À minha querida companheira e mulher sempre presente..
Ainda agora tenho muitos vazios dentro de mim, não é fácil apagá-los – já sabia, e não procuro em ninguém o preenchimento. A minha nova vida é que me fez deixar de interessar, até de olhar para o que antes eu olhava ainda como um menino. É na minha querida companheira e mulher sempre presente que faço refúgio dos meus sentires, que assertivamente sinto, que é para toda a vida, pelo menos até a morte me chegar e falta tão pouco que, cada vez mais me apetece enroscar dentro da minha querida companheira e mulher sempre presente. Só ela tem a paciência que julga que mereço e por isso e por ela, adormeço todos os dias na respiração e na cama dela, porque ela quer que seja assim e até ela querer, adormeço dentro dela.
Sei que me vais tratar até ao fim – sinto-o, mesmo que te nasça a piedade que se tem por um qualquer desconhecido, e agora muito pobre, cujo destino acabou por fazer acontecer estarmos juntos. Aceitei. Já não há remédio algum para quem encontra alguém que se gosta muito. Há muito que não havia nada que eu pudesse sentir - antes era o disfarce pelas omissões. Um dia, muito perto, um de nós lacrimejará pelo outro, e isso não é mal nenhum, porque a vida não tem importância. O que vale é o que dá valor à vida.
O mais natural é saber e depois esquecer, isso sim é que é natural. Como a minha imperfeição, nunca me distraio e por isso me acham um chato. Lembro-me de tudo, mais agora - que ruim me é a alma, às vezes até me lembro da primeira luz quando nasci.
O facto é que comecei uma nova vida e não posso morrer porque agora sou outro. O outro que era, não sou eu, esse era um menino que acreditava até nas omissões. Deformo-me ainda com dores, são ocas, não é fácil, estou a crescer, sei que sou capaz. Mas quando desaparecer, prometo-te, levo-te comigo. Tu és a mulher bonita que eu mais gosto, minha querida mulher sempre presente.
Esquece aqueles minutos que me porto tão mal quando te sussurro obscenidades no ouvido, no outro também. É que não estou triste, pode é parecer, era assim que tudo tinha de acontecer e não penso mais nos dias anteriores e no dia de hoje também. A vida vale o que lhe prometemos, o que aceitamos, e há coisas que não aceito apesar de acontecerem, por isso esqueço, só não me esqueço de ti, isso é que não. Gosto-te, e tu sabes o quanto minha querida companheira e mulher sempre presente.
(..11Nov’08) (2)
terça-feira, 11 de novembro de 2008
Normal II.
Escrevinhada por:
SepolOm
às
15:15
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1 comentário:
Podes gostar e querer, mas não será ela areia que se move? Cuida te......a idade passa, e ela....Queria tanto que fosses feliz.....Beijo
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