Incongruências com o passado. Hoje, amanhã e sempre.
Hoje cada vez mais, reconheço-me como sendo uma pessoa de coração na boca, difícil, e às vezes sinto-me irreconhecível, tomando como modelo as gentes.
Sou o que tenho, já disse. Digo tantas vezes para que seja cada vez mais verdadeiro, pelo menos persisto, aceitando que sou o que todos pensam que sou. Mas tenho mais defeitos: Mania da perfeição. Complicado ao ponto de ninguém me perceber. Exagerado ao ponto de ser insultado. Sincero ao ponto de magoar. Amigo do amigo ao ponto de amar até ao fim.
Aceito a vossa desilusão perante a minha cabeça, cada vez mais desarrumada, ou melhor, romântica maneira de ver as coisas da vida e das relações interpessoais.
É defeito de visão. Os meus olhos não são lúcidos e actuais quanto os vossos. Com efeito saiu-vos a sorte de nascerem sem este defeito. Os meus olhos transmitem-me nebulosas imagens que interpreta como suposta realidade. Finalmente foi-me diagnosticada a deficiência, vós sois normais, a anormalidade encontra-se em mim - admito.
Gente como vocês, são reconhecidos entre iguais, convivem e repartem aventuras, tratam-se com carinhosas alcunhas e simpáticos diminutivos. Cumprimentam com sorrisos da largura da cara. Confiam segredos interiores, abraçam como sinceros familiares. É delirante a afinidade que nos segundos, minutos, horas, e dias se dedicam com cumplicidade uns com os outros.
Como vos invejo! Que amizade! Que amor! Tenho a certeza que essas coisas adquiridas, por vós viverão para além da vida e dos tormentos de vós mesmos.
Como sois felizes! Comunicam com facilidade. Faz-me parecer sincero e tudo mais fácil.
Roio-me de inveja até ao tutano. A facilidade é tal que multiplicais amizades como matilhas animais. Olho e vejo tudo isto em quase todos vós, gentes.
Porque razão fui amaldiçoado com esta venda que me tapa a visão, identifica a deficiência e não vos reconhece como meus? Observo-vos diariamente. Ó como gostaria de vos imitar o andar altivo e confiante. A vossa culta, simpática e sedutora linguagem. A vossa cuidada e admirada aparência. A amizade transmitida no inicio e no final do dia, com o vosso jogo de mãos, olhos, abraços que se entrelaçam e beijos suaves que se deveriam fazer sentir pelo calor que provocam.
Que bom seria fazer parte da vossa matilha. Proferir com à vontade palavras que se trancam cá dentro, que recusam a exposição, não aceitam entregarem-se apenas como objecto de troca gratuita. Se assim não fosse, se não fossem palavras orgulhosas, se não se recusassem, passaria tal como vós a pronunciar até ao total desgaste palavras tais como; amigo, amizade, amor, lealdade, honestidade, seriedade, confiança, admiração, sim, não, etc e tal, e uma página mais de igual palavreado orgulhoso.
Ó como gostaria! Porque complico o que para vocês é tão fácil? Talvez, talvez não sofresse tanto!
Ó como gostaria! Talvez se não complicasse o que para vocês é tão fácil.
Maléfica venda que não vos deixa ver tais como afirmais ser!
Até compreendo que me olhem de soslaio. É, a minha venda torna-me extremista, idealista e romântico. Ôdase! Acredito que posso contribuir para mudar e ou melhorar o mundo. Acredito nas palavras honestas das gentes leais. Que é no esforço de cada um de nós que se encontra a felicidade de todos. Cresci com este sonho dia e noite desde que me recordo da minha infância.
(cont..)
(.. 02Abr’09).
(meu baú: Texto actualizado, escrito pela minha tinta em 2006.)
Hoje cada vez mais, reconheço-me como sendo uma pessoa de coração na boca, difícil, e às vezes sinto-me irreconhecível, tomando como modelo as gentes.
Sou o que tenho, já disse. Digo tantas vezes para que seja cada vez mais verdadeiro, pelo menos persisto, aceitando que sou o que todos pensam que sou. Mas tenho mais defeitos: Mania da perfeição. Complicado ao ponto de ninguém me perceber. Exagerado ao ponto de ser insultado. Sincero ao ponto de magoar. Amigo do amigo ao ponto de amar até ao fim.
Aceito a vossa desilusão perante a minha cabeça, cada vez mais desarrumada, ou melhor, romântica maneira de ver as coisas da vida e das relações interpessoais.
É defeito de visão. Os meus olhos não são lúcidos e actuais quanto os vossos. Com efeito saiu-vos a sorte de nascerem sem este defeito. Os meus olhos transmitem-me nebulosas imagens que interpreta como suposta realidade. Finalmente foi-me diagnosticada a deficiência, vós sois normais, a anormalidade encontra-se em mim - admito.
Gente como vocês, são reconhecidos entre iguais, convivem e repartem aventuras, tratam-se com carinhosas alcunhas e simpáticos diminutivos. Cumprimentam com sorrisos da largura da cara. Confiam segredos interiores, abraçam como sinceros familiares. É delirante a afinidade que nos segundos, minutos, horas, e dias se dedicam com cumplicidade uns com os outros.
Como vos invejo! Que amizade! Que amor! Tenho a certeza que essas coisas adquiridas, por vós viverão para além da vida e dos tormentos de vós mesmos.
Como sois felizes! Comunicam com facilidade. Faz-me parecer sincero e tudo mais fácil.
Roio-me de inveja até ao tutano. A facilidade é tal que multiplicais amizades como matilhas animais. Olho e vejo tudo isto em quase todos vós, gentes.
Porque razão fui amaldiçoado com esta venda que me tapa a visão, identifica a deficiência e não vos reconhece como meus? Observo-vos diariamente. Ó como gostaria de vos imitar o andar altivo e confiante. A vossa culta, simpática e sedutora linguagem. A vossa cuidada e admirada aparência. A amizade transmitida no inicio e no final do dia, com o vosso jogo de mãos, olhos, abraços que se entrelaçam e beijos suaves que se deveriam fazer sentir pelo calor que provocam.
Que bom seria fazer parte da vossa matilha. Proferir com à vontade palavras que se trancam cá dentro, que recusam a exposição, não aceitam entregarem-se apenas como objecto de troca gratuita. Se assim não fosse, se não fossem palavras orgulhosas, se não se recusassem, passaria tal como vós a pronunciar até ao total desgaste palavras tais como; amigo, amizade, amor, lealdade, honestidade, seriedade, confiança, admiração, sim, não, etc e tal, e uma página mais de igual palavreado orgulhoso.
Ó como gostaria! Porque complico o que para vocês é tão fácil? Talvez, talvez não sofresse tanto!
Ó como gostaria! Talvez se não complicasse o que para vocês é tão fácil.
Maléfica venda que não vos deixa ver tais como afirmais ser!
Até compreendo que me olhem de soslaio. É, a minha venda torna-me extremista, idealista e romântico. Ôdase! Acredito que posso contribuir para mudar e ou melhorar o mundo. Acredito nas palavras honestas das gentes leais. Que é no esforço de cada um de nós que se encontra a felicidade de todos. Cresci com este sonho dia e noite desde que me recordo da minha infância.
(cont..)
(.. 02Abr’09).
(meu baú: Texto actualizado, escrito pela minha tinta em 2006.)
