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sábado, 21 de fevereiro de 2009

Acreditar

Uma pobre senhora, com um ar visível de derrota estampado no rosto, entrou num armazém e aproximou do proprietário conhecido pelo seu ar grosseiro, e pediu-lhe fiado para alguns mantimentos.
Ela explicou que o seu marido estava muito doente, não podia trabalhar e que tinha dois filhos para alimentar.

O dono do armazém zombou dela e pediu que se retirasse do seu estabelecimento.

Pensando na necessidade da sua família ela implorou:

- Por favor senhor, eu lhe darei o dinheiro assim que tiver.

- O proprietário respondeu que ela não tinha crédito nem conta na sua loja.


De pé, junto ao balcão, ao lado, um freguês que assistia à conversa entre os dois, aproximou-se do dono do armazém e disse-lhe; dê o que aquela mulher necessita para a sua família, por minha conta.


Então o comerciante meio relutante disse à pobre mulher:

- Você tem uma lista de mantimentos?

- Sim, respondeu ela.

- Muito bem, coloque a lista na balança e o quanto ela pesar, eu te dou em mantimentos!

A pobre mulher hesitou por uns instantes e com a cabeça curvada, retirou da bolsa um pedaço de papel. Escreveu alguma coisa e depositou suavemente na balança.

Os três ficaram admirados quando o prato da balança com o papel desceu e permaneceu em baixo. Completamente pasmado com o marcador da balança, o comerciante virou-se lentamente para o seu freguês e comentou contrariado:
- Não acredito!

O freguês sorriu e o proprietário começou a colocar os mantimentos no outro prato da balança.

Como a escala da balança não se equilibrava, ele continuou a colocar mais e mais mantimentos até não caber mais nada.

O comerciante ficou parado ali por uns instantes olhando para a balança, tentando entender o que estava a acontecer. Finalmente, pegou no pedaço de papel da balança e ficou espantado pois não era uma lista de compras e sim uma oração que dizia:


"Meu Senhor. O Senhor conhece as minhas necessidades, deixo isso em Suas mãos."


O homem deu as mercadorias para a pobre mulher no mais completo silêncio, que agradeceu e deixou o armazém.

O freguês pagou a conta e disse:

- Valeu cada centavo.


Ultimamente tenho andado menos bem é um facto, por isso apeteceu-me utilizar esta história que penso que a maioria já conhece. É verdade, só Deus sabe o quanto pesa uma oração numa autêntica necessidade. Reconheço, nem sempre ela nos chega na velocidade desejada, queremos já, mas quando recebemos, temos e ou somos felizes, esquecemos sempre de agradecer.
Não existe impossíveis para Deus. Alguns nem acreditam Nele. A maioria perdeu a fé por coisas de valor insignificante. Não olham, nem querem saber de outras gentes que menos têm (umbigo). Para nós, também não deveria existir impossíveis! Pela pressa de cada um, desistimos na primeira contrariedade da vida. Não devia ser assim, a pressa não é benigna. O planeamento sério das nossas necessidades deveria ser tomado em conta. Não é correcto colocar as nossas expectativas nos ombros de alguém que gostamos muito, porque às vezes pode ser um fardo estranho. Todos necessitamos de tempo e a lealdade fortifica os laços. O bom é não desistirmos daquilo que queremos e acreditamos. Todas as gentes têm grandes sonhos e se esses forem íntegros, valem mais do que todos os bens materiais. Acreditar é uma virtude, de poucos, mas vale a pena investirmos em quem nos ama. Ser amada(o) é o maior valor que existe, mas continua a ser pouco para a maioria.

(..21Fev'09)

2 comentários:

Anónimo disse...

Deixei de acreditar! Morri! Sei que renasci. Vontade de Deus e da minha Deusa. Sei que " perdi", não perdendo espiritualmente, um dos meus mais puros e maiores amores, o da minha mãe.Aí, a fúria, a revolta, os porquês, invadiram-me e "zangaram-me" com Deus.Desapareci.Mais tarde, senti-me nova, com forças para tudo, e sem nada materialmente, mas com o amor do meu filho e da minha mãe donde quer que ela esteja... Comecei a sorrir e assim levo os meus dias, mesmo os mais dificeis... a sorrir.A acreditar na Vida, a acreditar em quem amo, e a acreditar em mim, na minha força e na minha vontade de Viver e espalhar o que de melhor eu tenho:O meu carinho, o meu amor.Quero dar mais e mais, pois essa é a minha maior riqueza.Agora sei o valor do amor, sei o quão prejudicial é o rancor e o ódio...A quem me fez mal, pago com um sorriso e leveza do meu ser.
Quem me fez mal, originou a minha morte, mas também o meu nascer totalmente diferente da minha outra existência...Como sempre digo: Nada acontece por acaso.
Acordo, no meu agora, a saber que tenho de lutar para ter alimento para mim e para o meu filho,mas plena de alegria por estar em paz, de bem com a vida e amando-me...
Abraço o bem, desprezo o mal.
Abraço o Acreditar...

:)

Eu... Maria disse...

Faltam-me as palavras para comentar, mas deixo apenas uma observação.
Devemos investir, sim, em quem nos ama e a quem amamos, mas dos demais não podemos desistir. A esperança deve manter-se, um dia deixarão que Deus entre na sua vida, sem se darem conta. Veja o que sucedeu com o comerciante.