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sexta-feira, 16 de novembro de 2007

E o rei sou eu.

Dizem alguns sábios e outros mentores: a vida são dois dias.. etc e tal. Outros: a vida é uma arte. É interessante, porque ajuda a pensar, mas não é mais verdadeiro do que dizer “a vida não é uma arte”. Podia dissecar tantas banalidades que dizemos sem as pensarmos muito bem. Acima de tudo, a vida não é nem o passar dos dias nem o pesar dos dias. Existem muitos sábios e muitos tolos que pensam. Aos sábios vejo-os como aos médicos: conselheiros do rei, nada mais do que isso, e o rei (o rei da minha vida) sou eu. Escuto-os com atenção, submeto-me aos seus exames de dois em dois anos, e sigo-lhes as instruções, porque quero, e não porque eles querem.
Temos coisas de razão que, só a nós nos serve, mesmo que tentemos vende-las ao desbarato a um amigo qualquer. Por exemplo, um dia disse a uma amiga que não se divorciasse. Fala a voz da experiência, dizia eu. Se tu já achas o teu marido um chato, garanto-te que o próximo será pior ainda. Ela não ligou, ouvidos de mercadora fez, não seguiu o meu conselho, e por acaso até esta bastante feliz com a sua nova vida. O que não significa que eu estivesse errado no caso dela. E não é por ter falhado uma vez que vou deixar de opinar, se fosse assim já me teria calado há muito, mas estou feliz por ter falhado. Aliás como sou pessimista, fico feliz quando me engano. De qualquer modo a escolha era dela, eu só dava um palpite.
Palpites, ora aí está! É a única coisa para que os doutores servem. Não significa que não possam ter bons palpites. Ao saber viver aplica-se o mesmo que, às cartas de amor: todas são ridículas mas mais ridículo ainda é não escrever sobre os nossos palpites e sobre o amor.

(.. 16Nov'07)