| Contradições | Realidades | Sonhos | Desilusões | Caprichos | Destino | Expectativas | Sentimentos | Frustrações | Desabafos | Contradições | Realidades | Sonhos | Desilusões | Caprichos | Destino | Expectativas | Sentimentos | Frustrações | Desabafos | Contradições | Realidades | Sonhos | Desilusões | Caprichos | Destino | Expectativas | Sentimentos | Frustrações | Desabafos | Contradições | Realidades | Sonhos | Desilusões | Caprichos | Destino | Expectativas | Sentimentos | Frustrações | Desabafos | Contradições | Realidades | Sonhos | Desilusões | Caprichos | Destino | Expectativas | Sentimentos | Frustrações | Desabafos | Contradições | Realidades | Sonhos | Desilusões | Caprichos | Destino | Expectativas |

domingo, 31 de maio de 2009

Tu.

Logo na tarde em que te vi, fiquei perdido, ali, por tua causa. Minto. Perdi-me pelo que senti e não pelo que vi - com a minha idade, estava habituado a ver o que vi, não mais, mas semelhante. E a noite veio depressinha, não que eu quisesse, mas tu querias, senti, e deu-me uma dor dentro de mim, quiçá, no peito, não me lembro. E a noite chegou. Fiquei ruído por não poder dormir nessa noite contigo.

Hoje, não consegui iniciar o sono de forma normal. Levei algumas horas a pensar na razão. Até sonhei com os olhos muito fechados. Mas não consegui dormir pelo menos no início. Depois percebi que também tenho inícios de sono mal resolvidos. E quando penso assim, pelo menos alivio-me e adormeço.

Estavas na minha frente e olhava-te com olhos de homem. Talvez fosse o encanto do primeiro dia. Uma tremenda cobiça – lembro-me, dava-me cabo do desejo. Desejava-te. Queria desfazer o meu corpo no teu num aperto ciumento. Tinhas fascínio. Feminina. E também uma sedução perigosa, sentia-o. O teu sorriso branco rasgado, incomodava-me. Quase sentia o medo. Eras o medo em absoluto (sempre tive muito medo das mulheres femininas e muito bonitas). E sentia que nunca mais te iria ver - inquietei-me. Muito menos ter-te. E ainda muito menos ter-te só para mim.

Hoje, além de resolver o início do sono, estranhei-me por ter procurado um comprimido para dormir. Tinha medo de ter resolvido mal a coisa. Adormeci pelo cansaço. Acordei cheio de sono e mais cansado.

Devias estar de passagem - pensei. As ruas seguiam o teu corpo. Deixavas um rasto de desejo. Os homens olhavam. Passavas e calavam-se. A minha esperança era jovem, tinhas metade da minha idade. Doía-me tudo. Ver-te e não te tocar, não suportava, era um golpe que pensava que já tinha ultrapassado.

Apaixonei-me no momento. Outra vez. Não tinha sido a primeira vez contigo. Já me tinha acontecido noutro tempo que me negaste, quando também como homem olhei-te pela primeira vez na casa da tua amiga. E passou muito tempo. Muito. Quando prometi que te apagava de mim. Até que de novo me encontraste e de novo mostras-te o fascínio da tua beleza. Do teu sorriso branco e da tua graça também. Nem sabia bem o que dizia e o que te dizer. Olhava-te como ainda hoje te olho. Apaixonado.

Hoje reconheço o menino que fui. O medroso. Bem sabes que o que nos aproximou, foi uma mesma tristeza pela inevitabilidade de tudo. Há pessoas que amarram o destino como se quisessem ser salvas. Só temos de saber que o destino somos nós que o construímos e não mais do que isso. Mais nada serve os nossos desejos. Só nós e só o nosso querer nos amarra. As coisas são como são – este juízo derrota-me sempre.

A noite veio depressinha. Despedi-me junto da porta da tua casa, onde não me convidaste para entrar. Ainda bem, tinha medo - aceitava logo. O pior era o que nos ia acontecer a seguir. O medo estava dentro de mim e custava-me muito suporta-lo para que não o visses – medroso.
Estava desvairado para te descobrir a pele, milímetro a milímetro. Mas parecias uma gota que me escapavas entre os dedos – sentia-o.

Sofri mais e mais nos dias todos que vieram para que nos encontrássemos mais uma vez e tantas outras. Pediste para repetirmos. E eu sofria por antecipação. Com o auxílio do meu sorriso, julguei-te seduzida, à beira de seres minha. Mas só queria que fosses minha se eu fosse o teu único (nunca perfilhei ideias de partilhas de amores casuais).
Um dia falaste-me das tuas coisas sérias que estavam mal resolvidas. Ai sim, petrifiquei e passei a estar mais apaixonado - devia ser o diabo a tentar-me. Entre nós o amor não podia ser feito - disseste-me. Como entendia tudo o que me falavas. Esse era o medo em mim e continuei com o medo, por mim.
O tempo encontro-nos. E encontrámo-nos.
As coisas são como são. E, entre elas, o vazio que as une.

Acordei hoje feliz e apaixonado..
.. mais uma vez, de tantos dias bons que vão acontecer. Porque, gosto-te muito minha mui querida amiga, companheira e mulher.

"Ama-me quando eu menos o merecer,
porque será nessa altura que mais necessitarei"
[Dr.JeckyII]


(.. 31Mai’09) (2)