PARTE 3
Não me apego aos amigos como outrora. Não são os mesmos que nasceram comigo nem os mesmos que me abraçaram quando me doía as lágrimas que molhavam o coração pelas emoções de nada ter-mos. Esses ainda estão aqui guardados, nem sei como mas, lembro com saudade cada vez mais emagrecida do sentimento que me educa a não ser o mesmo.
Não me apego aos amigos como outrora. Não são os mesmos que nasceram comigo nem os mesmos que me abraçaram quando me doía as lágrimas que molhavam o coração pelas emoções de nada ter-mos. Esses ainda estão aqui guardados, nem sei como mas, lembro com saudade cada vez mais emagrecida do sentimento que me educa a não ser o mesmo.
Sou assim, sei que sou mais homem, mais selvagem, mais “merdolas”, mais menos nada.A minha educação no tempo de criança, ensinou-me que a vida iria ser boa e os amigos o principal apego porto de abrigo, mas a realidade é mais mortífera do que o sonho que eu tinha até do casamento que, para mim era para toda a vida. Sim para todo o sempre. E porque não foi? Porque entrei no mundo real, aquele em que os amigos já não dão abraços com medos de adjectivos sem fundamento.
Porque é que toda a gente quer à força fazer-me feliz? Recebo avisos sucessivos: se não sair de casa, se não me despedir do silêncio, se não aprender a esquecer, todos se esquecerão de mim. Ficarei sem amigos, sem vida, até sem uma chávena de chá nas longas noites da minha velhice, sem o calor humano que não sei merecer. Oras… Estou a borrifar-me para os merecimentos de quem quer que seja. Ao contrário do que ouço por aí, a amizade não se merece.
O amor sim: engordamos dez quilos, perdemos os dentes, o cabelo deixa de ter aquele charme, fornicamos cem vezes e lá se vai o amor… voa a outros rumos. Rumo a outros corpos mais capazes no momento para quem ainda pode e quer dar o que mais ama, sexo. E eu que vivo de sexo, sem ele sabes que morro e também sabes que o meu sexo é só e simplesmente executado com um bom abraço no tempo, o meu tempo que por vezes é diferente do teu tempo. Conseguimos estar dentro de nós, mais de sessenta minutos do nosso tempo… iupiii, quase que fazíamos aquele recorde tão estranho das cinco horas… gosto mais, como sabes da história dos onze minutos, é mais real, a nossa já é irreal já passou e por isso, não existe.
(Parte III de IV - Continuo a ouvir o cantar do suor, fantástico)
(.. 26Ago'05)
Porque é que toda a gente quer à força fazer-me feliz? Recebo avisos sucessivos: se não sair de casa, se não me despedir do silêncio, se não aprender a esquecer, todos se esquecerão de mim. Ficarei sem amigos, sem vida, até sem uma chávena de chá nas longas noites da minha velhice, sem o calor humano que não sei merecer. Oras… Estou a borrifar-me para os merecimentos de quem quer que seja. Ao contrário do que ouço por aí, a amizade não se merece.
O amor sim: engordamos dez quilos, perdemos os dentes, o cabelo deixa de ter aquele charme, fornicamos cem vezes e lá se vai o amor… voa a outros rumos. Rumo a outros corpos mais capazes no momento para quem ainda pode e quer dar o que mais ama, sexo. E eu que vivo de sexo, sem ele sabes que morro e também sabes que o meu sexo é só e simplesmente executado com um bom abraço no tempo, o meu tempo que por vezes é diferente do teu tempo. Conseguimos estar dentro de nós, mais de sessenta minutos do nosso tempo… iupiii, quase que fazíamos aquele recorde tão estranho das cinco horas… gosto mais, como sabes da história dos onze minutos, é mais real, a nossa já é irreal já passou e por isso, não existe.
(Parte III de IV - Continuo a ouvir o cantar do suor, fantástico)
(.. 26Ago'05)

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