| Contradições | Realidades | Sonhos | Desilusões | Caprichos | Destino | Expectativas | Sentimentos | Frustrações | Desabafos | Contradições | Realidades | Sonhos | Desilusões | Caprichos | Destino | Expectativas | Sentimentos | Frustrações | Desabafos | Contradições | Realidades | Sonhos | Desilusões | Caprichos | Destino | Expectativas | Sentimentos | Frustrações | Desabafos | Contradições | Realidades | Sonhos | Desilusões | Caprichos | Destino | Expectativas | Sentimentos | Frustrações | Desabafos | Contradições | Realidades | Sonhos | Desilusões | Caprichos | Destino | Expectativas | Sentimentos | Frustrações | Desabafos | Contradições | Realidades | Sonhos | Desilusões | Caprichos | Destino | Expectativas |

segunda-feira, 20 de novembro de 2006

Estou bem onde estou.

Na verdade só estou bem onde estou e não aceito hoje, aqui e agora, a cantiga “só estou bem onde não estou”. Parece que, de repente, o canto do António virou a cantiga “da verdade”, e que em cada esquina, corre a inquietação da procura de um lugar alternativo em que ainda por cima não se acredita que melhore o que quer que seja.
No meu tempo, por muitas razões que agora não quero recordar, acho que se acreditava que havia lugares em que não só se estava bem mas, permanecia-se num qualquer limbo de êxtase. Era uma ideia de solução definitiva, ao gosto do meu tempo e feito na medida de nós próprios, era assim que queríamos que tudo fosse. Os sonhos, estavam ali.
Lembro-me - quero lembrar-me agora, a maioria das pessoas alinhava nessa ideia de que o lugar perfeito é sempre outro, diferente daquele que nos é acessível.
Revoltávamo-nos, mas passava. Zangávamo-nos, mas era de curta duração. Acomodávamo-nos, mas não contava para nenhuma contabilidade. Lembro-me das bastas interrogações que eu e os meus amigos fazíamos - “quem sou”, “de onde venho e para onde vou”, mas desvanecia-se nas borbulhas da minha, nossa adolescência e nos primeiros amores inflamados.
Lembro-me de tudo, quero que assim sejam as minhas lembranças de moço, mesmo que perdido por um qualquer lado ou por uma qualquer razão, houve sempre demasiada gente a suspirar pelo paraíso perdido, pela relação perfeita, pelo estatuto que se colasse à pele, pela fortuna que trouxesse fama e glória.
Mas sabem como é: o tempo é sempre traiçoeiro e a memória organiza-se como pode, arranjando o passado em função do presente, para haver um antes diferente do agora.
Neste agora, quase parece mal dizer que não se quer ir a lado algum, mais agora do que ontem, a maioria nestes das gentes dos espaços virtuais, gosta e diz alto e em bom som (mentira, se disse-se que gostam de dizer), que não querem nada – são felizes, felizardos! As gentes que aqui vêm já têm tudo! O dia que corre, corre simplesmente, flúi, transforma-se num lugar, que nos faz chegar aqui, um altar que no final do tempo, qualquer tempo, tornar-se vulgar e para mim este lugar não é nem nunca foi um lugar vulgar. Vim parar aqui porque, quis e quero. O que tenho, adicionarei aos amigos que sempre fiz em espaços semelhantes.
A cantiga que hoje faz furor, a do António, irrita-me!
Em cada esquina corre a inquietação da procura de um lugar alternativo em que, ainda por cima, não se acredita que melhore o que quer que seja. Virámos “todos” para o individualismo e hedonistas, ou então é o cansaço dos dias iguais que nos fazem suspirar e queixar, sem conforto do sonho, nem o recurso ao imaginário…
Aprendi desde cedo… Há um único tempo que faz a diferença: o do aqui e agora. Pena é que a maioria confunde vezes demais o, “aqui e agora”. Nunca entendi a razão mas, continuamos a fazer enormes confusões, sinto-o – gosto de dizer que, o meu dia foi fantástico, mesmo que um não o tenha sido tão bom, geralmente é fantástico.
Tenho para mim que a maioria das gentes, faz julgamentos dos outros na medida que julga as suas necessidades. Tenho para mim que, a maioria, refaz o que aprendeu, segundo as suas conveniências. Tenho para mim, que “mudamos” vezes demais – para pior, segundo as nossas vinganças, segundo as nossas tristezas, segundo as nossas cegueiras. Tenho para mim que nunca paga quem nos fez mal e isso sim, quem num momento qualquer, atravessou o nosso caminho no momento errado, isso sim, pagamos sem saber que mal foi executado ou que males nós merecemos. Somos assim, e as desculpas são sempre – na maioria dos casos, injustificadas, assim somos, pedintes de afectos que não merecemos, porque não alimentamos convenientemente os sentires de outrora – os que nasceram em bondade e saúde no nosso berço.
Mudámos para pior, porque as conveniências servem-nos à mesa da fome do “aqui e agora”.
Sempre acreditei no tempo. Até hoje não tenho qualquer razão para ter dúvidas. O tempo foi e quero que seja, sempre meu amigo. É no tempo que vejo o melhor carácter dos que escolho para meus amigos.
Morro com a malícia negativa, brejeirice sem lógica, a cusquice, a intriga, a mentira, as omissões e outras coisas que me afectem os sentires e que afectem os sentires de alguém que estimo muito! Uma vida a seleccionarmos o que aprendemos, ainda por cima, contra nós, e acabamos a entrar no coro do “só estou bem onde não estou”...


... como se alguém de bonito fosse um destino seguro e com sentido.

(.. 20Nov'06)

Sem comentários: