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quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

Angústia.

Há momentos desconcertantes que nunca convoco em que a puta da angústia se instala comodamente no meu peito sem qualquer autorização e pressiona até fazer doer. Certo certo é que já não me tira a fome. Não me faz chorar. Respiro é com dificuldade. Ôda-se! Faz-me doer o estômago, roubando-me o sentir do coração. É a porra da vida, dizem uns, cá p´ra mim, é a porra dos tempos arcaicos! Lembro-me de ajudar muito, esquecer do meu rasto e isso é que não. Ôda-se, ôda-se!
Temo que o que nos prende a alguém é o imprevisível. O que nos guarda é a fragilidade. De uma maneira ou de outra o gostar está presente.
Deixei de falar do passado. Do bom passado. Do mau já não me lembro das lágrimas, cresci, e isso já não quero saber para nada. Só por isso devia ser considerado um bom homem, mas não é assim que a vida enaltece o sangue que nos faz pulsar ou os sacrifícios pelo gostar.

Somos necessários a muitas pessoas, mas nunca o suficiente para quem gostamos muito.

Falar do passado é ruim e perda de tempo - é um facto. Devíamos esquece-lo o mais depressa possível. Do passado mau, porque o bom, esse, enobrece os sentimentos e apela ao melhor de nós com os outros vindos. É por isso que a vida seguinte nos é mais leal e cada vez mais difícil. Só assim seremos mais felizes, mais verdadeiros e isso é muito bom para nós e para quem nos segura a mão.
Há momentos que sinto saudades da leveza com que vivia. Felizmente, deixo de sentir, para assumir a responsabilidade de gostar muito, por isso gosto do agora, momentos raros, em que me esqueço no que hoje me transformei. Assumo que violo as regras todos os dias das gentes normais. Sou um fazedor de caos, dizem. (*)
É como o escrever, gosto, sem me preocupar se estou a ser ousado ou não. Gosto de escrever fugindo às regras impostas. Trocar e usurpar virgulas. Gosto porque gosto. O que faz sentido hoje pode esfumar-se amanhã, mas o que conta é o tom da leveza do momento que registo, e isso gosto.
Descrevo momentos, emoções, etc e tal, mas meus. Os que vivo no momento e que ninguém poderá descrever tão bem como os meus dedos. É o encontro comigo. Tinha saudades de me encontrar a sós e isso faz-me muita falta ainda, e quando assim acontece, escrevinho coisas banais que são o meu rasto, quiçá, ainda sombra.
Hoje sei, cada vez mais me sinto só e com vontade de ir a outro lugar. Faço esforços desmesurados que não chegam para que as coisas melhorem e ela sinta que sou presente em quase tudo, mas a partida é sentida pelo menos é o que sinto desde o final do ano.
Não sei se alguma vez conseguirei escrevinhar o imenso mar de sentimentos que habita hoje no meu dentro. Se alguma vez conseguirei encontrar palavras que desnudem os meus melhores sentidos. Não sei e não me interessa por agora. Não serão é fantasias, nem palavras destinadas a viver unicamente em mim. Por isso fluo-as aqui. Partilho. Arremesso-as com vigor para que a puta desta angústia se esfume de vez de mim.

(.. 14Jan’09)

(*) A propósito: O video complementa o meu caos.
(Para ouvir o video, fazer pausa no ruído em cima)