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sábado, 4 de fevereiro de 2006

Quando se sabe viver, sabe-se morrer.

Duas palavras que penso o quão difíceis são de coabitarem nas gentes que ignoram coisas simples.

Silêncio e morte.

Porque é que o silêncio deixa as gentes constrangidas?
Porque é que as gentes só se sentem confortáveis enchendo o ar de palavras?
Porque é que nós temos que falar todos os dias, se nem os afectos simples nos são oferecidos?
Porque dizer: Olá! Estás bem? Eu estou! E tu que tens feito? Blá blá blá…

E a morte?
É outro assunto que deixa as gentes constrangidas.
A morte é apenas uma coisa que nos deixa tristes. Levar uma vida infeliz, isso é outro assunto.
Muitas vezes pergunto aos botões de outras gentes:
És feliz? (Não.)
Dás alguma coisa à comunidade? (Sim.)
Estás em paz contigo próprio? (Não.)
Que é feito do teu sonho? Não tinhas um sonho quando jovem?
(Eu queria ser músico, nunca fui. Toco meia dúzia de instrumentos, mas não consigo tocar um só tão bem, como no meu sonho. Achei que cresci e as outras gentes me chamassem outros nomes, por ser só músico.)
Casaste, Tens filhos? (Sim. Sim.)
Não encontras ninguém com quem partilhar o coração? (Não consigo.)
(Sim, ouço alguém.)
Não o suficiente para casares? (Talvez! Um dia quando estiver preparado.)
Gostava de perguntar a esse outro, com quem te preparas, se partilha essa coisa da preparação, contigo?

A morte.
Onde ela inicia não conhece nada. Ela instala-se e come-nos, não devagar mas intensamente. Acabará por atacar o corpo todo, mas o que mais temo é que um dia não muito distante, alguém tenha de me limpar o rabo. Irraa!!!
Por ora tenho sorte, ainda vou a tempo de me despedir de quem gosto.
Também, tenho tempo para ensinar as gentes a pensarem que o último dia é certo para todos mas, o viver bem é só para alguns e estes, podem falar de morte e aceitarem os silêncios.
Quando se sabe viver, sabe-se morrer.

Reflexão:
“Aprendemos tanto com aquilo que nos faz sofrer, como com aquilo que nos ama.”

'Preciso de ajuda' (.. 04Fev'06)

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