Parte 1
Há factos insignificantes que não esquecemos. Sou do tempo em que ainda “era”, é possível ser-se feliz para sempre.
Nunca vemos o mal que fazemos, só o mal que nos fazem se torna claro.
Só vivendo sobre a mudança se pode evitar a dor. Contornando a perfeição do tempo se pode vencê-lo. Assim pensava, enganei-me, porque o tempo não é pensável. Concentrei-me em deixar de ser para poder ser tudo, em esquecer para dominar a existência.
Deixar de ser é ainda acatar as regras implacáveis do tempo. Estou esgotado de correr contra a dor, contra a memória, contra a infância, contra o amor e o ódio. Criei uma meta de tranquilidade que se afasta tanto mais quanto mais corro para ela.
Não há paz no instante, e eu vivo de instantes. Começo a temer que a paz se alimente da paixão de que abjurei.
Alguém me ensina uma dor que não passe. As que passam doem mais.
Os grandes momentos da minha vida nunca me acodem na hora das dores. Conto frases feitas, frases que hoje presto a atenção devida e outrora nem sabia pensar nelas. Nada me diziam, simplesmente aprendi seus vocábulos, seus sons, seus sentidos menos a sua alma.
Quantas frases pronunciei, sem saber? A opacidade do mal é interior. Um muro desconhecido dentro do coração. O interior dói.
Existem coisas que gosto que, comecei a esquecer o som do seu riso.
Quantas vezes menti para ser fiel à verdade do meu amor por alguém. Ou do seu amor por mim, o que vai dar ao mesmo.
A última das minhas namoradas, não foi por me ter cansado dela que a deixei. Foi por me esgotar essa capacidade de acreditar absolutamente em tudo de novo a partir do zero.
Eu tenho que ser forte para ser digno de alguém – enerva-la, desconserta-la, para merecer o seu melhor amor, por mim. Porque não lhe podemos chamar amor?
Não importa o que se ama. Importa a matéria desse amor. As palavras são só um princípio – nem sequer o princípio.
No amor os princípios, os meios, e os fins são apenas fragmentos de uma história que continua para lá dela, antes e depois do sangue breve de uma vida. Tudo serve a obsessão do amor. O sujo, a luz, o áspero, o macio, a falha, a persistência… o céu, o mar, as estrelas... sei lá mais o que?
Meu Deus, como pode uma pessoa pretender existir em ti e ser tão cego para o amor das que me amam?
Tenho medos, quem não sabe?
Fiquei em ti mas, deixas-te de precisar de mim, e por isso precisei ainda mais de ti. Existe pior medo do que este?
Alguém me acusou de te ter descurado. Ninguém descura ninguém, nada passa e nada fica, é apenas a ilusão do tempo.
Nem a carne é sexo, nem o sexo é tão eficaz como se apregoa, tu sabes. O sexo arquiva-se, não se esquece, como o amor.
O sexo é como o comer. Um dia temos tanta fome que nem saboreamos o cheiro e não cheiramos o toque da carne, tem muito a ver com a nossa carência ou falta de um bom abraço, no tempo.
Eu sou mais medíocre, gosto muito do abraço onde ganho anos fantásticos. A maioria das pessoas selecciona as recordações para as usar como bóias: aqui somos sempre um ou outro: Aqui fui feliz. Aqui quero ficar. Aqui sou infeliz e, daqui não quero passar. Distinguimo-nos assim para uso no dia a dia, optimistas e pessimistas, gosto dos recordadores profissionais, o que tento ser.
Qual a quantidade de amor que podes dar-me? Quantos amigos podes esquecer, para chegares ao amor que dizes ter por mim?
Quantas palavras tiveste de esquecer a uns, para as dizeres a mim? Quanto ainda conseguirás amar mais, do que aquilo que nós sempre amámos?
Porque te escolho neste sussurro sem retorno? Porque te quero no meu sono, se iluminaste sobretudo o que eu não consegui ser para ti?
Arrumei os amores, sempre soubeste que sou um homem arrumado de coisas vulgares e amores mortos são amores banais.
O arrumo de amores, é a primeira regra da vida – saber arquiva-los, entende-los, contá-los, esquecê-los. Mas ninguém nos diz como se sobrevive ao murchar de um sentimento que não murcha. As amizades só se perdem por traição. Não sei dar explicações para o desaparecimento do desejo, essa coisa fantástica que existe no amor.
Mas que dizer quando o amor nasce protegido da erosão do corpo, do inicio do encontro, da saliva que cai, daquele olhar doce, e daquele nosso e só, abraço?
Porque se esfuma esse grande sentimento que minutos atrás morríamos um pelo o outro? Porque é que a tua voz de um dia para o outro deixou de me procurar, e eu deixei que a minha vida dispensasse o teu amor.
Lembras-te daquelas conversas reais, longas e pormenorizadas ao telefone? Tu eras tão mulher como eu, eu era tão homem como tu, e cada um de nós tinha sexo, claro tudo entre nós era sexo, sexo sublime, sem o ranger de molas, de qualquer ruído fora da carne, sem o melancólico ritual do frenesim que se aprende na vida e eu do repouso que reduz a paixão a cinzas, tu que sempre achavas maus minutos, para mim esses, sempre foram aquele... Abraço. Sabes e eu sei, que fazemos sexo (lembras-te daquele texto que escrevi aqui? ..." Não sei o que é fazer amor?"... Só sei o que é sexo e sabes que só o sei amar, com um abraço.) como poucos.
Há factos insignificantes que não esquecemos. Sou do tempo em que ainda “era”, é possível ser-se feliz para sempre.
Nunca vemos o mal que fazemos, só o mal que nos fazem se torna claro.
Só vivendo sobre a mudança se pode evitar a dor. Contornando a perfeição do tempo se pode vencê-lo. Assim pensava, enganei-me, porque o tempo não é pensável. Concentrei-me em deixar de ser para poder ser tudo, em esquecer para dominar a existência.
Deixar de ser é ainda acatar as regras implacáveis do tempo. Estou esgotado de correr contra a dor, contra a memória, contra a infância, contra o amor e o ódio. Criei uma meta de tranquilidade que se afasta tanto mais quanto mais corro para ela.
Não há paz no instante, e eu vivo de instantes. Começo a temer que a paz se alimente da paixão de que abjurei.
Alguém me ensina uma dor que não passe. As que passam doem mais.
Os grandes momentos da minha vida nunca me acodem na hora das dores. Conto frases feitas, frases que hoje presto a atenção devida e outrora nem sabia pensar nelas. Nada me diziam, simplesmente aprendi seus vocábulos, seus sons, seus sentidos menos a sua alma.
Quantas frases pronunciei, sem saber? A opacidade do mal é interior. Um muro desconhecido dentro do coração. O interior dói.
Existem coisas que gosto que, comecei a esquecer o som do seu riso.
Quantas vezes menti para ser fiel à verdade do meu amor por alguém. Ou do seu amor por mim, o que vai dar ao mesmo.
A última das minhas namoradas, não foi por me ter cansado dela que a deixei. Foi por me esgotar essa capacidade de acreditar absolutamente em tudo de novo a partir do zero.
Eu tenho que ser forte para ser digno de alguém – enerva-la, desconserta-la, para merecer o seu melhor amor, por mim. Porque não lhe podemos chamar amor?
Não importa o que se ama. Importa a matéria desse amor. As palavras são só um princípio – nem sequer o princípio.
No amor os princípios, os meios, e os fins são apenas fragmentos de uma história que continua para lá dela, antes e depois do sangue breve de uma vida. Tudo serve a obsessão do amor. O sujo, a luz, o áspero, o macio, a falha, a persistência… o céu, o mar, as estrelas... sei lá mais o que?
Meu Deus, como pode uma pessoa pretender existir em ti e ser tão cego para o amor das que me amam?
Tenho medos, quem não sabe?
Fiquei em ti mas, deixas-te de precisar de mim, e por isso precisei ainda mais de ti. Existe pior medo do que este?
Alguém me acusou de te ter descurado. Ninguém descura ninguém, nada passa e nada fica, é apenas a ilusão do tempo.
Nem a carne é sexo, nem o sexo é tão eficaz como se apregoa, tu sabes. O sexo arquiva-se, não se esquece, como o amor.
O sexo é como o comer. Um dia temos tanta fome que nem saboreamos o cheiro e não cheiramos o toque da carne, tem muito a ver com a nossa carência ou falta de um bom abraço, no tempo.
Eu sou mais medíocre, gosto muito do abraço onde ganho anos fantásticos. A maioria das pessoas selecciona as recordações para as usar como bóias: aqui somos sempre um ou outro: Aqui fui feliz. Aqui quero ficar. Aqui sou infeliz e, daqui não quero passar. Distinguimo-nos assim para uso no dia a dia, optimistas e pessimistas, gosto dos recordadores profissionais, o que tento ser.
Qual a quantidade de amor que podes dar-me? Quantos amigos podes esquecer, para chegares ao amor que dizes ter por mim?
Quantas palavras tiveste de esquecer a uns, para as dizeres a mim? Quanto ainda conseguirás amar mais, do que aquilo que nós sempre amámos?
Porque te escolho neste sussurro sem retorno? Porque te quero no meu sono, se iluminaste sobretudo o que eu não consegui ser para ti?
Arrumei os amores, sempre soubeste que sou um homem arrumado de coisas vulgares e amores mortos são amores banais.
O arrumo de amores, é a primeira regra da vida – saber arquiva-los, entende-los, contá-los, esquecê-los. Mas ninguém nos diz como se sobrevive ao murchar de um sentimento que não murcha. As amizades só se perdem por traição. Não sei dar explicações para o desaparecimento do desejo, essa coisa fantástica que existe no amor.
Mas que dizer quando o amor nasce protegido da erosão do corpo, do inicio do encontro, da saliva que cai, daquele olhar doce, e daquele nosso e só, abraço?
Porque se esfuma esse grande sentimento que minutos atrás morríamos um pelo o outro? Porque é que a tua voz de um dia para o outro deixou de me procurar, e eu deixei que a minha vida dispensasse o teu amor.
Lembras-te daquelas conversas reais, longas e pormenorizadas ao telefone? Tu eras tão mulher como eu, eu era tão homem como tu, e cada um de nós tinha sexo, claro tudo entre nós era sexo, sexo sublime, sem o ranger de molas, de qualquer ruído fora da carne, sem o melancólico ritual do frenesim que se aprende na vida e eu do repouso que reduz a paixão a cinzas, tu que sempre achavas maus minutos, para mim esses, sempre foram aquele... Abraço. Sabes e eu sei, que fazemos sexo (lembras-te daquele texto que escrevi aqui? ..." Não sei o que é fazer amor?"... Só sei o que é sexo e sabes que só o sei amar, com um abraço.) como poucos.
Lembrei-me do exercício, de tudo fazermos para o pleno do amor, sem o ranger de qualquer objecto que não fosse simplesmente os nossos corpos. Aprendes-te a ouvir o suor cantar... A certa altura deste conta, ouvias o cantar do nosso molhado, achavas mais uma patética filosofia das minhas muitas “tretas românticas” que te faz animar o teu dia a dia mas, não te deixa dormir na noite a noite.
E eu que a partir de certo minuto (tempo, outrora) quis fugir? Ainda não entendo o sério do porquê, sei que o amor quando me chega e se instala, as minhas atenções são maiores do que os meus sentires e, isso me leva a ser mais atento nas coisas estúpidas mas, sou homem, e por ser homem e só isso mesmo, erro! Faço coisas estúpidas. A insegurança é estúpida é mais uma de muitas defesas, estúpidas.
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Nunca nos casámos e nunca nos casaremos, mas sinto que em momentos vulgares, parecemo-nos com um qualquer casal que a certa altura dos pequenos conflitos sentimentais, nos sentamos em qualquer mesa de uma qualquer cafetaria e diremos: Zanguei-me quanto tu fizeste isto e, ou disseste aquilo. Eu dir-te-ei que foi sem querer, e voltamos a ser o nó intacto do antes e do durante.
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(Parte I de III, talvez mais do que três partes)
(.. 26 Ago'05)
(.. 26 Ago'05)

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