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sábado, 4 de setembro de 2004

Quarentão! No tempo serei cinquentão.

Depois de chegar das minhas pequenas e justas férias, alguém se atreveu a oferecer-me um filme em DVD (claro que foste tu). Ainda na “labuta” do saborear dos últimos dias que faltam para o recomeço da rotina laboral, recebo o dito. Visionado e me deleitado com o mesmo, entendi com a raiva de homem a mensagem da minha amiga oferecedora.
Perguntam vocês! Mas afinal que filme foi esse que mexeu com este gajo?

Alguém tem que ceder. “Something’s Gotta Give”

Pergunto eu, e vocês viram?
Bem, eu vi e como vi de certa maneira o meu espelho, não gostei. Alguém gosta que lhe digam as verdades, mesmo que sejam verdadeiras? Eu nem assim nem assado mas, e só naquela de brincadeira, sério, sério é mesmo para me aborrecer.

Vem esta a propósito de uma pequena deserção, sobre o estado actual das mulheres e dos homens adultos, contada por uma das intervenientes, irmã de Erica, personagem de mulher dócil, gostosa mas que a vida lhe está a passar com a resignação consentida da própria e de muitas.
Gostei do que ouvi. Revi. Voltei a rever. E depois fiquei a pensar se estaria a sonhar ou seria mesmo verdade o que estava a pensar que tinha visto e ouvido. Na verdade estava ali tudo escarrapachado para um homem que queira entender, sem papas na língua.
Acho que sempre pensei nesse assunto e de certa maneira foi sempre o que tenho sentido.
Afinal porque fujo (mais correcto e é sempre o que digo, é que tenho um medo terrível delas) das mulheres adultas?
Não querendo perder mais tempo em delongas, permitam-me descrever o dialogo em causa que, não é tão justo assim como parece à primeira vista, depois eu explico.

Erica Barry e sua irmã Zoe e Sanborn.

Fala a irmã de Erica para Sanborn (63 anos, namorado da filha (30 anos) de Erica)

“… Você já tem uns anitos, não?
Tem quantos, 60? 63, O.k.?
Nunca casou, o que sabemos, se fosse mulher, seria uma maldição. Seria uma velha solteirona.
O mundo louva o facto de nunca ter casado.
É um homem fugido, difícil de fisgar, um bom partido!
Por outro lado aqui a minha deslumbrante irmã, que é bem sucedida!
Tem mais de 50 anos, é divorciada e fica em casa, noite após noite após noite, porque os tipos disponíveis da idade dela, querem miúdas de 30 anos!
Todo o panorama dos namoros acima dos 50 anos… Está orientado de forma a excluir as mulheres mais velhas!
Em consequência disso estas tornam-se mais produtivas…
E por conseguinte, mais interessantes, o que por outro lado, as torna menos desejáveis, porque os homens principalmente os mais velhos, sentem-se ameaçados e fogem a sete pés…
De mulheres produtivas e interessantes!
É tão óbvio!
As mulheres disponíveis mais velhas são o grupo mais excluído que existe!

Felizmente, o homem morre mais cedo do que as mulheres, é a nossa única safa.”

“Amiguinha”, já vi de tudo. Já senti isso tudo. Concordando com a forma, não concordo com o conteúdo. Não generalizando, por mim tem aspectos mais fortes do que os que foram dissecados.
Um dos maiores exemplos é o que sinto; !constituição de uma nova família!
Estranho? Passo a explicar.
Existem homens (eu), seja qual forem as suas idades, ao se separarem, a primeira coisa que dizem para com o seu ego, é: Nunca mais me caso… blá… blá… blá…
Passado algum tempo, passando a fronteira das coisas banais, é aí que se levantam novas atitudes de vida ou de recomeço, para quem acha que ainda merece refazer-se para um novo caminho (castigo, digo eu).
Quero uma mulher que seja minha esposa, aceite-me como sou e que me dê filhos. Ou seja… constituir uma nova família.
A maioria dos homens pensa que sim, e esta, é a atitude mais banal parecendo irreal.
Quem é a mulher que depois dos quarenta anos se atreve (sabendo hoje que os riscos cada vez são menores na gravidez de idade avançada) a pensar (bem, eu conheço uma que com 45 anos que aceitou uma filha do seu amor, mas essa no antes, não fez parte dos meus caminhos) numa nova família?
Seria também justo dizer, coisa que penso muitas vezes: com que direito eu penso que posso refazer uma nova família com uma mulher mais nova?
E porquê, as mulheres dos quarentas não querem?
E porquê, as mulheres com menos idade aceitam pacificamente essa atitude?
E quantas também divorciadas e com filho, tem medo dos seus medos? Estas ainda mais difíceis são, de aceitarem a construção de uma nova relação.

Que motivações me movem a renegar a bela mulher dos cinquenta, que tudo já fez na vida e nem chatices nos dá e sabe exactamente o seu lugar e o nosso?
O homem primeiro emerge na ideia do: Primeiro vou tentar, depois logo se verá. Na verdade é isto que todos queremos. Pensamos e bem, que não deixámos de ser quem éramos.
E o tempo passa tão depressa... é mesmo um abrir e fechar de olhos, e um certo dia no tempo, os homens, acordam, olham no espelho e dizem; mas afinal eu quero uma nova família para quê? Já não tenho paciência para aturar fraldas, consultas, infantários, etc etc etc
Eu continuo a pensar que o homem quando chega a este estado é a negação da vontade do seu sonho e um consentir de realidades (diversas são as razões).
Será necessário ouvir de uma bela mulher de 30 anos, que somos já velhotes e que quando ela chegar aos quarentas (idade quente de uma mulher) já não damos uma “queca” em condições?
Será que somos masoquistas?
Só pensamos em sexo?
Só nos move na vida, pernas abertas e cheiros de aromas diversos mas todos eles agradáveis?
Não quero acreditar nisso. Sei que não fui ensinado a ser um homem na verdadeira palavra e sentido. Obrigaram-me em pequeno a olhar uma bola! Ser homem era jogar com uma bola. Bonecas! Isso era para raparigas... Puxa!

Agora que sou grande e dono dos caminhos que percorro bem ou mal, faço o que me vai na gana. Digo NÃO a tudo o que me ensinaram, agora só quero brincar com bonecas.
Pergunto eu afinal, mas existe algum mal por eu querer isso? Tenho que pensar como o poeta que diz: “Enquanto não aparecer a que será a minha mulher, vou brincando com as mulheres erradas”
Eu digo NÃO. Acreditam?

Outra das vontades que podia dissecar, é o facto de nós homens sabermos que enquanto nos movermos bem na cama tudo está no seu lugar. Se a vontade das pernas nos abandonar então temos mesmo que arranjar uma vara, uma bengala ao jeito de nos ajudar a caminhar o resto das nossas vidas.
Será que é isto que terá que acontecer? Eu ainda não cheguei lá mas, não quero acreditar que tenho que estar mal, para depois remediar. Não, o poeta não diz mas digo eu todos os dias; “A carência é inimiga do amor”, e quanto mais tarde mais amargos de boca teremos. Qual o homem que não sabe isso?
Logo se isso acontecer, sei, sinto que nunca vou ser feliz o resto dos meus dias.
Mas afinal onde está essa mulher de idade bela que eu me delicie a sonhar e aceitar caminhar com ela?
Afinal o dinheiro não existe mais na vontade de uma mulher?
Ah! Faltava isso mesmo, dinheiro. Claro que os meus caminhos tem sido vilipendiados, desgastos em horizontes que quiçá não serão as minhas melhores escolhas, mas aqui sou eu que falho como homem.
Agora sim, como diz o cantor: “Já tive mulher, de todas as idades, de blá blá blá” e reconheço que o dinheiro não é a minha melhor virtude, e quiçá, sei que minhas melhores virtudes são utilizadas em proveito do momento, do tempo, do corpo, até que se olhe com olhos de não querer ver o inevitável e essa mulher se lembre que o dinheiro não é uma boa virtude.
Será que sou um de tantos, um eleito?
Alguns deste tempo, acham que as ejaculações ou orgasmos são a tentativa de chegar mais perto Dele! Eu assim não penso.
A arte do sexo, dizem; é a arte de controlar o descontrolo.
Quantas coisas faço, para que o tempo pare e muitas vezes o desejo é que passe?
Sinto agora mesmo, que não é neste lugar que eu deveria estar, mas, sim ali.
Obrigado ao presente (momento).

Hoje sinto-me grato pela oferta. Gostei de pensar.

((.. 31Ago'04)

2 comentários:

Anónimo disse...

Você nunca amará, não sabe fazé-lo. Pena né?
Você se "apaixona" diz que ama, dá uma, duas, tres com a moça e depois se esquece dela.
Eu amei e amo você!
Amarei sempre de verdade.
Não tenho você, mas que importa? Ninguem tem você de verdade, só mesmo de fingimento seu.
Pena você ser assim!

SepolOm disse...

Algumas considerações:

1 - "...Você se "apaixona" diz que ama, dá uma, duas, tres com a moça e depois se esquece dela."

Consigo aconteceu isso? Fama sem proveito, é coisa que nunca me importei.

2 - "Eu amei e amo você! Amarei sempre de verdade."

Quem me ama não tem rancor. Na verdade continuo à espera de quem me aceite com os defeitos com que fui fabricado. Afinal não sou um homem?

Só não entendo porque me ama? Será que eu sei?

Nota: "Para viver um grande amor é preciso ter a coragem de ficar de mãos vazias e ir ao encontro do desconhecido."
Será que acertei?
(Felicidades)