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quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

Filhos.

.. Homens e mulheres.
Aos pequeninos; o menino e a menina.


Depois do início. Os pais estão separados. Ninguém tem e ninguém quer ter culpas. Cada um tem a sua vida. Diferente. O que é igual é coincidência. Acontece o mesmo com tanta gente. É o fruto da intolerância, da pressa. Do querer coisas que o outro não quer. É assim que o mundo saltita, acomoda e tanta gente vive. Mais vale do que andarem com desacatos constantes e pior, os miúdos assistirem, quando há miúdos. Preferem partir. Viverem em casa diferentes e depois de algum tempo, aceitam viver com pessoas também diferentes. É a vida, dizem. Os meninos andam cá e lá. Passaram a ser mais ricos de coisas materiais. Têm quase sempre duas casas. Dois carros e mais brinquedos. Todos têm de trabalhar. A vida é difícil.
O avô tem tempo, parece. Está sem trabalho e de momento não quer mais nada. Anda triste. É uma nova vida. Será assim até ao seu final. É que agora o tempo passa em atropelos de pensamentos e ao que parece, não se quer encontrar.
Ser avô, dizem, é ser pai duas vezes. Devíamos entender primeiro se ser pai, é ser-se escravo da intolerância juvenil etc e tal, de sementes que foram semeadas!
No pensamento, o velho, repete com orgulho nostálgico; “sou avô de duas crianças lindas”. Quando era mais novo tinha pensamentos semelhantes: “sou pai de filhos lindos”.
Os tempos são outros. Os pais preocupam-se. Todos, cada qual com as suas coisas. Só os meninos podem fazer tudo, o avô agora não diz nada. Não é como noutros tempos, quando era pai. Chamava-lhes a atenção, “ainda são meninos para entenderem a estupidez dos adultos”. E ouvia; “Pai posso andar descalço?”. Como pai, tirava-lhe os sapatos.
Os pais gritam muito aos filhos. Os avós são silenciosos. Os avós têm muito mais dores do que quando eram pais. Os médicos dizem aos avós para tomarem algo, dormem melhor e espantam os gritos. O avô pensa que o médico é maluco e aguenta o frio. Os pais sabem quase sempre o que fazer com os meninos - pesam eles. Os avós calam-se.
O filhos fazem muitas perguntas! “Porque não dormimos todos no mesmo quarto?”. Os pais diferem com ares de amor! “No próximo Domingo, vamos comer frango assado com batatas fritas, “tá’bem”?”
Os avós orgulhosos andam de mãos dadas com os meninos na esperança que as gentes olhem e saibam que são da mesma semente. Há pais que sofreram muito mais dos que os avós quando os meninos eram pequeninos. Agora o avô chegou à idade de não querer fazer nada, sossegou. Abraça quem lhe chega o beijo na face. Os que lhe procuram. Os que lhe querem afeição. Deixou de procurar. Olha para trás, e sabe, sente, foram dias difíceis, os que passou com os seus meninos. Agora quer que sejam felizes. Os pequeninos. E os outros que já cresceram.
O avô lembra-se daquele tempo (ainda não está gagá), das palavras mortíferas que lhe foram proferidas. Era um pai. Ainda lhe dói. Tenta esquecer, mas a lembrança não se vai.
O avô queria o melhor para os seus meninos. Eles não quiseram. E a vida hoje não se compadece com o que queriam e não queriam, os seus meninos. Seria bem melhor, a vida deles, terem feito o que o pai lhes pedia. Na altura, era tão pouco. “O vosso único trabalho é estudar!”, “mereçam este tempo de facilidades!”
E o menino pergunta; “e para que serve?”, o avô sabe: “É para jogares”. O menino pede: Conta a história” e o avô protesta: “Outra vez o capuchinho vermelho!”
Os filhos queixam-se. Os meninos e os avós nunca se queixam. Têm sempre um ar sério, olham de frente e seguem. Sabem o que estão a fazer. Na rua vão sempre de mão dada. Confortáveis, alegremente sorridentes. Sentem orgulho de estarem juntos. Não se cansam de todos os dias verem as mesmas coisas. Gostam de se olhar, procurar os sorrisos um no outro. Gostam de ir ao jardim. Brincar nos baloiços. Nos escorregas. Ir há piscina.
O avô volta a ser pequenino e todos os dias o menino e a menina crescem.

(.. 18Dez’08) (2)

2 comentários:

Anónimo disse...

:) Gostei da suavidade com que termina o teu texto...
Suave e doce...tão serena aquela frase, que me fez ver uma luz ao fundo do túnel...

Quero ser pequenina...:)

MP

Anónimo disse...

Quase gostei de tudo o que li, o quase é para não seres vaidoso. eheheheh Beijo alexa