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domingo, 5 de fevereiro de 2006

Distância.

Sei do que necessito. Sei o que quero. Apesar de ter tantas coisas baralhadas na minha vida, sinto-me bem a baralha-la mais e mais, como só conseguisse viver, da adrenalina das emoções descontentes.
Complico muito. Sei-o mais que muitas gentes que não me entendem ou não me querem entender. Complico o que parece fácil. A facilidade é um tormento para mim. Não acredito em coisas fáceis. Não estou habituado a receber nada sem nada fazer para o merecer.
Troco o fácil pelo complicado, talvez por achar que para receber algo, o facto de complicar, mereça então receber algo.
Estranho que sou, pois.
Troco tudo por uma luta mesmo desigual, para sentir o coração morrer por alguém.
O que antes me parecia uma boa luta – a distância – hoje sinto-a, irremediavelmente, perdida.
Quer queira, ou não, hoje a distância mata-me.
Geralmente quando estou nos braços da distância, acontece num dia premeditado para afins diversos. As carências não são fortes porque, vamos premeditados para a distância. Estamos a caminho e daqui a um nada, estamos lá. Tenho mais dias que careço de bons abraços e não tenho a distância junto de mim.
É mordaz o facto na hora da partida, a carência ferir de novo, como uma lâmina no nosso mais íntimo lugar de sentimentos.
Quando se está presente o sonho mostra-nos o Sol. As partidas são adversas aos sentimentos.
Tempos existiram em que a distância me via, semana a semana. Outros, mais desumanos, abraçamo-nos, duas vezes por mês. A morte sente-se, quando o tempo nos obriga a abraçar-nos, mês a mês.
A motivação do amor existe mas, a dor prevalece, ao sentir a fragilidade da partida certa.
Enfrentar a razão, é difícil. Verdade é que não sou feito de carne para encontros desavindos de erros e sonhos feridos. Sou ainda do tempo que se luta pela razão do amor certo, sem mentira e o engano, do amor para toda a vida.
Vivo de partilhas consistentes. Atrevo-me a historiar que nunca fui de “amares” e sonhos de outras gentes. A cobiça nunca me fez viver. A ambição, só me provoca motivação de lutar pelo que me pertence e os sonhos partilhados e nunca divididos.
Tenho dificuldades no dividir e contabilidades do quem dá o que ou mais!
Amo a distância, mas pergunto se faz sentido esse amor se tudo o que quero na vida é a partilha e desprezar a divisão?
Os piores amantes, partilham só os corpos nos dias bons de cada um.
O bom amante não consome só o prazer, adiciona os abraços nos maus dias, nas dificuldades e para advir maior dignidade – honra – presta-se como esposo, para acordar os seus compromissos perante todos, esse, quer vinte e quatro horas de vida, para toda a vida. Naquele dia em que tudo parece mau, que só nos apetece refugiar nos silêncios, ele ali está, para dar mais um bom abraço.
O mau amante ama a fragilidade.
O Sol, faz os amantes sorrirem mas, não se encontram se um deles estiver em choro.
As distâncias não são boas, mas é na distância que se encontram os melhores sonhos.

'Preciso de ajuda' (.. 05Fev'06)

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