Um dia estava eu no alpendre de minha mãe...
Queria ver o jardim
Sentir o vento, o tempo.
Talvez eu visse que o tempo, não era tempo.
A temporização do tempo não dava mostras de ser quem era.
Não importa, se o tempo quer ser tempo de algo que não seja.
Um dia estava no alpendre de minha mãe
e vi o tempo sorrir.
Sorria e era feliz.
Já eu não sentia isso do tempo... quando o tempo se indispôs.
Senti arrepios na epiderme. A pele se enrugou,
senti a fúria do vento.
O sangue se inquietou...
quem sabe, e se não era o tempo?
Que queria ele de mim?
Um dia minha mãe me colocou no alpendre.
Mas eu não senti o frio amigo.
Claro que o tempo não era assim
rejeitei o frio, porque sei que ele não é assim.
Minha mãe me colocou novamente no alpendre,
eu senti o frio fugir de mim.
Mas quem sou eu para sentir o tempo
que nada quer de mim?
Ele veio, ele foi e eu nada queria dele
nada me obrigava a ser assim.
Minha mãe me chamou, disse eu:
Não quero mais o alpendre,
porque o tempo não chega perto de mim.
Minha mãe gritou e eu nada falei.
Senti... fugi... corri... desesperei
e vi o tempo a fugir de mim.
Mesmo correndo, minha mãe elevou sua voz,
não queria ir novamente para o alpendre.
Nunca tinha sentido nada assim.
Morreu, fugiu, e eu não tive tempo para ver o tempo,
correr a traz de mim.
Minha mãe então me beijou.
Acordou
Meu pijama, estava quente, molhado,
sonhava com o tempo que perdi
sonhava abraçado ao nada
que achava que se encontrava no jardim
cresci, aprendi, entendi e morri,
sem saber o que perdi.
Minha mãe me chamou, mas eu já não estava.
Fugi, gritei
Ele me abraçou
Então descansei e chorei.
Em outra vez eu tentarei entender o chamamento de minha mãe.
Minha mãe então me beijou
acordei
Vem, vem para o alpendre, o tempo chegou.
E eu assim fui, assim sonhei.
(.. 28Nov'04)
domingo, 28 de novembro de 2004
(2) for a butterfly heart
Escrevinhada por:
SepolOm
às
02:23
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