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terça-feira, 5 de agosto de 2008

Fazem-me falta alguns amigos.

.. que ficaram no deserto.

ao cuidado da afectuosidade adequada:
Ao magro. (ja)
Ao gordo. (ac)
À minha estimada e muito querida gordinha. (af)
Ao barrigudo. (jc)
À outra querida de lá de baixo. (ap)
E poucos mais.. outros e outras.


Às vezes penso que sei tudo. É um facto! Tenho dificuldade em admitir que vivo sem razão. Sou destinado a ser daqueles que sabem, pelo menos quase tudo, pelas adversidades da vida que vivi. Devia “mazé” ter vivido menos ou ser cego para as coisas que vi, pelo menos conseguia ser "mais" feliz, feliz como os outros – deve ser isso.
Na verdade sou um mole, apesar de não conseguir fazer equilíbrio entre o SIM e o NÃO – repito-me. É um facto que querer DEFORMAR-ME, é um exercício que não me pertence, mas reconheço que devo faze-lo para o meu bem e, para o bem dos que me envolvem. Não estou a imaginar-me continuar a falar claro com as pessoas. Todos precisam de ouvir mentiras. É assim que reflito o pensamento, ao chegar à idade de voltar a ser criança. É uma contradição. Mas a maioria aceita e vive assim e não posso fazer nada.
Tudo é muito novo nesta nova vida. Estou em aprendizagem. Preciso de nova ajuda. E se tenho de aprender a viver tudo de novo, constato, o caminho está infestado com hábitos, vícios e preguiças.

Estou a conseguir arrumar as desarrumações que tive há tempos atrás, aquelas coisas do ex-emprego. De momento não me lembro onde andei a trabalhar durante quase 34 anos! Sei é que o arrumo é fiel. A caixa das arrumações é enorme. Consegui enfiar os anos todos na dita caixa. É um facto. Já acordo sem saber o que fiz. Durmo sem ser repreendido com questões desse tempo. Engraçado! Acho que consigo e vou conseguir muito mais. São inexpressivos. Os anos passados. Quer dizer, só falta afundar mais um pouco para que outras coisas fiquem mais à superfície, segundo os meus princípios. E os meus desejos também.

Faz-me falta é os poucos amigos que deixei lá. Esses não quero esquecer. Foram poucos os que ficaram. Esses não deixo de pensar. Sinto muito a falta deles. Foram muitas coisas boas, outras más, que passámos. É sensato pensar nos amigos que deixei no deserto. Eu gosto de pensar neles. Tenho muitas saudades deles. Sei! Não existe saudades! Eu que digo isto tantas vezes, quase sinto saudades deles. Na verdade posso tê-los perto de mim sempre que quiser. Tudo o que penso deles e com eles, é gratificante. Reconheço, posso rever sempre que queira, mas verdade verdade é que o deserto é enorme e eu abomino as securas das travessias para chegar ao local que por vezes é incerto.

Às vezes acordo com um sofrimento muito antigo, parecido ao que já tive quando era muito pequeno. Quase igual ao que senti pela primeira vez que me disseram que a minha mãe tinha-me deixado. Partiu sem me dizer nada. Era pequeno, ainda não percebia as palavras. Não tive qualquer preocupação de maior. A sua face não me era ainda familiar. Alguém me dizia – lembro-me; ela vai ganhar a vida para ficar sempre contigo. "Depreendi"; e nunca mais ficarei sozinho.
Todos os dias, quase todos os anos da minha vida eu ouvia as palavras que nunca percebia muito bem. Nem hoje. Amanhã também não quero perceber. Já não me faz falta essas palavras, a não ser, para dizer que tenho uma mãe em algures num local que hoje nem o reconheço.
Muitas vezes não estava bem. Não havia ninguém para me ajudar porque, nem procurava ninguém, quanto mais querer lembrar-me de alguém.
Todos têm as suas razões. Nunca tenho nem menos nem mais, mas todos os dias tenho falta de alguém. Deve ser por isso que me faz muita falta os amigos que construí em tempo passado.
Hoje a distância é um facto. A vida que cada um leva é sua. A minha é florida e constato que os amigos fazem-me falta.
Não desespero assim tão facilmente. Sou fluido em mascaras. Não tenho a absoluta certeza de nada, nem de merecer isto ou aquilo. Continuar assim, nem sequer me importo. Tudo é melhor do que fazer alguma incoerência atormentada, mas fazem-me falta alguns amigos perto de mim.

(..05Agos’08)

4 comentários:

Anónimo disse...

As crianças gritam para chamar alguém quando precisam de ajuda. Beijos :)

Anónimo disse...

ADORO-TE. Nunca te esquecerei. Fico constrangida, enriças-me ao ler as tuas dificeis mas que sei, puras palavras. Recebe de mim abraços.

Anónimo disse...

ufa encontrei o teu blog. Continuas na mesma, sensivel em demasia. És um bom e querido amigo. Ainda continuas com aquele ar de durão? eheheheheheh Gostei de ver a tua foto, estás ainda muito bonito, como sempre. Aqui em casa temos saudades de ti. Bjos da xa

Anónimo disse...

tb tenho falta e saudades de ti. beijos