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quinta-feira, 14 de dezembro de 2006

O amor não desaparece.

"O amor não desaparece no acaso, só fica ali guardado naquele lugar onde dói muito." (jl'06)

Basta!
Não sou vítima do amor, decididamente. Outros assim pensam que sou. E até que sou um sofredor de amores. Pensam também que dia, semana após ano, todos os amores me abandonam. Decididamente é um engano mordaz e de muito mau gosto. Pior, só de gente que um dia gostou e no mesmo dia ouviu-me dizer com sinceridade, NÃO!
Gosto que assim pensem, faz-lhes bem, muito bem. Sentem-se melhores. Superiores. Até conseguem coragens para dizer palavras sem sentido, mesmo até mal-educadas e sem fundo de verdade.
Só quem amei - hoje do meu jeito, sabe e sente que nada é como escrevo. As palavras, essas que ofereço aqui. Assim quero, assim escrevo.

Afinal o que é viver a vida ao máximo?

Eu vivo mesmo nos limites. É por isso sinto que erro mais do que os outros mais normais que não eu. Pergunto-me tantas vezes…
Funciona?!
Mulheres estranhas sem amarras?!
Sem compromissos, sem casualidades?!
Porra!... Mas viver assim é viver? Cabeça pelo sexo?... Digo eu, penso eu.
O sexo em mim e para mim é, um “bico-de-obra”! Só funciona bem, se gostar. Não consigo pela casualidade apesar de quando era moço acreditar nisso. Ao crescer, senti que a solução da "vida boa" ou viver a vida ao máximo, não se encontra por esse caminho. Digo eu, penso eu.
O sexo é amor, não uma masturbação num lugar qualquer junto a uma praia, com um cenário fantástico, sonhando com uma mulher qualquer que, um dia passou por mim e mordazmente se atreveu a olhar-me e pensar: Sou linda, eu sei, mas nunca me vais ter.

Perdi.

Quando escrevo que perdi, quero dizer isso mesmo. Perdi porque não sou capaz de continuar uma relação que não esteja tudo presente - principalmente eu.
Perco na maioria das vezes. Sou assim, sei, mas é Deus que quer que assim seja! Ele é fantástico nos meus caminhos, apresenta-me mulheres extraordinárias mas, onde fico eu?
Quando o amor não está presente, não sou capaz de continuar, mesmo que os livros e as gentes cultas me digam que o amor "aprende-se", cimenta-se com o tempo.
O amor está ou não está presente. Não engano. Não brinco com os meus nem com os sentimentos de ninguém.

“L’amour rend aveugle”

Não sou assim, lamento. Não vivo de paixões. Assim parece-me a mim que sei quem sou.
A paixão cega-nos. Engana-nos. E eu evito-a o quanto me é possível. Acho que consigo, estou a conseguir, mesmo que depois fiquem zangadas comigo. Quem acaba, acaba!
Fica o quê?
Deve ficar alguma coisa?
Amizade?
Quanto tempo se faz uma amizade?
Sei, quando parto, perco sempre alguma coisa. É verdade. Rejeito o “amandar” palavras más seja a quem for, como gentes o fazem, só porque queriam algo que eu nunca senti e quando me dão, cobram!
É obvio! É só mais um motivo para eu ter dificuldades em aceitar seja o que for. Por isso, sei que perco, por vezes é muito mesmo. Por isso, gosto de dizer; ela mais uma vez me deu com os pés.
Sinto-me muito bem.

Não procuro qualquer conforto nas estranhas.

Não, por favor! Não!
Provavelmente o que sou como homem, só servirei mesmo para estar (viver) com UMA mulher, e essa provavelmente anda por aí.
Provavelmente não sou bom para ninguém - maioria.

Se alguém me jurar amor eterno, de repente, sinto um sufoco mordaz. Vivo o dia a dia sem juras. Vida simples. Sem qualquer compromisso, porque o medo de não amar alguém que estimo é muito mau e ninguém merece ouvir o que muitas vezes tenho dentro de mim no nascer de uma relação.
O medo de não conseguir amar, faz com que nunca me empenhe na sua totalidade, e isso me faz sentir falso. Mas são os meus medos. Sei que existem, sou assim. Milhões de coisas ainda não sei, mas sei não gosto de fazer mal a ninguém.
O significado de amor não é um remendo em mim, tem muito significado, porque eu não quero passar o resto da minha vida a pensar que o amor dói. Só dói quando se ama, mas quero eu acreditar que, muitas dores que vejo por aí, são dores de amores impossíveis e pior mal é, a maioria, pensar; se não és meu, não serás de mais ninguém, ou ainda, vou fazer-te a vida negra.

O amor não desaparece no acaso, só fica ali guardado, naquele lugar onde dói muito.


(.. 14Dez’06) (2)

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