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sexta-feira, 11 de junho de 2010

Fingir.

Nunca mintas sobre as coisas que não queres mostrar. Nada mais certo. Nada mais inócuo. Nada mais amadurecido. Mentir para depois fingir é o que mais o homem aprende a fazer na sua vida. É que todos nós de certa maneira mentimos porque gostamos de fazer fantasmas e gostamos de viver com eles para não vivermos sós.
Não existe começar de novo. O que já passou, passou. Voltar a trás é, mentir tudo outra vez. Há quem goste de mentir, para depois chorar. Há de tudo um pouco. Mente-se todos os dias até um dia acertarmos em alguém que engole as nossas mentiras e esse cego dos ouvidos, vive na mentira e o outro alimenta-o. Há de tudo. Ainda bem que há quem saiba o que quer, o que não é o meu caso. Tempos que já lá vão, tinha tudo para não saber o que quero, hoje não é o meu caso. Quando não sabia o que queria, ninguém tinha ou teve a culpa – era assim, agora sou assado e assim sou.
Quando se mente muito, inventam-se palavras nobres. Há sempre alguém que as come. É como o fingir, as tragédias. Cada um foge às suas tragédias, porque mentimos muito. E vão vivendo, com mentira aqui e ali, vivem e choram e a angustia chega de noite sem qualquer piedade. “Tasse” bem. A maioria finge. Mas no que dá? É que o tempo passa, passa. e os fantasmas continuam pendurados no nosso existir. Não há volta a dar. Fingimos – é o mínimo. Fingir e chorar, qual é o melhor?
Por isso, nunca volto a trás. Quem mente nunca deixará de mentir.
Todos temos fantasmas – essa é que é essa, e não posso ajudar ninguém enquanto luto com os meus. Não temer a verdade, ajuda, já que o tempo não apaga nada – enm cura nada (já tinha dito). A verdade é dura, é tudo o que deveríamos querer, mas fugimos dela fingindo – essa é que é essa. E esta coisa é insustentável para se viver.
Fantasmas, tragédias, feridas, tudo isto e outras, são coisas mal resolvidas e por isso ficam dentro de nós até que a verdade que temos tanto medo seja entendida como satisfatória, mas não tem de ser. A verdade de um, não é necessariamente a verdade de outro. Não existe mais verdade. Não existem pessoas mais verdadeiras que outras. Só existe, verdade e fingimento.
Por isso, a verdade é uma merda, porque todos fingimos, até fingimos que somos a verdade e, melhor do que os outros. “Tasse” bem.

(.. 11Jun’10)