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quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Fantasmas.

Não tinha eu decidido que não seria outra coisa senão eu próprio? Mas como chegar lá, a mim próprio, ao mais próximo do meu dentro?
Agosto passou muito depressa. Setembro veio e logo foi-se sem conseguir resgatar os sonhos que me fazem alguma tormenta quando coloco a cabeça no único travesseiro que uso. O anacrónico som dos sonhos, prolifera nos gestos para sempre deslembrados. Ai o doce e doloroso prazer solitário que me cria fantasmas incolores.
Começo a escrever sem saber o que me leva a carregar nas teclas do meu já velho PC. Nunca sei. Mas quero sempre e todos os dias escrever seja o que for, apesar de na maior parte das vezes nunca perceber porque escrevo coisas que também na maior parte das vezes não fazem qualquer sentido. Tento brincar, esconder letras e, logo as frases ficam sempre imperfeitas, como eu, como os sonhos que não completei, mas ouve um dia que quis que fossem reais. Acredito que as palavras que vou escrevendo, cada uma trás consigo a seguinte, pois que a vontade e a premeditação me impedem de atingir o objectivo, desconheço, que só se revela pouco a pouco, conforme as frases, parágrafos, ao menos devia escrever sem estar agarrado à boca.
Sonho com frases antes de escrever, mas no momento de registo, entendo que não prestam para nada, disso tenho a certeza e não do medo que jaz em mim, pelo menos nos sonhos.
O que importa é que ao escrever sinto-me transportado sem saber que pudesse saber para onde, qualquer lado é sonho, qualquer lado é passado e as palavras são tão poucas e a única verdade ficou no passado.
Acredito em muitas coisas, a maioria são confusas. Amo a vida que se torna pequena, quase do tamanho de uma mão de criança.
A culpa é minha que falo e penso confuso e não consigo sair do círculo que me parece que me trava os sentidos, as emoções, até sinto o sangue a deixar de correr. A culpa é minha porque só eu entendo as palavras que escrevo e não quero que seja de outra maneira.
Assim vou-me entretendo a ver os outros a entreterem-se. Em casa, sinto-me protegido. Cada vez mais seguro. Escondo-me debaixo do teclado que exige sempre mais palavras que invento com paixão acrescida dos sonhos que não realizei.
É como o amor. Amamos sozinhos. Sozinhos tudo é compromisso nulo. Sentimo-nos bem. Mas acompanhados tudo é mais carnudo.

“A minha juventude não foi mais do que uma tempestade de sombras, atravessada aqui e além por raios de luz”. Charles Baudelaire.

Não copiei esta frase, fui eu que a escrevi porque, é o que sempre e ainda sinto.

(.. 14Out’09)