Ouvi bastas vezes. A coragem revela-se na acção, escrevi também. Por coragem entendo a decência de, apesar dos riscos inerentes, fazer o que se considera certo.
É verdade que já corri riscos pessoais e nunca profissionais, mas confesso também que, até à data, me safei. Aliás é esse o meu segredo de polichinelo, descobri, relativamente cedo, que compensa mais um mínimo de coragem do que a ausência dela.
O risco (coragem) calculado, é atirarmo-nos à água num barco qualquer, para salvarmos uma rapariga. Calculado porque sabemos que não existem tubarões, nem outros bichos estranhos. A alternativa é ficarmos cabisbaixos junto dos cobardes, dos que não fazem nada.
A coragem íntima, esta é mais chata. Posso iludir os outros, já a mim, ao meu umbigo é impossível escapar.
Uma história que li faz tempo de Hugo Prant, marcou-me sempre as minhas atitudes de coragem. É assim: Um homem para o irmão: “Tenho algo a dizer-te, mas não sei como começar..” Este encoraja-o: “Inicia pela mais difícil. Coragem!” Sugestão aceite. “Muito bem. Estou apaixonado pela tua noiva.” Dois tipos de coragem, alem de amantes da mesma mulher, ambos os irmãos são pilotos-aviadores em véspera de guerra. A primeira é a coragem moral. A última é a coragem física. A ousadia em consciência do risco que se corre vale zero. Não me interessa nada os que tomam a coragem pela insensatez. Os suicidas, na guerra e nas suas vidas.
Tomemos um homem que se recusa a ir para o exército do seu país! É cobarde e toma uma atitude de coragem.
A coragem moral está sempre próxima do que nos toca fundo no coração, por isso, porque é íntima e nem sempre partilhável com todos, pode muitas vezes parecer o contrário do que é.
Lembro a coragem de “Judas”. O nome dele ficou para sempre, não um outro dos doze apóstolos.
A coragem pode ser em última instancia, passar por cobarde, ou mesmo traidor. A coragem vai contra a corrente do tempo. O que chamamos hoje aos homens que fugiram antes do 25 de Abril ao exercito? Heróis?
Por várias razões, é muito fácil ser “justo e bom”, quando se espera um prémio qualquer, num qualquer lugar e porque não no céu!
O difícil é ser decente, apenas porque SIM. Apenas porque NÃO. Porque essa foi a nossa decisão, mesmo que estejamos condenados e alguém não queira saber mais de nós para sempre. A isto, eu chamo dignidade.
(.. 25Nov'07)
É verdade que já corri riscos pessoais e nunca profissionais, mas confesso também que, até à data, me safei. Aliás é esse o meu segredo de polichinelo, descobri, relativamente cedo, que compensa mais um mínimo de coragem do que a ausência dela.
O risco (coragem) calculado, é atirarmo-nos à água num barco qualquer, para salvarmos uma rapariga. Calculado porque sabemos que não existem tubarões, nem outros bichos estranhos. A alternativa é ficarmos cabisbaixos junto dos cobardes, dos que não fazem nada.
A coragem íntima, esta é mais chata. Posso iludir os outros, já a mim, ao meu umbigo é impossível escapar.
Uma história que li faz tempo de Hugo Prant, marcou-me sempre as minhas atitudes de coragem. É assim: Um homem para o irmão: “Tenho algo a dizer-te, mas não sei como começar..” Este encoraja-o: “Inicia pela mais difícil. Coragem!” Sugestão aceite. “Muito bem. Estou apaixonado pela tua noiva.” Dois tipos de coragem, alem de amantes da mesma mulher, ambos os irmãos são pilotos-aviadores em véspera de guerra. A primeira é a coragem moral. A última é a coragem física. A ousadia em consciência do risco que se corre vale zero. Não me interessa nada os que tomam a coragem pela insensatez. Os suicidas, na guerra e nas suas vidas.
Tomemos um homem que se recusa a ir para o exército do seu país! É cobarde e toma uma atitude de coragem.
A coragem moral está sempre próxima do que nos toca fundo no coração, por isso, porque é íntima e nem sempre partilhável com todos, pode muitas vezes parecer o contrário do que é.
Lembro a coragem de “Judas”. O nome dele ficou para sempre, não um outro dos doze apóstolos.
A coragem pode ser em última instancia, passar por cobarde, ou mesmo traidor. A coragem vai contra a corrente do tempo. O que chamamos hoje aos homens que fugiram antes do 25 de Abril ao exercito? Heróis?
Por várias razões, é muito fácil ser “justo e bom”, quando se espera um prémio qualquer, num qualquer lugar e porque não no céu!
O difícil é ser decente, apenas porque SIM. Apenas porque NÃO. Porque essa foi a nossa decisão, mesmo que estejamos condenados e alguém não queira saber mais de nós para sempre. A isto, eu chamo dignidade.
(.. 25Nov'07)

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