.. quando só.
A ilusão é muito importante. Quase todos vivem assim. Parados no tempo, parados dentro do nada. A ilusão permite que vivamos pensando que estamos bem ou pelo menos quase bem. Acredito que a ilusão é madrasta do “deixa andar”.
Tenho dias que a fúria me invade. Tenho dias que não me apetece dizer nada, tão pouco repetir seja o que for. Ninguém sabe o que está a acontecer. Dizem que o mundo está em constante mudança. As pessoas mudam todos os dias e isso não tem mal nenhum. O amor – já o disse aqui – é cada vez mais rápido. Sente-se só passar. Não tem tempo para ficar. E deve ser por isso que cada vez mais vivemos de ilusões. A ilusão fica até nós querermos, ou pelo menos, até um dia dizermos, basta. Mas ninguém consegue ou quer dizer basta, e disso tenho a certeza. É quase como o frio que hoje sinto, é que nunca esteve tanto frio assim de repente e agasalho-me tanto hoje e os dias seguem outros mais dias.
Antes tinha medo de me perder, hoje perdi-o. É um alívio. Não sabemos o que é a vida e o que está para lá dela. Ninguém nos ensina e quase sempre pensamos que viver sozinhos é melhor do que viver acompanhado, o que é uma grande parvoíce. Normalmente quando me sinto triste, sem testemunhas, a tristeza parece-me doce. Não implico e não implicam comigo. É que quando estou triste, quase nunca me apetece dizer nada, mas estar assim sem dizer nada, não quer dizer que não goste de quem me obriga a abrir a boca. É que apesar de fingir, tenho momentos que não me apetece fingir nada, nem falar, e se não falo, não finjo. Não precisamos de fingir tanto. Nem tantas vezes. Triste, posso gritar à vontade que ninguém me ouve - uma cama não deixa de ser uma cama, por a encontrar-mos vazia.
Sou um homem estranho com manias adversas e às vezes até complicadas que preciso de preencher sobretudo com imaginação, quiçá ilusão, e assim, a ilusão invade-me.
Viver com alguém, obriga-nos a partilhar o que nem sempre se pode ou é bom partilhar. Facilmente desistimos de nos explicar porque as palavras ao repetirem-se, se vão esvaziando. Cansa muito imaginar o que se faria se estivéssemos sozinhos sabendo o engano grande que há sempre nisso. Se quisermos ser justos é ainda mais difícil, porque não o somos. Falta o tempo quanto mais falta temos de companhia, e ficamos mais sozinhos. Sim, podemos ser suficientes para várias pessoas mas somos sempre insuficientes para uma só.
Assim penso, mas ninguém acredita porque sou um ser ainda estranho.
Claro que a vida não é assim, dizem. Dói perder as vozes que habitam numa casa, mas aí a ilusão volta, e continuamos a fazer passar os dias iludidos.
(..11Dez’04)
A ilusão é muito importante. Quase todos vivem assim. Parados no tempo, parados dentro do nada. A ilusão permite que vivamos pensando que estamos bem ou pelo menos quase bem. Acredito que a ilusão é madrasta do “deixa andar”.
Tenho dias que a fúria me invade. Tenho dias que não me apetece dizer nada, tão pouco repetir seja o que for. Ninguém sabe o que está a acontecer. Dizem que o mundo está em constante mudança. As pessoas mudam todos os dias e isso não tem mal nenhum. O amor – já o disse aqui – é cada vez mais rápido. Sente-se só passar. Não tem tempo para ficar. E deve ser por isso que cada vez mais vivemos de ilusões. A ilusão fica até nós querermos, ou pelo menos, até um dia dizermos, basta. Mas ninguém consegue ou quer dizer basta, e disso tenho a certeza. É quase como o frio que hoje sinto, é que nunca esteve tanto frio assim de repente e agasalho-me tanto hoje e os dias seguem outros mais dias.
Antes tinha medo de me perder, hoje perdi-o. É um alívio. Não sabemos o que é a vida e o que está para lá dela. Ninguém nos ensina e quase sempre pensamos que viver sozinhos é melhor do que viver acompanhado, o que é uma grande parvoíce. Normalmente quando me sinto triste, sem testemunhas, a tristeza parece-me doce. Não implico e não implicam comigo. É que quando estou triste, quase nunca me apetece dizer nada, mas estar assim sem dizer nada, não quer dizer que não goste de quem me obriga a abrir a boca. É que apesar de fingir, tenho momentos que não me apetece fingir nada, nem falar, e se não falo, não finjo. Não precisamos de fingir tanto. Nem tantas vezes. Triste, posso gritar à vontade que ninguém me ouve - uma cama não deixa de ser uma cama, por a encontrar-mos vazia.
Sou um homem estranho com manias adversas e às vezes até complicadas que preciso de preencher sobretudo com imaginação, quiçá ilusão, e assim, a ilusão invade-me.
Viver com alguém, obriga-nos a partilhar o que nem sempre se pode ou é bom partilhar. Facilmente desistimos de nos explicar porque as palavras ao repetirem-se, se vão esvaziando. Cansa muito imaginar o que se faria se estivéssemos sozinhos sabendo o engano grande que há sempre nisso. Se quisermos ser justos é ainda mais difícil, porque não o somos. Falta o tempo quanto mais falta temos de companhia, e ficamos mais sozinhos. Sim, podemos ser suficientes para várias pessoas mas somos sempre insuficientes para uma só.
Assim penso, mas ninguém acredita porque sou um ser ainda estranho.
Claro que a vida não é assim, dizem. Dói perder as vozes que habitam numa casa, mas aí a ilusão volta, e continuamos a fazer passar os dias iludidos.
(..11Dez’04)

3 comentários:
Não és estranho, és irrequieto,irreverente,mas um carinho de homem muito tolo. Nem sempre partilhamos tudo com quem vivemos, é verdade, porque será?
Não vivas iludido porque aí ninguém te ajudará. Sempre que dizes que perdes aprendes e sei não perdes desta vez porque gostas muito. És estranho é a escrever :) Beijos
Para mim não acho estranho ler-te, mas como dizes, "Sim, podemos ser suficientes para várias pessoas mas somos sempre insuficientes para uma só". É agradavel ler os teus momentos e de saber que estás bem. Bjinhos
é incrivel a tua lealdade e irreverencia com as palavras. Beijo
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