar bolas de cera nos ouvidos - quando sonho. É o mal de não querer ouvir a verdade. Assim só vejo os bonecos. É mais fácil. As coisas bonitas são para serem vistas com os olhos abertos. Sem som é preferível. Os olhos abrem-se mais. Às vezes não gosto de ouvir o que não sonhei. Ouço muito mal - deve ser. E sempre que posso, amarro a audição de mim e da noite, antes que chegue. Há coisas que quando se tornam familiares deixam lentamente de se ver. É uma maneira de as fazer desaparecer – sem som. Acredito que deve ser assim. Por isso gosto de sonhar sem som. A verdade custa a ouvir, não mereço som. Seria infindável a dor. Se encontrar alguma coisa que me satisfaça não faço nada para mudar. Mas preciso de gostar. O que não parece que ultimamente seja assim tão linear, a minha vida. É como o dormir sozinho. Não aprecio. Não gosto. O meu estado de alma ao me levantar da cama é avarento - não contém felicidade. Se acordar a ver flores é, porque me deixaram sonhar. E eu gosto de flores, para além de me sentir muito bem. Os vícios vazam sem flores. Não continuo a sonhar porque assim como há um tempo no qual com esforço e prazer nos habituamos a outro corpo, chega também o dia em que dele nos desabituamos sem prazer. Preciso de olhar os sentidos nos cantos mais recônditos. Em lugares onde não se usa fitas bonitas no cabelo nem pinturas da beleza feminina. Como digo; obrigam-nos a olhar as coisas grandes, mas sabemos que é nas coisas mais elementares que atinamos o nosso melhor fato para um dia sorrirmos acompanhados. Só o fim, por não ser preciso para nada, escolhem as gentes. É o mal das facilidades. Ninguém hoje quer lutar. Por mim iniciava as palavras de hoje como gosto de as dizer quando as sinto – de boca muito aberta, do tipo; apetece-me abrir-te as pernas e lamber-te toda - mesmo que grites que não gostas de mim. Ainda te sussurrava com meia boca; desce em mim as tuas mãos macias e afunda-me com a tua boca molhada. Quero! Quero sempre. É! A vida parece-me tão frágil e insignificante. Por isso vivo como se tivesse já arrumado as malas da vida que nunca vivi. Falta pouco para acabar. O quê, não sei. Também por isto vivo intensamente um dia de cada vez e vou treinando o corpo e o espírito a não criar laços. É muito mais fácil de viver e a dor é menos violenta.

.. apetece-me abrir-te as pernas e lamber-te toda (*).

(.. 29Abr’08) (2)



(*) O escritor escreveu. Eu falo a sentir.

Sem comentários: