As pessoas deviam ter mais de uma vida ou, pelo menos, uma que pudessem também voltar atrás se necessário. Para corrigir o que saiu mal à primeira, aprender a saborear as poucas horas boas – como algumas canções, quanto mais se ouve mais se gosta – e, sobretudo, para poder ir primeiro por um lado e depois por outro e depois sim e depois não e ou pelo caminho que se encontra ao nosso jeito ou pelo menos mais fácil para nós, porque isto de viver.. não é fácil; quanto maior for a consciência, mais difícil se vive - essa é que é essa.
Não era giro voltar atrás. Era melhor pensarmos melhor no que fazer das coisas do nosso dia a dia. No entanto ninguém pensa e, por não se pensar em nada, choramos. Deve ser por isso que a maioria das pessoas chora sem dizer a ninguém que chora. Chorar deve ser alguma doença medíocre para que ninguém queira participar as lágrimas ocorridas - eu sempre chorei quando era mais pequeno e agora que sou "mais maior grande", continuo a chorar e isso não tem mal nenhum.
Ter muitas vidas também é uma grande merda. Como ninguém nasce ensinado e é com as muitas vidas que se aprende, pergunto porque nos enganamos tantas vezes nas coisas que fazemos se nenhuma das vidas gostamos. Para que pedir outra vida se uma só que já passou à muito desvanece no sangue que se perde em vidas que não queremos e é por isso que quanto mais vidas menos vidas sérias vivemos.
Assim não dá.
Tudo o que acontece não pára de acontecer e ficamos confusos e ficamos perplexos com a vida que levamos e nos faz muita falta - é um desgaste imenso. Basta uma só vida para se ser muito feliz, mas por termos muitas, nas muitas, nem uma se pode encontrar.
Peguemos numa caixa cheia de laranjas. Todas quase bonitas. Quase todas bem cheirosas. Tentemos escolher uma só laranja, bonita, bem cheirosa e que em principio nos deveria satisfazer o apetite. As muitas vidas não prestam. Chega uma, mesmo que doa muito, mesmo que às vezes sintamos que não é esta a vida que quero, mesmo que às vezes nos apeteça, desviar da vida que temos, o que digo com certa certeza é que uma só vida é melhor do que ter muitas vidas e ter vidas, mais do que uma, é ter na cabeça pensamentos cheios de outras vidas, mas isto todos nós sabemos e continuamos a querer.
A minha vida, será que eu não sei o que seja? Mesmo nada? Se só sabendo o fim é que se sabe a história.
Engraçado é que, quando se começa a falar daquilo que não se sabe, surge a ilusão generosa de que afinal sempre se vai sabendo um bocadinho de coisas que nunca queremos dizer, pensar, ou pensar que queremos falar dessas coisas. É como a morte. Ninguém gosta de falar. É um tema que todos se calam e todos tem medo do mesmo - é um tabu esquisito.
Nisto, como em tudo, talvez me engane. Bem gostava.
Que tenho eu a ver com isto? Nada! E eu a tentar dizer, feito um parvo muito inteligente..
As pessoas deviam ter mais cuidado. Com o que dizem. Com o que fazem – pelo menos com o que fazem sentir – as pessoas deviam ser mais pessoas. As pessoas deviam estar mais juntas. Afastadas mentem mais. Deviam ter mais respeito pelo que não lhes diz respeito.
É com estas anormalidades que às vezes desgasto os sentidos, palavras que se soltam dos neurónios repito, a minha vida, as nossas vidas neste momento abraçadas, largam um suspiro que alguém ouve do outro lado.
Sobreviver ao sucesso é mais difícil do que viver. Normalmente mata e é isso que me faz ir desviando daqui e dali, devagar, depressa e a vida que vivo é só uma. As outras, desvaneceram porque quis.
Não sei o que vai acontecer.
Penso que é muito bom ter uma só vida.
Adormeço todos os dias suavemente que, nem me dou conta das vidas que partiram e isso garanto-o a mim que é uma merda, esquecer as mulheres que me sonharam.
(.. 18Nov’10)
quinta-feira, 18 de novembro de 2010
Vida.
Escrevinhada por:
SepolOm
às
16:36
