De ser e de sentir!
Ser-se justo nem sempre é recompensador. Ser-se fiel é um massacre de consciência adulta só para alguns e este último é que nos vai matando e nós, nem damos conta disso.
Pensamos que somos únicos, capaz de amar alguém, sermos fiéis e reciprocamente o nosso amor devolve-nos a mesma consideração.
Coisa mais enganadora. Quando deixamos que o coração se entregue a alguém, é sempre num certo momento da nossa carência, que ele vai. Podemos escolher o tempo que durará a luta da entrega do coração, mas nunca conseguimos saber nem premeditar o momento que ele sai de nós, para se entregar a outro espaço corporal.
O outro quando recebe, pode estar positivo na recepção mas, o seu coração, pode estar num outro lugar qualquer, e isso nós nunca sabemos porque amamos, e ao amarmos porque de certo a paixão ainda é grande ainda nos envolve, somos cegos, sendo cegos não observamos pequenos nadas que fazem toda a diferença.
Se observarmos atentamente sinais vitais do outro; forma, dicção, conteúdo, olhar, sorriso etc. nos momentos em que ambos nos olhamos ou falamos, seja do que for, é nessa imagem que, tudo o que nós queremos fazer sobreviver de bom para nós, se mostra com a grandiosidade da inocência envenenada ou que estamos realmente na presença de quem nos quer muito (pois… eu, nunca gostei dos telelés). Existe sempre em um de nós, um menor amor ou nenhum, antes sim, uma pequena “pena” e não observamos que o nosso presente e futuro não estão merecendo lugar no coração de quem se mostra.
Um bom psicólogo consegue detectar, as manhas, vulgaridades ou palavras sinceras com pequenas observações. Mas estes são treinados para essas observações e essas premeditadas, encontrando pequenos sinais de alerta que aprendem com afinco durante uns bons anos.
Nós os necessitados, carentes, e quem sabe... de alguma fragilidade emocional por razões passadas, não detectamos porque estamos incondicionais na nossa relação, e somos ainda piores nas relações amorosas. Somos uns meros inocentes desajeitados, porque nos nossos pensares, só existe VERDADE e sem isso, não conseguimos amar.
Nós não conseguimos mas, devíamos pensar que outros conseguem.
Alguém dirá; se pensarmos sempre que alguém nos vai enganar, nunca conseguiremos uma relação, nunca sobreviremos ao amor!
Necessito de reflectir.
Não quero chorar mais do coração do que já chorei. Não tenho nenhuma necessidade de o fazer de novo. Sei, lembro-me que apesar de arrumado, aprendi que é mais fácil dizer agora, NÃO, do que dize-lo amanhã.
Do dia de ontem ou do nosso passado, sabemos como foi e isso está garantido. Do futuro, só podemos semear coisas boas para podermos colher coisas ainda melhores. É do nosso futuro que se trata numa qualquer relação, e para ser boa, teremos que nos sentir bem na nascença da mesma.
É fantástico, como agora consigo olhar coisas simples, que antes nunca via. Pior e nunca aprendi nem mo ensinaram, foi que quando se olha e gosta do que se observa, mas não se sente, vai doer. Dói muito mesmo. E quando se está na relação incondicional com o peito aberto, a dor é aguda.
Pensava que sabia escolher BEM os meus caminhos. Disse-o tantas vezes, e outras tantas vezes eu pensei que tinha-o feito bem. Outrora, quiçá eu tinha o coração noutro lugar, e agora passei para o lado oposto.
Pergunto-me então, como estar bem, com a porra desta vida? Acreditar, em quem? Olhar, para onde? Sentir, o quê?
Devíamos sem fraquejar, pensarmos em nós, e depois em nós, e em nós etc. Mas eu quero acreditar que devíamos todos aprender a sermos humildes. Acho que é necessário entendermos que é, onde a humildade existe, existe também a verdade.
Um dia, em conversa com um grupo de amigos, falávamos de relações afectivas. Como nos relacionamos com outro com alguma facilidade, e depois descobrimos que não é o nosso relacionamento que nos esfria, mas sim quem pertence ao círculo já instituído da nossa relação.
Olhamos para esse círculo que nos mostram, e o que nos mostram é amigos duradoiros e muitas vezes nos reflectem a adição que, são amigos de coração, e depois... Olhamos para nós... Nada é igual, nada tem a ver connosco, nada tem sentido. Lembro-me tantas vezes ao ouvir estas adições substanciais, da história "A Águia e o Mocho" in Fábulas de, J. La Fontaine. E porque li, olho para esses outros, e damos conta que, “esses” de longa duração ou amizade enraizada, trata em termos menos próprios e respeitosos (a nosso ver e desejo) a nossa “amada” do que nós em igual proporção. Esses outros, tudo podem fazer de qualquer maneira que tudo é engraçado, e até é só a brincar. Nós somos a educação do que não merecemos.
"Diz-me com quem andas e eu digo-te quem és". É o termo que melhor define qualquer bom relacionamento.
Eu ainda não queria acreditar nesta conspiração de frases. Mas hoje, lembro essa amiga que tanto me aborrecia com a mesma. Na verdade é coisa pequena que não nos aborrece no início mas, acautelo que se não gostarem dos amigos ou das relações fraternas e bastas vezes exageradas dos mesmos para com o vosso amor ou vice-versa, saião desse lugar porque não vão ser felizes, nunca é mesmo nunca.
Falei dos “esses outros” mas, na verdade o inconveniente é, como o nosso amor quer ou relaciona-se com “esses outros”! Aqui, é como alguém que também diz (claro que me lembro de ti), somos o que queremos que sejam para nós. Este vice-versa é muito inconveniente. Eles são o que alguém supostamente deixa que seja. Se deixa é porque é igual, porque se sente bem assim, porque só assim os tem etc etc.
Temos que ser mais congruentes connosco e não com o nosso amor. Aprovámos o nosso amor por algumas razões, mas ainda não tínhamos olhado tudo!
Se não quisermos chorar de coração, subsistem coisas simples que nos acautelam o coração.
Eheheheheh
Acho que me perdi de novo nesta porra de vida! Sinto-me perdido..
Não me apetece de momento escrever mais. Deu-me uma coisinha má!
"Sinto o que desperdicei na juventude
Choro neste começo de velhice
Mártir da hipocrisia ou da virtude
Os beijos que não tive por tolice
Por timidez o que sofrer não pude
E por pudor os versos que não disse"
Choro neste começo de velhice
Mártir da hipocrisia ou da virtude
Os beijos que não tive por tolice
Por timidez o que sofrer não pude
E por pudor os versos que não disse"
(.. 23jul'05)
