Chegou a minha vez de acertar a vida por ela. Quer dizer, acertar contas comigo, porque só comigo ajusto contas, as que tiver, as que me lembro ou não consigo ou não quero lembrar-me.
Amanha caso eu é, um novo acertar de espírito e de bem-estar. Comigo, e também com o mundo, se esse ainda valer a pena. Não acredito que tudo valha a pena - essa é que é essa.
Tudo o que é bom na vida e vivido, não é para se dizer, não precisa de ser falado, nem justificar, podes sempre tentar, mas vais reparar que te afastas quando te queres aproximar, e o teu objectivo, não o definiste - esqueces ao sabor da carência.
A maior parte das perguntas nem merece a nossa melhor ou pior atenção, quanto mais o nosso esforço. Quanto menos perguntas menos mentiras, é que as mentiras querem sempre mais respostas e eu sei disso muito bem, nem sequer devia perguntar, mas podes sempre perguntar, se quiseres, e tu sabes bem que sim, sou absolutamente um coração que fala com o coração - gosto mais de dizer o que sou, pelo menos o que sinto; sou o que tenho por isso, se não tiver nunca sou o que gostava de ser.
E a beleza? Sabes o que a beleza faz? Põe-nos inquietos. Outras vezes faz-nos crianças assustadas, prestes a chorar. É assim, a beleza foi feita para nos chamarem. É bonito quando te chamo e muito bonito quando me chamas, querida amiga, companheira e amanha mulher.
Olho a tua beleza. Já a suporto melhor como homem, de libido cheio e ávido sempre do teu corpo de mulher. É melhor falar de mim e do dia de amanhã. Hoje chove muito aqui. Ontem foi pior. Amanhã o dia é reflectido no abraço das testemunhas presentes entre nós, e dos amigos também. Vou falar mais de mim.
É que quando falo de mim e das coisas sem nexo, sou mais eu. É como uma boca aberta. Gosto imenso. Se quiseres ficar assim toda a vida de boca aberta para mim, gostarei mais de ti, prometo-te, só te peço, nunca me perguntes nada. Nada.
As piores palavras são as melhores. Isso só sabem os que gostam do caos. Como eu. É que sem certezas, a vida é mais verdadeira. Esmeramos mais pelos outros. Do que não sabemos, pode ser. E não te deixes levar mais pelas palavras, as palavras enganam muito sem querer. Tem o máximo cuidado. Todo é pouco. E, no entanto, só temos palavras, nada é mais nosso do que palavras que passam, por nós. As palavras que nos fazem, nos agarram e nos guiam a um lugar fora de nós. Por isso nunca minto, nunca omito, nunca engano e é por isso que nunca fui tão feliz. As palavras ferem e doem muito.
As palavras sem as minhas são a tua palavra. Sim, tu és a única que depois de tantas vidas quase sem sentido no tempo, que quis acreditar, acredito em ti. Tu sempre foste presente. Continuas presente. Nunca fugiste. Abraçaste-me quando mais precisei. Estiveste sempre colada a mim. Dentro de mim. Contigo vou conseguir o final, minha querida amiga, companheira e amanhã mulher.
Amanhã caso eu.
De um momento para o outro não somos nada, podemos desaparecer que o mundo onde vivemos onde fomos tantas vezes sonhados, não nos olha mais porque, o tempo esse, já passou, e as necessidades de nos agarrarmos a qualquer coisas é a nossa salvação. De um momento para o outro podemos desaparecer, vamos desaparecer, não te esqueças. Nada ficará. Não ficarei. E tu ainda ficas, porque é assim e será assim. É assim, o amor serve para uma só coisa, perder o medo.
Faz muito tempo que deixei de ter medo das coisas e de ti começo agora a aprender.
Amanhã caso eu.
(.. 30Out’10)
Nota: .. e já agora, parabéns minha querida filha C, pelo teu dia de aniversário. O dia será o mesmo.
sábado, 30 de outubro de 2010
Amanhã, caso eu.
Escrevinhada por:
SepolOm
às
11:25
