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terça-feira, 15 de maio de 2007

Griffin e Phoenix

1 - Phoenix
Às vezes não queres dar um soco em alguém? Rasgar algo? Não entendo, estou fula. Tenho de dize-lo. Parece que ninguém quer saber, que a vida tem coisas simples e mais importantes. Irrita-me. Só olham para o seu umbigo.

2 - Griffin
- Olha, podes estar fula, mas posso fazer uma pergunta?
Com quem devo estar chateado? Com quem?
Com todos, com o mundo?
Devo estar zangado com todos?
- Sim, deverias.
- Mas não podes.
Não posso pensar no justo e no injusto.
Não posso.
Não posso culpar ninguém de ter “azar” na minha vida. Que nada dá resultado, por mais que me esforce, todos enganam, todos querem a mesma coisa, coisas diferentes do que eu quero.
Não posso zangar-me, nem o ar, nem Deus.
Não posso culpar-me de ser assim e os outros não serem como eu.
Acontece. Acontece todos os dias. Aconteceu e pronto.
A vida é como é.
Eu não quero que a vida seja algo de mal para ti, mas não creio que descarregares as tuas emoções em outras pessoas ou nas propriedades delas, seja a resposta. Não pode ser.
- Esse é o teu problema.
- Qual é o meu problema?
- Pensas que há uma resposta.

3 - Griffin
Já te disse o quanto gosto de ti?
Quero dizer ainda… amo-te muito… tu sabes…
Também gosto muito de ti.

4 - Phoenix
É tão engraçado o que tenho estado a pensar.
Nas “últimas vezes” coisas muito estúpidas.
A última vez que pintei, a última vez que acariciei um cão...
A última vez que toquei piano...
Fiz tantas coisas que morreram num momento...
Desde “a última vez” que lhes prestei atenção. Lembrei-me.
Depois conheci-te...
E voltei a rir e...
... a fazer amor e a apaixonar-me.
Tudo por uma “última vez”.
Mas desta vez prestei atenção.
Obrigada.
Griffin, vai-te embora.
Já não existem mais coisas para fazermos, fizemo-las todas.
Que vais fazer? Para me trazeres flores... mais coisas mortas neste sítio...
Vais passar o tempo todo a agarrar a minha mão, as enfermeiras a cantarem-me os parabéns.
Não quero nada disso. Só preciso de ti para seres recordado como o único que é perfeito.
- Foi perfeito, não foi?
- Sim.
Tudo o que tivemos de belo não deve terminar assim, agora é só esperar. Esperar, e nada mais.
- Quero que vás embora.
- Quero ficar.
- E eu que vás.

5 - Griffin
Olhei o espelho no outro dia. Senti-me um idiota. A final existe uma resposta!
Quero ficar contigo. Amo-te. Para o bem e para o mal. E este tempo, este tempo que tivemos. Pode ser parte, a melhor parte. Porque estaremos juntos, e dessa forma, tudo, incluindo isto… É o melhor.
Quero ficar, dentro da tua vida real. Quero estar aqui. Quero estar onde quer que tu estejas.
- Tive saudades tuas.
- Eu ainda tenho.

(continuo eu a sonhar?)
Beijaram-se de amor até serem levados no tempo seguinte, divididos em duas coisas cada. Uma parte de cada um subiu e voltaram a beijar de amor para sempre. A outra, uma de um e a outra do outro, desceram há terra, para serem uma vez mais consumidos pela natureza das coisas e renascidos uma vez mais, para se encontrarem noutro lugar qualquer e, um dia, voltarem a olhar-se e a amarem-se para sempre.


(.. 15Mai’07)

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