Lembrei-me do primeiro amor, do amor, de quando era novo e de como amava antes de tu existires. Há anos que não me lembrava assim dela. Pensava que a tinha perdido. E perdi. Era tipo batata: Era boa mas fazia-me mal, muito mal. Hoje nem batatas como, será? Se calhar foi por causa dela que fiquei tão carente quando nasci.
Nada tínhamos a dizer um ao outro ou, muito pouco falávamos. Fodíamos muito e dormíamos bem, muito bem. Ela gostava de ler as coisas que eu não gostava de ler. Eu queria ler, onde o mundo me deixou. Contávamos os sonhos no dia seguinte um ao outro, era o pouco que falávamos e eu, que gosto tanto de falar quando não fodo (é uma maneira de estar sempre quente, encostado). Sei, que os pesadelos são insónias de quem consegue dormir. Mas o que custa mais é o tanto lembrar – é não esquecer. O que é que se faz com o que nos fica na cabeça, quando já não há nada para fazer?
2
Porque é que as mulheres não resistem a um homem que quer estar sozinho, que nem sequer quer estar com os amigos, ou ter raparigas só para ir para a cama com elas, sobretudo quando tem uma casa pequena tipo barraca e meia cara com corpo de coragem?
Não se pode ficar sozinho e bem disposto neste mundo. Para garantir uma solidão minimamente desacompanhada é preciso estar-se triste. Eu não estou. É difícil fazer entender às mulheres que, estamos sozinhos porque estamos à espera da princesa, a tal, e de mais ninguém. Acham sempre que somos como os outros. O sexo rouba-nos os nossos silêncios, os nossos lugares. Eu nunca vou. Oiço o silêncio a chegar junto com ela.
3
A solidão dá tesão. Quando se está sozinho só se pensa em foder, da mesma forma que, quando se pára de foder, só se pensa em estar sozinho. Pergunto tantas fezes, porque é que as gentes conseguem foder com quem não ama? Não existirá nada de errado?
Devem pensar que o amor fica resguardado mas a verdade é que vai-se fodendo todo à medida que se fode, tornando-se pior do que um farrapo, um nada. Não consigo. Também não me interessa nada saber a razão dos outros.
Nada tínhamos a dizer um ao outro ou, muito pouco falávamos. Fodíamos muito e dormíamos bem, muito bem. Ela gostava de ler as coisas que eu não gostava de ler. Eu queria ler, onde o mundo me deixou. Contávamos os sonhos no dia seguinte um ao outro, era o pouco que falávamos e eu, que gosto tanto de falar quando não fodo (é uma maneira de estar sempre quente, encostado). Sei, que os pesadelos são insónias de quem consegue dormir. Mas o que custa mais é o tanto lembrar – é não esquecer. O que é que se faz com o que nos fica na cabeça, quando já não há nada para fazer?
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Porque é que as mulheres não resistem a um homem que quer estar sozinho, que nem sequer quer estar com os amigos, ou ter raparigas só para ir para a cama com elas, sobretudo quando tem uma casa pequena tipo barraca e meia cara com corpo de coragem?
Não se pode ficar sozinho e bem disposto neste mundo. Para garantir uma solidão minimamente desacompanhada é preciso estar-se triste. Eu não estou. É difícil fazer entender às mulheres que, estamos sozinhos porque estamos à espera da princesa, a tal, e de mais ninguém. Acham sempre que somos como os outros. O sexo rouba-nos os nossos silêncios, os nossos lugares. Eu nunca vou. Oiço o silêncio a chegar junto com ela.
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A solidão dá tesão. Quando se está sozinho só se pensa em foder, da mesma forma que, quando se pára de foder, só se pensa em estar sozinho. Pergunto tantas fezes, porque é que as gentes conseguem foder com quem não ama? Não existirá nada de errado?
Devem pensar que o amor fica resguardado mas a verdade é que vai-se fodendo todo à medida que se fode, tornando-se pior do que um farrapo, um nada. Não consigo. Também não me interessa nada saber a razão dos outros.
Foder uma amiga duma amiga é chato. Então quando elas se fartam de nos imaginar com outras mulheres, como é do seu feitio, é sempre de temer que nos estejam a imaginar na cama com as amigas. Tira um bocado o tesão, esta familiaridade. Mas também quase tudo com a minha experiência, é susceptível de tirar o tesão. Fazer amor é pior. Odeio as mulheres que insistem em fazê-lo, quando não há ali amor nenhum para fazer. A mim, o amor dá-me um tesão maior que o mundo, infelizmente. Feliz aqueles que amam as esposas e podem comer em casa e foder fora. Esses, sim, são uns desgraçados.
4
Amo-te tanto. Sempre essa palavra – tanto. A mim apetece-me logo responder em palavras grandes que se percebam: Mas QUANTO?
O tanto absorvo como uma palavra já tão vulgarizada que dá dó em ouvi-la.
Amo-te que até fico com o peito parado. Quando digo isto, digo quando estou sem ar das coisas que sinto, por essa mulher que me pára a vida. Eu sei e ela sabe, o que sinto e o que lhe digo.
Culpo sempre a mulher quando me dá com os pés, de me deixar com o peito parado. É assim que fico, em estado de pré-morte sem coragem de dar qualquer passo, para fazer seja o que for. Elas gostam tanto de nos deixar apaixonar até deixarmos de respirar, depois sem uma palavra, simplesmente dizem, acabou.
A culpa nunca pega. A paz não vem. O coração não sossega. Lembro-me de tudo e amo cada vez mais. Diz-se que quando morremos, no minuto anterior, revisitamos toda a nossa vida em luz… Eu com o peito parado, sinto o mesmo, só não quero admitir que a morte é feita de culpas e de palavras perdidas.
5
Hoje estou sem qualidade de palavras e de pensamentos. O dia foi fantástico anteriormente. Sem substrato ou qualquer substância, apetece-me sentir o que senti e deleitar-me com o que vi no dia anterior ao meu presente. Sempre sonhei, sempre achei que numa cama, podiam estar um homem e uma mulher, sem que tivessem que fazer sexo necessariamente. Mais difícil de entender e eu adivinhava desde jovem era, se um dia isso acontecesse o amor estava aí em qualquer cama e com qualquer gente que fosse um homem e uma mulher. Pior para esse exercício, é essa mulher ser a mais bonita do mundo e fazer-nos parar o peito.
(.. 22Abr'06)
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Amo-te tanto. Sempre essa palavra – tanto. A mim apetece-me logo responder em palavras grandes que se percebam: Mas QUANTO?
O tanto absorvo como uma palavra já tão vulgarizada que dá dó em ouvi-la.
Amo-te que até fico com o peito parado. Quando digo isto, digo quando estou sem ar das coisas que sinto, por essa mulher que me pára a vida. Eu sei e ela sabe, o que sinto e o que lhe digo.
Culpo sempre a mulher quando me dá com os pés, de me deixar com o peito parado. É assim que fico, em estado de pré-morte sem coragem de dar qualquer passo, para fazer seja o que for. Elas gostam tanto de nos deixar apaixonar até deixarmos de respirar, depois sem uma palavra, simplesmente dizem, acabou.
A culpa nunca pega. A paz não vem. O coração não sossega. Lembro-me de tudo e amo cada vez mais. Diz-se que quando morremos, no minuto anterior, revisitamos toda a nossa vida em luz… Eu com o peito parado, sinto o mesmo, só não quero admitir que a morte é feita de culpas e de palavras perdidas.
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Hoje estou sem qualidade de palavras e de pensamentos. O dia foi fantástico anteriormente. Sem substrato ou qualquer substância, apetece-me sentir o que senti e deleitar-me com o que vi no dia anterior ao meu presente. Sempre sonhei, sempre achei que numa cama, podiam estar um homem e uma mulher, sem que tivessem que fazer sexo necessariamente. Mais difícil de entender e eu adivinhava desde jovem era, se um dia isso acontecesse o amor estava aí em qualquer cama e com qualquer gente que fosse um homem e uma mulher. Pior para esse exercício, é essa mulher ser a mais bonita do mundo e fazer-nos parar o peito.
(.. 22Abr'06)

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