Tenho tido muita dificuldade nos últimos anos, talvez cinco em, dizer a uma mulher que a amo.
Sei, juro que sei, a razão dessa negação premeditada. Realizei ao longo destes últimos anos, boas amizades com mulheres fantásticas. Nem todas sentem o mesmo que eu sinto, nem eu sinto o mesmo que elas sentem. Umas mais do que outras, eu consigo sonhar, quero eu dizer, inicialmente eu sonho mas, num certo momento de criar a responsabilidade que é necessária ao amor, eu nego o sonho e assim vou vivendo os meus dias muito mal.
Mal, porque não consigo dar o passo definitivo que penso sempre no inicio, que sou capaz de dar. Mal, porque no tempo, observo sinais que premedito que, não vou conseguir lidar com eles. Mal, porque não encontro as coisas simples que me maravilham apesar de eu constantemente continuar a complicar. Mal, porque nunca vou além da frase; Gosto muito de ti, és uma boa amiga. Mal, porque nunca vou além de outras frases; És linda, és fantástica, és muito feminina... Gosto de estar contigo.
Complico, porque sei que não sou capaz de mentir. Não sei ser infiel. Não sei enganar. Não sei tantas coisas que vejo todos os dias sucederem dia após dia, no mundo que não vou gostando.
Não sabendo lidar com essas coisas, contínuo a pensar que, tenho falta de confiança necessária para viver uma vida normal na sociedade que me educou.
Complico o que para os meus amigos tudo se resume a; deixa, que isso é assim mesmo! …
Não quero que a minha vida seja falsa. Porque, já a vivi.
Não quero que seja para passar o tempo. Não quero que seja mais um caso que vai acabar, mais uma vez.
Apetece-me repetir o que já há um ano disse aqui:
- Aceitaria casar-se?
- Não.
- Porquê?
- Porque seria infeliz.
- Porquê?
- Porque teria ciúmes.
- E por que teria ciúmes?
- Porque seria enganado.
- Quem lhe disse que seria enganado?
- Seria enganado porque iria merecê-lo.
- E por que iria merecê-lo?
- Porque teria casado.
Tenho medo de ser infeliz. Porra! Tenho o direito de pensar assim, depois de observar cada sinal que me chega. Repenso, e volto a pensar no mesmo.
É fácil gostar de alguém que toma conta de nós. Alguém que lida connosco com muita emoção, carinho, delicadeza, ternura e muitas vezes a sua voz nos perfura o coração ao ponto de termos momentos de virármos o mundo.
Depois, vem aquele dia seguinte, matreiro, silencioso que nos fere a alma. O coração chora e quando chora, dói. Se dói, algo vai mal.
A entrega é sempre diferente em cada um. Nem eu dou mais, nem elas dão menos. É tudo uma questão de sensibilidade.
Quando sinto que amo… sinto-me, morrer. Olho melhor, sinto uma grande sensibilidade toldar-me o espírito. Na mesma proporção que amo, observo melhor. Faço exercícios de vida, estou, mas não estou. Estou na vida do que sonho, e revejo onde cabemos os dois. Fatalmente, não sou bem sucedido nos meus sonhos da verdade.
Morro só de saber que tudo está mal. O amor traz-me lucidez e tudo o que observo… tenho, MEDO.
Não é fácil, entregar-me, pelo menos não tem sido fácil. É uma luta desumana que me faz sofrer. Algumas amigas e menos número de amigos, sabem que sou difícil de mostrar “os dentes” seja a quem for. É na amizade que eu sou mais forte, mais dado, mais oferecido. Mas aqui, nunca acolhe o que a mulher quer que eu sinta.
Não sei ser diferente. Sou assim e com certeza serei assim para toda a vida. Mudar? Porquê? Mudar, mudei eu já faz tempo e o final foi muito mau. O tempo passou e eu não quero chorar mais de coração.
Para mim era fácil dizer que sim a quem mostra sinais de ternura, visto que sou carente de coisas simples. Mesmo assim, terei sempre que sentir que estou na relação de peito aberto e por certo o futuro sorrirá para os dois.
Choro demais, e isso não está certo para mim nem para a minha felicidade.
Quando vejo alguém a chorar, posso apostar que a pessoa em questão sofre justamente por causa de quem deveria ser a fonte da sua felicidade. Então, há aqui algo de errado. Há algo errado no conceito de relacionamento afectivo.
Tudo o que procuramos é a felicidade. No entanto, nada pode ser mais contrário à felicidade que os constantes embates entre parceiros afectivos, conflitos estes que se verifica em praticamente todos os relacionamentos. No namoro, esses conflitos podem estar escondidos e silenciosos pela paixão e dóiem.
Se tiver um desentendimento com um amigo ou colega de trabalho, posso ficar aborrecido, decepcionado, revoltado, mas não me sentirei tão miserável, abandonado, solitário e carente quanto se esse desentendimento for com a minha amada.
Engraçado o que só aprendi há pouco: O termo esposa em espanhol significa algemas. grrrrrrrrr
Preservarmos a liberdade é, o nosso bem mais precioso. Entretanto, parece estar implícito que para nos relacionarmos afectivamente com alguém, precisamos de deixar a nossa liberdade. Isto não está certo. Mas como usufruir da nossa liberdade sem magoar o outro? Como conceder liberdade ao outro sem nos violentarmos?
O que é o certo? Certo é tudo aquilo que me trouxer felicidade, bem-estar, ausência de conflitos, tensões ou desgastes para mim e para os que gosto. Certo, não tem nada a ver com moral. Algo pode ser certo para determinada pessoa e ao mesmo tempo inadequado para o outro.
Crises existirão sempre. Mas o recomendável seria conseguirmos solucioná-las o mais rápido possível, não lhe fornecendo combustível e espaçá-las o mais possível.
Porque é que sempre existirão?
Simplesmente, porque toda a relação afectiva é de natureza emocional e, como sabemos, a emocionalidade emburrece. O emocional não é racional. A tendência é a oscilação entre o prazer e o desprazer, pois, se não fosse assim, esse mecanismo de sentimentos não conseguiria perceber a diferença entre esses dois estímulos e anestesiaria-se.
Por outras palavras: se eu for feliz sempre, não perceberei que estou sendo feliz; se for infeliz sempre, anestesio-me e passo a não perceber a infelicidade.
A oscilação é necessária para que o organismo emocional tome consciência da felicidade.
Se aceitarmos as crises emocionais como naturais e não como querendo impedi-las, não as atribuiremos à nossa opção de relacionamento e deixaremos de questionar que “se tivéssemos optado por um outra forma não nos zangaríamos”. Claro que nos zangaríamos sim. Não é o tipo de relacionamento afectivo que vai evitar zangas e reduzir as crises. É a educação de cada um.
Ao sermos educados pelo nosso ambiente cultural, ficamos impregnados de determinadas reacções condicionadas, e eu que o diga, muitas amigas deveriam ter essa em consciência, para serem minhas amigas. É essa educação que vai determinar se resolvemos as crises zangados ou fazemos carícias. Rsrsrs
Lembro-me de tempos passados que fazia isso… mas, ou era acusado de maricas (melado, cola) ou estava a brincar com coisas sérias. A acusação pior e mais sábia que saia de lábios de quem eu amava era a de ser irresponsável, ou que só sabia brincar com coisas sérias (brinco em cada segundo pelo amor). Ficava frustradíssimo, só me apetecia fugir…
Um passo para evitar as minhas “nossas” zangas foi sempre a pensar no seguinte:
Os melhores generais foram os que venceram os inimigos sem recorrer ao elevado custo das batalhas.
Quem é mais forte:
O que enfrenta ou o que consegue não se zangar?
Tão simples de executar e que faz uma diferença tão grande na nossa vida.
Vale a pena tentar, não achas?
Quem conseguirá ensinar-me que, amar é muito mais simples do que os meus medos? Quem tem a coragem de apostar no final e não nos afectos?
Quem…
Nota: Absolvam-me, mais uma vez quem me lê, sei o que escrever, mas.. Começo, vou para o final, troco o início, escrevo o meio, apago o fim.. grrrrrr
A emoção tolhe-me de momento o que sonho e o tempo não passa, tropeça.
(.. 25Jul'05)
Sei, juro que sei, a razão dessa negação premeditada. Realizei ao longo destes últimos anos, boas amizades com mulheres fantásticas. Nem todas sentem o mesmo que eu sinto, nem eu sinto o mesmo que elas sentem. Umas mais do que outras, eu consigo sonhar, quero eu dizer, inicialmente eu sonho mas, num certo momento de criar a responsabilidade que é necessária ao amor, eu nego o sonho e assim vou vivendo os meus dias muito mal.
Mal, porque não consigo dar o passo definitivo que penso sempre no inicio, que sou capaz de dar. Mal, porque no tempo, observo sinais que premedito que, não vou conseguir lidar com eles. Mal, porque não encontro as coisas simples que me maravilham apesar de eu constantemente continuar a complicar. Mal, porque nunca vou além da frase; Gosto muito de ti, és uma boa amiga. Mal, porque nunca vou além de outras frases; És linda, és fantástica, és muito feminina... Gosto de estar contigo.
Complico, porque sei que não sou capaz de mentir. Não sei ser infiel. Não sei enganar. Não sei tantas coisas que vejo todos os dias sucederem dia após dia, no mundo que não vou gostando.
Não sabendo lidar com essas coisas, contínuo a pensar que, tenho falta de confiança necessária para viver uma vida normal na sociedade que me educou.
Complico o que para os meus amigos tudo se resume a; deixa, que isso é assim mesmo! …
Não quero que a minha vida seja falsa. Porque, já a vivi.
Não quero que seja para passar o tempo. Não quero que seja mais um caso que vai acabar, mais uma vez.
Apetece-me repetir o que já há um ano disse aqui:
- Aceitaria casar-se?
- Não.
- Porquê?
- Porque seria infeliz.
- Porquê?
- Porque teria ciúmes.
- E por que teria ciúmes?
- Porque seria enganado.
- Quem lhe disse que seria enganado?
- Seria enganado porque iria merecê-lo.
- E por que iria merecê-lo?
- Porque teria casado.
Tenho medo de ser infeliz. Porra! Tenho o direito de pensar assim, depois de observar cada sinal que me chega. Repenso, e volto a pensar no mesmo.
É fácil gostar de alguém que toma conta de nós. Alguém que lida connosco com muita emoção, carinho, delicadeza, ternura e muitas vezes a sua voz nos perfura o coração ao ponto de termos momentos de virármos o mundo.
Depois, vem aquele dia seguinte, matreiro, silencioso que nos fere a alma. O coração chora e quando chora, dói. Se dói, algo vai mal.
A entrega é sempre diferente em cada um. Nem eu dou mais, nem elas dão menos. É tudo uma questão de sensibilidade.
Quando sinto que amo… sinto-me, morrer. Olho melhor, sinto uma grande sensibilidade toldar-me o espírito. Na mesma proporção que amo, observo melhor. Faço exercícios de vida, estou, mas não estou. Estou na vida do que sonho, e revejo onde cabemos os dois. Fatalmente, não sou bem sucedido nos meus sonhos da verdade.
Morro só de saber que tudo está mal. O amor traz-me lucidez e tudo o que observo… tenho, MEDO.
Não é fácil, entregar-me, pelo menos não tem sido fácil. É uma luta desumana que me faz sofrer. Algumas amigas e menos número de amigos, sabem que sou difícil de mostrar “os dentes” seja a quem for. É na amizade que eu sou mais forte, mais dado, mais oferecido. Mas aqui, nunca acolhe o que a mulher quer que eu sinta.
Não sei ser diferente. Sou assim e com certeza serei assim para toda a vida. Mudar? Porquê? Mudar, mudei eu já faz tempo e o final foi muito mau. O tempo passou e eu não quero chorar mais de coração.
Para mim era fácil dizer que sim a quem mostra sinais de ternura, visto que sou carente de coisas simples. Mesmo assim, terei sempre que sentir que estou na relação de peito aberto e por certo o futuro sorrirá para os dois.
Choro demais, e isso não está certo para mim nem para a minha felicidade.
Quando vejo alguém a chorar, posso apostar que a pessoa em questão sofre justamente por causa de quem deveria ser a fonte da sua felicidade. Então, há aqui algo de errado. Há algo errado no conceito de relacionamento afectivo.
Tudo o que procuramos é a felicidade. No entanto, nada pode ser mais contrário à felicidade que os constantes embates entre parceiros afectivos, conflitos estes que se verifica em praticamente todos os relacionamentos. No namoro, esses conflitos podem estar escondidos e silenciosos pela paixão e dóiem.
Se tiver um desentendimento com um amigo ou colega de trabalho, posso ficar aborrecido, decepcionado, revoltado, mas não me sentirei tão miserável, abandonado, solitário e carente quanto se esse desentendimento for com a minha amada.
Engraçado o que só aprendi há pouco: O termo esposa em espanhol significa algemas. grrrrrrrrr
Preservarmos a liberdade é, o nosso bem mais precioso. Entretanto, parece estar implícito que para nos relacionarmos afectivamente com alguém, precisamos de deixar a nossa liberdade. Isto não está certo. Mas como usufruir da nossa liberdade sem magoar o outro? Como conceder liberdade ao outro sem nos violentarmos?
O que é o certo? Certo é tudo aquilo que me trouxer felicidade, bem-estar, ausência de conflitos, tensões ou desgastes para mim e para os que gosto. Certo, não tem nada a ver com moral. Algo pode ser certo para determinada pessoa e ao mesmo tempo inadequado para o outro.
Crises existirão sempre. Mas o recomendável seria conseguirmos solucioná-las o mais rápido possível, não lhe fornecendo combustível e espaçá-las o mais possível.
Porque é que sempre existirão?
Simplesmente, porque toda a relação afectiva é de natureza emocional e, como sabemos, a emocionalidade emburrece. O emocional não é racional. A tendência é a oscilação entre o prazer e o desprazer, pois, se não fosse assim, esse mecanismo de sentimentos não conseguiria perceber a diferença entre esses dois estímulos e anestesiaria-se.
Por outras palavras: se eu for feliz sempre, não perceberei que estou sendo feliz; se for infeliz sempre, anestesio-me e passo a não perceber a infelicidade.
A oscilação é necessária para que o organismo emocional tome consciência da felicidade.
Se aceitarmos as crises emocionais como naturais e não como querendo impedi-las, não as atribuiremos à nossa opção de relacionamento e deixaremos de questionar que “se tivéssemos optado por um outra forma não nos zangaríamos”. Claro que nos zangaríamos sim. Não é o tipo de relacionamento afectivo que vai evitar zangas e reduzir as crises. É a educação de cada um.
Ao sermos educados pelo nosso ambiente cultural, ficamos impregnados de determinadas reacções condicionadas, e eu que o diga, muitas amigas deveriam ter essa em consciência, para serem minhas amigas. É essa educação que vai determinar se resolvemos as crises zangados ou fazemos carícias. Rsrsrs
Lembro-me de tempos passados que fazia isso… mas, ou era acusado de maricas (melado, cola) ou estava a brincar com coisas sérias. A acusação pior e mais sábia que saia de lábios de quem eu amava era a de ser irresponsável, ou que só sabia brincar com coisas sérias (brinco em cada segundo pelo amor). Ficava frustradíssimo, só me apetecia fugir…
Um passo para evitar as minhas “nossas” zangas foi sempre a pensar no seguinte:
Os melhores generais foram os que venceram os inimigos sem recorrer ao elevado custo das batalhas.
Quem é mais forte:
O que enfrenta ou o que consegue não se zangar?
Tão simples de executar e que faz uma diferença tão grande na nossa vida.
Vale a pena tentar, não achas?
Quem conseguirá ensinar-me que, amar é muito mais simples do que os meus medos? Quem tem a coragem de apostar no final e não nos afectos?
Quem…
Nota: Absolvam-me, mais uma vez quem me lê, sei o que escrever, mas.. Começo, vou para o final, troco o início, escrevo o meio, apago o fim.. grrrrrr
A emoção tolhe-me de momento o que sonho e o tempo não passa, tropeça.
(.. 25Jul'05)
